A Ordem da Fênix — Alice&Lily
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ㅤㅤㅤO ano? 1978. Fevereiro, mais precisamente; o clima finalmente ficando menos frio, o sol aparecendo com mais frequência, o cheiro de terra úmida voltando nos terrenos de Hogwarts, na Escócia, e os NIEMs chegando, enfim. Centenas de mortes aparecendo mensalmente n’O Profeta Diário, todas relacionadas à “Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado”, e a lista crescendo tanto que diariamente, nos cafés da manhã, os alunos esperavam desesperados cartas de seus entes queridos, para terem certeza de que ainda estavam vivos; quer dizer, os alunos que não tinham se envolvido com o lado das trevas e agora tinham uma marca negra de caveira na parte interna do antebraço esquerdo, que parecia vívida e eles demonstravam com orgulho no corredor entre as aulas. Como era possível se concentrar nas aulas e estudar para obter as notas necessárias nos NIEMs quando um Comensal da Morte, um aliado do maior inimigo do mundo bruxo da época estava sentado na carteira de trás, ou do lado, ou da frente? Cada dia mais crescia a quantidade de alunos que se aliavam ao tal Lorde Voldemort - não, Alice não tinha medo daquele nome -, o que fazia com que o cenário de guerra que já existia há cerca de dez anos apenas se tornasse pior e mais perigoso. ㅤㅤㅤAlice Crouch, Grifinória, estava inscrita na maior quantidade possível de disciplinas, e se dedicava assim como todos os Corvinos para obter notas decentes e ser capaz de, depois da formatura, estudar para ser Auror. Era o plano também de seu namorado, praticamente marido considerando todas as circunstâncias - com a possibilidade de morte iminente por parte da Primeira Guerra Bruxa, os casamentos aconteciam cada vez mais apressados -, Frank Longbottom, com quem já se relacionava romanticamente desde o quarto ano; era também seu melhor amigo, com toda a certeza. Mas poucos se atreviam a seguir aquela carreira, com tantos bruxos das trevas do lado de fora dos muros de Hogwarts, na “vida real”; dos quatro marotos, por exemplo, Lupin era o único que tinha levemente mencionado alguma coisa sobre aquilo, mas a bruxa tinha a impressão de que o amigo não seria aceito pelos avaliadores preconceituosos dos aurores, por ser um mestiço, um lobisomem; ela e Frank tinham descoberto por completo acaso certa noite que fugiram para namorar e viram Remus se transformando, e logo depois os melhores amigos também se transformando em outros animais, por animagia, uma atitude que ela considerava realmente admirável! ㅤㅤㅤNa manhã daquela sexta feira, Alice, Frank, os Marotos, Lily Evans e mais alguns alunos específicos de quase todas as casas - ela teve a impressão de não ver nenhum sonserino, provavelmente porque quase todos eles, como Severus Snape, Bellatrix Black e Regulus Black, estavam envolvidos com a arte das trevas - receberam uma carta oficial no café da manhã, uma convocação do diretor Albus Dumbledore, liberando-os das primeiras aulas para que tivessem uma reunião com ele. Aquilo parecia estranho, um pouco suspeito, e não estava com nenhum selo de Hogwarts, mesmo que eles tivessem certeza de que aquilo era sim uma carta oficial. Ele também pedia, bem no rodapé, que fossem separados e tentassem não ser notados; os marotos logo começaram a discutir sobre como aquilo tinha algo a ver com “Você-Sabe-Quem”, mas Alice se calou, perdida completamente em pensamentos. Primeiro de tudo, se considerou sortuda por se livrar de duas aulas de História da Magia, com o entediante professor Binns, mas depois se lembrou de sua necessidade de altas notas, e então acabou se distraindo por tantos instantes que seu prato sumiu da mesa sem que ela mal tivesse se alimentado. ㅤㅤㅤCombinaram, então, que os Marotos iriam todos juntos, Frank iria sozinho alguns minutos depois, e Alice iria com Lily, afinal, eram completamente inseparáveis. Aquele plano parecia funcionar, parecia capaz de até mesmo deixar o professor Dumbledore orgulhoso, e o que quer que fosse que ele quisesse falar com todo aquele grupo, Alice tinha uma boa sensação em seu peito, quase como uma pontada leve de esperança no meio de absolutamente todo o caos em que viviam há anos. Depois de quase todos os alunos terem deixado o Salão Principal, Alice se levantou e passou de leve as mãos nos cabelos curtos bagunçados e castanho escuros, então nas vestes negras, e apontou com a cabeça para as portas duplas de madeira, oferecendo o braço para a amiga ruiva, com um sorriso leve no rosto, depois de colocar a carta secreta na bolsa carteiro que carregava consigo, e que estava cheia de livros, cadernos e penas. — Vamos? — Falou de forma doce, fazendo aparecer suas covinhas.












