Suspirou com a fala dela, como se estivesse contendo o medo até então. Não precisava fingir com a irmã, ela sabia de seus receios, mas não queria parecer mais um covarde. Amara respondia suas questões sem que ele precisasse expor, tanto que se conheciam, e ele sentiu certo alívio no que escutava. Talvez ela simplesmente fosse muito boa de lábia, talvez ele confiasse tanto nela que sentiu uma injeção de confiança e conseguiu abrir um sorriso mais animado. — Tá bem! Vamos lá. — Forçou a si mesmo a acreditar que conseguiria, olhando as tatuagens disponíveis. Ouviu a sugestão dela, fazendo uma expressão de quem ponderava a ideia. — É, parece uma boa. Eu gosto muito de música, e tecnicamente estou mesmo em uma banda, e tal. — Dizia os pontos positivos da escolha, como se tentasse se convencer. Não tocava instrumento algum na banda, mas gostava da ideia de pertencer, além de, definitivamente, estar orgulhoso por ter, finalmente, conseguido um bom evento para a Tartarus Tragedy tocar. — E se a gente fizesse uma juntos? Não juntos ao mesmo tempo, mas juntos de mesma tatuagem. Tipo tatuagem de irmãos. Você faria uma comigo? — Perguntou, com um sorriso animado e já cheio de expectativas. Talvez uma tatuagem com significado o deixaria mais à vontade com a escolha.
amara sorriu animada quando ouviu seu irmão sugerir que fizessem uma tatuagem juntos. seus olhos se iluminaram com uma mistura de surpresa e entusiasmo, estava adorando compartilhar aquele momento especial com james ❝ sério? eu adoraria! ❞ ela respondeu, sua voz com uma felicidade genuína. claro que queria fazer algo juntos, só não tinha sugerido antes por receio de forçar algo que talvez ele não quisesse, mas ela deveria saber que um design que representasse sua conexão seria uma boa pedida. amara pensou por um momento, logo uma ideia começava a se formar em sua mente. um sorriso brincava em seus lábios enquanto olhava para o irmão ❝ eu te disse que desbloqueei um novo poder depois da missão, né? ❞ ela perguntou animada, seus olhos brilhando com a expectativa ❝ agora nós dois conseguimos falar com felinos. pode ser algo assim! ❞ apontou para um desenho de tigre.
A filha de Dionísio sempre obtinha a demonstração de que, abaixo de inúmeras camadas de proteção, Aidan era feito de sensibilidade. Uma prova disso era a forma que, mesmo com o passar dos anos, mesmo com o correr dos eventos, o entrar e sair de tantas pessoas em suas vidas, ele permanecia atordoado pelo efeito Amara. Sua mente era sempre um solo fértil para as opiniões e sugestões da loira, acatando quase tudo aquilo que era arguido por ela. Mas existia um teor diferente naquela proposta. "Você sabe que consigo enganar meus inimigos com facilidade. Eu melhorei muito desde o último duelo que usamos arcos." O sorriso estampado em seu rosto era brincalhão, notavelmente aventureiro. Apenas permitiu que o corpo fosse conduzido, rendido pela fragilidade que Amara causava em sua área moral. Sequer recordava-se das possibilidades perigosas daquela dinâmica.
A regra sugestionada o fez amolecer o pescoço e tombar a cabeça lateralmente, como se estivesse desinteressado no acordo. "Ah uvinha, a sua competitividade e esperança na vitória me comove. Vamos manter a mesma regra de sempre." Murmurou lento, visivelmente derretido. Seus amigos diziam que Amara o reduzia à sua versão mais acessível, mais controlada. Aidan concordava, mesmo que relutante. A semideusa parecia encaixar as rédeas ao redor de seu pescoço, domando-o com maestria. Ali, sentindo o perfume doce rondar por seu corpo, a mente se esvaziava dos pensamentos que apontavam as possíveis consequências daquela entrega. O sentimento avassalador que ainda se escondia por detrás de seus olhos o fazia desejar ainda mais proximidade, tomando mais um passo na direção da ex namorada. Divertido, desviou seu rosto quando estava próximo demais da loira, rindo baixo com a covarde diversão. Assim que finalmente seus olhos se soltaram de Amara, entendeu a própria sentença. A flecha de Eros, aquela que apontaria suas paixões e amizades, uma piada constrangedora que traria à superfície inúmeras informações ou nenhuma delas. Ponderou rapidamente olhando a estrutura da atividade e logo a ofertou a resposta. "Darei a honra para a senhorita, causadora das minhas alucinações. Dê o seu máximo e não pense que terei piedade. Seja a primeira e assista a minha vitória atenciosamente." Dessa decisão em diante, o clima daquele ambiente poderia eclodir rapidamente e ele sabia disso como ninguém. O ciúmes, elemento que foi alicerce da relação, seria posto à teste. E Aidan normalmente perdia nesta competição com suas explosões históricas. "Vamos nos divertir um pouquinho. Estou ansioso para saber quem serão meus próximos alvos no Rouba Bandeira."
