Stardust Crusaders x Isekai! Leitora
Capítulo anterior - Masterlist
Joseph arregalou os olhos, abrindo a boca enquanto mudava o foco para o egípcio, se levantando. Jotaro e Noriaki encararam o rapaz, não ficaram tão chocados quanto o idoso, mesmo que estivessem surpresos. Durante alguns segundos, o único som presente na sala foi de respirações. Embora o clima não estivesse tão sério se comparado a quando Holly desmaiou, o humor de todos na sala mudou em um tempo equivalente ao de uma piscada, incluindo o seu.
Muhammad se aproximou do grupo, utilizando um dos dedos para marcar a página encontrada com informações do inseto no livro semiaberto, colocando o item na mesa de centro com a seguinte página em destaque:
“Mosca tsé-tsé do Nilo, existe apenas no Egito, especificamente na bacia do Rio Nilo. Os espécimes com patas listradas são comumente chamadas de tsé-tsé de Assuã.”
—Não foi uma coincidência eu e Noriaki termos sido atacados em lugares próximos. Por algum motivo, Dio tem apego pela antiga terra dos faraós.
Com o novo dado descoberto, o Joestar fixou os olhos na dona de casa, ainda que o homem se mantivesse sério, quase estóico como o Jotaro, você conseguia ver por detrás da expressão um sentimento familiar:
Sem dúvidas a notícia aumentou o ânimo do idoso, a possibilidade de curar a filha se tornando mais palpável quando ao menos um dos obstáculos foi superado, os próximos passos da jornada se tornaram tangíveis, ele precisaria pegar um voo rumo ao país, encontrar a moradia do arrombado e derrotá-lo, embora não fosse fácil, havia cerca de 50 dias para realizar o plano, a vitória soava como uma possibilidade dependendo das boas graças do destino.
O mais velho encarou Holly, os olhos brilhando, ele se abaixou para ficar próximo ao corpo desacordado. Uma promessa saiu dos lábios do senhor:
—Iremos te salvar, não precisa esquentar sua cabeça com nada. Seu pai que está te prometendo.
Você estava sentada na calçada do lado de fora junto a Noriaki, suas respectivas mochilas colocadas em cima das pernas cruzadas de ambos. Abdul e Jotaro se encontravam em pé, aguardando a volta do idoso. Por razões óbvias, a mãe do protagonista não podia ser deixada sozinha em casa, como todo o grupo iria viajar, o Joestar precisaria dos reforços da Speedwagon mais uma vez. Atualmente ele se situava na sala em ligação com um dos representantes da empresa, visando trazer médicos especialistas com o objetivo de monitorar a loira, em paralelo pedindo a instituição para enviar uma nota a universidade, anunciando o requerimento de você acompanhada do Kujo e de Kakyoin em um programa inovador da empresa, recomendando ao campus notificar seus pais. Esse projeto claramente é uma fachada, porém, tendo em mente a influência do instituto fundado pelo amigo do avô de Joseph, nenhuma convocação de três alunos aleatórios soaria suspeita, pelo contrário, a presença de 3 estudantes de um mesmo local em um estágio liderado pela Speedwagon seria sinônimo de qualidade educacional. Embora Joseph fosse um péssimo universitário quando mais novo, sabe o valor da educação, não desejando que nenhum dos alunos saíssem prejudicados durante esses 2 meses sem aula.
Após alguns minutos, o idoso apareceu, apontando na sua direção e na de Kakyoin:
—Tudo certo, vocês dois podem ir com a gente. —Em seguida, comentou ao grupo inteiro. —Os doutores e agentes da fundação vão chegar em cerca de meia hora.
O grisalho ficou em pé próximo ao neto e a Abdul. Não havia muita coisa a ser feita sem ser esperar, felizmente não demoraria tanto em comparação aos dados da mosca.
Você encarou o horizonte, fixando os olhos na paisagem que talvez nunca mais visse. Apesar dessa possibilidade ser mórbida, a grama do cenário parecia mais vibrante junto ao céu, as flores exalavam o perfume típico, a vista estando no ápice estético, quase como uma despedida da mãe natureza. As pessoas costumam falar da imprevisibilidade do destino, eventos não planejados na vida com aptidão de mudá-la por completo, seja no bom ou mal sentido. Para você, nesse universo, o futuro soava igual a um rio, onde o caminho percorrido pela água se mantinha constante, já suas ações eram equivalentes a pedras inseridas no trajeto, aos poucos mudando a rota do líquido até se tornar irreconhecível. O fato de possuir tanto poder em mãos te assustava na mesma medida que te trazia conforto, estar ciente dos acontecimentos antes de ocorrerem sendo algo capaz de te acalmar, porém não podia ter apego nisso para sempre, existirá um momento onde vai ser necessário agir em um contexto completamente novo, graças a sua existência.
