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rosalietheirin:
[ FLASHBACK ]
Ela tinha que se controlar. Era extremamente importante que naquele momento ficasse absolutamente calma, mesmo que as circunstâncias fossem desfavoráveis, ou não conseguiria lhe dizer o que estava sentindo. A verdade era que a jardineira sabia que aquele não era o melhor momento para falar sobre o que sentia, mas não queria arriscar guardar para um próximo momento novamente e acabar nunca tendo a chance de lhe dizer nada. Convencida, a loira abriu a boca para começar a falar e, nesse mesmo momento, um novo estrondo veio do cômodo ao lado do que estavam, fazendo a jovem pular mais uma vez.
Não podia. Não iria conseguir. Naquele momento, uma possibilidade passou pela cabeça da moça: e se ela revelasse seus sentimentos e não sobrevivesse para ver o amanhã? Até então, a maior preocupação da jardineira era de que Walker iria acabar sendo ferido ou atacado - principalmente por estar cuidando dela - e Rosalie teria que viver com o arrependimento e a angústia e nunca lhe dizer o que sentia. Mas e se o contrário acontecesse? Mesmo que ele não sentisse o mesmo que ela - o que no fundo, Rosalie tinha uma forte esperança de não ser o caso - ele sofreria. Sofreria com o fato de que alguém que ele conhece há tantos e tantos anos se declarou para ele e acabou perecendo. Saberia a dor de ser amado por alguém de uma forma pura e perder essa pessoa, uma dor que Rosalie conhecia bem.
“E-eu não consigo. Estou com tanto medo! E se entrarem aqui? Apollo, estamos mesmo seguros?” Cada vez mais a comoção ao seu redor fazia com que Rosalie se lembrasse da noite em que viu seu pai ser assassinado em um dos ataques mais violentos que o Palácio já tinha sofrido. Quase ninguém sabia que Rosalie havia presenciado a cena, não era algo que ela divulgava. Mas naquela situação, estava ficando muito complicado ignorar o sentimento que lhe invadia. Sem falar na dor que gradativamente a atormentava por conta de seus ferimentos. “Por favor, não saia de perto de mim. Eu não posso perder você também.”
Os barulhos do cômodo ao lado ficavam mais altos, fazendo com que Apollo tivesse medo de continuar ali com a jardineira. Já havia permitido que coisas demais acontecessem a loira naquela noite, o suficiente para ele saber que ficaria sem sono por dias por deitar na cama e a mente só ter lugar para reviver os minutos horríveis em que ele fora obrigado a ver Rosalie sendo agredida a sua frente, então não precisava de nenhum outro acréscimo que fosse piorar aquilo.
Por mais que estivesse instigado em saber o que ela queria falar ali, uma parte de si queria que a revelação lhe fosse feita logo, para que aquela forma Apollo pudesse tirar os dois em segurança daquele lugar tão vulnerável. Duvidava que fosse conseguir pensar em outras coisas que não fosse a segurança da loira, especialmente por saber que seria obrigado a encará-la todo dia e ver os hematomas que foram distribuídos por sua pele, mas de certa forma, Walker merecia aquilo. Era uma consequência justa por ter sido tão negligente em sua função, e um aviso melhor ainda para que ele não deixasse acontecer novamente no futuro. Rosalie, por outro lado, não merecia nenhum dos ferimentos que enfeitavam seu corpo.
Tirado de seu devaneio pela voz da protagonista de seus pensamentos,Apollo engoliu em seco com suas indagações e pedidos. Ela sentia o perigo tanto quanto ele. Por mais que o que ela tivesse a falar parecia ser urgente, Walker concordava que era melhor ser deixado pra depois, para uma conversa onde os dois não pudessem ouvir a morte acontecendo ao seu ao redor. “Eu vou te tirar daqui.” Ele garantiu, levantando-se de onde estava e caminhando até a porta. Com cuidado, abriu-a o suficiente apenas para que pudesse espiar o que acontecia no corredor, suspirando pesadamente antes de colocar uma das mãos sobre a espada presa a sua cintura. “Você vai ter que correr. Eu vou ir na frente, e você tem que estar bem atrás de mim. Vamos para o abrigo mais próximo.” Voltou o olhar para Theirin novamente, estendendo a mão na direção dela. “Está pronta?”