❝ eu não sabia que era sua inimiga, aidan keef ❞ retrucou, enfatizando cada sílaba do nome completo dele para deixar bem claro que estavam entrando em um território perigoso. amara podia não querer mais aidan como namorado, mas a ideia de não saber todos os segredos sobre ele a incomodava profundamente. gostava de tê-lo na palma de suas mãos e brincar com ele; provocá-lo era a maior diversão para a loira, cujos olhos brilhavam com uma expectativa quase maliciosa para o jogo. adorava a sensação de controlar a situação. porém, o apelido a fez fazer uma careta imediata. odiava ser chamada de "uvinha" e ele sabia disso muito bem, o que só atiçava ainda mais sua necessidade de irritá-lo. havia uma fúria latente em seu olhar quando o filho de ares diminuiu a distância entre eles, mas isso era apenas a superfície de algo mais profundo e turvo. a única maneira de lidar com a tempestade de emoções que aidan sempre trazia à tona era se agarrar àquela raiva. quando ele finalmente recuou, ela soltou o ar que havia prendido, sentindo a onda de calor que ele provocava em cada fibra do seu ser dissipar-se junto com a nova distância entre eles ❝ não entendi o aviso ❞ disse ela, a voz carregada de desafio ❝ não é nenhuma novidade, você nunca pegou leve comigo ❞ era uma mentira, e ambos sabiam disso. um dos maiores problemas da relação deles era o ciúme avassalador que ambos sentiam, mas especialmente aidan. ela riu quando aidan mencionou que teria novos alvos no caça à bandeira. por um momento, ela ponderou se deveria temer a ideia do ex-namorado usando aquilo como pretexto para machucar as pessoas de quem gostava. no entanto, o pensamento se dissipou rapidamente em um sorriso malicioso. era uma delicia saber que ainda conseguia despertar aquele sentimento em aidan e, se isso a tornava uma pessoa horrível, ela até que gostava de ser assim ❝ boa sorte com isso, amor, eu só gosto de bons guerreiros ❞ ela murmurou, com um brilho travesso nos olhos.
ela pegou a aljava com um movimento ágil, sentindo o peso familiar das flechas repousando contra suas costas. no momento em que seus dedos se fecharam ao redor do arco e da primeira flecha, os alvos diante dela começaram a transformar-se. as figuras tomaram formas conhecidas, rostos que povoavam seu coração de alguma forma. flynn apareceu primeiro. era justo que fosse ele, afinal de contas, tinham passado bastante tempo juntos recentemente e planejavam ir ao baile de afrodite e eros como par. a seguir, o rosto de christopher emergiu, um de seus melhores amigos. aidan sempre tivera ciúmes dele, mesmo que nunca houvesse existido nada entre ela e o filho de afrodite além de uma amizade pura e sólida. e então, love, sua amiga leal, cuja antipatia por aidan era clara. love sempre acreditara que o relacionamento deles era tóxico, algo que amara sabia ser verdade em algum nível. outros rostos começaram a surgir. um filho de ares e irmão de aidan, com quem ela tinha ficado apenas para irritá-lo, e várias outras figuras de amores passados e casos conhecidos. ela permitiu-se um sorriso enquanto observava cada um deles. era inegavelmente satisfatório ver as feições, uma colagem de suas emoções e memórias, materializando-se diante dela.
amara ajustou sua postura, os pés firmemente plantados no chão enquanto segurava o arco com determinação. seu olhar se fixou em christopher, cujo rosto apareceu nitidamente entre os alvos transformados. sem hesitação, ela puxou a corda do arco até sentir a tensão perfeita, os músculos de seus braços flexionados sob o esforço controlado.amara ajustou sua postura, os pés firmemente plantados no chão enquanto segurava o arco com determinação. seu olhar se fixou em christopher, cujo rosto apareceu nitidamente entre os alvos transformados. sem hesitação, ela puxou a corda do arco até sentir a tensão perfeita, os músculos de seus braços flexionados sob o esforço controlado. sem pausar, seus olhos se moveram para o irmão de aidan ao lado de christopher. ela mirou nele rapidamente, seu coração batendo um pouco mais rápido agora. a segunda flecha seguiu o mesmo trajeto controlado, encontrando seu alvo com uma precisão calculada. o alvo oscilou com o impacto, também sendo derrubado ❝ você acha mesmo que vai conseguir me vencer? ❞
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— Baile, faça seu próprio ursinho.
Embora gostasse muito de beber e ainda mais de assistir drinks sendo feitos, apenas isso não estava sendo distração o suficiente para Aslan, que se pegava de momento em momento perdido nos próprios pensamentos e olhando fixamente para lugares e pessoas — uma pessoa em específico, na verdade. A ideia de beber funcionara no início, mas agora ele sentia que precisava se movimentar, participar de alguma das interações, ou provavelmente não aguentaria ficar por muito tempo ali, principalmente sozinho. Sair de onde estava foi fácil, mas achar o que fazer sozinho nem tanto. Por sorte, enquanto caminhava, avistou Amara ali perto e nem pensou duas vezes antes de se aproximar e entrelaçar sua mão à da irmã. — Posso te roubar um pouquinho? Prometo que te devolvo depois que eu conseguir fazer um ursinho, não vou atrapalhar seu divertimento — disse, já a fazendo acompanhá-lo mesmo sem ter uma resposta positiva antes. A decisão por aquela atração foi apenas porque era a mais próxima deles e Aslan achava que não seria uma atividade que a irmã negaria. — Me diz, como alguém nasce uma vez e nasce linda assim que nem você? Qual o segredo? Pai caprichou te fazendo, não foi? — elogiou em tom divertido, olhando-a dos pés à cabeça antes de fazê-la girar. — Boa sorte para esses semideuses, vão sair daqui todos disputando o seu coração — brincou.
