be true to you ;; esther & adrian
Ela notou que o amigo escondera o cigarro ao reconhecê-la, o que a deixara, de certa forma, decepcionada. Adrian era um de seus melhores amigos; não, mais que isso, ele era como um irmão. Sabia que o loiro não era tão fácil de fazer falar, mas esperava que ele fosse honesto sobre aquilo. Esther tampouco se importava se ele havia desenvolvido o hábito de fumar – não era isso que a preocupava, mas sim seu significado. O que o havia feito começar com tudo aquilo, e por que tentar omitir o que fazia? Ela estava fracassando como amiga? Adrian havia parado de confiar nela como antes?
– Eu deveria, mas minha cabeça estava cheia demais para eu conseguir dormir. Precisava de um tempo sozinha, para relaxar. – Encolheu os ombros, retribuindo o pequeno sorriso que o amigo lhe lançara com um ainda menor. Aconchegou-se na poltrona em frente a ele, abraçando as pernas e apoiando o queixo entre os joelhos. Deixara o silêncio dominar a sala por alguns segundos, sendo interrompido apenas pelo barulho da madeira queimando na lareira às suas costas, como uma forma de testar Adrian. Queria que ele falasse primeiro, admitisse o que estava fazendo antes dela interrompê-lo. Não gostava de pressionar as pessoas a falar sobre o que não gostavam, pois ela mesma se sentia desconfortável quando a confrontavam sobre seus problemas pessoais, mas não pôde manter-se quieta. Por fim, acabou tomando a dianteira, pondo-se a falar outra vez.
– Você não precisa esconder isso de mim, sabe? – Gesticulou com a cabeça em direção a mão do rapaz que, anteriormente, segurava o pequeno tubo branco. Não é como se ela não houvesse notado que alguma coisa estava errada; Esther era muitas coisas, porém certamente não era burra. Havia percebido os sumiços misteriosos de Adrian, assim como o modo que o cheiro de fumaça parecia persegui-lo. Ficara preocupada com o que o garoto pudesse estar fazendo, mas não possuía provas do que estava a pensar que era, ou pelo menos não até agora. – Quer dizer, eu sou sua amiga, você pode confiar em mim. E não é como se eu tivesse o direito de te mandar parar, de qualquer maneira… Embora eu queira, sim, saber o porquê. – Acrescentou um tanto insegura, apesar de tentar manter sua voz o mais calma e segura possível. Recordava-se muito bem de como o amigo desaprovava aquela atitude, o que a deixava ainda mais surpresa – e preocupada – por tê-lo flagrado daquela maneira. – Adrian… – Largou as pernas, inclinando-se na poltrona para aproximar-se do rapaz. – Aconteceu alguma coisa?
Adrian sentiu como se a culpa e o remorso o espremesse contra o acento, fazendo com que ele se afundasse cada vez mais contra o acolchoado sofá amarelo. Ele não queria olhar para Esther, porque seria como um espécie de tapa na cara, e por isso, ao invés de observá-la, ele focou toda sua atenção em seu próprios pés e em suas mãos juntas firmemente sobe seu colo, as olhando tão intensamente como se esperasse que elas lhe desses as soluções para seus problemas. Claro, nada disso aconteceu, ao invés disso, o único acontecimento foram o novo par de frases da morena que fizeram o peso sob os ombros de Adrian aumentar.
“Não é como se eu conseguisse esconder algo de você, mesmo se quisesse.” Disse em quase um sussurro, após um silencio de ponderação, porque era a mais pura verdade. Esther tinha aquela áurea de tranquilidade e apoio que Adrian se via sempre pronto para conversar com ela sobre qualquer um de seus problemas. Por anos a relação dos dois foi assim, e em uma via de mão dupla, mas daquela vez, Adrian apenas não pode. Não é que ele não confiasse na morena, longe disso pois ela era a única que ele realmente confiava inteiramente, mas porque daquela vez, ele mesmo tinha vergonha do que estava acontecendo. A sua própria falta de aceitação o impedia de compartilhar aquele fato com qualquer um, mesmo que a pessoa em questão fosse Esther.
Mas agora, com a morena já tendo o visto naquela situação, bem, ele não iria mentir para ela e por isso apenas o restava a triste dirimição. Porém, aceitar que aquela fosse a solução, não tornava o ato mais fácil. “Aconteceu que eu sou um idiota.” Respondeu simplesmente, ainda com o olhar baixo, dando uma risada amarga para a própria fala, mordendo o próprio lábio em seguida para a própria falta de tato. “Desculpe, Es, eu juro que, que não é nada disso, ok? Eu...” Falou de forma apressada, mas parando abruptamente, apertando mais o cigarro dentro de sua mão, como se esperasse que este desaparecesse. “Eu vou dar um jeito nisso, está bem? Você não precisa se preocupar eu...” Parou mais um vez, crispando os lábios para si mesmo pela especie de mentira. Afinal, como ele poderia dizer para a outra que ele daria um jeito e ele mesmo estava dizendo isso para si a semanas, mas sem conseguir qualquer resultado? Mas ao mesmo tempo, o que mais ele poderia dizer sendo que não queria preocupar a morena com os próprios problemas?









