A carta que eu nunca te enviei...
Remexendo na bagunça das minhas anotações, poderia dizer que estava revirando “gavetas antigas”, encontrei essa carta no bloco de notas do celular. Escrevi em julho de 2024 para um antigo amor e me emocionei ao ler novamente. Relembrei o quanto chorei enquanto o escrevia e lembro também o quanto reeditei para que não faltasse uma vírgula se quer do que eu queria dizer. Li e re-li milhões de vezes. Nunca fui respondida, porque no final eu não enviei, um dia eu disse à ele que se eu percebesse que não era amada e vista como merecia eu iria embora da vida dele sem falar nada, apenas no silêncio e foi isso que eu fiz. Mas hoje resolvi compartilhar com vocês… Sentimentos sinceros/genuínos devem ser compartilhados… espero que de alguma maneira ele atinja positivamente alguém...
“Perdi as contas da quantidade de vezes que me peguei aqui, escrevendo pra você, tentando esclarecer algo que sentia, me explicar ou expor alguns pontos de vista sobre nós. Dessa vez ao invés de escrever pra você, escrevo pra mim. Talvez te mande esse texto, talvez termine de redigi-lo e simplesmente o apague, ou guarde no bloco de notas ou em uma lista cheia de outros rascunhos não enviados. Talvez no final de tudo, eu apenas o queime e peça para o universo iluminar a gente, deixando ele ser o responsável – como sempre foi – pelos nossos destinos. Olha, quero dizer que demorei muito tempo para perceber o quanto EU sou a culpada por tudo isso. Sim, eu admito. Por muito tempo te culpei e passei essa responsabilidade para você, hoje eu entendo que só eu, apenas eu, sou culpada por aquilo que permito continuar acontecendo em minha vida. Se eu achava que você me decepcionava, eu era a culpada por criar tais expectativas e me decepcionar por elas nunca corresponderem com a maneira que eu havia fantasiado na cabeça sobre nós. Ao mesmo tempo é engraçado, porque mesmo com tantas expectativas seguidas de decepções eu continuava ali, sempre ali, achando que “dessa vez ia ser diferente”, que você iria começar a me enxergar como alguém que te amava, que esperava o mesmo de você, que compreendia seus dias ruins, que se preocupava, cuidava e te mimava, eu queria ser notada, vista com você, enquanto você me deixava escondida da sua vida. E mais uma vez, era eu a responsável por alimentar a minha própria decepção de ser um nada pra você.
Nossa, mas quanto sadomasoquismo, porque tanto prazer em continuar insistindo em algo que só me fazia sofrer? Eu acreditava que poderia reverter aquela situação e que poderia mudar tudo. Quanta tolice. Quanta ingenuidade minha. Que egoísmo da minha parte achar que algo tão composto de dois indivíduos ou até mais pessoas, poderia ser decidido apenas por mim. Afinal, as conexões que podem existir entre duas pessoas, ninguém nunca poderá entender. Apegada a lembranças de momentos que passaram. Apegada a uma pessoa que nem fazia questão de mim, porque acreditar que você poderia me notar doía tanto? Pura teimosia minha te querer tão presente pra mim. Meus sentimentos não eram irreais, até porque; confesso que, até hoje ainda existe algum sentimento indefinido, não sei exatamente o que. Talvez seja apenas apegada a uma ideia construída, da pessoa que idealizei ser o “homem da minha vida”. Talvez o problema se encontre no amor que tenho pelas lembranças simples que criamos juntos. Aquelas lembranças que parecem ser cada dia mais difíceis de serem recriadas. O “simples” sempre me fez acreditar ser a pessoa mais feliz desse mundo.
Nossa, que felicidade plena, verdadeira e intensa que me traziam aqueles 2 minutinhos te encarando no almoço, olho no olho antes de se despedir. Ou aquelas costas largas e quentes, deitada sob ela onde acompanhava a sua respiração, sentia o seu cheiro de perto e ouvia os seus batimentos cardíacos, só faltava eu entrar no seu corpo de tão junto a ela que eu gostava de ficar " sua mochilinha " como você dizia. Aquele simples beijinho na testa e o te amo, seguido de um abraço forte depois do nosso sexo (que era tão maravilhoso).