amarantha estava em uma conversa animada com flynn quando ouviu a voz do irmão. seu sorriso se alargou ao vê-lo ❝ sempre que quiser, gatito ❞ respondeu, inclinando-se para dar um beijo na bochecha do acompanhante e sussurrar ❝ eu volto pra você ❞ antes de seguir o mais velho. afinal, amarantha jamais conseguia dizer não para qualquer coisa que o irmão propusesse. no caminho para onde faziam os ursinhos, o elogio trouxe uma risada à loira, que girou conforme ele guiou ❝ eu não diria que foram os genes dele. minha mãe era a mulher mais linda de todas, inclusive tenho que te mostrar uma foto dela depois ❞ ela não conseguia aceitar a ideia de que algo bom nela fosse fruto do pai, mesmo que já tivesse visto uma foto dele na estreia da mãe, quando o deus estava ridiculamente lindo, longe do rabugento habitual do acampamento ❝ ha ha, não tem ninguém disputando meu coração. posso te garantir que o flynn não está interessado nisso, nós somos amigos, íntimos, mas amigos... e quem mais poderia querer? o imbecil do aidan? você viu que ele está igualzinho quando a gente namorava? e pior, está assim com aquela cria de hades pendurada no braço dele ❞
໋ Natalia achava irracional pensar que o vestido poderia cair, mas precisava se prevenir contra futuros infortúnios. Com os braços presos contra o corpo, ela se mexia de forma esquisita. Já Amarantha parecia estar se divertindo muito mais que ela. "Você já está bêbada?" disse sem pensar. "Não que eu esteja a julgando, mas como você consegue dançar com esse vestido?" Os saltos! Natalia não poderia se esquecer desse detalhe. O pouco costume agora estava lhe cobrando um preço, e ela manteria as reclamações apenas para si. Ir até lá, fazer presença e ficar a noite toda sentada não parecia ser a coisa certa a se fazer, então, ela engoliria as dores e esqueceria os inúmeros calos para apenas o dia seguinte. "Aliás, você está linda!" Esboçou um sorriso, mesmo que mínimo. Quando o DJ trocou a música animada por uma mais romântica e lenta, a filha de Hécate suspirou pesadamente, demonstrando alívio. Ao perceber que se formavam pares de casais ao seu redor que se balançavam no ritmo da música, Natalia se aproximou, estendendo a mão até a amiga. "Quer dançar comigo? Acho que posso fazer isso sem parecer um robô. Pelo menos com essa música."
havia uma guerra silenciosa rolando entre amarantha e dionísio toda vez que ela pisava no bar. o deus deixava claro seu desagrado e, para piorar, parecia diluir o álcool de todas as suas bebidas. amarantha, por sua vez, insistia em consumir qualquer coisa que não fosse vinho, apenas para provocá-lo. então, mesmo antes de anunciarem a realeza do baile, ela já estava um tantinho embriagada ❝ não, não... talvez um pouquinho assim ❞ ela disse, juntando os dedos polegar e indicador quase que imperceptivelmente. solto uma risada travessa ao ter o vestido mencionado ❝ não tem segredo, ele é leve e fluido. afrodite sempre acerta ❞ que amarantha fosse uma admiradora de carteirinha da deusa do amor não era novidade, mas talvez ninguém estivesse mais agradecida do que ela por aquele presente. era a primeira vez em semanas que se sentia genuinamente confortável na própria pele. sabia que o encanto não duraria para sempre — seria como a cinderela, no caso, ela viraria a abóbora depois — mas não fazia diferença naquela noite ❝ você está deslumbrante, natty ❞ respondeu, retribuindo o sorriso caloroso da amiga. de fato, parecia uma princesa
❝ será uma honra ❞ disse, pegando a mão da amiga mais alta. ❝ você não parece um robô ❞ amarantha conduzia a dança com a graça de quem tinha dançado desde a infância. cada movimento fluía suavemente, seus passos seguindo o ritmo lento da música como se fosse a coisa mais natural do mundo. ela mantinha um sorriso sereno nos lábios, os olhos tranquilos, consciente de que sua habilidade podia transmitir conforto à amiga.seus gestos eram delicados, os braços guiando natália com leveza e segurança pelo salão. amarantha sabia o momento certo para girar, para mudar de direção, sempre em harmonia com a melodia suave que preenchia o ambiente ❝ você veio com a sawyer, né? ela também está muito bonita, tem alguma coisa rolando entre vocês? ❞ a filha de dionísio não podia deixar se curiar a vida romântica das pessoas, adorava saber das fofocas
Alina estava se sentindo incrivel com o macacão cor de rosa, ainda que preferisse seu vestido, pensou que aquele estilo também combinava com ela. carregava a arminha de olhos atentos antes de se escorar em um dos obstáculos. "eu sou mesmo muito boa nesse jogo, te juro!" foi só o tempo de comemorar para a outra, convencidamente, e receber uma rajada do laser bem na sua perna esquerda. "merda!" ela exclamou, correndo para se esconder atrás de uma das pedras e se abaixando a altura dela. "no três a gente levanta e atira, se for chegar mais perto eu te dou cobertura." era um plano infalivel em sua mente, menos se a outra equipe já estivesse posta, nesse caso teriam que correr para se esconder de novo e não terminarem completamente atingidas. "um... dois... três!"