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O único momento em que Rosalie realmente parou de correr, foi ao sentir o braço de Apollo em seus ombros. Ainda tremendo, a jardineira se deixou levar para onde ele queria guiá-la, sem realmente ver por onde estava caminhando. O barulho de toda a briga e destruição já estava mais longe, mas Rosalie sentia como se ainda estivesse no meio daquele caos imenso. Cruzou os braços como que se abraçando e em poucos minutos se viu sentada em um sofá. Foi a voz apologética do soldado que a tirou de seu transe, mas não interrompeu o pânico que a engolia. Os olhos de Rosalie finalmente o encontraram, sentando-se a sua frente e tocando-a de forma carinhosa. Foi a única coisa capaz de realmente fazê-la relaxar. A culpa que ele estava sentindo por seus ferimentos a deixou tensa novamente, logo em seguida, e Rosalie se inclinou na direção dele, segurando uma de suas mãos com as duas dela mesma.
“Apollo.” Primeiro, ela apenas disse seu nome, pois precisava de toda sua atenção. Pausou por alguns segundos, tentando controlar o medo e a angústia que estava sentindo. Abriu a boca para continuar quando ouviu uma batida forte na parede atrás de si, seguida por algo de vidro se quebrando. Algo estava acontecendo no cômodo ao lado daquele e Rosalie teve que trabalhar até seu último esforço para não perder o foco. “E-eu preciso te dizer uma coisa. P-porque não sei se vou poder dizer depois. Eu não sei o que vai acontecer com a gente…” Começou a chorar novamente e seu corpo tremia ainda mais, dessa vez não só de medo, mas de emoção. Estava convencida de que o pior iria acontecer e ela precisava ter certeza de que ele saberia como ela se sentia antes disso.
Normalmente, Apollo já era alguém que cobrava muito de si por conta do trabalho que exercia. Não podia ser diferente, considerando que a segurança das pessoas daquele palácio dependiam de si e de seus companheiros de profissão. Quando alguém que ele se importava entrava na equação, era como se toda a responsabilidade dobrasse de tamanho. Quando Rosalie entrava em jogo, por sua vez, não era possível expressar em palavras o quanto Walker sentia-se encarregado de preservar o bem estar da jardineira.
Era provável que o guarda nunca fosse conseguir explicar o que estava sentindo naquele momento. Era simplesmente errado. Os hematomas no rosto de Theirin, o sangue que lhe pintava a face, as lágrimas que lhe escapavam dos olhos, o desespero notável em sua pessoa, era tudo tão errado. Principalmente pelo fato de Apollo estar presente; como ele podia ter permitido que aquelas coisas tivessem acontecido a mulher que ele amava? Sentia-se completamente incompetente. Desmerecedor do uniforme que usava. Ele não merecia amá-la quando nem ao menos conseguia protegê-la.
Tirado de seu devaneio pela voz da loira, toda a atenção de Walker recaiu sobre ela novamente. O nó formado em sua garganta só aumentou com o tom de voz que a outra portava, e as sentenças proferidas por ela não pareceram muito conexas em sua mente. Os barulhos do cômodo ao lado tornavam toda a situação mais angustiante, e ao notar que Rosalie voltara a chorar, um suspiro de aflição escapou dos lábios de Apollo. Se desfez da mesa onde estava sentado para colocar-se ao lado dela no sofá destruído, e logo a trouxe para seus braços, ignorando toda a dor que se espalhava pela ferida em seu esquerdo ao fazer aquilo. “Eu estou aqui. Não vou deixar mais nada te acontecer.” Murmurou baixo, tentando acalmá-la daquele modo e ao mesmo tempo, fazendo de tais palavras uma ordem a si mesmo. “Diga, Rosie. Pode me falar o que quiser.”
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When it hasn’t been your day, your week, your month, Or even your year, but…
I’ll be there for you (when the rain starts to pour) I’ll be there for you (like I’ve been there before) I’ll be there for you (‘cause you’re there for me too)
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Rosalie só abriu os olhos novamente quando sentiu a lâmina se afastando de seu pescoço. Logo em seguida, sentiu os dedos agressivos se desenroscando de seus cabelos enquanto o homem que a tinha como refém gritava e se afastava de Apollo que, como num passe de mágica, agora estava perto dela, a protegendo. A jardineira porém não teve tempo de pensar nesse tipo de coisa, não com todo o caos que havia sido criado em sua volta. Espadas, armas e facas sendo manipuladas ao seu redor. Era tanto barulho e tanta coisa acontecendo que ela quase não conseguia identificar quem era aliado e quem era inimigo. O que mais lhe preocupava nisso tudo era a quantidade de gente caindo perto de si que ela não conseguia identificar, o que não queria dizer que ela não conhecia.
