Meia noite e um. Esse foi o primeiro minuto do novo ano. Eu estava comemorando com a família, e que comemoração. Minha família é tradicional e festa é levado a sério. Tão tradicionais, que não aceitam o jeito que eu sou. Mas isso, falamos depois. Após muitos beijos, abraços e promessas de ano novo, peguei minhas coisas e parti rumo a outra festa. Qual é, eu sou um jovem e preciso me divertir.
Já estava combinado, iríamos pegar uma balada após a meia noite. E já se passavam meia hora, e eu estava atrasado. Mas enfim, consegui chegar a tempo. De calça branca e camiseta salmão (estava combinando) entrei naquele mar de gente, onde eufóricos contavam (mais uma vez) a chegada do fim de ano. Três, dois, um. Encontrei o Denis no último segundo e o abracei desejando um Feliz Ano Novo pra ele. Ele estava eufórico e ao mesmo tempo preocupado. Mas logo descobri o porquê. Continuei me divertindo.
Encontrei alguns amigos por lá, e a cada abraço era uma alegria. O Jé mesmo, ficou todo animado ao me ver. Ele é um daqueles amigos que quando você chama pra ir na sua casa, tem que dar uma série de lista a não fazer na frente dos seus pais. O cara da muito na pinta, me faz passar cada mico, mas é dono de um grande coração. E eu gosto muito dele. E que bom que eu gostava, pois nas primeiras três horas de festa, o Denis me abandonou lá. Disse que não estava afim naquela noite. Que pena, porque eu fiquei um bom tempo por lá.
A festa estava ótima. E a cada hora da madrugada, mais e mais pessoas chegavam ali. O meu dia não tinha ido muito bem. Eu tinha acabado de discutir com meu ficante e acabamos terminando. Eu gostava dele, ficamos juntos um mês inteiro, mas há três semanas que ele não dava sinal de vida. Ele usava a desculpa de família que estava muito ocupado e pegando no pé dele. Sinceramente eu não acreditei. Nós não moramos tão longe, 25 minutos de carro. Nossas cidades são vizinhas e com ônibus inter-cidade. Era mais uma desculpa pra passar o ano novo solteiro. Azar o dele, pois o meu ano começou ótimo. Não o começo, mas vocês já vão entender isso.
Tinha um cara - é cara porque ele é mais velho do que eu - que sempre ficava conversando comigo pelo msn. Eu nunca dei esperanças pra ele e muito menos ele invadiu meu espaço, dizendo que queria algo comigo. Nosso caso sempre foi de amizade. Distante, mas sempre por perto. E ele estava lá. César. Ele é uma amor de pessoa, mas a timidez dele o deixa um pouco retraído. Toda vez que ele passava por mim, me cutucava, abraçava e sorria pra mim. Estava na cara que ele queria ficar comigo. O chamei pra dançar. E se não fosse pela minha iniciativa, eu estaria dançando com ele até agora.
Não cheguei beijando logo de cara. Afinal, eu vou pra balada pra dançar e não para azaração. O chamei de canto, e fomos tomar uma bebida no andar de cima. Lá de cima, eu tinha a visão de toda a festa. E os debaixo também podiam nos ver. A gente ficou. Confesso que não foi um dos melhores beijos da minha vida. Eu estava um pouco alto, por causa da bebida, mas mesmo assim eu conseguia classificar o beijo. Ele tinha os lábios finos e a boca pequena. Totalmente diferente dos meus. Eu fiquei perdido no beijo, sem saber pra onde eu iria. Fiquei pensando que aquele foi o primeiro beijo do ano novo e a minha vontade era de voltar no tempo e apagar aquilo da minha mente.