seu rosto se iluminou em um sorriso de comemoração, admirando a habilidade de alina. porém, esse momento foi rapidamente interrompido quando viu a garota ser atingida na perna esquerda. seus olhos se estreitaram e ela revirou os olhos, exasperada ❝ não abaixa a guarda ❞ repreendeu, sua voz com um leve tom de irritação. ela fez um gesto rápido para chamar a filha de hécate para onde estava se escondendo ❝ vem para cá, rápido ❞ ela ajustou sua posição e assentiu com a estratégia dela. no três, amara se moveu como uma sombra entre as coberturas, mantendo-se baixa e ágil. ela avançou furtivamente em direção a um dos adversários desprevenidos, seus passos calculados e sua respiração controlada para não revelar sua posição. com movimentos precisos e rápidos, ela disparou o laser, atingindo o oponente junto com alina antes que ele pudesse reagir ao ataque duplo. ela soltou um beijinho no ar para o semideus eliminado antes de se esconder outra vez, na linha de visão de alina para que pudessem se comunicar.
Não era como se Christopher fosse um grande conhecedor de moda, na verdade, suas roupas eram muito minimalistas, bem minimalistas mesmo, se não tinha transparência, tinha um pouca peça e quase sempre em cores únicas, dificilmente saía do preto e branco básico. Sabe, ele é bonito demais pra se preocupar com essas coisas. Mesmo assim, foi até o chalé da amiga para dar o seu palpite sobre como ela deveria aproveitar aquela roupa escolhida por sua mãe. “Pelos deuses… minha mãe acertou em cheio, ahn?! Você está uma grande gostosa.. ou metade” Disse embasbacado e se sentando na cama da menor, os olhos acompanhando cada detalhe daquela roupa. “Não tem nada o que mexer aí, loirinha. Está simplesmente perfeito!”
amara estava terminando de colocar o salto quando christopher entrou em seu quarto. o comentário dele fez com que ela risse. ela se levantou, ficando ainda mais alta do que normalmente ❝ metade? eu diria 3/4 com o salto que sua mãe me deu ❞ brincou, dando uma voltinha para mostrar todos os detalhes do vestido para o amigo. parou de costas, permitindo que ele visse como o tecido caía perfeitamente ❝ sua mãe colocou uma benção nas roupas ❞ falou baixinho. desde a missão, amara lutava com um problema de autoimagem que nunca havia enfrentado antes. mesmo quando parou de crescer aos doze anos, não havia se sentido tão desconfortável com sua aparência. o verão, que antes era uma estação de roupas leves e minúsculas, se transformou em uma época de esconder-se em roupas mais largas e que cobrisse suas costas e ombro. as cicatrizes, resultado de sua luta no submundo, eram um peso que ela carregava mesmo sem conseguir vê-las, e christie sabia disso. agora, com a magia de afrodite, as marcas desapareceram como se nunca tivessem existido, deixando amara com a mesma beleza de antes. ela estava deslumbrante, o vestido moldava-se ao seu corpo com uma perfeição mágica e os saltos, a faziam parecer mais elegante e confiante do que ela realmente se sentia ❝ eu daria minha alma para ser sua irmã, tudo que eu já ganhei na vida foi traumas e alcoolismo ❞
uma aventura nas bigas de bate bate, com sua fiel companheira, @amaranthaes !
assim que chegaram até a parte do evento em que estavam as bigas, seus olhos brilharam com algo que sua irmã provavelmente teria facilidade em identificar: era aquele mesmo brilho óbvio que sentia quando queria muito alguma coisa e estava bastante determinada. ❛ a gente vai ali. ━━━━━ falou, segurando em uma das mãos de amarantha e a sacudindo junto com a sua. ❛ e definitivamente vamos apostar alguma coisa, eu já senti o álcool subir na minha cabeça aqui - hum, pela décima vez hoje, claro, mas estou sentindo agora de novo. é um sinal de que temos que apostar algo.
amarantha estava distraída enquanto andavam entre os brinquedos do waterland. o parque estava cheio de risadas e gritos de alegria, mas ela estava completamente imersa em suas próprias reflexões, acompanhando evelyn de perto. quando ela chamou sua atenção para as bigas de bate-bate, amarantha abriu um sorriso largo. as filhas de dionísio eram igualmente competitivas, e a perspectiva de uma competição acendeu uma faísca em seus olhos. sem hesitar, ela acompanhou a irmã com a mesma empolgação. ao ouvir a sugestão de eve, amarantha soltou uma risada divertida ❝ tudo bem, mas vamos equilibrar o jogo ❞disse, soltando a mão da irmã para pegar seu cantil de vinho. ela tomou um longo gole, sentindo o líquido quente descer pela garganta, seu sorriso denunciando que já não estava muito sóbria ❝ ok, estou pronta para apostar e ainda vou te dar a vantagem de escolher primeiro: o que você quer que eu faça se você ganhar? ❞ perguntou, com um brilho desafiador nos olhos. ela estava animada, pronta para qualquer desafio que eve pudesse propor.