A loira quase não percebeu que estava sendo levemente empurrada de um lado para o outro por Apollo, que tentava encontrar uma frestinha que permitisse a saída deles do meio de toda a confusão. As mãos dela se prendiam no uniforme do soldado, na área dos ombros, e ela tremia da cabeça aos pés. O medo, a adrenalina, tudo estava deixando a moça tonta. Sua respiração estava acelerada e ao mesmo tempo falha, como se estivesse tendo uma crise de algum tipo. Não era o caso, estava apenas desesperada. Quando ouviu a voz de Walker lhe dizendo para correr, os olhos de Rosalie arregalaram e mais algumas lágrimas escorreram de lá. Ela não queria ficar sozinha de novo, não queria sair de perto dele e arriscar não vê-lo novamente, mas sabia que se ele estava mandando ela correr, era porque seria o melhor para ela e para ele.
Hesitou apenas por alguns segundos antes de largá-lo com relutância e sair correndo na direção que ele indicou, por onde havia uma brecha. Rosalia com certeza era mais rápida do que era forte, principalmente pela sua figura. Mesmo assim, não demorou muito até que se sentisse cansada e começasse a perder velocidade. Por estar chorando, tornou-se ainda mais complicado continuar correndo, mas ela não parou e não olhou para trás. Ele disse que estaria lá, então estaria lá. Ele tinha que estar.
Apollo ficou apenas mais um segundo olhando por sobre o ombro, apenas para se certificar de que Rosalie havia seguido suas instruções, e ainda assim fora tempo o suficiente para que um rebelde avançasse sobre ele. Portava apenas uma faca, mas a lâmina afiada conseguiu abrir caminho pelos tecidos de seu uniforme e lhe causar um corte extenso, por mais que não muito fundo, em seu braço direito. Um grunhido de dor fora o único som expelido, e tão logo que a dor o trouxera de volta para o combate, não foram precisos muito mais tempo naquilo para que a espada do guarda se afundasse sobre o abdome do oponente, que logo caiu ao chão.
Walker não ficou nem para pegar sua arma de volta; precisava ir atrás de Theirin. Não poderia mais deixá-la sozinha naquela noite, era arriscado demais. Dando as costas para o conflito que permaneceu acontecendo ali e usando a mão esquerda para segurar o braço ferido, Apollo correu pelo mesmo caminho por onde havia mandado que a jardineira seguisse. Foram precisos alguns metros e muito esforço para que ele conseguisse avistar a figura a sua frente, e uma vez que a focou, aumentou o ritmo das pernas para que conseguisse alcançá-la. “Rosalie!” Chamou-a, com o intuito de fazê-la parar. Não esperou uma resposta ou uma reação, aproveitando a posição para passar o braço que não estava ferido ao redor dos ombros alheios, diminuindo os passos aos poucos e instruindo-a a fazer o mesmo.
Olhou em volta, e assim que seus olhos fixaram-se em uma porta próxima, correu até o cômodo para certificar-se que este estava vazio. A sala bagunçada denunciava que invasores já haviam passado por ali, mas por estar vazia, Walker não hesitou em trazer Rosalie consigo para dentro. A respiração do guarda era irregular, e logo depois de trancar a porta para garantir o mínimo de segurança possível para os dois, caminhou com a mulher até um sofá que havia por ali, colocando-a sentada sobre o estofado rasgado. “Eu sinto muito, eu sinto muito...” Ele repetia, como se fosse a única coisa que soubesse dizer. Sua voz era rouca, quebrada, e denunciava toda a culpa que ele sentia no momento. Ele mal conseguia sentir a dor de seu ferimento, o que mais latejava em si era seu coração, que a cada nova batida parecia espalhar por suas veias uma onda nova de penitência para que ele pudesse lidar. Walker sentou-se na mesa em frente a Rosalie, levando uma das mãos até o rosto alheio e afastando algumas mechas de cabelo para que pudesse ver melhor seu rosto, sentindo os olhos marejarem assim que viram a quantidade de ferimentos que havia por ali. “Céus...” A respiração lhe escapara em um arfar, enquanto ele negava repetidas vezes com a cabeça. “Me desculpe, Rosalie. Eu sinto tanto por tudo isso, eu devia cuidar de você! Droga! Mas que droga...”
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Rosalie demorou a notar que o que havia se formado era um grupo bastante organizado, e que eles não haviam capturado ela - entre outros pouquíssimos funcionários que estavam do lado de fora do Palácio - simplesmente porque queriam ser cruéis. Talvez as pancadas que tinham recebido fosse por crueldade, mas as intenções deles eram muito maiores. Resolveu que resistir, ainda mais na situação dela, seria inútil. Ela não era forte e não sabia lutar. Tentar fazer qualquer coisa só resultaria em sua morte ou em mais alguns machucados pra combinar com o hematoma em sua têmpora, perto de seu olho, que estava se formando, e o corte em seu lábio que ainda sangrava.