Um toque familiar veio de sua mochila, fazendo o grupo olhar em sua direção. Você abriu o zíper, pegando seu celular, o nome e o número da sua mãe aparecendo em letras grandes na tela do telefone. Pediu licença aos demais enquanto levantava do chão, gentilmente perguntando a Kakyoin se poderia ficar de olho nas suas coisas enquanto atendia a ligação, recebendo uma resposta positiva do ruivo, o estudante agora possuindo duas mochilas no colo.
Por razões de privacidade, optou por uma certa distância dos Crusaders, a forma deles sendo reduzidas ao tamanho de um polegar devido aos metros afastados.
—Filha! Quanto tempo! Faz séculos que você não liga. Esqueceu a promessa de “vou mantê-los atualizados 24 horas por dia, 7 dias por semana?” Não me diga que o Japão já te fez nos esquecer? Falando nisso, como vão as coisas aí? Anda se alimentando direito? Pobrezinha, comendo algas e arroz. Inclusive, mudando de assunto, conheceu algum japa gatinho? Tipo, eu sei o que falam dos asiáticos, mas tamanho não é documento, só se for o da carteira. —A mulher fez uma pequena pausa, comentando:
—Brincadeirinha! Se for se casar, case por amor. O dinheiro e sucesso você consegue obter sozinha, docinho.
—Mas liso com liso escorrega! —Ouviu seu pai gritar nos fundos.
—Então escorrega de boca na minha pica, querido! —Sua mãe retrucou.
Enquanto seus parentes mantinham uma conversa fiada, você engoliu em seco com a semelhança das vozes tendo em vista as originais, dissociando. O tópico de família virou um assunto sensível desde quando chegou a esse mundo, sendo um dos únicos temas que te fazia lacrimejar ao lembrar de sua vida passada e aqueles que perdeu nela. Escutar a sua mãe, independentemente de não ser a sua genitora real, trouxe lembranças de quando estava viva no seu universo pertencente, os momentos alegres com ela ecoando, memórias desde sua infância inundando seu corpo com o sentimento de saudade e nostalgia.
—Oi, desculpa, me distraí por um instante. O que estava dizendo?
—Eu e seu pai estamos muito orgulhosos de você, recebemos uma ligação da sua faculdade sobre sua presença na Speedwagon. Sua garotinha esperta, tão nova e já fazendo contatos. Mal podemos esperar para te ver nas férias. Seu pai está morrendo de saudade. —Ela começou a cochichar. —Não diga que eu disse isso, mas mesmo estando fora há menos de uma semana, seu velho queria vender a Brasília de anos para comprar uma passagem e te ver. —Uma risadinha saiu dos lábios da figura.
—Eu ouvi! —O homem respondeu, pegando o telefone.
No universo ao qual fazia parte, você e seu pai não eram tão próximos, ainda que ele não fosse ausente por completo, conseguia contar nos dedos os momentos juntos sem ser datas comemorativas. Estar ciente do quanto as coisas são diferentes agora, do fato da sua versão desse mundo ter crescido em um ambiente saudável, ao ponto até de seus pais originalmente separados terem mantido o casamento, realizou suas idealizações formadas quando criança, embora nenhuma delas tenha sido executada pela sua pessoa. Iria aproveitar ao máximo esses momentos com sua “nova” família, pois cada chamada poderia ser a última.
—Não dê ouvidos a ela, nem sobre mim e principalmente sobre garotos. Você é jovem ainda, estudos devem ser sua prioridade, não namoricos com rapazes.
—Com garotas está liberado? —Perguntou a ele, um sorriso se formando ao perceber a ótima brecha.
—Sim, eu libero. São duas para lavar a louça. —O homem mal terminou a frase e recebeu um peteleco na testa dado pela sua mãe, a mulher tirando o telefone das mãos dele enquanto o indivíduo pedia desculpas.
—Ignore a piada sem graça, querida. Quando você arrumar alguém, iremos te apoiar independente de qualquer coisa, você é a maior felicidade em nossa vida.
Quando estava prestes a retribuir, percebeu uma grande quantidade de carros acompanhado de uma ambulância da Speedwagon próxima ao grupo, este sendo seu aviso para encerrar a conversa, mesmo querendo continuar.
