◜ ༄ we 𝒂𝒍𝒘𝒂𝒚𝒔 walked a very тнιη line.
Second, third, and 𝒉𝒖𝒏𝒅𝒓𝒆𝒅𝒕𝒉 chances 𝐁𝐚𝐥𝐚𝐧𝐜𝐢𝐧’ on breaking branches Those ᴇʏᴇs add insult to ınjurч
O retorno para Atlântica não fora desejado por Maeve, no entanto, sendo ela ainda menor, não pudera contestar quando Merlin dissera que em sua escola não permaneceria. Aquilo a incomodara e revoltara, contudo, toda a forma com a qual o mago se apresentava era motivo de incômodo. Não sabia dizer exatamente o que a incomodava no ser mágico, conquanto, assisti-lo distribuir sorrisos e acenos na despedida fora uma das piores experiências de sua vida. Porém, não havia como ir contra a decisão do mago, portanto, a sereia não tivera alternativa senão segurar-se no Guia da Balsa e retornar para o que outrora chamara de casa, com seu irmão ao seu lado.
Enquanto alguns colegas se encontravam felizes pelo retorno aos mares, o âmago da sereia se agitava desconfortavelmente. Não havia nada senão o temor do que encontraria, já sabendo o que seria: seus pais. Estevan e Úrsula provavelmente já sabiam do fechamento da instituição — se temporário, ela não sabia dizer — e não estariam felizes, porém, o que mais lhe assustava era a cobrança que viria. Certamente, Úrsula não estaria satisfeita com os resultados e cobraria alguma coisa. Ela sempre cobrava mais do que Maeve tinha a oferecer — evidenciando que a filha nada possuía — e sempre lhe tomava tudo. Quantos contratos a mãe não lhe impusera a fazer e depois roubara de si? Quantas vezes Úrsula usurpara de Maeve o que ela conseguira e fizera parecer que lhe pertencia?
Com seus novos poderes, era esperado que a agitação se tornasse um problema: precisou controlar-se com tanta força para não eletrocutar seus colegas; e fora difícil não receber indagações sobre seu bem-estar já que a expressão ostentada era tensa. No entanto, obviamente, o brilho prateado que envolvia seus dedos era um grandioso alerta, afastando quem se aproximava com o temor de levar um choque.
Sua casa era a última, bem distante da cidade que todos os moradores desceram. O temor de passar pelo centro de Atlântica sempre existia, embora já não pudessem fazer nada consigo desde que fora perdoada por Tritão. Ainda assim, envolvera os dígitos com força na concha do Guia da Balsa, o Oráculo dos Mares, que nunca parecia se abalar com nada do que ocorria. O preço da idade, talvez. Ele continuara com a mesma expressão, sabendo que seu dever era continuar até o Campo das Algas onde era sua parada final.
Maeve e Alethei foram deixados no início do campo em uma despedida silenciosa. Fora Alethei quem se dispusera a ir, embora rapidamente a irmã tenha pegado seu braço. Não se sentia confortável em atravessar o campo e ele bem sabia o motivo. Portanto, ali ficaram por tanto tempo, encarando a parede escura que as algas gigantes formavam, que era possível dizer que ambos desistiram e jamais chegariam do outro lado. Não desejava passar dentre as mesmas; as memórias da última viagem de Merlin ainda permeavam o imaginário de Maeve; o ataque de enguias elétricas deixara marcas maiores que os poderes que, por razão desconhecida ainda, lhe eram característicos agora. Abraçando sua covardia, resolvera nadar por cima e não pelo meio. Na claridade acima das águas, pudera ver abaixo dela a visão de diversos ninhos de enguias, enquanto os raios perolados que circundavam as salamandras — como ela as chamava — eram respondidos pela corrente que perpassava seu próprio corpo.
