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no fim do dia sobrou eu, comigo mesma olhando para o céu e pensando em nós.
já não sou mais vítima passiva do destino. com o alcançar da consciência, decido me tornar protagonista da minha própria narrativa.
quando sinto que estou me descolando de mim, pego aquela fotografia de quando era criança que gosto tanto e falo comigo mesmo.
"nós não precisamos ter medo mais", eu digo e, automaticamente, o nariz formiga e as lágrimas começam a querer rolar. eu sinto vontade de voltar no tempo e abraçar essa criança. perguntar a ela como ela se sente, dizer que está tudo bem sentir. dizer que tudo isso faz parte dela, da sua essência. a doçura, a sensibilidade, a feminilidade.
o medo existe, mas o que ele me ensina? ele é um sinal de que posso estar correndo perigo, mas o perigo é real ou uma projeção do que vivemos de traumático no passado, na infância? ser deixado por alguém é um fato que pode acontecer a qualquer um, a qualquer momento na vida adulta (e que pode gerar muito medo, como acontece comigo, algumas vezes). mas a morte, por exemplo, é uma separação que não podemos controlar, assim como as vontades das outras pessoas.
sobre poder ou não controlar: a prevenção excessiva de um perigo que nem se apresentou no presente. perigos muitas vezes infundados, não correspondentes com a realidade. para mim, às vezes, a realidade parece frágil. eu não consigo confiar na realidade por inteiro. é como se a realidade fosse feita de papel celofane, qualquer movimento pode rompê-la. mas e se ela realmente for assim? a vida é o inesperado, é a surpresa boa ou ruim, é o problema seguido da solução, é o acontecer "do nada".
a vida e a realidade são, sim, construídas com papel celofane. mas até quando viveremos com medo de andar perto das paredes finas e frágeis? algumas podem ser mais resistentes que outras. outras podem se romper com mais facilidade. o que faremos com isso? ficaremos estagnados e deixaremos de viver, de aproveitar o aqui e o agora, somente pelo medo? eu digo, com todo o amor do mundo, que nós merecemos muito mais que uma vida travada pelo medo.
vamos transformar nossos medos? transformar em energia propulsora para resolver os problemas, primeiro aqui dentro, depois lá fora, e viver em paz conosco e com a nossa própria consciência.
tudo isso é acolher quem fomos, quem somos. é fazer por nós aquilo que sentimos falta que o outro faça pela gente. acolher nossa criança interior, aquela mesma criança da fotografia que tanto gostamos, que não quer nada mais além de atenção, afeto, validação dos sentimentos e emoções e muito amor.
hoje eu me peguei em um questionamento. escolhi descer pelas escadas ao invés de descer pelo elevador. automaticamente, meu cérebro me indagou se tal pessoa gostaria da ideia de eu ter escolhido descer pelas escadas, sendo que existe um elevador que facilita a descida. eu rebati o pensamento com outros questionamentos: por que eu estaria buscando facilidades? por que o que o outro pensa sobre mim tem tanto valor assim? por que o que outro faz de bom de pra si seria bom para mim?
cresci com a falta de validação e acolhimento, acabando por buscar isso nos outros. de forma errônea, me esquecendo de mim para agradar os outros e ser aprovado. às vezes, pensar na não aprovação gera um medo imenso, o medo de ser deixado, medo do abandono. é como se quando eu me ouso ser quem eu sou de verdade, validar o que sinto, botar a boca no trombone e falar o que penso, estarei afastando as pessoas de mim. isso me gera muita ansiedade, porque o que mais quero é ser inteiro, ser eu mesmo. sei que tudo é uma construção e que tudo é um processo. saber reconhecer e entender tudo isso já é um início mais que bom.
hoje tive alguns momentos de ansiedade.
perdi a pulseira que ele me deu e isso tomou uma proporção maior do que eu esperava dentro de mim. tomou conta da minha cabeça em alguns momentos do dia.
