“Por muito tempo eu tentei ser a pessoa que entendia todo mundo. Que relevava as demonstrações de desinteresse, por achar que as pessoas poderiam estar passando por um momento ruim. Eu passei a me dar desculpas quando alguém me machucava. Eu defendia os outros e me machucava, em consequência. Eu pensava que eu que estava sendo egoísta em querer que alguém se importasse minimamente comigo. Isso me machucou ao ponto de fazer com que eu não queira que ninguém mais entre na minha vida. É muito ruim quando percebemos que, além das pessoas que a gente ama não priorizarem a gente, nós mesmas não nos priorizamos. Sempre passei a frente dos meus sentimentos, do meu orgulho e das minhas questões para me doar ao outro. Sabe aquele pensamento de achar que vai atrapalhar a outra pessoa se desabafar ou se falar verdade que te corrói? Pois é, ele me sufoca e me angustia diariamente. Por isso, aos poucos fui me blindando de algumas dores, não me permitia sentir muitas coisas e com isso, às vezes, não me permitia viver de verdade. Eu estava apenas sobrevivendo e não era isso que eu queria, afinal eu só queria viver o final feliz, que li em milhares de livros e vi em milhares de filmes. Percebi então que, embora eu quisesse muito ter alguém para recorrer quando necessitasse, eu conseguia sobreviver sem isso. Que eu deveria, sim, parar de ser o estepe das pessoas e começar a ser o meu. Ando quieta na minha, mas é a forma silenciosa que encontrei de recomeçar, é a forma que encontro para não ficar apontando para fulano ou ciclano que, eu me doei ao extremo enquanto pouco se importaram comigo. Portanto estou sozinha como sempre fui, andando um passo de cada vez, em paz. O que está sendo bom, pois estou aprendendo a ser suficiente para mim mesma e não ter que ficar me importando com algo que em nada me valorize.”