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Oi gente, desculpa os dias de atraso, tive alguns contratempos kkkkk mas im back, respondendo os turnos todos devagarinho. Feliz ano novo a todos <3
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No Glory Operation | Archibald & Malcom
malcomharris:
“Acha que é possível que Selene esteja envolvida sem nem mesmo saber?” não era impossível. Afinal, o papel de um contrabandista era fazer seu trabalho, e não perguntas. “Bem, isso a coloca no topo da lista de entrevistados de qualquer forma. Seria idiotice não questioná-la.” Malcom tentava pensar na maneira mais discreta de realizar os questionamentos. As pessoas não gostariam daquilo, sentiriam-se como se estivessem desconfiando delas. E não é exatamente isso? questionou-se e bufou. “Sim. Vamos aumentar os vigias, o procedimento de entrada e saída de todos tem que ser mais rigoroso. Ninguém entra e ninguém sai sem permissão.”
Assentiu às palavras do outro. Fazia sentido. “Certo, mas mande alguém de confiança. Não quero ninguém de cabeça quente que possa fazer algo idiota, como tentar atacá-los sozinho. A ideia é entrar e sair, observar quantos deles ainda resta, quem sabe sorte o suficiente para checara o armamento.” Malcom não gostava daquilo. Mandar um dos seus para tão perto deles, mas sabia que era necessário. “Eu tenho outro assunto a tratar com você. Quero começar o treinamento de todos. Não me importa se Saqueador ou Cozinheiro, quero que absolutamente todos, cada pessoa de Redholt, saiba atirar. Quem você indica para treiná-los?”
“Ela é uma contrabandista, criminosos como ela não se importam por quem estão trabalhando, apenas por quanto. Não acredito que ela seja leal o suficiente para não cooperar... Mas também é difícil dizer se ela está do nosso lado suficientemente.” Archibald com certeza preferia ter moradores leais e justos, que não ficasse fazendo negócios com sabe-se lá quem. Mas por mais que tivesse esse rancor, não podia dizer que Selene era uma ameaça para a comunidade -- desde que não trouxesse coisas nocivas como drogas para dentro dos portões. Duncan assentiu. “Saqueadores e caçadores de animais são os que mais saem, e geralmente eles mesmos se dão essa permissão. Vamos diminuir esse entra e sai só buscando suprimentos ou mais carne quando os estoques estiverem em nível crítico. Quem sabe assim, também, se o informante estiver entre esses grupos, os caçadores não tenham menos informações.”
Archibald apenas concordou levemente. “Sim.” No momento, poucos tinham sua total confiança, e se fosse para mandar alguém, mandaria Kendrick. Porém seu filho não estava em condições favoráveis para viagens. Seria mais seguro mandar alguém que estivesse cem por cento, os quais não eram muitos. “Penso em Jennifer Vasquez. Sua família inteira sempre foi de nossa confiança.” Os Vasquez estavam em Redholt desde o início do surto, tal como Archibald e o próprio Malcom. E Hugo, o pai de Jennifer, bem, provavelmente era o saqueador mais confiável, mas ele estava sendo requisitado em outras tarefas. A pergunta de Malcom então o pegou de surpresa. Não pelo conteúdo -- àquela altura saber atirar parecia imprescindível -- mas por ser difícil responder. Eles tinham treinadores, mas certamente a demanda seria um tanto maior. “Qualquer um dos saqueadores que ainda esteja se recuperando a ponto de não poder sair, mas consegue andar, acho que seria adequado. Selene a Angelina, as instrutoras, estão aí. Podemos exigir mais delas. Talvez Callahan Gallagher também, apesar de eu pensar que ele não gostaria muito da nova tarefa.” Callahan era um saqueador solitário, não gostava muito de conversa ou de se manter por perto. Porém, seria uma boa medida para deixar a todos mais próximos. Não era a hora de ter vagantes solitários, a situação exigia mais do que isso.