algo muito pequeno. acho que sentia como se ter esse objeto me aproximasse mais dele. o material. assim como tirar prints das fotos de 1 segundo que ele me mandava ou guardar as embalagens dos presentes que ele me dava.
acho que o que se passa na minha cabeça é o seguinte: se eu tenho algo dele, eu o tenho. mas as coisas vão muito mais além disso, não? do material, do efêmero...
de fato, também não existe "ter" alguém ou algo. ninguém nem nada pertence a ninguém, na verdade. como acreditar e aceitar que isso é perfeito e bom?
certamente sofremos menos quando temos menos apego pelas pessoas e pelas coisas. o apego é completamente diferente do amor. amar é aceitar que quando alguém ou algo quer ir embora e está feliz com a decisão, devemos apenas deixar ir. sejam coisas ou pessoas. tudo tem uma hora de chegar e de ir, por mais que seja difícil entendermos.
pulseiras arrebentam e somem. pessoas tomam distância e vão embora. mas novas pulseiras podem ser ganhadas e pessoas novas sempre estarão chegando. o que permanece, unicamente, sou eu e a minha consciência. nós, sim, seremos eternos e sempre estaremos juntos.
(ainda bem.)
você entrou sem avisar. abriu a porta sem antes bater. como pude encontrar algo tão genuíno onde dizem não existir amor?
você vai durar?
das efemeridades da vida, para:
cantando juntos, em um lugar qualquer, sobre o nosso sonho adolescente;
uma viagem de carro;
conversas amenas e cheias de sentimento;
um doce japonês;
uma pulseira de ágata-de-fogo.
o sonho adolescente estava prestes a se tornar mais que apenas um sonho.
eu ponderei bastante sobre tudo.
ponderei sobre sua volta. sobre o que eu sinto. sobre as coisas que você disse. sobre as respostas que você deu para as minhas perguntas.
sinto que ainda amo você. apertou uma vontade grande, muito grande, de tentar algo novamente.
eu não posso dizer isso por você, não posso te forçar a fazer ou sentir o mesmo que eu faço/sinto.
mas eu sei que, hoje, sou outra pessoa e consigo entender muito melhor que antes os problemas que a gente vivia.....................................................................................
a gente vivia?
///////////===========+++++++==
°°°°°°°?
eu realmente quero isso?
???????
>>>>>,<<.<<<>; **** ###
~~~~~~~~~~~~~~
-----------=[[=[=+++
e por ser outra pessoa agora,
por entender os problemas que vivíamos antes,
tenho certeza de que não temos que voltar,
não podemos voltar...
estamos muito melhor como estamos AGORA.
eu pensava que a solução viria com você;
a solução para minha ansiedade, para meus choros de vez ou outra, para nossas lembranças que ainda assombravam meus sonos, meus sonhos...
e, de certa forma, veio.
mas não como pensei que seria. eu pensava que faríamos as pazes e que voltaríamos a ser o que éramos há 2 milhões de anos atrás e que isso traria minha paz novamente.
mas falar com você, saber que você está bem sem mim, de alguma forma, está me libertando de você.
não está acontecendo como o que eu sonhei, que idealizei, que almejei por tanto tempo. mas o que mais me encanta é que eu não estou me importando com tal fato, porque poder me sentir um pouquinho mais livre a cada dia me excita TANTO.
agora, estou realmente me despedindo de você.
agora, sim, você pode ir.
agora, pela primeira vez, eu QUERO que você vá.
boa viagem.
fantasia efêmera
às vezes me pego fantasiando momentos efêmeros com você.
eu costumava me policiar mais, tentava controlar o fato de estar me entregando um pouquinho mais a cada dia. porque, como um balde que se enche de água debaixo de uma fina goteira, foi que a paixão surgiu. a leves passos.
já me peguei fantasiando-nos dançando qualquer coreografia boba juntos, em alguma festa de família. até que damos um bom par de dançarinos.
fantasio-nos cozinhando, você rindo de alguma besteira que eu disse, eu te acompanhando nas risadas, a gente se sujando de comida. a gente é meio desastrado.
como seriam nossas viagens juntos? como seria se pudéssemos nos ver quando bem desejássemos? posso me atrever a fantasiar como seria dividir uma casa com você? e a vida? nem que seja uma parte dela.
sim, eu aceito entrar nessa fantasia com você. eu já tinha aceitado bem antes de você pedir, de qualquer maneira.
o amor é isso: não prende, não aperta, não sufoca. porque quando vira nó, já deixou de ser laço.
