A contragosto, ele encontrou-se sentado no banco traseiro do carro, tendo que assistir a demonstração de afeto entre Neal e Aimée. Henry estava feliz que o amigo estava finalmente cedendo para o amor. Entretanto, isso não significava que ele queria ficar assistindo do banco de trás do carro ─ como se ele já não fosse passageiro o suficiente na própria vida. Ele olhou para fora do carro, os olhos já começando a se acostumar com a escuridão. Neal tinha um ponto ─ por que a cidade estava tão apagada? “Hmm?” Ele disse distraidamente, escutando seu nome várias vezes. Ele já estava bem mais acostumado com o Duke, apesar de ainda ser trabalhoso, e já estava mais treinado. No processo, Henry só perdeu algumas meias, um sapato, e umas duas gravatas. Ele estava considerando aquilo sorte. “Ele é sim. Felizmente, estaremos já na Inglaterra quando ele começar a crescer.” A ideia de viajar com Duke, mesmo num jato particular, parecia complicada para Henry. “O que será que aconteceu?” Ele disse, tentando mudar de assunto, enquanto apontava para a fila de carros.
“Fui eu sim, senhorita Dochartaigh, apesar de achar que Henry ainda quer me matar por isso.” Sorriu porque tinha se afeiçoado com o filhote e quando Henry falou sobre eles irem embora, Lola se pegou desfazendo o sorriso no rosto. Henry e Duke haviam se tornado uma nova constante em sua vida. Uma constante que a estava mudando levemente, como o fato que ela sem saber porque, comprava chá para ele sempre que se encontravam para a aula de Duke e ela nunca sabia como sabia que ele preferia chá que café. “Isso é estranho para Paris. Bom, para qualquer cidade do mundo. Acho que é um acidente.” Henry parecia distraído e Lola mesmo não sendo uma boa observadora, se pegou pensando se havia feito algo muito errado em ter aceitado - e forçado Henry - àquela carona. Olhou para frente para se assegurar que o casal não estava olhando e sem pensar muito, algo que não costumava fazer em relação a Henry, esticou sua mão e tocou na dele que estava sob o banco, apertando brevemente. “Vou ficar no palácio com vocês. Esqueci as chaves de casa e não estou muito a fim de ficar sozinha plantada na porta esperando meu irmão chegar. Se ele chegar com essa falta de luz.” Falou quando o irlandês finalmente conseguiu desviar do acidente e perguntou onde ela morava. Não sabia o que estava acontecendo, mas decidiu que não deixaria Henry naquela bagunça que ela tinha criado.
Enfim Neal tinha descoberto quem dera o cachorro para Henry. “Eu achei uma excelente ideia Lola. Henry realmente precisava de um animal de estimação.” Claro que Neal queria dizer mais, mas o faria quando estivesse sozinho com Henry porque teria mais graça. Não demorou muito para a polícia chegar e tentar resolver a situação a frente, que parecia um acidente e desviar o trânsito para um pequeno espaço que sobrara da rua. Lentamente começaram a se mover. “Realmente foi um acidente. Uma conclusão de falta de luz e um semáforo apagado. Espero que devolvam a luz logo porque as coisas podem piorar.” Neal já estava pensando em mais acidentes, roubos e saqueamentos. Léonie deveria estar louca para voltar para Paris aquela altura. Quando Lola disse que ficaria no palácio, pensou em fazer alguma piadinha com aquilo, óbvio, mas agora que reconhecia a garota pelo nome sabia que era bem capaz que ela tivesse esquecido as chaves e pela cara de Henry era melhor ficar calado. Por ora, claro. Direcionou o carro para o palácio e depois de uma revista intensa nos portões, entraram na garagem. “Foguinho, acho que tem uma lanterna no porta-luvas. Vamos precisar para andar no palácio.” Falou saindo do carro e dando a volta para ir até a porta de Aimée.
Aimée coçava as orelhas de Duke distraidamente quando algo que Henry disse lhe chamou a atenção. “Pretende voltar logo pra Inglaterra?” - Ela franziu o cenho mas não olhou pra trás, somente olhou quando Lola chamou sua atenção, chamando-a pelo sobrenome. “Ohh não precisa de formalidades. Apenas Aimée.” - Ela sorriu para a loira. Mas então sua atenção voltou para a estrada, notando que já havia escurecido e nada das luzes da cidade se acenderem. “Sim, isso é bem estranho.” - Olhou para Neal e então para frente, observando a confusão na rua. Ficou um tempo em silêncio olhando para fora da janela até que finalmente chegaram ao palácio. “Claro.” - Ela disse respondendo a Neal. Abriu o porta-luvas e pegou a lanterna, saindo do carro assim que o moreno abriu a porta para ela. Sorriu carinhosamente para ele e então lhe entregou a lanterna, para posteriormente entregar Duke para Henry, olhando príncipe por alguns momentos. Aquela situação era constrangedora demais, precisava falar com ele e resolver tudo. “Ahhhn... Podemos ir?”