Caso não floresça, a gente suborna a primavera.
Alugue felicidade

Love Begins
Alisa U Zemlji Chuda
ojovivo
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h
I'd rather be in outer space đž
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Claire Keane
KIROKAZE

JVL
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almost home
wallacepolsom
YOU ARE THE REASON
hello vonnie

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Aqua Utopiaïœæ”·ăźćșă§èšæ¶ă玥ă

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@aluguefelicidade
Caso não floresça, a gente suborna a primavera.
Alugue felicidade
Poderia ser sĂł a minha incapacidade de ir embora, mas nĂŁo Ă©. Ă mais sobre a minha vontade de ficar mesmo. Ficar mesmo naquele dia em que eu bati a porta e prometi nĂŁo voltar mais. Uma semana, trĂȘs dias e quinze horas depois eu voltei. Te falei de tantas coisas, despejei meu meio mundo em vocĂȘ e nĂŁo tinha a mĂnima noção do que estava fazendo. Ăs vezes a gente sĂł quer falar, entende? E no meio de tanta coisa pra falar eu fui ficando. VocĂȘ foi duvidando e eu fui te convencendo. Fui voltando a cada vez que pensava em ir. Mas nĂŁo, nunca foi por nĂŁo saber ir embora. Sempre foi sĂł por querer ficar no meio dessa gente toda que jĂĄ cansou de chegar. VocĂȘ Ă© a minha linha de chegada preferida, mesmo que eu precisasse enfrentar uma maratona por essa cidade inteira pra cruzar por vocĂȘ.
Camila Costa. - trechos de nĂłs.Â
âVocĂȘ me esqueceuâ, ele me diz. E eu fico pensando em arranjar qualquer desculpa que fuja do real fato de eu ter esquecido. Eu tento fugir de todas as razĂ”es pelas quais fazem eu esquecer e, principalmente, as que fazem eu ME esquecer.
Mudo de assunto, vocĂȘ faz um rodeio e consegue voltar ao inĂcio; o silĂȘncio se estende e eu sequer consigo te falar que peco em minhas ausĂȘncias atĂ© comigo.
 AtĂ© mesmo comigo, que deveria ser protagonista da minha prĂłpria histĂłria. Mas eu tenho medo de te dizer que minhas faltas andam frequentes e que eu nĂŁo consigo suportar nem mesmo a minha existĂȘncia morna.
Eu tenho medo de vocĂȘ desistir de mim e pensar que sou sĂł desequilĂbrio. Â
Eu tenho medo que vocĂȘ possa se dar conta de todo o  meu caos  e fugir disso tudo...                                                 Porque se fosse eu, eu fugiria sem mesmo olhar pra trĂĄs.     Â
Na verdade, sendo honesta, eu jĂĄ fugi e nem sei o caminho de volta.
Eu tenho medo, porque eu sei que no fim serå só eu e meus tropeços.
Eu tenho medo, porque eu sei que no fundo serĂĄ o vazio. Â Â
Eu tenho medo, porque eu sei que, na sĂntese, o resultado Ă© dor.
Eu tenho medo, e nem te falo porque tudo desemboca na ideia do mundo descobrir que eu sou frĂĄgil um bocado e nĂŁo toda essa heroĂna que eu inventei ser. Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â
E eu, infelizmente, nĂŁo posso me salvar. Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Nem te salvar. Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Eu tenho medo de vocĂȘ me olhar e me enxergar fraca o suficiente por nĂŁo conseguir carregar todo esse peso sozinha.
Eu nĂŁo consigo, assumo. Mas deixa eu imaginar que sim. Â Â Â Â Â Â
A conversa acaba comigo olhando pro chĂŁo, porque eu nunca fui boa em enfrentar os meus problemas e acabo sempre tentando fugir deles.
E de mim.                                                   âVocĂȘ me esqueceuâ, ele diz. E eu sĂł sei pensar em silĂȘncio que eu tambĂ©m me esqueci                                                      mas que sequer me cobro.  Â
De uns tempos pra cĂĄ, tenho acordado no susto. Sempre com a estranha sensação de estar atrasado para um compromisso que nĂŁo existe. Sempre com aquela angĂșstia desnecessĂĄria de estar devendo ao mundo um poema que nunca serĂĄ escrito.
Eu me chamo AntĂŽnio.
Eu sĂł quero que vocĂȘ entendaâŠĂ s vezes eu fico quieta, mas nĂŁo estou braba. SĂł estou quieta, tenho os meus momentos, gosto da minha prĂłpria solidĂŁo. Nem sempre o que eu digo Ă© verdade, mas eu nunca minto para vocĂȘ. A tpm nĂŁo Ă© a culpada, meu humor nĂŁo Ă© o culpado, em algumas ocasiĂ”es o culpado Ă© vocĂȘ. Eu sĂł quero que vocĂȘ entenda que eu te mando embora querendo que vocĂȘ fique. Penso em nĂŁo te querer mais sonhando em como te ter mais um pouco. Fico com raiva de vocĂȘ e isso passa. Quero mais carinho e isso me cansa. Penso que vocĂȘ Ă© um ser inatingĂvel, um ser que vive num mundo fechado a mil chaves e cadeadosâŠquero que vocĂȘ entenda: eu gosto de demonstraçÔes de amor, paixĂŁo, seja