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@5dejulho
Guarde os poucos, mas bons amigos. Aqueles que riem contigo, choram contigo, mostram para ti que tudo passa nesta vida, até a dor que parece não ter fim — também passa. Mas eles não, os bons amigos, não passam. Eles ficam por ti, para ti, para ser abrigo, fornecer abraço, ser lenço e alavanca nos tempos difíceis.
eu aprendi a lidar com o luto de um jeito que, pra muita gente, pode parecer distante… mas, pra mim, é a forma mais honesta que eu encontrei de continuar.
não é que não exista dor.
é que ela não domina.
eu nunca consegui enxergar a morte como uma injustiça absoluta.
sempre vi como parte de um ciclo inevitável, algo que, cedo ou tarde, atravessa todas as histórias, independentemente do quanto a gente ame, do quanto a gente queira manter, do quanto a gente ainda não esteja pronta.
e talvez por isso, quando a perda chegou, ela não me destruiu da forma que eu imaginava.
ela me silenciou.
foi um silêncio profundo, interno, que não gritava, não implorava, não fazia cena.
um silêncio que me fez olhar pra tudo que foi vivido com uma espécie de reverência.
porque, no meio da ausência, o que mais ficou não foi o que faltou, foi o que existiu.
os anos.
as conversas.
os momentos que, na época, pareciam comuns… mas que hoje carregam um peso quase sagrado.
eu não fiquei presa tentando negociar com o que já não podia ser mudado.
não me vi brigando com a realidade.
eu aceitei.
mas aceitar não é esquecer.
aceitar é aprender a carregar sem deixar que aquilo te quebre por dentro.
e, com o tempo, o luto foi mudando de forma.
no começo, ele é mais presente, mais reconhecível.
depois, ele se dilui no cotidiano, como se fosse se misturando com tudo que você vive.
até que chega um ponto em que ele não está mais o tempo todo…
mas também nunca vai embora completamente.
ele aparece.
em dias aleatórios, em momentos comuns, sem aviso.
uma lembrança atravessa, um detalhe qualquer, uma sensação difícil de explicar… e, por alguns segundos, tudo volta.
não com a mesma intensidade de antes, mas com uma profundidade que ainda toca.
e existe uma parte disso que me atravessa de um jeito muito específico.
eu não lembro mais da voz.
e isso, de todas as coisas, é o que mais me desestabiliza em silêncio.
porque a voz é presença.
é movimento, é vida acontecendo.
e quando ela se perde, fica uma sensação estranha…
como se a pessoa estivesse, aos poucos, se tornando menos concreta.
eu olho fotos e reconheço perfeitamente o rosto, a expressão, o jeito de existir ali congelado no tempo.
mas falta som.
falta aquilo que tornava tudo vivo.
e é nesse ponto que o luto revela uma das suas camadas mais difíceis:
não é só sobre perder alguém.
é sobre assistir, com o passar do tempo, a forma como essa pessoa vai deixando de ocupar espaço na memória de um jeito completo.
não porque foi esquecida.
mas porque o tempo transforma tudo.
transforma presença em registro.
transforma convivência em lembrança.
transforma vida em algo que existiu, e que agora só pode ser acessado por dentro.
e existe uma sensação quase abstrata nisso tudo…
como se, em algum nível, a pessoa tivesse se dissolvido da vida.
não no sentido de deixar de importar,
mas no sentido de não existir mais no mesmo plano que antes.
e, ainda assim, eu não sinto revolta.
não sinto aquele desespero que exige respostas ou explicações.
o que eu sinto é mais quieta.
é uma saudade que não pesa o tempo todo, mas que, quando vem, vem com uma densidade que não precisa de barulho pra ser sentida.
é uma consciência constante de que algo muito importante passou pela minha vida…
e que eu tive a chance de viver isso enquanto era possível.
e isso, pra mim, tem um valor imenso.
porque nem todo mundo tem tempo.
nem todo mundo tem história.
nem todo mundo consegue olhar pra trás e reconhecer que, apesar do fim, houve verdade.
e houve.
houve presença real.
houve troca.
houve vida compartilhada.
e talvez seja isso que sustenta a forma como eu lido com tudo.
eu não deixo a tristeza tomar o espaço inteiro…
porque eu não quero que a ausência seja maior do que o que foi vivido.
eu escolho lembrar com respeito.
com uma certa delicadeza interna.
como quem entende que algumas coisas não ficam… mas também não se perdem completamente.
elas só mudam de lugar.
e amar alguém que já não está mais aqui é exatamente isso:
é continuar reconhecendo a importância dessa existência…
mesmo que ela já não possa mais ser tocada, ou ouvida, ou vivida da mesma forma.