Demorara mais do que o usual para que a casa de sua mãe fosse avistada. Vira, primeiramente, o jardim extenso de flores mórbidas que indicavam o caminho; as flores eram pequenas, com raízes fortes e possuíam rostos melancólicos de quem estava aprisionado pela eternidade naquele lugar. Os gritos de desespero não eram uma ilusão de uma mente amedrontada; estes eram reais, pois caracterizavam os acordos de sua mãe. As pobres almas suplicavam o socorro enquanto a sereia passava — e uma até mesmo agarrara sua cauda, como de costume —, mas, acostumada àquilo, Maeve não se abalou. A casa de sua mãe em si era uma caverna: a entrada era um círculo belo, tal como ointerior. Passava a sensação de conforto, contudo, não era o sentimento que possuía em si. Continuou até que a entrada da caverna se tornara visível e passável, nadando para o interior.
Os tentáculos de Úrsula foram vistos antes que a figura da mãe o fosse. Os fios pretos e longos, parecidos com os da própria Argyris, ondulados pela ação do ambiente, eram visíveis devido à posição da mulher: estava de costas para a porta, importando-se mais com suas misturas no caldeirão. Fora Estevan quem vira os filhos em primeiro lugar.
As íris castanhas avaliaram a figura dos filhos tanto quanto eles avaliavam as mudanças desde o último dia que pousaram o olhar sobre a face do pai. O cabelo encaracolado crescera consideravelmente, chegando ao tamanho médio; havia mais erupções no rosto do sereiano e sua barba também estava maior. Parecia um ancião daquelas terras, e não duvidaria se fosse este o novo golpe de seu pai. Se Estevan estava surpreso com a aparição dos filhos, não demonstrou. Seu olhar continuava vazio, inexpressivo, tal como outrora.
— Crianças. — Sua voz era grave, mas carregava uma suavidade e afeição que era sempre característica a ele. Tornavam os castigos piores, pois, em vários momentos, Maeve indagava como era possível um homem tão bom em suas falas ser tão cruel. Ele me ama, ela costumava pensar para justificar as ações alheias; no entanto, toda vez que pensava em tal amor, algo se remexia dolorosamente. Não era amor. Nunca fora amor. E agora ela sabia que não era.
— Pai. — Fora seu irmão quem o cumprimentara, aproximando-se em um abraço de um braço só. Não havia o costume de demonstrar afeição naquela casa, mas eles fingiam muito bem quando precisavam. — Merlin nos mandou para casa mais cedo esse semestre. Muita coisa acontecendo. — Sentira o que o irmão desejava com aquela fala: queria saber o quanto os pais sabiam, o quanto se importavam. Mordera a língua para não dizer que não havia tal sentimento no cerne dos pais.
— Hmmm. — Estevan concordou, vagamente. Seu olhar estava focado em Maeve, ainda distante, encarando o ambiente que há anos não visitava. — E você? Não imaginei que retornaria tão cedo para casa. Vive fugindo. — O humor era cruel. Estava feliz pela sereia ser obrigada a voltar.
— Não havia muitas escolhas. — Confessou em um tom firme, mas baixo. Era difícil impor-se ali, afinal, experiências negativas demais para que conseguisse elevar sua voz. No entanto, a sua resposta fora o suficiente para que Úrsula se voltasse para ela, o brilho desdenhoso em sua face.
— E você encontraria um lar onde, filha? Você sabe que ninguém se importaria em recebê-la. Você é uma bruxa, Maeve. Ninguém a quer por perto. Nós, por outro lado, sempre recebemos você mesmo com suas malcriações. Não há ninguém como a família, não é? Agora, vamos, diga-me o que você tem para mim.
Úrsula possuía o prazer constante em menosprezá-la, mas, além disso, também desejava ressaltar a solidão de sua filha; como se ela dependesse exclusivamente de sua mãe. Era como conseguia feri-la, como a prendia a ela. Usualmente, funcionava: Maeve sempre abaixava a cabeça, assentia, e dava o que sua mãe queria. Aquela teia de abuso e dependência crescia um pouco mais a cada encontro. No entanto, naquele momento, o corpo da sereia continuou ali, congelado em seu lugar, encarando a face conhecida de sua mãe. Os lábios grossos, a pele cor de oliva, os olhos grandiosos e marcados pelo delineado natural, o rosto anguloso... Maeve a amava. Ela tinha certeza disso. Mas ela não suportava mais aquela mulher.