Aconselhadas a ocuparem a mesma biga durante o conflito prestes a se iniciar, Hyacinth voltou-se para a outra semideusa, parecendo indecisa quanto a arma secreta que poderia garantir a elas uma vitória. Embora não fosse muito competitiva durante brincadeira do gênero, ainda se esforçaria para sair triunfante da batalha. ── Certo, o que prefere? ── O olhar examinou as demais bigas, rapidamente estudando os adversários na tentativa de descobrir a opção selecionada por eles. ── Água, óleo, vento ou descarga elétrica misteriosa? ── Surpresa com o quanto se divertia durante o evento, que não julgava como apropriado em meio ao momento conturbado que viviam, tampouco conseguia conter o próprio bom humor e o sorriso exuberante que ostentava nos lábios.
amara sempre foi competitiva até a raiz. adorava ganhar e não se importava de jogar sujo se necessário. observando as opções diante dela, fez uma careta ao ver a descarga elétrica. não gostava de nada que tivesse relação com zeus. porém, as outras opções não a agradavam tanto. ela ponderou rapidamente. deslizar a biga ou fazer com que ela se afastasse era útil, mas não tanto quanto causar uma pane no sistema. eram semideuses, afinal, e tinham a habilidade de desorientar os adversários de maneiras que outros não podiam ❝ estrategicamente, acho que a descarga elétrica é uma ótima opção ❞ afirmou com um brilho de determinação nos olhos. ainda mais se o adversário tiver escolhido água, completou mentalmente. a estratégia era fundamental para ela, e usar qualquer vantagem a seu favor era simplesmente parte do jogo ❝ vamos nessa ❞ disse, com um sorriso malicioso, pronta para enfrentar o desafio. competir não era apenas sobre ganhar; era sobre como jogar, e amara estava mais do que disposta a fazer o que fosse necessário para sair vitoriosa ❝ você pode usar a descarga elétrica enquanto eu comando a biga, que tal? ❞ o som estridente do sinal de partida ecoou pelo campo, dando início à competição. ela sentia a adrenalina correndo pelas veias, o coração batendo mais rápido conforme os segundos passavam.à sua esquerda, outros competidores preparavam-se também. seu olhar varreu rapidamente os adversários, observando cada detalhe, cada movimento que pudesse indicar uma fraqueza ou uma oportunidade.logo à frente, viu uma chance de usar sua habilidade. um dos adversários estava prestes a tomar a liderança, mas a trajetória da sua biga era vulnerável ❝ eu vou me aproximar mais para você conseguir alcançar a roda eles ❞
Por mais que o filho de Thanatos já tivesse visto Amara quando a buscou em seu chalé, todas as vezes que seus olhares se esbarravam na festa a feição dele permanecia a mesma: completamente encantado. Por mais introspectivo que fosse, por mais hostil que o local pudesse lhe parecer, ele estava ali quebrando os próprios limites e estava fazendo isso em ótima companhia. Assim que a filha de Dionísio saiu da pista de dança em sua direção, seu sorriso foi incontrolável. "Sei que posso soar repetitivo, mas você realmente está deslumbrante hoje, Amarinha. Ficou feliz que esteja tão confortável quanto linda. Espero ter a honra de te levar para dançar a música mais melosa selecionada pela tia Afrodite."
não havia nada sério na relação de amarantha e flynn, mas o homem fazia por onde os olhos dela brilharem sempre que se encontravam. o suficiente para que ela não hesitasse um segundo ao aceitar seu convite para ir ao baile. quando o viu na porta do chalé, agradeceu afrodite. vê-lo naquelas roupas que ele não usaria normalmente fez seu coração bater mais rápido. e se todas as roupas tinham a mesma benção do seu vestido, tinham desperdiçado com ele... flynn não precisava de conserto. durante o baile, eles se separaram algumas vezes. amara gostava de dançar com suas amigas e irmãos, nunca estava sozinha. deixou natty na pista de dança após algumas múiscas e procurou flynn no pavilhão.
❝ cuidado para não se apaixonar ❞ brincou, aproximando-se com aquele sorriso radiante ❝ você é o homem mais lindo desse baile ❞ apoiou as mãos nos ombros dele e se colocou na ponta dos pés para alcançar um beijo em seu rosto. assim que ele falou sobre convidá-la para dançar, uma nova música lenta começou a tocar ❝ que tal essa? ❞ deslizando a mão pelo braço dele e entrelaçando seus dedos. o levou até uma parte da pista de dança que não estava cheia, pois sabia que ele não gostava muito de multidão. enquanto dançavam, amara sentia a conexão entre eles se fortalecer. a maneira como fly a segurava, a suavidade dos movimentos, tudo parecia perfeito. a magia do baile envolvia os dois, e ela não conseguia tirar os olhos dele ❝ sabe, eu considerei não vir… mas está tudo tão perfeito ❞ sussurrou, aproximando-se mais ❝ obrigada por me ter me convidado ❞
Seus olhos mediram a filha de Dionísio com um certo orgulho, a pose inabalável de quem havia novamente atingido o próprio recorde no brinquedo. "Olhe só, que inacreditável. Continuo imbatível até nesse brinquedo. Quem diria!" O sorriso rasgava seu rosto, com os olhos enrugados genuinamente contente com o feito. Possuía a atenção de Amara em si e estava indo bem na demonstração dos atributos que ela já sabia que ele possuía. Hoje, com o cabelo curto como na época em que namoravam, sentia uma certa nostalgia o alcançando naquela tarde. Ousou fazer uma curta dancinha comemorativa enquanto o painel não parava de piscar os números em ordem crescente. "E não me venha sugerir outro brinquedo, você sabe que vai perder em qualquer um."
