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@69-bit
I want him to suffer as I have suffered. I think I could fit the sky inside the hole he made in me.
Nicola Maye Goldberg, from “A Woman Surveys a Treacherous Mountain Pass,” published in Nailed Magazine (via lifeinpoetry)
Audrey Hepburn in Sabrina (1954).
The secret to keep ya’ / HaeSo
bulletproofboy:
Não obter uma resposta ou sequer um comentário sobre o que havia acabado de dizer, realmente deixou Haejin possesso. Contudo, ele não retrucou, nem xingou. Apenas aumentou a velocidade das estocadas, mesmo que o corpo de Sora desse todos os sinais de que a garota estava perto de seu ápice e também que o corpo do próprio rapaz seguia por este caminho. Seu sangue parecia ferver conforme sentia-se cada vez mais fundo nela e conforme também ouvia os sons de seus quadris contra os da mulher, por conta da força que o de pele morena aplicava. Aquela era sua melhor maneira de descontar a raiva que começava a aquecer seu peito, segundo a percepção de Haejin. Por isso concentrou-se em fazer o que nunca havia feito antes: morder e chupar o contorno dos seios de Sora com extrema força, na intenção de realmente marcá-la. Queria fazer com que os gritos dela fossem ainda mais genuínos quando envolvessem seu nome, porque, bem, sua frustração era verdadeira e crescente agora. Queria, na verdade, causar-lhe mais dor do que prazer, naquele instante, justamente porque não estava sendo nada cuidadoso com aquela área e sabia que Sojin resmungaria sobre a porra do trabalho que tinha e que seria prejudicado com os roxos – se não pretos – que seus dentes e lábios desenhavam em sua pele.
Finalmente sentindo seu membro pulsar, Haejin manteve o ritmo da penetração até sentir-se deixar dentro do preservativo. Suas costas ardiam como o inferno por conta dos arranhões da japonesa, mas essa ainda era uma coisa boa para o moreno. Assim que sentiu seu abdômen se contrair, ainda se dedicou um pouco ao ponto sensível de Sora, voltando a sugá-lo enquanto suas mãos mantinham-se ocupadas em livrar-se da camisinha totalmente inutilizável, mais abaixo da linha de seus quadris. Poderia tê-la deixado ali sem se certificar de maneira alguma que ela havia sentido prazer, mas não; seu ego continuava falando mais alto. Sendo assim, com uma das mãos livres, removeu o bullet de dentro de Sora, mas não fez questão alguma de dar atenção ao plug. Se ela prestasse atenção em seu rosto agora, veria que estava mais vermelho por conta de um sentimento ruim, do que pela urgência e exigência do orgasmo que havia acabado de ter.
Contendo um suspiro que entregaria sua condição, Haejin moveu-se para fora da cama, ajeitando a cueca sobre o membro, enquanto caminhava em direção ao banheiro. Lá dentro jogou o preservativo no lixo e jogou também um pouco de água sobre sua nuca, esta que sentia como se estivesse fumegando. Seu peito sempre pareceria uma fornalha após o sexo, mas ele sabia que havia mais do que este sentimento de prazer, fazendo com que a centelha de seu coração queimasse de maneira mais incômoda.
Sentindo seu sangue começando a circular de maneira menos perturbadora agora, Haejin voltou ao quarto, mas ainda sem olhar muito mais para a cara de Sora. Viu de relance o vibrador rosa-bebê sobre o colchão, mas passou reto por qualquer coisa que havia em cima dele – incluindo a japonesa –, indo até seu guarda-roupa e fuçando um pouco nas gavetas, até achar um maço de cigarros. Costumava escondê-los ali, porque sabia que se Hansol visse, daria um fim naquilo em um dia.
Pegando um, muniu-se também de um isqueiro. Aproximou-se do peitoril da enorme janela que havia no cômodo e sentou-se ali, com uma perna dobrada sobre a escora e a outra apoiando parte de seu peso, enquanto seu pé mantinha-se no chão. Seus olhos perderam-se na imensidão da madrugada, enquanto tragava aqui e ali. Não era fã de cigarros, mas quando estava estressado, aquilo tornava-se uma prática mais efetiva contra sua raiva, do que matar uma pessoa, por exemplo.
Não demorou quase nada além dele para atingir o ápice, ainda soltando gemidos arfantes e de volume alto que ainda carregavam uma insatisfação enorme das mordidas brutais que tinha recebido. Por mais que tivesse chegado ao ápice, o fato de ter pelo menos mais uns dois dias inútil no trabalho por conta daquelas mordidas a tinha deixado um pouco mau humorada. Não que Sora fosse ficar realmente irritada, mas não tinha possibilidade alguma de reclamar na hora, portanto o faria parecendo descontente e sabia como fazer a expressão perfeita para que ele soubesse que não era a respeito do sexo nem de todo o resto. Todo o resto tinha sido incrível e se ela aceitasse de uma vez por todas ser apenas dele, não haveria razão alguma para aquele azedume em relação às manchas purpúreas que escureciam um pouco mais a cada segundo que se passava.
Sora, no entanto, não era a única que tivera o humor abalado. No caso de Haejin, a vontade dele de matá-la parecia palpável e, por mais que ela fosse normalmente estúpida em relação aos sentimentos de outras pessoas, entendeu o recado rapidinho. O cheiro de cigarro no ar só comprovava que ela tinha feito algo errado demais. Se livrou do plug e levou todos os brinquedos e ela própria para o banheiro, dando um jeito em tudo, incluindo nela mesma.
Relembrou as palavras dele como se tivesse assistido ao sexo dos dois.
“Eu já disse que você não precisa se preocupar em trabalhar com aqueles caras... Se eu sou o único filho da puta que sabe te foder direito e que pode te dar tudo o que você quer. Você só tem que aceitar ser minha.”
Aquilo se tornou subitamente doloroso para ela. Por mais que o amasse – e realmente amava, mesmo que não soubesse admitir que aquilo era amor – e que se sentisse segura sob os cuidados dele, não podia ser dele. Por mais que achasse que não era mais que um pertence a todos, menos a ela mesma, Sora não podia ser de ninguém. Porque Sora não era nada além de uma mentira para garantir a sobrevivência de uma garota cujo nome e passado tinham de ser apagados da existência. E não podia depender de ninguém, porque sempre que dependeu de alguém, ela acabou sendo usada. E agora que dependia de si própria, ela mesma se usava. Respirou fundo como quem sabia que ia fazer algo do qual iria se arrepender para o resto da vida. Com sorte, ela nem viveria tanto tempo assim para remoer o fato. Quando saiu do banheiro, de banho tomado, arranjou-se uma muda de roupas em silêncio e sentou-se na poltrona.
— Você não sabe o que eu quero pra dizer que é o único que pode me dar o que eu desejo. Você não me conhece como acha que conhece, Haejin. — Se quebrasse o rapaz antes de deixar de ser capaz de resistir a oferta dele, imaginava que seria mais seguro para o seu passado. — Nem o meu nome você sabe. — Era a primeira vez na vida que ela assumia que Kim Sojin não era real, que sequer Sora era real. O fato em si não era surpreendente para Haejin, era óbvio entre os dois, mas a ideia era afastá-los. Ele não podia desejá-la daquela forma. A japonesa queria chorar, mas por fora era toda aquela fachada de maldade e distância.
— Eu não posso ser de ninguém. Eu não existo. — Foi o único momento em que ela pareceu triste.
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