Quando as cortinas se abrem
Enquanto a caneta dança, o papel é o palco, que presencia toda a poesia que com ritmos compassados apresenta sua coreografia.
Você, ao longe na plateia, talvez nem desconfie, mas toda essa melodia tem você nas entrelinhas, te entreter com meus passos, passou a ser um vício para mim, nas letras das canções, nas piruetas e valsas, tudo tem você, tudo é pra você. Neste momento, os passos vão ficando cada vez mais firmes, as batidas causadas pelo impacto, mais fortes, encenando meu coração quando você esta por perto.
As cortinas do primeiro ato começam a se fechar lentamente, e a música para por um momento, olho de soslaio em sua direção e tento decifrar seu semblante, é uma incógnita. As cortinas se fecham totalmente, e o segundo ato esta prestes a começar, me refaço e faço de conta que seu olhar perdido não fez eu me perder, e volto.
O segundo ato se faz mais ritmado, e consigo até perceber um leve e doce sorriso, talvez você seja meu público mais difícil, mas não tem problema, te faço um poema, te rimo com amor, te mimo com clichês, te faço perceber que não tem porque os porquês.
Quando o terceiro e último ato começa, sinto o peso e o cansaço se esvaindo, sinto o entrelaçar das palavras compondo o clímax da apresentação, a música se faz mais intensa, o coração acelerado, os movimentos precisos se tornam leves aos olhos de quem vê, antes que a coreografia acabe e a música pare de vez, te olho ao longe na plateia, talvez agora entendendo que o protagonista é você. Enfim o espetáculo se encerra, as palmas surgem, e a cortina se fecha, dando início ao seu ponto final, para então, começar tudo de novo.