amara cruzou os braços, observando aidan sem expressar surpresa. ela sabia que ele era forte; aquele show não era necessário. pelo menos, não para ela. um grupinho de semideusas adolescentes, por outro lado, deu alguns gritinhos. amara olhou para elas com raiva, a borda de suas íris ficando levemente arroxeadas. a voz de aidan trouxe seu foco de volta para o ex-namorado. ela piscou algumas vezes, lembrando-se de que não deveria usar seus poderes daquela forma. era injusto com as garotas; elas não tinham culpa. quem tinha culpa era aidan. maldito aidan, que cortou o cabelo e aparou a barba do jeito que fazia quando estavam namorando. era irritante como aquela visão fazia seu coração palpitar. gostava quando a barba não escondia aquele lindo rosto, gostava tanto que queria tocá-lo... não, amara, não pense essas coisas.
ela acabou soltando uma risadinha com a dancinha dele e ergueu uma sobrancelha com a fala dele ❝ você não vai ganhar de mim nas flechas de eros ❞ sorriu com malícia. eles tinham um estilo de luta parecido, gostavam de estar perto do alvo. ela sabia que aidan não tinha muita habilidade em armas de longo alcance, então essa era sua chance. nos últimos anos, depois do término, havia melhorado muito no arco e flexa. amara se aproximou e entrelaçou seus dedos, sabendo que ele não iria resistir e o guiou até a barraca do jogo ❝ a regra continua a mesma: se eu ganhar, o prêmio é seu; se você ganhar, é meu. quer tirar no jokenpô quem vai primeiro? ❞ ela olhou diretamente nos olhos dele, desafiadora, mas com um brilho que ela não conseguia esconder completamente. a respiração dela estava levemente acelerada, não só pela competição, mas pela proximidade. as lembranças dos momentos que passaram juntos estavam ali, flutuando entre eles. ela ainda tinha todos os brindes que ele havia ganhado e dado a ela
Não deveria ter se animado tanto quando a irmã sugeriu que fossem até a barraquinha de tatuagem. Ele não tinha nenhuma, tinha medo de agulhas, medo de se arrepender, tudo indicando que não deveria estar ali. Mas lá estava ele, com um sorriso largo no rosto ouvindo as instruções da tatuadora. — Melhor fazermos uma temporária, não é? — Falou com pouca certeza na voz, imaginando que a irmã não aceitaria. Os olhos começaram a vagar para as tatuagens e a loira ao seu lado, esperando uma resposta. — A pintura no rosto não rola. Imagina cobrir esses rostinhos lindos que temos?
amara estava vibrando de empolgação enquanto guiava seu irmão em direção à barraquinha de tatuagem. nem podia acreditar que james havia concordado, considerando o medo dele de agulhas. era uma oportunidade rara, e ela estava determinada a aproveitar ao máximo ❝ você tem razão sobre a pintura de rosto, mas... ❞ disse, parando de repente e se colocando na frente dele. ergueu os braços para pegar o rosto de james com delicadeza, fazendo-o olhar apenas para ela. seus olhos brilhavam de entusiasmo e encorajamento ❝ você consegue fazer uma tatuagem de verdade ❞ afirmou com convicção, dando uma leve apertada na bochecha dele ❝ prometo que você não vai se arrepender. é para isso que eu estou aqui, vamos escolher uma que você realmente goste ❞ a confiança e o entusiasmo de amara poderiam ser irresistíveis. ela se afastou, lançando um olhar às opções de tatuagens exibidas na barraca. havia tantas possibilidades, mas ela queria encontrar algo perfeito para ele. nada que fosse muito moda ou brega ❝ queremos pequena porque é a sua primeira e vai terminar rápido... que tal essa? ❞ disse ela, apontando para um desenho relacionado à música, lembrando de como o irmão estava feliz por ter convencido o pai a arranjar o show da tartarus tragedy no baile de afrodite.
Esteve cogitando inúmeras possibilidades para a noite do baile e se esconder dentro do chalé era, de longe, a mais potente entre elas. Por mais que sentisse dentro de si o anseio pelo isolamento, o desejo latente de ao menos tentar desfrutar daquela noite como qualquer outro semideus era um fator desafiante que parecia mais interessante aos olhos de Fly. Mas não faria sentido ir sozinho em uma comemoração tão... Romântica.
Visitou o chalé de Perséfone na manhã seguinte ao recebimento da notícia do Baile. Muito barganhou com os campistas que ali estavam, já que atuavam como uma pequena floricultura dentro do acampamento. Selecionou um buquê de flores exóticas e raras incluindo peônias, proteas, flores de açafrão e lírio sapo. Todas na tonalidade do evento, escolhidas carinhosamente por Flynn.