—Não se preocupe, mãe. Sinto muito, preciso desligar agora, minha carona chegou. Amo vocês.
—Nós também te amamos, se cuida.
Apertou no botão vermelho do seu telefone, finalizando a chamada, correndo em direção aos Crusaders.
Conversar com sua família aumentou o astral e por que não suas motivações? Haviam pessoas neste universo acreditando em você, embora elas não soubessem suas razões reais, o suporte dos seus parentes atuavam como mais uma pilastra emocional, podendo usá-la de auxílio nos momentos difíceis lá na frente. Apesar de seu corpo verdadeiro estar sob a terra, provavelmente tendo a pele consumida por vermes, tinha a certeza do orgulho de sua mãe real caso ela soubesse da escolha feita na segunda vida, do quanto estava disposta a sacrificar com o objetivo de realizar seu sonho de transformar o mundo em um lugar melhor.
Você se aproximou do aglomerado de carros. O transporte selecionado para percorrer a distância até o aeroporto havia sido uma van, não era o veículo mais discreto, todavia a empresa precisou trazer um número razoável de doutores e aparelhos hospitalares até a moradia, necessitando de bastante espaço, justificando a escolha. Abdul se encontrava no carro junto ao Jotaro, o Kujo em uma das janelas nos fundos, debruçando o braço na abertura, usando para apoiar a cabeça; Muhammad ficou na segunda fileira de assentos, também no lugar privilegiado pela vista da paisagem. Joseph sumiu outra vez, provavelmente entrou na casa para dar um último adeus a Holly.
—Quem era? —Kakyoin perguntou.
O estudante estava do lado de fora próximo ao veículo, esperando seu retorno para escolherem lugares juntos, a sua mochila em uma das mãos enquanto a dele se encontrava presa nas costas.
—Minha mãe. —Respondeu. —Ela queria conversar comigo após receber uma ligação da universidade sobre a Speedwagon.
—Como ela está? —Noriaki perguntou, fazendo você cerrar os olhos.
—Casada. Muito bem casada, em um relacionamento feliz e com uma aliança no dedo. Aliança de casamento. Já que ela está casada.
O ruivo piscou, abrindo a boca, confuso sobre por qual razão tocou tanto nessa tecla. Eventualmente a percepção o atingiu.
—Ei! Eu pensei que tinha me entendido quando eu disse aquilo sobre a senhorita Holly. —O estudante comentou. —Você é minha amiga, eu jamais pegaria sua mãe.
—Por que você não pegaria minha mãe? —Ergueu uma das sobrancelhas, cruzando os braços, ofendida com a resposta de Kakyoin.
—Porque ela é sua mãe?! —O seu colega argumentou, agindo como se a razão (óbvia) fosse senso comum.
—O cu não tem nada haver com as calças. —Replicou. A resposta do universitário foi uma virada de olhos, entregando sua bolsa enquanto falava:
—Aqui está, tomei o máximo de cuidado para não sujar.
—Obrigada Kaky. Por isso é meu melhor amigo. —Você pegou o item, guardando o celular na divisória da frente. Nenhuma sujeira nova avistada, apreciou o esforço do colega.
—Fico contente em saber da minha função de porta-treco.
—Sim, mas o porta-treco mais legal de todos. Quer ficar na janela? —Questionou ao ruivo.
—Não, não precisa, vejo essa paisagem quase sempre. Você é nova no Japão, merece ficar no lugar mais que eu.
—Bobagem! Ficar no banco do corredor não tampa minha visão, vou continuar conseguindo enxergar a vista. Se quiser ficar, sem problemas.
—Segundo os livros, as damas escolhem primeiro.
Você abriu a boca para retrucar a fala dita pelo Noriaki, mas o Kujo interrompeu, os encarando, o som saindo abafado devido ao carro:
—Puta merda! Os dois deixem de cu doce! É só um lugar, caralho!
Encarou o protagonista, seus lábios se erguendo em um sorriso após ouvir a frase, um plano se formando.
Agarrou a mão do seu colega, levando o pobre Kaky em direção aos assentos dos fundos contigo, o ruivo erguendo as sobrancelhas em confusão. Quando o Jotaro percebeu sua ideia, a testa dele franziu, os olhos ficando afiados enquanto soltava o típico “mas que saco.”, mudando o foco para a janela a fim de ignorar sua presença. Sua pessoa, sempre sendo uma querida, fez questão de ficar no meio, próxima ao ranzinza e o seu melhor amigo.