QUINTANA, Mário.
o amor não prende, ele liberta.
para mim, no momento, este é um dos ditados mais complicados de seguir. vejo-me em um impasse: continuo estagnado onde estou, tentando fazer algo que já perdeu o seu encanto acontecer novamente ou sigo em frente, deixando tudo para trás, deixando você para trás?
nós sabemos o quão danificados nós fomos por nós mesmos, mas também sabemos que nosso amor existe, que é um fato. mas será que vale a pena o desgaste?
eu costumava dizer para você que quem ama precisa deixar ir, de vez em quando. mas eu mesmo não tinha compreendido esse ditado, até agora. até esse exato momento, onde preciso escolher se devo te deixar ir ou não.
você me parece feliz sem mim. parece que está realmente tentando seguir em frente. parte de mim gosta disso, mas a outra parte odeia amargamente. a outra parte se contorce toda vez que sabe de você, toda vez que vê algo seu. é um impulso incontrolável e doloroso, que me consome em ansiedade e tristeza.
mas eu preciso te deixar ir se eu quiser ser feliz (e eu quero). não quero continuar sofrendo por você estar feliz, quero poder te desejar o melhor que o mundo e que as pessoas puderem te oferecer.
também não posso permanecer onde estou, nesse limbo de incerteza. a maior parte de mim tem certeza de que você não vai voltar, mas a outra ainda espera que você apareça montado em um cavalo branco dizendo que está tudo bem, que estamos curados e prontos um para o outro.
mas é mais que óbvio qual parte é a realidade.
eu sei que ainda te amo, mas nós já não pertencemos mais um ao outro. o nosso amor já foi maculado e não há mais o que possamos fazer em relação a isso. já fizemos de tudo e sempre voltamos ao mesmo ponto. Mário Quintana já havia dito que o amor é isso: não prende, não aperta, não sufoca. porque quando vira nó, já deixou de ser laço.
então vou praticar o que todos esses ditados disseram, porque acredito ser o melhor para nós. o melhor para mim e para você, separadamente.
estou te deixando ir.
você, de alguma forma, me traz paz.
eu pensei que não chegaria a sentir de novo. não a paz, mas a vontade de estar ao lado de alguém. a paz eu sabia que chegaria, a certa altura. mas eu, que fui tão danificado e que danifiquei tanto, nunca pensei que amaria novamente. e aqui estou, prestes a me entregar de novo. de frente ao precipício, sem saber se devo pular ou não.
eu tenho medo de você não suportar minha intensidade e fugir. tenho medo de você não ser profundo o suficiente para alguém como eu, e eu me frustrar. tenho medo de a minha própria insegurança acabar com tudo. são vários medos, que parecem menores quando estou perto de você e que crescem quando você está longe. sim, você tem esse poder de me confortar só com sua presença e não sei como é capaz disso. você apenas o faz.
eu gosto de você. gosto do jeito que você fala comigo; gosto das nossas conversas sobre coisas importantes e não-importantes; gosto de como você diz que vai me estragar com seu jeito “mau” de ser; gosto de como me sinto à vontade perto de você; gosto de como você diz que gosta de mim, à sua forma; gosto de tudo isso e tenho medo de te assustar com um “eu te amo” precoce demais. porque fazer isso é tipico de mim.
eu posso ainda não estar pronto para algo assim e já discuti o assunto várias vezes comigo mesmo. mas o fato de eu estar quebrado não descarta o outro fato, do qual tenho mais que certeza: eu quero você e não quero te perder. quero viver o que for que temos para viver juntos. quero experimentar as novidades que você me oferece. quero deixar você me curar.