Não que eu não acredite mais no amor e nos relacionamentos. Até porque, até então, acho que nunca quis de verdade virar essa página, mas eu não tive escolha, estava me machucando viver apenas sendo um segredo na sua vida, na verdade por mais que doía em mim pensar assim, eu sabia que no fundo eu não era o amor que você queria, eu chorei tantas vezes querendo ser, eu pedia pra ser, eu vivia como uma amante na sua vida, e não era isso que eu queria, mas, é como eu disse, eu não era o amor que você queria de fato, e eu entendi. A responsável fui eu; sou eu. Talvez eu tenha sofrido um pouco nessa relação, a ponto de perceber que nem tudo é aquele “filme de romance” que eu acreditava ser. E o nosso filme é daqueles que não tem final feliz. Pelo menos não pra mim.
Mas, eu ainda acredito que o amor é a coisa mais importante do mundo, isso não mudou em mim. Aliás, cada vez mais tenho certeza que é ele, o principal ingrediente que tem faltado nos relacionamentos atuais e no mundo. Óbvio que nenhum relacionamento se constrói ou se mantém apenas de amor, eu sei disso, não sou tão burra como você pensa, mas ainda acredito sim, que ele seja a base de tudo.
Tenho buscado ser alguém melhor, aprendi muitas coisas ao longo desse último 2 anos e talvez esse meu “novo eu” nem seja a pessoa que você procura… mas essa minha nova versão me faz muito mais feliz, depois de anos em uma relação tóxica que eu nunca escondi!!! Estou longe de ser uma pessoa perfeita, muito longe disso… mas evoluindo, crescendo com a vida, com os erros que vivi… Ah, e mantendo características minhas, que levei muito tempo para aceitar a admirar em mim mesma. Tenho muito orgulho de ser uma pessoa sensível – descobri que as pessoas mais fortes e que mais admiro também são assim. Continuo sem ter medo/vergonha de falar e expor o que penso ou sinto, e isso me faz ser uma pessoa muito mais leve e aliviada.
E me orgulho sim de ser uma pessoa que vive para o amor. Se bem que hoje, o meu maior amor se chama: AMOR PRÓPRIO. E talvez esse eu tenha aprendido com você e te agradeço do fundo do coração por isso. Hoje, mais do que nunca, enxergo a pessoa que sou, todo o meu valor, o quanto sou incrível e o quanto me amo. Não só por tudo que conquistei até aqui, a minha educação, meus costumes e experiências me tornaram forte. Mais do que tudo me amo por ser eu mesma, por não existir ningúem igual a mim neste mundo. Me amo por simplesmente ter uma vida maravilhosa, onde acordo todos os dias e consigo abrir os olhos, por ter braços e pernas, uma família, saúde e até mesmo todos os defeitos que tenho.
Enfim, tenho aprendido muita coisa boa e uma dessas coisas incríveis que adicionei ao meu repertório de vida chama-se oração, onde peço sempre perdão ao universo, desejo a mim e a você muita luz e felicidade. SINTO MUITO por tudo que causei. ME PERDOE pelas coisas horríveis que já falei para você da boca para fora; pelas atitudes erradas e por não ter respeitado suas decisões. SOU GRATA por ter aprendido algumas coisas do seu lado e ter evoluído com você e aprendido que nem tudo é da maneira que quero, você me ensinou que não basta só amar e cuidar, isso tem que ser de ambos, e só assim eu me desligo de você, mantendo oque eu sempre senti, te desejo sorte porque no fundo eu te amei, mas pra mim eu desejo um amor sincero vindo de muitas bençãos. "
Enfim essa seria a minha carta de despedida que eu nunca enviei, mas deixei aqui todo o meu sincero sentimento, eu fui eu, amei, cuidei, me preocupei, fiz além do que eu podia, eu me sacrifiquei pra amar e cuidar, mas eu vivia uma morte lenta de falta de reciprocidade, espero que vocês saibam reconhecer isso quando entrar na vida de alguém, para não sair como eu...
8 de junho 2026 segunda 02:12 da manhã