
titsay
"I'm Dorothy Gale from Kansas"
Claire Keane
DEAR READER
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let's talk about Bridgerton tea, my ask is open
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One Nice Bug Per Day
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@theartofmadeline

Love Begins
seen from France
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seen from South Korea
@acaomilu
https://youtu.be/HUVtoWIeyp8
via weheartit
Alexi Hobbs
‘y60-black-and-white’
SIEGING
(final semidramático deste trecho de um devaneio sem(i)sentido https://acaomilu.tumblr.com/post/190898552645/siegeeerr
...
leia o livro universo em desencanto)
(...)
- Por mais que você tente endurecer, você não vai conseguir. – ouço minha voz dizer, mas não sinto os lábios mexerem ou a cabeça pensando nisso.
Vejo água começar a vir por trás dos meus pés e sinto ela gelando meus calcanhares.
Levanto a cabeça e me encaro de frente.
- Então ERA eu a pessoa de branco lá longe.
- Não era, É! SOU você!
Eu não respondo.
De frente pra mim, de costas pro mar.
A maré subindo e descendo pelos meus pés e o vento batendo forte no meu lado esquerdo.
- O mar não para. – me ouço dizer.
- É o trabalho dele.
- Qual o seu?
- Qual é o seu?
- Te perguntar o que você não quer responder.
Não respondo.
Meu outro eu olha pro lado de onde eu vim, me olha de novo e pergunta:
- Como é ser de vidro?
- Num lugar como esse? Translúcido.
- Eu entendo seus trocadilhos e não acho eles assim tão bons.
Olho pra baixo tentando lembrar quando foi que eu fiquei tão arrogante.
- Como é se sentir quebrável, Siege? – me pergunto sério.
Não respondo e não levanto o olhar.
Meu eu tenta de novo:
- Como é não se sentir inquebrantável?
- É melhor que vazio. – Me respondo sentindo a cara e a postura emburrada voltando.
- Melhor como?
- Melhor como se sentir fosse algo natural. Como se uma sensação fosse só uma sensação... não uma charada.
- Eu sou uma charada?
- É.
Um vento frio sopra e me gela tanto que sinto os dentes trincarem e a pele arrepiar.
- O que você tomou dessa vez?
Não respondo.
- Eu quero que você saiba que eu não sou só uma bad trip.
Sorrio de leve com um debochezinho.
Outro vento sopra muito frio.
A maré bate forte nos meus pés e me desequilibra um pouco.
Sinto o outro eu me pegar pelo braço enquanto tento me ajustar. Ele me puxa pra perto e me diz olhando nos olhos:
- Quem sou eu, Siege?
- Você sou eu. – Respondo um pouco intimidado com a maneira como o vazio dos olhos dele pode se tornar tão incisivo.
Ele chega ainda mais perto, uma expressão que eu não sabia que eu tinha no meu arsenal, um escuro que chega a dar medo.
Fala pausadamente:
- Quem – sou - eu, Siege?
- Alguém que me faz as perguntas que eu não quero responder.
Afasto o rosto e pisco por um momento e então estamos os dois sentados na areia da praia olhando o mar escuro e o mundo cinza.
- Por que você guarda um lugar desses na sua mente se nunca esteve aqui?
- É um escape mental. Sempre que sinto que vou ter uma bad eu venho pra cá.
- Sem cores?
- Sem estímulo.
- Só sensações?
- Sentimentos.
- Sem fogo?
- Lembranças dele. – dou uma pausa e sorrio de leve com a lembrança. - E água, terra e vento já são o suficiente. – completo.
- Pra onde foi sua ambição?
Não respondo.
Olho pro mar e a espuma dança nas ondas como se fosse muito bem paga pra fazer isso.
Algo aquece meu peito e sinto meu alterego psicofísico dar um soquinho em meu joelho e me sorrir mexendo a cabeça.
- Você é você mesmo, né.
- Eu tento.
- Quando acaba sua sessão?
- A qualquer momento.
- O que você procura?