“Não existe negociação. Vocês nos deixam entrar, e nós soltamos esses aqui. Por enquanto. Se não nos deixarem entrar, todos eles morrem e nós atacamos vocês de qualquer jeito. De um jeito, vocês perdem. Do outro, vocês perdem muito.” Assim que ouviu o homem ao lado do que a segurava profetizar sobre sua morte, os olhos de Rosalie encontraram Apollo por entre os soldados que estavam barrando a entrada dos rebeldes. A jardineira ainda não entendeu como tudo aquilo havia se desenrolado. Por estar nos jardins, ela só viu que havia algo acontecendo quando o alarme soou e pessoas estranhas entraram correndo, causando destruição em seu caminho. E mesmo assim, lá estava ela, nas mãos de um estranho, encarando o homem que amava pelo que poderia ser uma última vez. E ela nem havia dito nada a ele. Esperou tanto pelo momento certo, que poderia ter perdido sua chance.
Não é como se Rosalie usasse o coração na manga. Antes de notar que estava apaixonada pelo soldado, ela nunca havia se apaixonado por ninguém. Amor era um sentimento comum para ela, e que ela sentia por todos ao seu redor. A diferença é que com ele, era diferente. Ela queria estar perto dele o tempo todo, e se ele assim quisesse, ela passaria o que seria o resto de seus dias segurando a mão do guarda, sem jamais abandoná-lo. Como fora tola em ignorar um sentimento tão poderoso, que havia sentido por tanto tempo, confundindo-o com um amor comum, como que sentia por seus amigos e por sua família. Não que significassem menos, mas ele era especial. E agora, ela nunca teria uma chance de ver como tudo se desenrolaria. Seus pensamentos começaram a se afundar em pena de si mesma até que um soco em seu estômago a tirou de seu transe. O que havia acontecido. Gemendo, tentando recuperar o ar que havia perdido, Rosalie foi puxada novamente pelos cabelos para que ficasse ereta e levou outro soco na boca, abrindo ainda mais o corte em seu lábio, antes de sentir uma lâmina fria encostando em sua garganta.
Ela não era a única sendo feita de refém, sabia disso pelos lamentos de seus outros três ou quatro colegas que estavam nas mãos daquelas pessoas. Chorando mais ainda, tanto de dor quanto de medo, Rosalie fechou os olhos sem conseguir ver o que iria se passar.
No momento em que os olhos do guarda se encontraram com os de Rosalie, foi como se um filme completo passasse por sua cabeça. Desde a primeira vez que havia visto a mulher, desde a primeira noite que havia sonhado com ela, até mesmo a primeira vez que havia se dado conta o quão apaixonado estava pela outra. Indo contra todos seus princípios e ideais, contra toda o profissionalismo que ele lutava para manter, seu coração era abocanhado pela essência delicada da jardineira toda vez que eles se vinham. Ali, porém, ele não palpitava por nervosismo da presença, mas batia forte movido pelo medo de não ter mais aquela presença. O momento que pareceu durar anos, foi puxado de si depois de apenas alguns segundos, o conflito que acontecia ao redor dos dois atrapalhando toda a privacidade que aquele sentimento exigia ter.
Apollo não era uma pessoa que cultivava muito ódio dentro de si, mas ainda assim, no momento em que o homem que segurava Rosalie ousou agir violentamente contra a jardineira, raiva fora a única coisa que queimou dentro de Walker. Era quase irônico o quanto todos os seus companheiros sabiam que Apollo era o mais propenso a ser afetado por aquilo, pois as ordens que seu superior dava eram expelidas para todos, mas o olhar do oficial estava recaídos sobre o guarda em especial. Eles sabiam o que estava por vir. Apollo sabia o que estava por vir. E a lâmina sendo apontada para a garganta de Rosalie fora a faísca que fez as coisas explodirem.
Ignorou as ordens e até mesmo o bom senso naquela situação, um grunhido escapando por sua voz enquanto ele se lançava em direção ao grupo rebelde, e especificamente, o rebelde que tinha Theirin em suas mãos. Era claro que ele havia sido pego de surpresa pela reação do outro, já que tão logo que se aproximara, em um movimento rápido, libertara a faca que ele tinha em mãos, que caiu no chão liberando um tintilar ao atingir o solo. Fora o som que despertara todos, e em poucos minutos, guardas e rebeldes partiram para o embate físico que viria uma hora ou outra. A primeira preocupação de Walker foi conseguir libertar Rosalie dos braços do rebelde, que consciente daquilo, tentava afastar a jardineira o máximo que podia do guarda. Apollo não hesitou ao usar a lâmina da própria espada para dar um fim naquilo, um corte certeiro no braço do oponente sendo o ferimento que o fez, com um grito de agonia, libertar a silhueta loira de seu aperto violento.