é aceitar que a vida segue…
sem negar que, em algum ponto dela, alguém foi insubstituível.
e, no meio disso tudo, eu sigo também.
não intacta, mas inteira o suficiente pra entender que o luto não é o fim do amor.
é só a forma que ele encontra de continuar existindo…
quando já não existe mais presença.
Renda sobre renda
Entrelaço-me em fios de tempo,
como quem borda a própria sina
na suavidade de um amor antigo
daqueles que escrevem cartas,
que suspiram em silêncio,
que eternizam um olhar.
Sou renda sobre renda,
camada sobre camada de história e desejo,
delicadeza que não se desfaz ao toque,
mas que guarda em cada ponto
a firmeza de quem já se refez mil vezes.
Ah, se soubessem…
por trás da leveza dos meus gestos
habita um vendaval de coragem.
Não sou feita apenas de suspiros e saudade,
mas de escolhas ousadas
e silêncios que gritam independência.
Amo como as damas de outrora,
com olhos baixos e alma em chamas,
mas caminho como quem não se curva,
porque aprendi que amar
não é perder-se,
é florescer inteira.
E quando me cubro de renda,
não é para esconder-me do mundo,
é para lembrar que minha delicadeza
não anula minha força,
na verdade,
ela a veste,
a celebra,
a proclama.
Sou verso antigo em corpo presente,
sou ternura que resiste ao tempo,
sou mulher que sente profundo
e ainda assim se ergue, soberana,
como poesia que não pede licença
para existir.
Por @meus-excessos ✍🏽
a bunda dela me fascina
valores
Acho que, por muito tempo, tivemos uma visão equivocada sobre o gostar, sobre o que é amar.
Às vezes, acreditamos que amar é lutar até o coração se esgotar mudar, insistir, resistir para que alguém permaneça. E, sim, há beleza nisso.
A dor da partida fere, a gente tenta, a gente chora… e, quando a pessoa fica, tudo parece valer a pena.
A segunda-feira, antes tão pesada, ganha leveza.
O dia se ilumina na companhia, no cheiro que se torna favorito, nos olhos que acalmam o coração.
O riso vira melodia, e, de repente, tudo é mágico.
Mas o que quase nunca nos contam é que amar também é deixar ir.
É reconhecer, com coragem, que quem amamos já não é feliz ali.
E talvez essa seja a forma mais bonita e mais cruel de amor.
Ir embora quando o coração implora para ficar.
Quando o corpo grita por um abraço.
Quando o cheiro ainda mora na memória, mesmo a quilômetros de distância.
Ser frio por fora, quando por dentro tudo é tempestade, rasga.
Porque não é isso que o coração pede.
Não é isso que a alma entende.
A nossa conexão foi e sempre será única.
Seus olhos de jabuticaba sempre disseram tudo aquilo que sua boca não teve coragem de falar.
Você se tornou um dos meus lugares favoritos no mundo um tesouro que encontrei quando tudo em mim era escuridão.
Mas eu não consigo florescer onde minhas raízes encontram mais dor do que afeto.
E, por você ser quem é, não posso permanecer onde meus sentimentos começam a ferir você.
As minhas águas, que um dia te acalmaram, hoje te afogam.
Meus ventos, que arrepiavam sua pele, hoje te fazem encolher de frio.
Então vá.
Seja feliz como você merece.
Daqui, eu sigo…
Descobrindo novos caminhos, respirando outros ares, Aprendendo novas teorias daquelas que sempre me encantaram e guardando cada uma com carinho, como quem já imagina o momento de dividir tudo com você.
Vou colecionando histórias, porque, quem sabe, quando você decidir voltar… eu tenha um universo inteiro para te contar.
Mas saiba: sempre haverá um café pronto para você e um abraço guardado, esperando a sua chegada.
Quando estiver pronto, não precisa bater.
Pode entrar.
Eu estarei aqui nesta vida, ou em qualquer outra.
Foi um privilégio te conhecer.
Eu amo você.
Com amor,
Ariel.