- A linha que divide o eu do que eu devia ser.
- O que tem lá?
- O que eu quero ser.
- Como você sabe?
Não respondo.
- E se não tiver nada? – meu eu continua.
Não respondo.
- E se a resposta for essa conversa que a gente tá tendo nesse exato momento?
- Não é.
O outro eu se levanta rápido, me puxa pelo gola da camisa com raiva, o olhar fervendo de novo, e uma voz raivosa:
- E como você sabe?
- Eu taria em paz. – respondo calmo até demais.
Ele para por uns segundos e me solta. Mais uns segundos se passam com ele parado na minha frente e, então, ele suspira profundamente me olhando.
- E você taria em paz também. – completo numa voz baixa e olho pra baixo.
Sinto o ouvido estranho como quando um pouco de água entra nele enquanto você lava o cabelo.
Troco olhares comigo de novo.
Tudo fica quieto por um segundo.
Silêncio.
Vazio.
Então, um raio de sol fura a cortina de veludo das nuvens e acerta meu outro eu em cheio pelas costas, atravessa seu peito e morre na areia.
Uma hipotenusa de luz.
Da boca dele sai sangue de um lado e um líquido brilhante com as cores do arco-íris do outro.
- É sensacional. – ele diz, sorri com os dentes sujos e cai como morto com a cara no chão.
Assisto ele cair e nem me mexo.
- Eu prefiro você perguntando. – digo e passo por cima dele na direção do mar, enquanto outros raios de sol furam as nuvens que começam a se dissipar.
- É, tá acabando. – digo enquanto molho meus pés pela última vez nessa sessão.
Sinto a água gelada passando nos tornozelos e nos dedos.
- Moço... moço... Tenta não levantar muito rápido... – escuto uma voz baixinha na minha cabeça.
Sinto a areia se deslocando com a maré e dançando na sola dos meus pés.
- Moço... moço... Siege... – escuto a voz na minha cabeça ficando mais nítida.
Sinto o vento abraçando meu corpo e mexendo minhas roupas.
- Acorda, moço.
Um piano dramático toca na minha mente e o cheiro do mar... AARGHH!
Sinto uma dor aguda no peito como uma faca quente atravessando... Um raio de sol me acerta em cheio no meio do peito e... tudo fica escuro em um segundo e então claro demais no outro.
- Você tá bem? – Me pergunta uma moça de jaleco branco e um crachá que diz não sei o que enquanto eu pisco rápido e ofegante pra recuperar a noção enquanto a claridade vai se dissipando.
Ofuscado.
- Tô... tô sim. – respondo acenando com a cabeça junto, mesmo não sabendo nem onde eu tô.
Respiro rápido, olho em volta e demoro uns segundos pra entender o que tá acontecendo.
- Que bom. É normal ficar um pouquinho desorientado na reentrada. – Ela diz tentando me situar no espaço-tempo enquanto me entrega uma toalha.
- Eu sei, eu sei. Já tem um tempo que eu faço isso. – saio da cápsula e começo a me enxugar, mas faço uma molhadeira no chão todo.
- Ah, desculpa. É que é minha primeira semana aqui. - Ela responde meio sem graça.
- Tudo bem. Posso pagar já? – pergunto vestindo a calça.
- Você pode tomar banho nos vestiários se qui...
- Não, obrigado. – interrompo – Só quero pagar mesmo.
- Tá bem. Plano Atomus? – Ela pergunta e puxa um smartphone do bolso do jaleco.
- Aham. – Pego meu celular en el bolsillo da calça.
- É só aproximar. – Ela me aponta o aparelho.
Eu aproximo o meu dispositivo do dela e em um segundo aparece na minha tela um grande “V” verde e um “Obrigado por Privar seus Sentidos com a NonePheel!”
- Tudo certo, muito obrigado. – Ela me diz.
Guardo o celular, visto a camisa e calço os tênis.
- Aham, tudo certo. Bom dia. – digo enquanto visto a jaqueta e saio.
@alinakolot
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