Na última semana passou horas o suficiente com Amara para cogitar que a filha de Dionísio seria interessante como acompanhante. Por mais que existissem entraves, aquela decisão lhe renderia uma nova briga com Aidan, mas nada que não fosse de costume. Entre suas indecisões, optou por seguir a mais incomum. Chamaria Amara e o faria com muito cuidado.
Sabia o quanto Amara gostava de roupas e sapatos, mas não arriscaria comprar algo sem ao menos consulta-la. Era uma surpresa e precisaria desempenhar seu refinamento na escolha. Um acessório como presente cairia bem. Portanto, escolheu um acessório da confecção exclusiva de uma filha de Hefesto e o embalou com muito cuidado em um papel de presente rosê.
Depois disso, escreveu um curto bilhete para ser posto sobre a caixinha de presente:
"Amarinha.
Entrego essa lembrança como um sinal de minha admiração e respeito. Na sua presença me desfaço como um garoto e, inevitavelmente, seu nome é o primeiro em minha mente nesta circunstância.
Gostaria de convidá-la para o baile como minha acompanhante, de maneira descompromissada, é óbvio. Aceita essa proposta?
Att; Flynn Ramsey."
O filho de Thanatos enviou uma mensagem com tom de urgência para Amara pedindo que ela o encontrasse na plantação de morangos. Sobre uma toalha de piquenique posicionou a caixinha do presente, o buquê de flores, o envelope com o pedido e alguns aperitivos para aquele encontro relâmpago.
amarantha estava parada diante do espelho, segurando o vestido que afrodite havia escolhido para ela. o tecido era incrivelmente fino e transparente, o que inicialmente a fez sentir um nó de tristeza e ansiedade se formar em seu estômago. as cicatrizes monstruosas que cobriam suas costas e ombro, antes adornadas por belas tatuagens, eram um lembrete constante da missão no hades. a ideia de exibi-las publicamente a deixava desconfortável e vulnerável. porém, ela sabia que não tinha escolha; nunca afrontaria a deusa do amor por livre e espontânea vontade. com um suspiro resignado, decidiu vestir o traje. à medida que o tecido tocava sua pele, algo surpreendente começou a acontecer. uma sensação cálida e reconfortante a envolveu, e ela sentiu uma leveza mágica percorrer seu corpo. lentamente, amarantha olhou no espelho. suas costas, antes marcadas pelas cicatrizes, estavam exatamente como antes da missão no hades. as tatuagens intricadas que ela tanto amava haviam retornado, como se nunca tivessem sido danificadas. as imperfeições desapareceram, e sua pele estava lisa e impecável. examinando cada detalhe no espelho, os olhos se enchendo de lágrimas. suas mãos trêmulas tocaram a pele restaurada, sentindo a suavidade que nunca deveria ter perdido.
Texto escrito no dia 8 de setembro de 2022, ao redor dos escritos se encontra fotos coladas, adesivos, tickets de ingressos usados para visitar atrações durante missões, uma polaroid tirada em um karaokê, uma pequena flor seca entre o papel e uma fita adesiva. Um scrapbook repleto de pequenos detalhes dos três anos de relacionamento.
"Eu não estou nem aí pra quem terminou (fui eu). Eu quero saber por quê diabos fez isso.
Era tudo perfeito. Eu juro.
No começo foi um porre, não é fácil morar um lugar com o seu sogro te monitorando o tempo inteiro e sugerindo, diariamente, te lançar uma maldição. Pior do que isso, não é fácil interagir com os meio cunhados ou seus meios irmãos. Mas depois dessa etapa do "Amara, ele não é o cara certo." e do "Amara, vocês não vão durar um mês.", tudo melhorou. Ou eu acho que melhorou.
Ela sempre foi espetacular. Linda, gostava de academia, boa de briga, linda, cheirosa, carismática, linda, beijava muito bem, tinha bom gosto musical... E linda, só mais um pouco linda. Na verdade, nem sei como ela reparou na minha pessoa (mentira, sei sim), mas sei que foi imediato. Nunca senti tanto tesão na minha vida e tesão é parte da paixão, que virou amor e que virou o caos.
Óbvio que tínhamos algumas brigas...
Ok, brigávamos na mesma frequência que... Você sabe. Era irresistível. Ela gritava, eu gritava, ela choramingava e eu arrancava um beijo. Depois disso o assunto não precisa ser elaborado.
Primeiro começou com aquelas provocações bobas enquanto me via treinando e queria minha atenção. Até aí tudo bem. As coisas foram aumentando quando eu comecei a fazer a mesma coisa com ela. Ela ficava de conversinha com semideuses na arena enquanto eu treinava e eu ficava de conversinha com semideusas enquanto ela dançava nas festas. Nada muito grave, só pra gerar aquele atrito interessante, sabe?
Mas se tornou cada vez mais intenso.
Ela era minha, e eu sempre fiz questão de deixar isso bem claro. Presentinho, cartinha e todos as frescuras que ela sugeria. Noite de karaokê, noite da pizza, noite do acampamento, noite do sushi, noite das pinturas, noite da puta que pariu. TUDO que ela sugeria, eu fazia. Até aulas de caligrafia eu fiz já que ela deu indiretas que gostava de "cartas de amor" e era óbvio que ela não iria ler meu garrancho. Eu dormia pensando nela, acordava pensando nela, vivia pensando na bendita hora que veria aquele anão loiro de novo. E a única coisa que ela queria fazer era brigar comigo. Sem motivos (ela tinha muitos motivos).