e assim, talvez, possamos ser felizes juntos.
juntos.
os chás. eles me lembram você.
mas sabe o que também me lembra você? a escuridão. o vazio. a tristeza. o humor negro extremamente inapropriado. a falta de vontade de viver. ou talvez você tenha vontade de viver, porém insiste em dizer que não tem, para parecer incompreendido e descolado.
a indiferença também me lembra você, porque você é o rei da indiferença. eu me pergunto se você é capaz de sentir. qualquer coisa, por qualquer pessoa.
são contáveis as vezes em que eu ouvi você dizer algo gentil a alguém, ou até a mim mesmo. escassas, enxutas e insossas foram as palavras de bonança que ouvi sair de sua boca. em contrapartida, palavras maldosas nunca lhe faltaram. piadas sujas e sem respeito e comentários infames sobre coisas que eu gosto – ou pelo menos gostava, até você destruí-las com seu ponto de vista depreciativo e sem luz.
eu ainda me pergunto o que foi que vi em você. pergunto-me como pude amar alguém que gosta de ser tão cruel e psicótico. alguém que aprecia o sarcasmo e a ironia de uma forma tão doentia e tóxica.
e os chás ainda me lembram você. não somente os chás, como os bolos também, porque você gosta de cozinhar. e gosta ainda mais de ser alguém desprezível.
foi difícil achar aquela sombra, mas, no fim, sorrimos vitoriosos um para o outro: missão cumprida – ou quase isso. ainda tinha algo a ser feito, um compromisso subentendido a se finalizar.
só sei dizer que o jeito que ele me olhava me deixava hiper sem graça. eu tentava não encarar demais pra não parecer idiota, mas meu eu estava sambando lá dentro. o dia quente não contribuía e eu suava litros. ele ria de mim por eu estar sorrindo e eu sorria por causa do seu riso. "que foi?", eu perguntava, e ele respondia "nada não" e ria. queria saber o que estava se passando pela cabeça dele naquele momento.
não sei de onde tirei coragem para beijá-lo, mas o fiz, de repente. ele parecia já estar esperando por isso, porque retribuiu avidamente.
também não sei dizer por quanto tempo ficamos ali, conversando, sorrindo, nos abraçando e nos beijando. minha vontade era de nunca mais sair dali.
no fim, ele se despediu de mim com um selinho e se foi. sorrindo de orelha a orelha, segui meu rumo.
nunca mais nos vimos.
ainda não apaguei nossas fotos.
não tive coragem de fazê-lo. no fundo, ainda tenho esperanças de que nós vamos superar tudo isso. que nosso amor é maior que meus erros. que essa tempestade veio apenas para nos ensinar algo e que, no fim, vamos cumprir o que prometemos várias vezes um ao outro quando estávamos deitados juntos, na sua cama ou na minha, naqueles sábados e domingos preguiçosos que tinham cheiro de suor e amor. eu espero, do fundo do meu peito, que você volte para mim. e que quando voltar – se voltar – volte sem mágoas, sem feridas abertas. feridas que eu abri, mas que, querido, eu me esforçarei para fechar. eu estou disposto a dar tudo de mim, e você sabe disso. a porta está aberta – para você. até quando ainda existir amor, eu te esperarei.
entre. faça como antes.
more em mim de novo.
ninguém, em hipótese alguma, tem o direito de fazer isso com você.
não se deixe perder pelos outros. não deixe de amar por conta de alguém que já desistiu de amar. você é mais que isso, você é grande.
não sou perfeito como todos pensam que sou.
no início, quando comecei a perceber, foi difícil me acostumar com a ideia. são incontáveis as vezes em que me decepcionei comigo mesmo em diversas situações. talvez porque as pessoas sempre esperaram o melhor de mim e se esqueceram de que sou humano. cobranças. ou talvez, por conta do meu alto senso perfeccionista, eu tenha desenvolvido essa compulsão que me consome aos poucos. a compulsão de ser perfeito.
não sei dizer. só sei que não está sendo fácil...