— Maeve? — Úrsula a chamou de seu devaneio, proporcionando várias piscadas enquanto tentava digerir o que fora falado. Nã sabia o que dizer, ou o que faria, contudo, sentia-se consideravelmente mais pesada enquanto não conseguia proferir os dizeres.
— Ah, oi, mãe. — A simplicidade da fala não lhe era característica, portanto, ao pigarrear uma vez, Argyris completou: — Merlin nos mandou de volta por tudo que ocorreu em Aether. Ainda que você não se importe, é claro.
O movimento do lábio superior da Bruxa do Mar fora mínimo, mas perceptível. O movimento contínuo da cauda de Maeve era o único som ambiente. Seus pais odivam quando seus filhos respondiam. Era passível de punições severas e ela bem sabia disso.
— Quem disse que não nos importamos com o bem-estar dos nossos filhos? — Fora Estevan quem se pronunciara, porém, ele era quem menos poderia dizer tais palavras.
— Eu, sua filha. De qualquer modo, eu não vim para ficar. Só estou deixando o Alethei. Eu vou voltar para a superfície. — A surpresa perpassara a face do irmão, tal como era visível nas íris castanhas de seus pais, contudo, raramente demonstravam inquietação. Eram frios, impassíveis, mas igualmente cruéis.
— Querida, se veio aqui para me desafiar...
— Eu não estou te desafiando, pai, mas está certo. Eu tenho fugido de retornar para essa casa há anos e não será agora que eu irei aceitar ficar aqui. Acredito que nossa existência conjunta já não é uma possibilidade. — Diferentemente da forma como se comunicava com seus colegas em Aether, Argyris possuía um tom formal ao falar com os pais. Ainda que soasse firme, a sereia carregava um peso em suas costas; um temor que lhe impulsionava, pois era a razão porque fazia aquilo.
— Você acha realmente que vai conseguir viver sem mim? Sem seu pai? Maeve, você é incapaz de viver sem nós. Quem iria te ajudar com sua incapacidade com magia? Quem iria fazer todas as poções? Querida, já se olhou? Você — Úrsula nunca chegou a concluir sua fala. Em um momento, estava se aproximando de sua filha, utilizando todas as ofensas conhecidas por ela, noutro, havia sido atingida por um brilho confuso que a lançara alguns metros para trás, tocando o próprio caldeirão e queimando um dos tentáculos na tentativa de não acabar dentro da poção que preparava.
Nunca havia atacado seus pais. Sempre pensara que era respeitoso que simplesmente se calasse e os deixasse dizer, ou fazer, o que bem entendiam; era como fora criada. Respeito através do medo. No entanto, depois de tantos meses, depois de sua viagem às profundezas de Atlântica, aquele papel não se encaixava mais à sereia. Não era tratada enquanto filha, mas um objeto, uma serviçal, alguém que traria à sua casa o cumprimento de todos os objetivos megalomaníacos de seus pais; e Maeve estava completamente exausta daquele papel que a obrigavam. Dia após dia, fora obrigada a se colocar em um papel de objeto; um papel que não desejava fazer, mas era obrigada pelos desejos de Úrsula. Começara com a sua mãe, depois com as pessoas com as quais se relacionara, até que ninguém a enxergasse mais enquanto um sujeito, alguém que necessitava de algo, mas como um mero objeto. Era uma troca de favores em muitos momentos, fazendo-a se sentir enquanto uma meretriz em todos eles. E ela havia cansado daquilo em todos os âmbitos de sua vida.
Fora Estevan o primeiro a reagir. O homem encarou sua filha por um milésimo de segundo antes de avançar, furioso, vociferando ofensas das mais diversas. Ofensas que, outrora, fariam Maeve se encolher ou fugir, temendo o que estava por vir. Conquanto, algo que seus pais se esqueceram era que, naquele momento, provara que não era mais a mesma sereia que fora para Aether; não era mais a mesma mulher que eles criaram para que fosse. Mudara para melhor ou pior, não sabia dizer, mas mudara. Portanto, sem qualquer pudor, mas ainda sentindo a culpa por suas ações, indissociável da reação às amarras sociais do que era ser uma filha perfeita, seu corpo se envolveu em energia e ela transformara o seu redor em linhas brilhantes. As íris jabuticaba assumiram um tom prateado, elétrico, enquanto os fios negros se elevavam.