E estávamos indo relativamente bem. Brigas semanais, a gente quase explodia de tanto sexo... Era equilibrado. Até aquele dia maldito.
Ela discursou durante duas horas sobre como eu deveria parar de responder quando aquela menina de Afrodite se aproximasse de mim. E vou admitir, eu respondia com intimidade porque eu sabia que ela iria surgir como um demônio para me pegar. Era divertido, sentia meu ego massageado e sentia toda aquela descarga de amor vindo de uma só vez. Só que duas horas já era demais e eu queria sossego!
Estava puto. Mas estava ouvindo.
Blablablá, blablablá e mais e mais reclamações. A única forma de calar aquela boquinha linda foi com um beijo. E o beijo virou uma mão no pescoço, que virou uma tirada de roupas, que virou um mar de tesão assustador. E sempre era muito bom. Mas bom de um jeito que não tem explicações. Era algo de outro mundo, transcendental. Eu criaria uma religião só para isso, sabe?
E justamente por ser bom que a merda federal aconteceu. Foi uma bagunça tão intensa que eu fodi com tudo. Além daquilo que eu queria.
Amara respirou aquela névoa de ira e surtou. Surtou de quebrar meu quarto, me unhar de um jeito não tão interessante. Me estapeava e dizia coisas sem nexo, coisas que eu nem entendia. E por mais sexy que aquilo podia parecer, era nítido que algo de errado estava acontecendo. Uma de minhas irmãs arrancou ela de cima de mim como um vulto, um mero inseto. E ela continuava alerta, raivosa e agressiva.
E aquilo não era ela. Nunca foi ela.
A culpa consumiu minha cabeça naquela noite e nas duas noites seguintes até que finalmente eu ouvi a voz da razão vinda de minha irmã. Ela precisava de paz e não seria comigo. E era a hora de dizer adeus.
Esse último mês foi o pior. Óbvio que eu recaí algumas muitas vezes, óbvio que eu pedi para reatar. Mas a uvinha agora estava mais azeda do que nunca, uma porta trancada para mim. Quíron sugeriu que eu buscasse escrever sobre os meus sentimentos para melhorar como pessoa depois desse caos. É isso que estou tentando fazer. Escrever que nem um idiota. Eu só não quero destruir algo bom novamente. Foda-se essa idiotice."
Amara ocupava no limbo emocional de Aidan. A paixão compartilhava espaço com a culpa daquele término não diferido e se tornava uma equação esquisita. Ela era uma conhecida desconhecida. Via em Amara a sensibilidade de um universo. Encontrava, ainda nos dias atuais, coisas suas que remetiam ao período em que dividiram a curta vida e cada um daqueles pequenos encontros causavam alfinetadas em seu peito. Um desconforto emocional que parecia se transformar em dor física. Estranhamente, sentiu um alívio fugaz ao ouvir a confirmação da loira.
"Sem nada faltando?" A pergunta possuía um duplo sentido. Depois de tanto tempo, ainda tentava arrancar alguma confirmação da falta que a semideusa poderia sentir de si já que vez ou outra caía sobre aquela pequena saudade. Um sorriso surgiu sutilmente em seu rosto. Ousou dar alguns passos na direção da loira. Ela obtinha certo sucesso ao arrancar a sinceridade de seus lábios e sua feição amável não se sustentaria por muito tempo. "Não estou nada bem, mas vou te poupar de todas as informações, assim você não precisa fingir que se importa com isso." Ela continuava atraente como sempre, 'um vislumbre dos céus' como gostava de dizer. "Gostei do jeito que deixou seu cabelo, ficou interessante, docinho."
🍷 houve um tempo em que só de ver Aidan, ela precisava esconder as lágrimas. o ciúme, as brigas, o término tumultuado — tudo era uma ferida aberta. mas o tempo passou, e a raiva se dissipou, a mágoa evaporou, e o que restou foi uma estranheza infinita e, ela tinha que admitir, saudade. o filho de Ares não era fácil de lidar, mas isso pouco importava. ela sabia que sob aquela casca dura, havia um homem que se importava, mesmo que tentasse esconder. se ele estava irritado porque deixaram uma bagunça no arsenal, era porque, no fundo, queria que todos estivessem seguros em caso de outro ataque.
a pergunta a deixou sem jeito ❝ muitas coisas me faltam, Dan, eu só quis dizer que estou intacta ❞ ela sempre tentava parecer forte perto dele, muitas vezes fingindo que não se importava. mas ouvir aquilo doeu onde não deveria mais doer. a mulher se aproximou ao mesmo tempo em que ele deu alguns passos em sua direção ❝ você não precisa esconder de mim ❞ disse baixinho. não resistiu ao impulso de tocar no braço dele, o polegar teimoso fazendo um pequeno carinho. ela não lembrava da última vez que estiveram tão próximos ❝ eu senti... você sabe... eu posso ajudar se quiser ❞ ela sentiu o rosto esquentar com o elogio e afastou a mão dele. desviou o olhar para que ele não percebesse seu rosto avermelhado, mexendo na franja ❝ ah, sim, eu fiz quando estava na enfermaria, é muito entediante ficar lá ❞