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@a-calliandra
Clarice Lispector, from Selected Cronicas
Pode conta qualquer segredo é?
Conte!
Quero uma noite de conversas com você em junho
Junho tem 28 noites ainda, kkkkkkk
Siga escrevendo. Bom demais.
Bom dia.
Vez ou outra, gosto de rabiscar umas besteiras. Estou pensando em começar a postar. Obrigada! ☺️
homens seguem sendo dementes, achar vc bonita, ainda mais aqui que só tem mentiroso 🤦🏾♂️
Tirar um tempo da sua vida, pra vir aqui, dar uma opinião que é completamente irrelevante pra minha vida!? Hahaha.
O quê que cê tem, amigo? É tédio? Ciúme? Inveja? Trauma pesado? Só amargura?…
Não deviam me achar bonita mesmo, não. Têm que me achar é maravilhosa, porque beleza é só mais uma das muitas qualidades que eu possuo. E, adivinha? A maior é ter bom senso.
Toma aí seu segundo de atenção. Espero que tenha um dia maravilhoso, pra não sobrar tempo pra encher o saco dos outros. 😘
Quero uma noite fria de junho e o direito de cometer a estupidez de usar um vestido fino, mesmo sabendo que vou sentir frio, simplesmente porque quero te impressionar.
Quero uma sala espaçosa, com piso de taco. E um espaço com uma vitrola. Eu quero por um disco do Tim Maia pra tocar, enquanto listo mentalmente assuntos dos quais posso falar e o que não devo falar de jeito nenhum (como se fizesse diferença...).
Quero você batendo na porta, e me pegando de surpresa; porque não vi o tempo correr, enquanto passava vários minutos indecisa, em frente ao espelho. "Cabelo solto? Ou preso, com algumas mechas emoldurando o rosto?", "Batom vermelho? Pouca maquiagem?", "Sensualidade escancarada? Ou inocente, quase sem a intenção de ser?''…
Quero me permitir sentir essa fragilidade gostosa, que mora no equilíbrio da busca em não querer ser de mais nem de menos.
Quero abrir a porta e ver você com uma garrafa de vinho numa mão, e as flores que você sabe que nunca recebi na outra. Margaridas. Você me leu desde que nos conhecemos.
E quero receber um olhar que me atravesse, que me enxergue por baixo do meu vestido, e até da minha pele. Quero me esquecer da maquiagem que não usei, e perceber que eu poderia estar de moletom.
Quero nossas mãos esbarrando, enquanto apanho o buquê e te convido a entrar. Quero sentir os seus olhos percorrendo o meu espaço, tentando aprender mais de mim, tentando apreender uma porção minha a cada detalhe, enquanto procuro um vaso para por as flores que eu não esperava.
Quero ver você arregaçando as mangas do seu suéter, depois de eu dizer que você vai precisar me ajudar com o jantar, porque perdi o horário - ah, que novidade!
Quero a garrafa de vinho aberta, e duas taças sobre a mesa, enquanto tagarelo sem parar sobre qualquer besteira aleatória e você me escuta com uma atenção curiosa. Quero tomar consciência de que meu roteiro foi pro espaço e de que isso é uma maravilha, porque meu ponto forte é ser eu.
E quero ouvir você confessando que nem sabia se o vinho que levou é bom, porque, na verdade, entende tão pouco de vinhos quanto eu, e só se propôs a levar um, porque sabia que eu gostava e também queria me impressionar.
Quero nós dois dançando descalços, levemente alterados, com menos vergonha, sem medo de errar os passos, no nosso próprio ritmo, sem a memória de que nenhum de nós sabe dançar. Porque, ali, somos estranhamente bons nisso. Erramos igual e compartilhamos da mesma falta de jeito.
Quero sentir seu perfume na curva do seu pescoço. Nossos corpos colados e todo aquele clichê. Seus olhos... ah, seus olhos. Seus olhos sempre. Quero você me beijando com o olhar e tirando minha roupa lentamente, acendendo o meu corpo inteiro, antes de as suas mãos me tocarem.
Mas quero que as suas mãos me toquem. E os seus lábios também. Quero o beijo perfeito, embalado por "Você". Lento. Intenso. Suas mãos percorrendo o meu corpo.
Quero minha pele ardendo sob a sua digital e o arrepio na nuca. Quero sua língua. Eu quero você dentro de mim. Ali. Naquele instante. No tapete. Sobre o chão de taco. Quero sua respiração ofegante, ao pé do meu ouvido. E quero sentir seu desejo me preenchendo, antes de escorrer absoluto.
Quero seu corpo repousando junto ao meu, devoto, numa pausa transcendental.
Quero nós, correndo pelados para a cozinha, assustados com a fumaça, porque esquecemos a panela no fogo. E depois nos acabando de rir. Quase incendiamos a casa, literal e metaforicamente. Ficamos sem janta. Ninguém tem fome de janta. Só de gente.
E eu quero mais de você. E mais. E mais. E mais.
Porque nunca parece ser o bastante.
Quero explorar todo o território do seu corpo, usando cada um dos meus sentidos. Quero traçar rotas, criar um mapa particular dos seus caminhos. Quero decorar suas pintinhas e te engolir. Te devorar.
Quero morar ali para sempre: naquela noite fria de junho.
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