Walker fora rápido em trazer a jardineira para perto, tão logo colocando-a atrás do próprio corpo enquanto mais rebeldes avançavam para cima dele. Para a infelicidade dos mesmos, Apollo tinha a coisa mais preciosa para si para proteger, o que fez com que ele nem precisasse se esforçar muito ao deixar que toda as habilidades que ele treinava tão arduamente viessem à tona. Gritos os cercavam, criando uma sinfonia assustadora quando mesclados aos sons de lâminas se batendo e corpos caindo ao chão. Ao mesmo tempo em que se esforçava para livrar-se de todos aqueles que vinham para si, Walker discretamente dava passos para trás, obrigando Rosalie a fazer o mesmo e assim afastando-os do conflito que se seguia. Queria ficar ali até o final, auxiliar até que o último oponente viesse ao chão, mas o desejo de proteger Theirin falava mais rápido. Assim que uma brecha fora dada e todos os rebeldes pareciam ocupados com outros guardas, Apollo virou o rosto por sobre o ombro, apenas para dar uma instrução a jardineira: “Corra! Eu vou estar atrás de você!”
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Rosalie soltou um suspiro pesado enquanto finalizava seu trabalho nos jardins. Passou a mão na testa e se afastou alguns passos para observar seu trabalho. Estava tudo limpo, finalmente, e agora ela já tinha começado a plantar algumas flores. Por causa de sua ansiedade, começou pelos girassóis que Susan havia lhe dado. Com certeza ficariam maravilhosos quando florescessem completamente. Um breve sorriso invadiu seu rosto, mas logo se metamorfoseou em uma expressão de horror.
Um barulho alto, muito agressivo havia vindo dos portões do Palácio. Franzindo o cenho, Rosalie se virou, imaginando o que poderia ser, mas nada lhe veio a mente. Um segundo barulho fez Rosalie dar um gritinho e pular onde estava, levando as duas mãos até a boca. O alarme começou a soar e seu coração disparou. Não havia ninguém por perto dela, e a loira ficou absolutamente aterrorizada, sem saber para onde correr. Com o terceiro estrondo, um barulho familiar atingiu seus ouvidos enquanto os portões do Palácio eram arrombados e o som de uma multidão surgiu junto com eles.
Não demorou muito até que começassem a ir na direção do Jardim. Finalmente, Rosalie pensou em se esconder no casebre onde seu equipamento de jardinagem ficava, mas antes de conseguir alcançar o portão, a jovem teve o braço agarrado por um dos invasores. Instintivamente, Rosalie tentou se soltar, mas seus esforços só lhe fizeram receber um murro no rosto, perto do olho, que prontamente a colocou no chão. Tonta, a jardineira tentou levantar e sentiu outro golpe no rosto, do outro lado, dessa vez na boca. O gosto do sangue não demorou a preencher sua língua. Não teve tempo para reagir ao novo golpe pois rapidamente seus cabelos foram agarrados pelo seu agressor. Enquanto ele a levava consigo daquela forma, despejava xingamentos e palavrões à família real e qualquer um que os cercasse.
Enquanto lágrimas silenciosas escorriam pelo rosto da loira, ela começava a se perguntar o que seria dela e de todos aqueles que estavam no Palácio.
Os últimos incêndios que haviam se sucedido no palácio havia sido encarado por toda a guarda como um aviso explícito que um ataque mais sério estava por vir. Ainda que estivessem em estado de alerta, ninguém nunca estava pronto para a violência que era distribuída naquelas ocasiões. Quando os barulhos começaram a rondar a propriedade, todos os guardas já estavam preparados para irem para as suas posições, inclusive Apollo, que havia sido direcionado para uma das entradas que dava acesso direto para o interior do palácio.
Assim que os portões foram arrombados, a ordem era clara: Evitar a todo custo que qualquer membro do grupo protestante avançasse para dentro do castelo. Quando a proximidade fora cortada e os rebeldes entraram em contato direto com a guarda real, não havia espaço para qualquer acordo que tentasse se fazer presente; o combate físico se iniciou de imediato. O som do desespero era o que ecoava por ali, mesclando os grunhidos de dor de guardas e rebeldes que eram feridos em suas brigas com o som dos gritos de inocentes desesperados que só tentavam traçar seu caminho até os abrigos. Mesmo com todos os treinos diários que a guarda recebia, nunca era fácil bater de frente com a raiva ardente que os rebeldes tinham queimando dentro de si. Apollo usava de todas as suas habilidades para tentar debelar todos aqueles que avançavam sobre si, e até então havia dado certo, acarretando apenas alguns cortes das facas ávidas dos protestantes de forma supérflua sobre sua pele, mas Walker não estava preparado para a cena que se seguiu.