O sereiano parou, embora Maeve não tenha parado. A energia que fluía ao seu redor avançara em um comando contra o corpo altivo de seu pai, percebendo o quanto o homem se encontrava assombrado pelos novos poderes de sua cria, mas também furioso pela revolta alheia. Estevan fora atingido em seu peito — um ato dramático, é verdade — e tivera o corpo eletrocutado diante de todos. Maeve parara quando o corpo de seu pai chocou-se contra o teto da caverna, inerte. O brilho cedeu enquanto o cerne sereiano se encontrava um tanto exausto da demosntração.
— Você se cansa rápido. Não tem controle de seus novos poderes. — Úrsula comentou com um riso jocoso. Havia um frasco contendo uma poção azulada em suas mãos, e ela pingava algumas gotas na queimadura em um dos tentáculos. A bruxa voltou-se para Maeve. — Eu não me importo com o que você faça a seu pai. Eu nunca gostei dele realmente. Mas, querida, você não vê que podemos ser grandiosas? Seus novos poderes, minha magia... Sei que passou por tanta coisa e está traumatizada — o rosto se contorceu negativamente com a fala. Não havia tal vocábulo em sua vida. — Mas todos nós passamos por coisas terríveis para crescer. É como a vida funciona. — Enquanto falava, a cecaelia se aproximava, um sorriso cada vez mais dócil em seus lábios. — Nós podemos ser grandiosas juntas, querida. Pense em todo mundo naquela escola que lhe feriu, huh? Podemos reinar nos Sete Mares. Pense em Tritão e o que ele fizera com você, Alethei, eu... —
Havia uma sedução incomum no que a mãe dizia — e Maeve notara rapidamente. Como uma pessoa com poderes persuasivos, era possível perceber rapidamente quando estavam utilizando, e sua mãe o fazia naquele momento. Sempre se indagou a motivação por detrás de ter nascido uma sereia, atribuindo ao seu pai aquela característica que lhe custara tanto; todavia, observando sua mãe naquele momento, começara a pensar acerca da própria história; do que lhe fora roubado por Tritão e sua relação direta com aquele trono. A hipnose não era uma característica das sereias, mas da sua família. E ela poderia ter isso de volta.
Alethei se movimentara desconfortavelmente às costas da bruxa, decidindo entre ficar, unir-se à mãe, ou fugir. O olhar de Argyris fora automaticamente para o irmão, esquadrinhando sua expressão conflituosa; certamente sua mãe acabaria com ele. Em alguns momentos, Maeve se esquecia do quanto fora pior para o mais novo — ainda que fossem da mesma geração de ovos —, pois, enquanto ela ficara responsável por trazer grandeza a eles, ele tivera de se contentar em existir. Também nascera com uma cauda e não tentáculos. E, ainda que sua relação com o irmão não fosse saudável tanto quanto a que cultivava em relação aos seus pais, percebia o quanto a influência daquele lugar fora decisiva para aquela construção.
— Vai, mamãe, canta “sua mãe sabe mais” agora. — Ironicamente, proferiu, os lábios se curvando para cima. O sorriso fora o estopim para a expressão de Úrsula se transformar no mais profundo ódio. Um dos tentáculos agarrara o pescoço de Maeve, pressionando-os com força.
— Você é uma sereia burra e ingrata, Maeve. Eu estou lhe dando uma chance de ser alguma coisa nessa sua vida inútil e você debochando da minha cara. — O desdém era quase palpável, no entanto, o sorriso de Maeve não fora abalado. Continuava com a mesma expressão satisfeita. Ao tocar a palma de sua mão no tentáculo que a segurava, observando sua mãe se afastar segundos depois, com o choque que perpassara o corpo da cecaelia.