—Qual o motivo da cara feia, Jotarozinho? É só um lugar. —Provocou, batendo os cílios.
—Levanta a cabeça, princeso, se não a coroa cai.
Joseph entrou no carro após alguns minutos, por um motivo desconhecido, ele optou por ficar em pé no corredor do veículo. A expressão do grisalho não continha mandíbula cerrada ou sinais de estresse, parecendo relaxado agora que a filha estava tendo a saúde monitorada por um grupo de confiança. Como o mais velho não se sentou no lugar do motorista, ficou subentendido a presença de outro alguém ocupando esse cargo, uma benção de Compadecida, caso contrário o avião não seria o único acidente de hoje.
—Escutem. —O Joestar direcionou um olhar firme a vocês, fazendo o foco de todos irem para o anúncio. —Iremos enfrentar terrores inimagináveis nessa jornada, o vampiro sangue de bunda tem todo espécime de indivíduos ao seu lado, alguns são pobres seres manipulados, tipo Kakyoin, outros sujeitos são completamente vis, nascidos podres por natureza, o fato de terem Stands invisíveis aos olhos da justiça dando a certeza de impunidade.
O seu trio se encarou, confusos sobre onde o idoso queria chegar, mesmo não podendo ver a face de Abdul, o semblante dele deveria estar parecido com o de vocês.
O recado não surgiu do nada, há décadas quando Joseph encontrou o corpo esmagado de Caesar, o moreno sentiu culpa, assombrado ao pensar em como as coisas poderiam ter acabado diferente se não fosse pelo comentário indevido sobre família, uma fala capaz de ter feito seu amigo perder a cabeça e ir sozinho a fortaleza do inimigo. A morte do Zeppeli não foi atoa, nem naquele momento, nem agora, o falecimento do colega o ensinou sobre o princípio da lealdade, não somente a pessoas do mesmo sangue, mas a todas dispostas a sucumbir em uma batalha visando defender seus valores sem receber nada em troca, exceto auto satisfação por terem agido certo. Jovens como o Abdul, você e Noriaki sendo um grande exemplo disso. O grisalho não iria cometer o erro que levou o Caesar à tumba, pelo contrário, não conseguiria prosseguir na jornada sem verbalizar o quão grato estava por tê-los de aliados, embora soubesse não ser a melhor hora.
—Não há palavras o suficiente capazes de expressar meus agradecimentos, essa batalha nunca foi da maioria de vocês, imaginar quanto estão dispostos a abrir mão para salvar minha filha me deixa em uma dívida eterna, pois minha família é a coisa que mais amo.
“Ama tanto que tem duas.” Pensou, um sorriso involuntário se formava em sua boca, não importava o quanto tentasse esconder. Pelo amor, às vezes seu cérebro era um filho da puta.
Kakyoin e o sobrinho de Josuke ignoraram sua reação, cometendo o equívoco de considerar a fonte de sua alegria o agradecimento do idoso. Coitados, nem imaginam a surpresa daqui uns anos.
—O que tu quer tá mole, velho. —O Kujo respondeu, recebendo uma revirada de olhos do avô.
—Senhor Joestar, é uma questão de agir pelo bem. Não precisa nos agradecer por isso. —Abdul disse.
—Exatamente, eu os devo muito por terem tirado aquela coisa do meu cérebro, ajudar a senhorita Holly é o mínimo que posso fazer.
—Um por todos e todos por um. A gente ajudaria até se fosse o mal-humorado do Jotaro no lug- Ai! Me bateu por que? Eu te defendi, Jojo!
—Vi um Fusca passando. —O desgraçadinho teve a audácia de repetir o movimento, dando outro tapa leve na sua cabeça, sem causar uma dor real. —Vi mais um.
—Jotaro, cavalheiros não batem em damas. —Seu melhor amigo interrompeu.
—A dama está aqui com a gente?
—Muito engraçado Jojo. Pelo menos meu Stand não usa tanguinha. —Você argumentou.
—Pelo menos meu Stand combina com meu gênero.
—Pelo menos meu Stand tem distância média.
—Bom dia. —Um agente da empresa abaixou a cabeça, cumprimentando, antes de entrar no carro utilizando a porta do motorista. —Me chamo Khogu, trabalho na Speedwagon há 5 anos, irei realizar a viagem de vocês essa manhã. Por favor, coloquem o cinto. Gostariam que eu ligasse o rádio?