Só entre nós. Eu inventei uma tática que não sei se dá certo, mas comigo deu. Fingi que estava bêbado - mais do que o normal - e dormi no colo dele. Cerca de uns quinze minutos. Era o suficiente pro sangue dele abaixar e eu poder ter meu descanso merecido. Fingi que acordei, até limpei a baba do rosto, e ele todo sorrindo pra mim. Decidimos voltar pra balada. Na descida, ele segura a minha mão. Qual é, foi só um beijo. Não significa que eu queria casar com ele na balada. A festa toda viu eu descendo de mãos dadas com ele. Eu, odiei.
Fui pra perto do Jé, querendo que ele me tirasse dali agora. Nós sentamos um pouco atrás, mas mesmo assim tínhamos a visão total da festa. Agora vem a melhor parte da festa. O cara que eu beijei, o César. Subiu junto com outro cara. Eu achei normal, várias pessoas fazem isso na balada. Quem nunca beijou mais de um em um dia? Achei até melhor, que assim ele largava do meu pé. Mas havia um porém nessa história, que junta todos os fatos. Eu e o Denis somos amigos. E o César e o outro cara que ele estava pegando lá em cima, também eram. Na verdade, eram ex-namorados. E outra coisa que eu percebi, após analisar bem, era que o cara ele estava beijando, era nada mais e nada menos que o Nilton. O carinha que o Denis estava saindo há mais de três semanas.
Eu comecei a rir, fazer o quê. Tentei pegar meu celular pra ligar pro Denis, mas a maravilha da Tim cortou o sinal a noite toda de ano novo. Deixei pra contar no outro dia mesmo. Eu inclinei a cabeça pro lado e gritei - devido a música alta - no ouvido do Jé. - Olha lá o César beijando outro lá em cima. - Ele viu. Mas ele não só viu como analisou a cena por completo. E num grito, mais alto que o meu ele disse. - Ele tá dando o c... - Eu não acreditei na hora. Olhei de novo, e pude ver aquela mesma boca que eu beijei instantes atrás, fazendo expressões de prazer, é isso que fala? Não sei, só sei que a festa inteira parou pra olhar. Eu e o Jé não aguentou, e junto com mais algumas pessoas, saíram dali. É claro, que eles levaram uma dura - sem trocadilhos - dos organizadores. Onde já se viu, tanto lugar pra fazer sexo querem fazer em público. Tudo bem, tem pessoas que sentem mais prazer com isso, mas as outras pessoas não são obrigadas a isso.
A festa foi acabando. E eu esperei o César e o seu novo companheiro irem embora pra eu pagar a minha conta. Estava morto de cansaço, e não sentia mais os pés. Como eu estava sem carona, já que o Denis foi embora, eu tive que apelar para os transportes públicos. E eu estava crente que iria encontrar um táxi ou ônibus as seis horas da manhã, em plena virada de ano novo. É, não consegui. Mas encontrei algo melhor, na verdade, eu fui encontrado.
Eu estava ali, parado em um ponto de táxi. Tudo bem que muitos poderiam achar que eu era um garoto de programa e oferecer uma proposta pra mim. Acho que a canseira minha era tanto, que se me oferecessem R$ 1,00 eu iria. Tudo pela carona. E foi assim que eu fui pra casa, não vendendo o corpo, mas com uma carona. Um uno verde com dois caras na frente passou por mim. Achei o motorista muito gatinho, e ele sorriu pra mim. Eu abaixei a cabeça. Pensei que era um maníaco querendo me estuprar e depois jogar meu corpo fora. Graças a Deus não era. Ele passou mais uma vez e me chamou. Percebi confiança nele e fui conversar com ele. Ele era uma gracinha. Cabelo grande mas não tão cumprido, um olho grande e escuro, dentes branquinhos que quando sorriam iluminavam no escuro e um cavanhaque tão bem feito que me fez sorrir na hora.
Ele se apresentou, Mateus. E disse que me dava uma carona. Perguntou o meu bairro e eu expliquei. O outro, permaneceu quieto e eu nem lembro o nome dele. Alguma coisa com "A". Eu entrei no carro e no instinto menti meu nome. O primeiro nome que me veio a cabeça, e logo o nome do meu ex. Eu no banco de trás e eles na frente. Fomos conversando e eu indicando o caminho de casa. Cada vez que ele me olhava pelo retrovisor, eu sentia algo dentro do peito. Era meu coração, lógico. Mas como se estivesse suspirando, desejando ter ele em meus braços.