Por entre a confusão, um grito se destacou. O som fora seguido de uma ordem direta de um dos rebeldes que se aproximavam, e fez toda a confusão que acontecia ali pausar por um segundo. Os olhos de todos se voltaram para aqueles que chegavam, e, horrorizado, Apollo observou enquanto uma das pessoas que vinham com aquele grupo arrastava consigo uma cascata loira por entre os dedos. Dentre todas as pessoas que podiam ser ali, aquela era a que mais pesava em seu coração. Por um segundo Walker pediu para ter se enganado, implorou a qualquer crença existente que estivesse vendo errado, suplicou mentalmente que aquela não fosse Rosalie. Outro grito desfez qualquer pedido, concretizando o fato de que a garota que ele amava havia sido a escolhida de refém pelo grupo que exigia que liberassem a entrada.
Se seu superior não tivesse previsto os movimentos do guarda e o segurado, Apollo já teria se lançado sobre o grupo sozinho para tirar a jardineira das mãos alheias. As ordens eram claras, e pareciam ser dirigidas especialmente para Walker: Fiquem onde estão. Não avancem. Aguardem. Dois dos rebeldes haviam se aproximado da linha formada de guarda que era mantida na entrada do palácio, um deles era claramente o porta voz do grupo, enquanto o outro segurava Rosalie de forma violenta ao lado dele, praticamente exibindo a vítima que haviam conseguido. Se tivesse prestado atenção, Apollo teria percebido que uma negociação era feita entre seu superior e o superior rebelde, mas ele não conseguia se atentar aquilo. O mundo inteiro havia desaparecido, e a única coisa que ele conseguia ver era Rosalie. Sua Rosalie, nas mãos do inimigo. Apollo estava estático, sem saber como agir. Seus olhos eram desesperados para encontrar os dela, tentar estabelecer uma comunicação, tentar achar ali alguma luz que lhe daria as instruções do que fazer. Sempre fora totalmente racional, nunca ousaria desobedecer uma ordem direta de seu oficial… Mas era Rosalie. E Rosalie sempre era uma exceção para tudo.
london bridges are falling dawn (apollo x rosie)
rosalietheirin:
Deixou o vaso descansando no chão e usou a mão que estava bem para segurar a mão oferecida pelo guarda enquanto se levantava. Abaixou-se em seguida para pegar as violetas e usou a mão que não estava enfaixada para carregá-las, enquanto a outra, que estava machucada, Rosalie usou para segurar a mão de Apollo de forma bastante delicada. Não queria se machucar mais ou sentir dor, mas também não queria ficar longe dele naquele momento. Mesmo que já estivesse tudo bem, ela ainda estava abalada e, de uma forma ou de outra, pelo motivo que fosse, a presença do guarda a acalmava. Seu toque mais ainda. Rosalie ainda não entendia como era possível outra pessoa ter tanto efeito sobre ela e a loira não ter notado aquele tipo de coisa até o dia em que ele lhe deu o vaso de flores que ela lutou tanto para proteger. Só de pensar que ele poderia ter virado cinzas junto com todas as suas outras coisas…
“Antes de irmos na cozinha comer algo, podemos passar no meu quarto? Ou… Onde era meu quarto, no caso. Quero ver o estado em que ele ficou.” Rosalie sabia dentro de si que provavelmente havia perdido tudo que estava dentro de seus aposentos, mas precisava ter certeza de que nada havia sobrevivido. “E gostaria de deixar o vaso no seu quarto, se possível. Acho que vai ser mais seguro do que levar ele por aí comigo.”
Apollo precisou resistir ao seu instinto natural de apertar a mão de Rosalie quando esta estava junto da sua novamente. Não sabia de onde vinha tal fato, mas suspeitava que a vontade de fazer aquilo vinha como uma forma de garantir que o contato fosse prevalecido por mais tempo. Naquele momento, porém, tinha medo de que a machucasse mais se o fizesse, então precisou atentar-se às palavras proferidas pela outra para garantir que seu foco estivesse em outra coisa. Ponderou um pouco ao pedido dela, mas como sempre acontecia, duvidava que fosse conseguir contrariá-la de algum modo, então apenas assentiu. “Certo. Eu levo as flores para o meu quarto enquanto você checa com os funcionários se é possível irmos até o seu, pode ser? Podemos ser impedidos por ser uma área de risco, mas não custa tentar.” Dera de ombros levemente, soltando a mão alheia apenas para pegar o pequeno vaso de violetas em mãos. “Eu volto logo.” Garantiu, aproximando-se para depositar um beijo rápido na testa de Theirin, pouco antes de apressar os passos para traçar o caminho até seus aposentos.
