❪ todos pensam isso. ❫ disse entre soluços, era como se todos os olhares que já tinha recebido durante sua vida estivessem ali, em sua cabeça, a julgando incessantemente mas não o de zee, ele tinha aquele olhar de quem queria protege-la e isso só a fazia pensar que ela seria ruim pra ele, o colocaria em perigo como colocou klaus. ❪ você não é como eu, se anda comigo eles vão… vão te olhar… ❫ não queria mesmo que zee recebesse aquelas olhares, que sofresse como ela, não era justo, seu corpo cintilava de um jeito estranho como se fosse uma luz quebrada, falhando entre os tons e as intensidades, assim como se sentia confusa por dentro sem saber o que sentir mesmo que doesse muito. olha pra mim. ela se forçou a fita-lo tentando secar as lagrimas que insistiam em lhe encher e transbordar os olhos. não é ruim ser igual ao hook. ela riu, mas sem graça, suas mão seguraram a barra da saia, ela olhou pra baixo para fitar como se vestia, o orgulho de ser uma hook, não, aquilo não tinha mudado. ❪ não importa o que ele fez, eu sei que talvez não tenha sido certo mas… é o papai, ele sempre faz o que acha ser melhor, ele só queria ajudar… ❫ ajudar aqueles que foram esquecidos, as pessoas do castigo, ninguém em arthurian se importava em como a falta de magia os afetavam, ninguém ligava se alguém de baixo morria, ninguém ligava pra eles, ela tinha sorte de tá ali mas isso não diminuía como se sentia um nada pra eles. ❪ ele fez o mesmo na terra do nunca quando ele tentou salvar aquelas crianças do peter pan. ❫ mas ele foi chamado de vilão e continuava sendo chamado assim, do que adiantava então? os piratas eram tirados como ruins por irem contra o sistema, por enfrentarem qualquer um que eles julgassem estarem errados, eles eram conhecidos por serem o juiz, o júri e o carrasco. não sei a sua história. nem mesmo ela sabia, aquela memória de sangue em suas mãos, ela não se lembrava daquilo, o que uma criança poderia ter feito? o que fizeram com ela? sei quem é você… e você não é um monstro. ❪ eu não sou um monstro. ❫ murmurou baixinho para si mesma, sua voz saiu entrecortada pela respiração desregulada e o choro, seu braços envolveram o amigo o apertando contra si, ela só queria sentir seu cheiro e seu calor, sempre tinha sido ela que o acalmava mas agora percebia que ele tinha o mesmo efeito sobre ela. estava doendo muito mas sentia que podia aguentar se o tivesse seus amigos ao seu lado.
“Sabe o que todos pensam também?” Zhao tentou melhorar um pouco as coisas ali, os olhos focados no rosto da amiga e tentando acalma-la um pouco, era importante para ele fazer com que ela entendesse de vez, ninguém ali era um monstro de fato. “Todos pensam que a minha mãe é uma burra fedida e que devíamos morar no castigo com ela” Disse em voz baixa e um sorrisinho no canto dos lábios, era a primeira vez que falava disso abertamente com alguém, nem mesmo com a própria família ele era de tocar no assunto, era uma parte que ele tentava fingir que nunca existiu. “E acha que andar comigo muda alguma coisa? Mushu vive no castigo, eu sou quase como você” Brincou com uma risadinha baixa logo em seguida. Enquanto ouvia a garota falar sobre o seu pai, Zhao sentia seu coração apertar um pouco, sabia como os pais eram quando precisavam agir por amor e as vezes se questionava se Mushu já tinha feito um ato tão grande assim por eles ou… só… por ele. Estavam tão acostumados a vê-lo sofrendo pelos cantos que existia essa possibilidade, ainda que Zhao ficasse constantemente irritado com o mais velho. E por mais que fosse, de fato, ruim o que estava acontecendo entre Hook e todo o contrabando que foi denunciado, ainda sim, Jade não tinha nada a ver com isso e as pessoas precisavam entender, os legados não deveriam carregar os pecados de seus pais nas costas. “Salvar crianças do Peter Pan?” Murmurou baixo, era uma versão da história que desconhecia, mas vindo de um lugar cheio de hipocrisias como aquele, não se surpreenderia se fosse isso mesmo. “Tudo bem ficar assustada” Disse em voz baixa, enquanto Jade se agarrava a ele daquela forma, levando a mão até a sua nuca e acariciando de leve, roçando suas unhas curtas na região só para que isso pudesse acalma-la, como a garota mesmo costumava fazer com ele e sempre dava certo. Zhao poderia ter várias pessoas em sua vida, muitas poderiam ir e vir, mas Jade ainda era o seu pequeno porto-seguro e não tinha como ir contra isso. Ambos conseguiam se entender muito bem e as vezes não precisava de palavras, então conseguir acalma-la era, naquele momento, o mais importante. “Vou te levar pro meu dormitório, está bem? Vou fazer você dormir e vai estar segura comigo”