Esse rapaz, o Joel. Lembro de ter me sentido cativado por ele a partir da convicção que ele demonstrou ao entrar de cabeça em um peach no Shark Tank.
Nao sei se ele percebeu que a moça foi brifada justamente para conseguir a cooperação dele. Afinal, ela sabia que ele tinha 3 filhos e levou justamente 3 peças do item que foi apresentado, isso foi especifico ate demais.
Esse não é o ponto.
Passei a acompanhar o conteúdo dessa figura, atraido pela certeza que ele tinha quando disse "Eu vou ser seu socio", mesmo sem entender as complexidades, assistindo um pouco mais passei a entender o motivo dessa convicção.
Levo ate hoje uma fala dele em uma palestra "Voce escolheu fazer dieta, no meio do caminho, cedeu a tentação da batata frita. Se voce perde pela tentação da batata frita, de quem é que voce ganha?" Achei genial.
Sendo assertivo sobre o que pretendo colocar aqui, apesar da admiração que cultivei acompanhando os conteúdos, pela primeira vez me questionei ao discordar de algo.
Nao coube em mim o que me veio a partir do que esta descrito na imagem.
Apesar de considerar que faz total sentido, ainda assim nao consegui concordar 100%.
Isso resultou essa inquietação, que motivou a escrita.
Sintetizando, o que foi dito é inegavel, mas há controvérsias.
"Reclamou? Errou no obvio"
"Se vitimizou? Errou no obvio"
"O obvio so é obvio para olhos treinados"
Isso nao é uma reclamação. Alem disso, pode soar sim como vitimização, mas passa longe.
É uma indagação que convida a reflexão.
É sobre pensar se o que foi pensado foi pensado certinho.
Ele alega que o obvio precisa ser dito, mas dar enfase no obvio é retundante e engaja irritabilidade.
Um indivíduo no início da jornada do proletariado nao tem os olhos treinados, a nao ser que alguem ensine.
Alem disso, o errar no obvio dentro desse contexto nao abrange a pluralidade e individualidade de cada um.
Afinal, imprevistos acontecem.
Sendo assim, errar no obvio nao precisa ser um demerito ou algo abominável.
Principalmente no ponto da vestimenta e nao fazer a mais do que o que foi delegado.
Sobre o dress code, é fato de que a imagem é relevante no ambito da proposta, porém, o mal vestido é relativo e parte de um ponto de consideração do proprio individuo lidando com sua propria imagem. Inclusive, isso atravessa a questao do fazer a mais. As vezes o seu minimo é o maximo do outro.
Levando isso pro lado da estetica/vestimenta/postura, cada indivíduo prioriza o que quer, mas principalmente o que necessita de prioridades.
Com isso, quero dizer que: Sim, se nos preocupamos com imagem, investimos tempo, energia e capital nisso. Mas e quando existem fatores externos/internos que nao nos permitem partir desse ponto?
A roupa pode ser julgada como desleixada, ou ser lida como se "poderia ter se esforçado um pouco mais, ne? Ja olhou em volta?"
E se isso era o que eu tinha para pelo menos me fazer presente? Se por conta de algumas coisas acontecendo aqui e ali eu nao consegui, mesmo com o esforço e preservação pela imagem, nao deu para investir o capital necessario ou a atenção ao codigo de vestimenta do ambiente?
As necessidades alheias ao ponto de vista do senso comum nao podem ser colocadas na balança nesse lugar de errar no obvio.
Pode ser que sim, é obvio que preciso estar adequado ao ambiente, mas a minha forma de estar adequado coexistiu com N outras circunstâncias. Como por exemplo, nesse mes, só consegui dedicar o valor X para isso, pois o que tinha no armario nao era adequado.
As vezes, o valor X nao supre nem as demandas mais essenciais do cotidiano que esta para alem do entendimento do amiguinho do lado.......
Da pra ir longe dentro dessa questao, mas o ponto é, errar no obvio nao pode ser considerado demerito. Precisa ser desenvolvido e alinhado.
O erro por nao estar adequado pelo menos imageticamente, so é um erro por conta dessa norma, imposta a partir de uma perspectiva que nao é capaz de perceber que o mundo gira alem do próprio umbigo.
O senso comum so é senso comum pois nao há o entendimento de que igualdade nao é equidade. Tipo eleição, sabe? As pessoas votam e opinam sobre tudo, mas pautado em qual verdade? Isso abrange a verdadeira realidade?
Todos os pontos colocados como inaceitáveis pelo Joel sao passiveis de reflexão.
Sim, tem gente que erra no obvio, mas o que levou a entender como erro?
A galera sabe que ta dando close errado?
Se sim, feedback (geralmente é reincidente)
Se nao sabem, muito tato e empatia na hora de impor o que precisa ser "imposto"
Alias, sempre pergunte se ficou alguma dúvida. Vai que entrou por um ouvido e saiu pelo outro.