O guarda procurou não se demorar naquilo, não queria deixar a loira esperando por muito tempo. O fato de seu quarto estar próximo ajudou-o naquela tarefa, então, depois de deixar o vaso sobre o criado mudo, preocupou-se apenas de trocar a parte superior de seu uniforme por outra camisa, vendo que as peças antigas estavam rasgadas e chamuscadas da noite anterior. Tão logo quanto estava pronto, saiu do quarto e rumou novamente até onde havia deixado Rosalie, caminhando para o lado da silhueta conhecida uma vez que estava ali. “Podemos ir?” Perguntou, a mão ansiosa logo caçando a dela novamente, pegando-a na sua mais uma vez quando a encontrou.
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Rosalie abriu os olhos ao ouvir uma movimentação ao seu redor e piscou algumas vezes para que sua visão ficasse menos borrada. O vaso de violetas que se arriscara para salvar ainda estava ao seu lado, intacto. A mão da jardineira já estava enfaixada, com uma pomada, assim como a canela dela. Ainda que estivesse ardendo, a dor já não era tanta, pelo menos não a ponto de fazê-la tremer. A loira se mexeu um pouco e levantou a cabeça do ombro de Apollo, onde aparentemente tinha caído no sono. Estavam sentados no chão e encostados em uma das paredes do abrigo, esperando até que fosse seguro sair dali.
Várias pessoas já haviam se levantado e cautelosamente faziam seu caminho para o lado de fora. Que horas eram, afinal? Sem se mexer muito, tentou identificar algum sinal vindo do lado de fora de que o estrago não tinha sido tão grande quanto ela imaginava. Talvez a expressão de alguém ou algum comentário solto no ar. Estava com medo de sair e ver que, na verdade, estava tudo muito pior. Tomando coragem, Rosalie tocou o ombro do guarda ao seu lado, apertando-o muito de leve para que ele acordasse sem se assustar. “Apollo? Apollo, abriram a porta do abrigo. Podemos sair.”
Apollo havia demorado para conseguir pegar no sono naquela noite. Tinha medo de o fazer e perder alguma coisa, talvez algum aviso de seus superiores, ou novas bombas que poderiam chegar ao palácio. Por mais que grande parte de si quisesse estar fora dali, ajudando a descobrir o que havia acontecido ou até mesmo ajudando os feridos, uma parte maior ainda não p permitia sair do lado de Rosalie. Tinha mais medo de que algo acontecesse a ela do que temia as outras coisas. Se pudesse, ficaria acordado a noite inteira para garantir o bem estar da loira a seu lado, mas quando ela adormeceu sobre seu ombro, a respiração calma da jardineira parecia convidá-lo a juntar-se a si no sono.
Acordou com a voz da outra o chamando, e tão logo quanto abrira as pálpebras e ouvira suas palavras, coçara os olhos para despertar e se levantou. Estendeu a mão para ajudá-la a fazer o mesmo, os olhos passando das portas do abrigo para o rosto dela novamente. “Você está bem?” Perguntou, para garantir. O estado dos dois não era lá dos melhores, na verdade, e isso era perceptível. Ambos ainda tinham as roupas chamuscadas da noite anterior, mas pelo menos, as queimaduras haviam sido tratadas pelos profissionais do local. “O que você quer fazer? Comer alguma coisa, talvez?”
Protect (Alana)
Os olhos de Apollo procuravam uma silhueta em específico por entre a multidão. Ataques rebeldes sempre resultavam em uma movimentação sem igual, fazendo todos ficarem desesperados e, por consequência, correrem. Não importava em qual direção, apenas corriam, o que acabava eclodindo em uma grande confusão. Era dito para os guardas que pegassem as pessoas mais próximas e tentassem instruí-las para seguirem aos lugares seguros, mas Walker não conseguia fazer isso antes que se certificasse que as pessoas mais queridas a si estivessem a salvo. Assim que identificou a loira por entre a multidão, os passos foram rápidos para chegarem até ela o quanto antes. “Alana!” Chamou-a, e sem esperar mais, cortou o espaço entre eles para passar os braços ao redor de seus ombros, apertando-a contra si para evitar que os outros pudessem esbarrar na silhueta da amiga. “Venha comigo, preciso te levar para o abrigo!”
“I will always find you.”
