“Alicia acho que você deve nos contar mais do que conversam, é questão de sinceridade sabe? Não podemos continuar uma amizade assim, baseada em mentiras!” ele dramatizou, mas todos os presentes saberiam que brincava. Mase deu um riso trocando um olhar com os dois e viu a avó retorcer o rosto com aquela modernidade. Foi inconsciente o sorriso que deu ao ver o gesto do irmão com a ruiva também, gostava da dinâmica de cumplicidade que tinham mesmo depois de meia escola os apelidarem de talaricos. “Ih vêia, estamos sobrando aqui! Acho que é bom você me caçar alguém também, posso precisar de um chalé novo. “ ele voltou a se aproximar da avó sentando no colo dela enquanto fazia um coraçãozinho para o ex-casal. “Ou de vinho, mas dessa vez é de ajuda mesmo” Mason pontuou sem tanta verdade, considerava sim a amizade do trio. “Não é como se tu não soubesse o espaço disponível, vivia lá no quarto! Mas vamos então, que material tá liberado aqui pra pegarmos? Só não quero amarelo na parede, não transmite boa energia.” Ele quis pontuar, afinal aquela era uma das cores associadas a morte, embora poucos soubessem. “Isso, verde, roxo, preto… tu gosta? Combina com rock ambientalista de velho” ele tentou nomear o gosto deles, sem muito sucesso. O olhar ainda estava preso no irmão enquanto começava a andar rumo a saída, deu um aceno para Myrtle.
Imaginar que a avó sabia dos detalhes sórdidos de tudo o que já havia acontecido entre os três era no mínimo curioso, mas não o assustava. Nunca teve papas na língua e os Salvatore mais velhos já estavam acostumados com o furacão chamado Grady ou esperava que já estivessem. O olhar caminhou entre o rosto retorcido da avó e o convencimento gritante na expressão de Alícia, que não deixaria barato. “Não, vocês não estão sobrando. Estamos em família, a tampinha só precisa admitir que ela sente falta da safra Salvatore, talvez ela até possa provar de novo, não?” disse engolindo a seco a própria risada. “A verdade é que viemos aqui pelo vinho também, você acabou de confessar com a sua preferência por roxo para pintar o nosso chalé. E sou team verde dessa vez!” Antes que a avó pudesse reprovar mais alguma de suas piadas, se apressou ao acompanhar o irmão, que já estava próximo da saída, deixando um beijo estalado na bochecha de Myrtle. “Você pode escolher a cor da parede sem optar por preto, precisamos de iluminação naquele chalé por causa das plantas e porque preciso de luz para avaliar os meus looks”, disse voltando a atenção para a ruiva. “O que você acha? Existe salvação para a decoração do nosso chalé?”
“Você sabe, Mason, assuntos de garotas” esboçou um sorriso travesso não se deixando afetar pelas feições alheias. Não pode evitar de rir da intervenção de Grady, comparando os Salvatore com safras de vinho, “Pelo visto meus lábios tem feito falta, não encontrou nem uma outra sommelier que se equiparasse as minhas habilidades?” arqueou a sobrancelha, Alicia sempre foi de demonstrar ter confiança e mesmo com a vó dos meninos se sentia livre para se divertir com eles, por mais que isso pudesse render algumas observações mais tarde quando se encontrassem sozinhas de novo. “ A verdade nunca tarda a aparecer, já faz certo tempo que não os visito, vai saber que maluquices inventaram de fazer lá ou quem anda frequentando lá... espero que ninguém que tenha atrapalhado o bom trabalho que fiz anteriormente” ponderou com um tom divertido . A ruiva ouvia as sugestões enquanto rumavam a saída, se despediu da professora de artes, antes de estender ambos as mãos, uma até o braço de Grady e a outra até o de Mason e encaixando ali para que fosse conduzida por eles. “Certo, algo rock vintage e boa iluminação” repetiu baixo pensando no que ela faria. “É...” ficou pensativa enquanto olhava ao redor do chalé “acho que posso ajudar melhorar isso daqui, algum de vocês tem fita métrica?”