É com grande prazer que damos as boas vindas à ANDROMEDA DOE, de 29 ANOS. As fofocas dizem que ela se parece muito com ANA DE ARMAS, mas ela é apenas uma selecionada vinda de LAKEDON que pertence à CASTA OITO. Seja muito bem vinda, ANDI.
Andromeda Eloise Benoit-Kensington é um grande enigma para a maioria das pessoas. A começar do seu nome. Conhecida apenas como Andromeda, por muitos anos, o seu sobrenome era uma incógnita por ter sido abandonada em frente a um orfanato. Ninguém sabia de onde ela havia vindo, quem eram seus pais, ou por qual motivo alguém abandonaria uma criança adorável. Pouquíssimos sequer sabiam da existência dela na vida que um dia poderia ter sido sua. Filha de um caso extraconjugal de um general do exército e a filha de um político, o nascimento de Andrômeda foi completamente abafado, com Genevieve se isolando na casa de veraneio no exterior até a filha nascer. Após o nascimento de Andi, o relacionamento de Genevieve e seu pai foi se desgastando durante o ano e culminando no ultimato dado: ou a menina ia para adoção, ou Genevieve seria expulsa de casa, sem um tostão, e provavelmente acabaria rebaixada para a casta 8. Sem saber como viveria sem dinheiro e sem status, Genevieve enviou um mensageiro para entregar a criança numa província longe, para nunca mais ser encontrada.
Foi em Lakedon onde Andromeda foi deixada com nada além de uma fita que foi usada para prender seu cabelo, as roupas do seu corpo que já tinham sido passadas a diante, e um cordão que julgaram ser de ouro, mas não se tinha certeza. A menina estava definitivamente bem arrumada para alguém de casta baixa, mas pessoas de casta alta não tinham razões para abandonarem seus filhos, então ninguém conseguia entender o que havia acontecido. Sabiam que seu nome era Andromeda, pelo cordão que carregava com o nome, mas nada além disso dava indícios de quem ela era. Foi lhe dado o sobrenome de Doe ─ uma herança do tradicional nome americano quando não se conhecia a origem da pessoa.
Não é fácil para uma criança entender o motivo das pessoas que deveriam lhe amar, não amarem o suficiente para mantê-la. E, em um país como Illéa, era ainda mais difícil ser uma criança abandonada. Andromeda não se ajudava. Era Indisciplinada e rebelde, cada vez que seu curso saía dos rumos, ela ganhava uma penitência. Ela era determinada, forte, conseguia discutir até com crianças mais velhas e se dar bem, mas jogava sujo, manipulava, e muitas vezes machucava quem estivesse em seu caminho. Porque o orfanato era obrigado a explicar tudo que a criança havia passado enquanto estavam sob sua tutela, ela nunca conseguiu ser adotada, com uma reputação que precedia.
Aos dezoito anos, Andi teve que deixar o orfanato, e o que pensou em fazer foi uma busca por sua mãe. Não tinha memórias, só alguns objetos que foram passados e o cordão que, por mais que talvez lhe desse algum dinheiro, não conseguia abrir mão da única coisa que poderia ser da sua família. Mas, depois de anos, parecia tudo foi em vão. Era como tentar pegar fumaça com as mãos ─ ela sempre escapa pelos dedos. Se sua mãe já era difícil, ela nem tentou ir atrás do seu pai. Andi poderia não saber de onde havia vindo, mas ela sabia para onde iria. Ela iria achar alguém velho, de uma casta alta, que se casasse com ela para que ela pudesse finalmente sair daquela vida miserável que estava fadada por ter sido abandonada.
Os anos se passaram e tudo ao redor de Andrômeda parecia entrar em combustão, enquanto ela permanecia intacta. Porém, por mais que ela parecesse ter sorte, existia um sistema que a impedia de qualquer coisa. Não tinha como provar uma casta, não tinha acesso a nada basicamente, e nem um emprego decente poderia ter. O futuro de Andromeda estava fadado ao fracasso. Porém, uma coisa que ela teve em sua vantagem era a beleza. Poderia não saber muito, mas sabia como manipular um homem para conseguir o que queria. E foi isso que Andromeda fez por anos. Ela nunca conseguiu fazê-los casar com ela ─ não podiam manchar tanto assim a linhagem com uma 8 ─ mas ela conseguia que eles a sustentassem por um tempo antes de seguir em frente para sua esposa de casta perfeita.
Até a seleção chegar. Ela não tinha nada a perder e tudo a ganhar: uma coroa, um palácio, uma vida de luxo… Coisas que ela mais que merecia depois de uma vida de humilhações gerada por aquele sistema idiota.
