lĂĄ o que for. Eu sĂł quero que vocĂȘ entenda que te faço tantas perguntas para me sentir segura. Tenho medo de te perder. Tenho um medo danado de vocĂȘ nĂŁo mais me querer. NĂŁo quero que nenhum mal te aconteça, mas nĂŁo sei bem como demonstrar isso, meto os pĂ©s pelas mĂŁos e falo o que nĂŁo devo. Falo sem parar, falo sem pensar. Eu sĂł quero que vocĂȘ entenda que o nĂŁo, Ă s vezes, Ă© sim. Que o sim, Ă s vezes, Ă© nĂŁo. Que o talvez para mim nĂŁo tem vez. Que acima de tudo eu te gosto demais e isso faz com que eu me torne grande e pequena e adulta e criança e confusa e certa. Eu sĂł quero que vocĂȘ entenda que eu nĂŁo gosto quando vocĂȘ vai embora. NĂŁo gosto quando vocĂȘ esconde o que sente. NĂŁo gosto quando vocĂȘ nĂŁo me dĂĄ a menor bola. NĂŁo gosto quando vocĂȘ nĂŁo gosta de esclarecer as coisas. Eu sĂł quero que vocĂȘ entenda que eu sei do seu medo e da sua falta de coragem. Sei que vocĂȘ se esconde atrĂĄs do cansaço, do sono ou da falta de saco para certos assuntos. Sei que vocĂȘ inventa desculpas para vocĂȘ mesmo. E eu te digo: tambĂ©m tenho medo. Muito medo. Mas disfarço melhor do que vocĂȘ. Seguro a onda melhor do que vocĂȘ. Eu sĂł quero que vocĂȘ entenda que estarei aqui para sempre. Por mais que vocĂȘ me mande embora. Por mais que as coisas compliquem. Por mais que o mundo acabe. Por mais que vocĂȘ nĂŁo me ame. Se eu falo que estĂĄ tudo bem, quero que vocĂȘ pergunte de novo. E de novo. De vez em quando eu finjo que tudo estĂĄ numa boa, mas tambĂ©m tenho o meu lado fraco. Preciso de colo. De atenção. De mĂŁo na cabeça. De mĂșsica de ninar. Eu gosto do desespero. Se eu estou triste, quero vocĂȘ ao lado. Se eu estou braba, quero vocĂȘ ao lado. Se eu estou num dia bom, quero vocĂȘ ao lado. Se meu dia foi pĂ©ssimo, quero vocĂȘ ao lado. Quero o seu desespero. O meu desespero. Se eu viro as costas, quero vocĂȘ andando atrĂĄs. Se eu digo que nĂŁo te quero mais, quero vocĂȘ gritando e me pedindo para te querer novamente. Nem sempre as minhas açÔes condizem com as minhas palavras. Me conheça. Me decifre. Me ame. Me ache. Me devore.
Clarissa CorrĂȘaÂ
Cheguei Ă janela e olhei para o cĂ©u, um movimento que faço vĂĄrias vezes atĂ© sentir o meu dia concluĂdo e esperar a vinda do novo. Entendi, de repente, porque gosto tanto da noite, desde sempre: pelo silĂȘncio dela. Eu sei que o silĂȘncio pode ser ameaçador. Sei que muitas vezes pĂ”e pra tocar, no volume mais alto, mĂșsicas que nossos sentimentos cantam e que falam de coisas que a gente nem sempre quer ouvir. Mas o silĂȘncio Ă© tambĂ©m alimento. O silĂȘncio Ă© tambĂ©m descanso.
Ana JĂĄcomo.
eu tenho medo. hoje, pela primeira vez, confessei pra mim mesma em voz alta o meu medo. e nĂŁo Ă© dos outros, Ă© de mim. eu tenho medo de mim. eu tenho medo do que posso me tornar. eu tenho medo atĂ© do que, em parte, jĂĄ me tornei. e Ă© um medo como um fogueira em que o fogo começa pequeninho e vai crescendo, subindo, consumindo tudo em volta - destruindo talvez seja a palavra certa. âmas vocĂȘ Ă© tĂŁo boaâ, me dizem. mas eu nĂŁo sei, retruco - sĂł em pensamento. atĂ© hoje eu encaro as fotografias de quando era criança sem entender bem quem Ă© que estĂĄ ali. logo me reconheço. me olho no espelho e vejo o traço que nunca mudou: os olhos. o vazio dos olhos. lĂĄ estĂĄ ele. incansĂĄvel. interminĂĄvel. insone. eu tenho medo desse buraco negro, medo de abrir a âcaixa de pandoraâ e descobrir que sĂł pĂĄssaros negros e mortos vivem ali. âmas vocĂȘ Ă© calmaâ, me dizem. mas eu nĂŁo sei, retruco de novo - sĂł em pensamento, de novo. eu tenho medo desse fantasma que fica Ă espreita sĂł aguardando eu fraquejar pra colocar porta abaixo e me vencer de novo. eu nunca fui boa em vencer. eu tenho medo de descobrirem que eu nĂŁo sou nada do que pensaram que eu fosse. eu tenho medo desse gelo que cresce de dentro pra fora e nĂŁo de fora pra dentro. eu tenho medo de que os psicĂłlogos cansem, de que os psiquiatras esgotem as receitas de remĂ©dios, de que as pessoas sangrem nos meus estilhaços sem controle. eu tenho medo de o mundo desistir de mim antes de eu desistir dele. âmas vocĂȘ passa tanto amorâ, me dizem.
mas eu nĂŁo sei. eu nĂŁo sei.
e eu nem retruco.
Ficou na memĂłria dos meus olhos o clarĂŁo do sorriso dos seus. Depois disso, tudo o que sorri pra mim com algum sol faz eu lembrar de vocĂȘ.
Ana JĂĄcomo
nĂŁo sei te esquecer
dizem que o primeiro a dizer: eu te amo, Ă© o Ășltimo a parar de chorar. deve ser por isso que as estrelas sĂŁo cadentes quando o sol se vai.