— Já deixou claro o que pensa do meu intelecto, mãe, mas adivinha? Eu consegui sozinha todos aqueles contratos, sem a sua ajuda. Inclusive, eu quero meus contratos de volta. Eles me pertencem. — A posição de Maeve era inesperada, portanto, pela primeira vez desde que a interação começara, a sereia notara o assombro no olhar alheio. Porém, tão logo aparecera, desfizera-se, afinal, não desejava demonstrar o quanto estava surpresa. Não desejava dar tal poder de quem ela sempre tentara usurpar.
Imaginar que Maeve tentaria lutar com a sua mãe com seu subdesenvolvido poder era tolice. Ela não iria. Utilizaria aquilo que sempre fora acusada de não possuir.
— Você me tratou como um objeto a minha vida inteira, mãe, mas eu não sou. Eu quero meus contratos de volta. — A voz era aveludada, mas firme; trazia consigo um fio poderoso e persuasivo. A hipnose sendo utilizada contra alguém que ela nunca tentara outrora.
No mesmo instante, as íris de cecaelia tornaram-se vazias, sem brilho; estava vivendo sob as ordens de outrem. O movimento fora letárgico, indo até à parede onde vários buracos formavam um nicho onde colocara vários pergaminhos. Trouxera consigo quatro destes que possuíam o emblema de Aether e, sem dizer uma palavra, os estregara para Maeve que os segurara com força, amassando-os. — Agora eu quero que faça um contrato para mim, mamãe. Um contrato em que você promete deixar a mim e Alethei em paz, pela eternidade.
Não fora necessário muito tempo para que Úrsula o fizesse. A pena da cecaelia escrevera com rapidez sobre o pergaminho cor de areia, sem uma rasura. Alethei, àquela altura, se achegara para perto de Maeve, olhando-a de soslaio enquanto vigiava sua mãe. Ele nada dissera, embora seus ombros estivessem tensos.
A Bruxa do Mar pingara uma gota da poção amarelada sobre o pergaminho, e a sereia observara o mesmo brilhar antes que ela voltasse para si, mostrando-o para inspeção. — Assine. — Demandou Maeve para a bruxa que, sem contestar, o fizera. Era legitimo e não poderia ser quebrado, e era um lembrete para sua mãe.
Sua garganta queimava enquanto via a necessidade de dizer alguma coisa, porém, nada dissera. Encarara o rosto inexpressivo de Úrsula por alguns segundos, sabendo que logo ela voltaria ao seu normal. Era estranho estar naquela posição, contudo, era necessário. Por que não se sentia aliviada? Por que sentia que estava fazendo tudo errado? Abrira os lábios por vezes, decidindo o que poderia falar, contudo, nada aparecia. Portanto, sem qualquer aviso, Argyris dera meia volta e saíra da caverna em uma velocidade invejável; velocidade essa que seu irmão, com uma cauda idêntica à sua, era capaz de acompanhar.
Nadaram por tanto tempo que era possível notar o cansaço e a fome, mas não pararam. Não se sentiam seguros mesmo que soubessem que sua mãe não viria atrás deles; conhecia o próprio poder para saber que não poderá quebrar aquele contrato. Fora inteligente da parte de Maeve, conquanto, a sereia não se sentia daquela forma. Em verdade, Maeve se sentia insignificante, infeliz e extremamente culpada. Indagava se havia feito o correto, se não fora exagero de sua parte atacar a seu pai e se, em algum momento, sua mãe iria ignorar o contrato, burlá-lo, e desejar sua vingança. No entanto, nenhum destes questionamentos era maior que a culpa por ter dado às costas a Úrsula. Pensava em voltar, pedir desculpas, rasgar aquele pedaço de papel inútil, mas, bem lá no fundo, Maeve não desejava nada daquilo; ela não desejava voltar, não desejava rasgar o papel que lhe era a segurança, tampouco desejava voltar a ser o peão de um jogo que beneficiaria apenas uma pessoa.
— É loucura eu dizer que eu a amo? Os amo, na verdade. — Fora Alethei quem falara após tanto tempo.
— Na verdade, não. — Ela balançou a cabeça. — Eu também.
No entanto, ainda que amasse sua mãe, jamais poderia conviver com ela. E, depois de vinte e três anos, Maeve precisava respirar longe de Úrsula. E ela finalmente estava respirando.












