Não sei
Eu estava sempre ali, presa ao chão com correntes invisíveis que faziam a gravidade ter peso, as correntes também estavam sempre ali embora elas não fossem necessárias pois havia sob meu peito uma bigorna que já me compactava ao solo. Chamam isso de ansiedade. Surge sempre em mim a sensação agoniante de estar perdendo o ar, como se um ser invisível me desse um soco no estômago e tudo se embrulhasse aqui dentro. Olhando a vastidão do horizonte era nítido o quão vazio e vasto estava também dentro de mim. Mas convenhamos, todas essas coisas são coisas extremamente feias e completamente sem cor, tristes de falar, bonito mesmo é o fim de uma tarde onde você pode contemplar que já se vai mais um ciclo que é composto por 24 horas cheias de minutos de sensações abstratas que as vezes não são fáceis definir. Bonito mesmo é o acordar do dia seguinte quando você passou a noite se acabando em si mesmo, esse acordar vem com a renascença, chama-se sobrevivência. Viver é selva, é maluquice pura e por mais que os filmes com finais felizes te digam isso, é impossível que você seja feliz por toda a vida, mas você experimentará tantos sentir, bons e ruins que será certo no final que viver é engrenagem composta por loucura e lucidez na qual somos balanças completamente desreguladas. Larissa Lisboa