Por vezes, a única coisa que Apollo precisava fazer era desligar-se um pouco de tudo o que acontecia no castelo e tirar um tempo apenas para cuidar de suas coisas pessoais. Quando aquilo acontecia, passava o dia inteiro lendo todas as cartas que haviam chegado de sua casa durante o mês, e tirava o dia para responder cada uma delas – suas irmãs costumavam ficar irritadas quando não recebiam todas as suas respostas. Por vezes, porém, aquilo só servia para causar dor de cabeça ao guarda, quando era informado por meio dos papéis de alguns problemas que estavam acontecendo. Na maioria das vezes, o problema era sua mãe. Aquela era uma das fatídicas ocasiões que ele tanto fugia e, sentado em um dos bancos do jardim, ele mexia uma caneta em mãos enquanto encarava o papel em branco a sua frente, sem saber o que responder. Sua mente estava barulhenta, mas nada conseguia passar para as linhas que esperavam ser preenchidas. Estava quase desistindo quando ouviu a voz conhecida soar perto de si. Automaticamente, a calmaria achou seu caminho até ele. Sua mente silenciou-se. Seu coração começou a gritar. “Era exatamente de você que eu estava precisando.” Murmurou, sorrindo ao voltar o olhar para ela. E de fato, precisava, mesmo sem fazer ideia do motivo. Rosalie era a única capaz de distraí-lo de qualquer problema que fosse, como se pegasse em sua mão e o trouxesse consigo para uma bolha de serenidade que ela carregava junto com seu sorriso. A presença da jardineira não era apenas querida, como também necessária naquele momento.
❝well, well. my night just got better.❞
“E vai ficar ainda melhor quando eu te disser que tirei a noite de folga apenas para ficar com você. Aliás, eu mandei uma das cozinheiras separar um pouco da sobremesa de hoje para mim, e bem, qual a melhor companhia para dividir isso se não a minha melhor amiga, certo?”
"You came back for me.”
Depois que toda a movimentação e correria do incêndio acabara, o que restou para trás fora apenas uma nuvem negra que pareceu tomar todo o castelo. As pessoas se olhavam enquanto moviam-se de um lado para o outro, mas não conversavam. Todas pareciam estar assustadas por aquilo ainda. O consultório estava cheio de feridos, entre eles o próprio Apollo, e por mais que suas queimaduras fossem graves, ele insistiu que só aceitaria atendimento depois que se certificasse que Rosalie tivesse seus próprios machucados tratados. Não havia saído do lado da loira desde que os dois conseguiram escapar do quarto em chamas, e não seria naquele momento que o faria. Havia puxado uma cadeira para sentar-se ao lado da maca onde a jardineira estava, e estava examinando uma queimadura próxima aos seus dedos quando ouviu a voz da outra. O sorriso que viera fora instintivo, por mais que contido que tivesse se feito presente. “Eu nunca deixaria você para trás.” Respondeu em um sussurro baixo, enquanto apanhava uma das mãos dela entre as suas. Elevou esta até a altura do rosto, para poder pressionar um beijo leve nas costas da mesma antes de voltar o olhar para o rosto dela novamente. “Não sei o que seria de mim se alguma coisa tivesse te acontecido...”
bluxyxz:
No momento estava mais preocupada com os avos, na reação deles quando soubessem o que havia acontecido ali, naquela altura o ataque já era possivelmente noticias em todos os canais de comunicação. Deixou que algumas lagrimas escorressem pelo seu rosto, não queria que os avos sofressem mas os conheciam muito bem, sabia que a noticia iria abala-los de uma forma inexplicável. Fechou os olhos e foi quando ouviu uma voz sendo direcionada para sim, por um momento pensou que ficaria ali, sozinha! Então sorriu aliviada abrindo com certa dificuldade os olhos e encarando o rapaz a sua frente. “Obrigada, obrigada!” ela falou pegando o lenço que era estendido a ela colocando-o sobre a boca.
Ajeitou-a sobre os braços, conferindo com o olhar se ela havia cumprido o que ele havia instruído, e só seguindo depois de certificar-se que o lenço era mantido sobre o rosto da loira. Os olhos de Apollo caçaram uma rota de fuga mais rápida para eles, e enquanto toda a multidão era guiada para o corredor principal por alguns outros guardas, Walker decidiu que seria mais fácil virar em um corredor mais vazio para evitar a multidão. Uma vez que estavam fora da área atingida, Apollo olhou novamente para baixo, dessa vez prestando mais atenção ao estado da garota. “Estamos longe da fumaça. Pode tirar o lenço e respire fundo.” Aconselhou, deixando que os passos desacelerassem um pouco. “Você está ferida?”