Nossa comunicação através dos olhos deu certo. Ele parou o carro e veio para o banco de trás. O amigo dele, estava mais bêbado que eu e pegou logo no sono. Nós conversamos e nos beijamos. O beijo dele, oh my god. Não sou de fazer comparações, mas tudo que o César falhou comigo, ele acertou em cheio. Os lábios dele se encaixam com os meus e ele sabia exatamente o que estava fazendo. Ele elogiou meu beijo mais de uma vez. Ele era lindo. Na verdade, é lindo. Porque eu acho que ele não morreu e ainda vamos nos encontrar. Os próximos momentos dentro do carro foram mágicos. Não sou santo, mas também não vou contar todos os detalhes da minha noite no carro. Usem a imaginação para saber. Mas não deixem que fizemos de tudo, deixei ele com um gosto de quero mais. Obrigando-o a me ligar outra vez.
Eu lembro de ter passado o meu número, e espero que tenha passado o número certo. Iria odiar ter que perder aquele boy de vista. Ele olhou em meus olhos e disse - Você foi o meu primeiro beijo de 2013. - Aquilo soou tão forte pra mim, que parecia que ele estava dizendo que me amava. E eu, como acredito em contos de fada à espera de um principe encantado, logo falei que ele também era o meu. Tudo bem, ele não era o primeiro beijo. Mas o beijo do César foi horrível e não conta se foi numa balada. Regras minhas. Anulei o beijo do César e contei como primeiro o do Marcelo. Digo, Mateus. Eu errei o nome dele umas três vezes e as todas ele me corrigia com um sorriso. Foi por isso que eu contei meu verdadeiro nome pra ele. - Eu sabia que não era seu nome verdadeiro, eu só estava esperando você me contar. - Ele disse e me encheu de comichões. Fiquei com vontade de fugir com ele pra bem longe e passar o resto do dia. Que aliás, já estava amanhecendo.
Ele pulou para o banco da frente e voltou a dirigir. Acordou o amigo dele que roncava alto. E ele me levou até a rua da minha casa. Ele, todo educado, abriu a porta pra mim e me abraçou do lado de fora. Me deu um beijo no meio da rua prometendo que iria me rever. Eu achei fofo. E fiquei olhando ele entrar no carro e desaparecer no horizonte da avenida. Meu ano novo pode não ter começado os primeiros minutos bem, mas a finalização da minha noite foi perfeita. Fui pra casa sonhando com os beijos dele e contando as horas pra poder vê-lo outra vez. E só agora, eu percebi que fui um idiota de não ter anotado o numero dele também. Não peguei ao menos o contado dele na internet. E sim, já fiz busca por vários Mateus nas cidades ao redor. Era como se ele não existisse, e apareceu apenas para mim. E se isso for verdade, eu não ligo. Desde que eu possa guardar aquele momento de nós dois pra sempre.
Já o Denis, adorou saber das novidades. E nem quer ver a cara pintada do bendito. O César, quis conversar comigo e deu uma desculpa que eu tinha sumido. Como eu gosto de cutucar e reconheço um mentiroso, logo falei que fiquei até o final da festa e não perdi nenhum acontecimento. Ele ficou quieto. E não falou mais nada. Espero que me deixe em paz agora.
Bom, agora cá estou eu. Na frente do pc mais uma vez contando meu dia pra vocês. Não sei se alguém lê isso aqui ou se algum dia irá ler. Mas eu ficaria contente se alguem se interessasse. Mande uma ask pra mim, vamos ser amigos sei lá. Conte pra mim da sua vida também. Isso aqui tá sendo um desabafo pra mim. Espero poder compartilhar com mais alguém as minhas experiências. Espero que alguém me encontre... Até um novo dia.