Ainda bem que em português ser e estar não são a mesma coisa. Eu quase sempre estou muitas coisas que nunca quero ser.
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@acaso
Ainda bem que em português ser e estar não são a mesma coisa. Eu quase sempre estou muitas coisas que nunca quero ser.
j.
quando eu te levei pra conhecer a água morna do mar do sul da bahia, eu estava tentando te dizer que o meu amor por você tem crescido tanto como a jiboia que te dei de presente e agora está no meio da sua cozinha
eu sei que eu não tenho tantas palavras na minha boca como você, mas esse é o meu jeito de te deixar a par sobre onde meus pés teimaram a entrar e afundar antes de descobrir que você existe em outro estado e aí sim permitir que exista em alguma parte de mim
eu não vou mentir e falar que desde a primeira vez eu tinha certeza que seria você porque há algo de errado comigo quando eu preciso atravessar a mesma porta em uma quinzena de oportunidades até confirmar que tudo bem eu cruzá-la sem esmagar os meus dedos (ou até pior)
eu te contei que há quase uma dupla de anos atrás o meu coração estava envolto em uma nuvem que chovia e evaporava a maior parte da minha paz e você não entendia como eu ainda conseguia ficar ali
a verdade é que a gente pode se acostumar com o barulho do tique taque do relógio até ele parecer não doer mais os nossos ouvidos, mas se você voltar a reparar é possível perceber o quanto é agonizante o tempo escorrendo em nossas orelhas
depois disso, eu notei que desde quando você foi tomar aquele café comigo eu não tive medo
eu sei que eu demorei um pouco até sentir amor, mas medo não
e foi quando eu entendi que pensar em você daqui trinta décadas não me assusta
me comove
eu quero que o tempo seja bom conosco.
eu vou viver outra história de amor fajuta e daí escrever e daí você vai pensar que ainda estamos presos um ao outro e talvez até seja verdade mas não importa. nessa vida não importa mais. talvez na próxima, talvez a gente se resolve em outra, não nessa
daí eu vou encontrar esse cara e sei lá dormir com ele e sei lá me apaixonar e escrever sobre ele e então você vai ler ou quem sabe você não faça mais isso e sou eu que me conforto na ideia de que existo tanto na sua vida quanto você na minha
pensar que estamos atados deve ser porque ainda lembro
é que amar é exercício de memória e tenho medo de perder a parte de mim que só soube sentir e sentir e sentir por você
era uma parte boa. eu tinha problemas mas a minha versão que viveu a gente é tão querida, eu gosto tanto dela
preservo
eu a amei tanto, na época não parecia, eu estava triste com tanta frequência, mas ela tinha uma luz que eu queria guardar
não a encaro como a versão de mim que não segurou você, não há ninguém nesse mundo que te prendeu nas mãos
ela sofria tanto, mas eu a amo
eu amo a fé que ela tinha em quem eu sou hoje
minha ex idade, aquela que eu vivi em seu nome, é muito mais que isso
porque ela pode até ter te escrito, eu escrevi tantos homens
mas se você parar pra pensar
tanto pra ela, quanto pra mim, a certeza era uma
quem fica
sou eu
você vai amar de novo e vai ser tão bonito como quando os átomos se tocaram pela primeira vez e formaram coisas como esse céu infinito e a luz dos teus olhos.
a gente insiste em querer que alguém fique pelos motivos errados.
mas escuta aqui baixinho: deixar ir também é um ato de amor.
Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?
caio fernando abreu
amamos tanto, e a perda é cotidiana e infinita.
Hilda Hist
esse medo de crescer, de me esvair por todos os cantos, esse medo do mundo triturar meus sonhos, esse medo de perder as pessoas e nunca mais tê-las de volta, é tanta coisa.
eu vejo o mundo rir de você enquanto tu fica ai se desculpando. existir pesa. sim. e não é pouco. a vida tritura seus sonhos e te sopra areia nos olhos de maneira tão trivial. e você? chora. se lamenta. se derrama entre as palavras em busca de salvação.
em vão.
(a poesia te salva da morte, mas o que te salva da vida?)
era ridículo; ele me roubara tudo, até as palavras.
talvez só sejamos cobaias para os erros de alguém que só vai ser melhor com o próximo.
Oatman, Arizona- Route 66
Andi Veskioja