selenewilliams:
“Meu silêncio… Acho que ninguém jamais pagou por isso. E não é como se eu fosse ficar calada, de qualquer maneira, assim como não ficaria falando os segredos dos outros. Entenda, Archibald, as coisas que eu falo são inteiramente meus desejos, e não os dos outros. Se alguma vez já fiquei em silêncio ou neguei dizer algo, foi meu desejo fazê-lo; nenhum valor do mundo irá retirar a minha liberdade de falar o que quero para quem quiser.” Selene observou o homem colocar a garrafa de cerveja na mesa, revirando os olhos É claro que ele não tomaria; homens responsáveis não faziam isso durante o horário de trabalho. Questionava-se se alguma vez ele esteve em horário de folga. Não parecia o tipo de pessoa que flertava com mulheres ou se deixava levar por um momento. Será que ele já havia encontrado algo assim alguma vez na vida? Quando escutou o questionamento dele, aproximou-se e pegou a bebida, abrindo-a com um movimento. Tomou um gole, pensando que aquilo realmente seria algo que duraria bastante tempo. “Mas é claro que você não veio saber do que eu falo ou deixo de falar…” Reclamou em voz baixa, tomando mais um gole da cerveja. “David Mason? Talvez seja familiar. Não quer me dar o porquê de estar querendo saber deste pobre coitado? Sabe, geralmente quando pessoas estão querendo saber informações, eu pergunto coisas para elas também. Um jogo de informações, podemos dizer assim. O meu preço para você continuar procurando sei-lá-o-quê é você me deixar fazer algumas perguntas também. Se você quer saber sobre David Mason, me responda uma pergunta antes: Alguma vez já se deixou levar pelo calor do momento, sem pensar em tudo? Como, por exemplo, beber até cair ou algo assim.”
Archibald escutou com atenção as palavras da morena. Será mesmo? Duncan continuava apostando que o silêncio dela tinha o preço certo, mesmo que caro. Era uma contrabandista, uma criminosa -- e criminosos não tinham a confiança do ruivo. Felizmente, ela parecia neutra demais para um ideal, para ser uma informante dos caçadores. Se fosse, ela certamente não teria o emprego que tinha, não era exatamente o melhor disfarce para se conseguir informações importantes sobre suas defesas. Selene era um tipo de pessoa que Archibald conhecia bem: a com os próprios ideias. As vezes, isso facilitava as investigações. Outras vezes, dificultava. Duncan esperava que fosse o primeiro caso. “Eu espero que sim”, disse convicto. E então, ela começou a falar. E não parou mais. Ele suspirou levemente, levantando as sobrancelhas. “Você quer tanto assim que eu beba a sua cerveja?” um ligeiro sorriso sombreou o canto de seus lábios por um breve momento, enquanto apoiava um pé na barra de sustento, da mesa, próxima ao chão, uma mão no joelho, outra na cintura. “Eu não tenho tempo para jogos, Selene.” disse grave. “Ou para beber até cair.” respondeu a pergunta, levantando as sobrancelhas brevemente. “Eu quero saber porque esse “pobre coitado” trocava cartas com uma saqueadora nossa, que você deve saber quem é se tiver feito parte disso.” Abaixou a cabeça por um momento, antes de voltar a olhá-la. “Você não está encrencada, Selene. Sabemos o que você faz, mas preferimos fechar nossos olhos para isso. Não vou confiscar nenhuma das suas muambas. Apenas preciso saber o que sabe sobre o caso. Se me responder, posso considerar beber com você.”
No Glory Operation | Archibald & Malcom
malcomharris:
Malcom concordou com a cabeça à menção de outros colaborando com os Caçadores. “Essa era, na verdade, uma questão que gostaria de colocar. Também não acredito que ela estava sozinha nisso. Seria muito arriscado para uma só pessoa entrar em contato com os Caçadores. Eles saberiam que as chances de descobrirmos tudo seriam muito maiores dessa forma. James Brown saberia, isso com certeza.” A má notícia, é claro, era que Malcom não fazia ideia de quem poderia ser. Felizmente — ou, no caso, infelizmente — o líder nunca confrontara nenhuma necessidade de desconfiar de ninguém dentro de Redholt. “Selene?” questionou em voz alta, arrependendo-se no mesmo segundo. Malcom não era idiota, muito menos cego. Sabia dos trabalhos extras, por falta de melhores palavras, que Selene desenvolvia em Redholt. Mantinha os olhos e ouvidos abertos para qualquer caso mais… sério, por assim dizer, mas preferia deixá-la fazer seu trabalho. Não sabia com profundidade sobre os contrabandos, e preferia deixar assim. Se soubesse mais, provavelmente teria que cortar seus serviços, e muitos em Redholt se rebelariam. De qualquer forma, era de seu conhecimento que os contrabandos de Selene eram, em geral, inofensivos. “Não, não acho que é Selene. Mas você sabe o que isso significa, não sabe?” olhou para Archibald, respirando fundo. “Vamos ter que começar a interrogar as pessoas. E isso nunca é bom. Ninguém gosta de ser um suspeito, então temos que fazê-lo da maneira mais sutil possível.”
“Eu pensei nela”, disse à menção do nome. “Se tem alguém que poderia sair de mansinho para entregar essas cartas, é ela. Hanna era uma saqueadora, ela teria um item valioso para trocar por serviços de mensageira, mesmo que de nada Selene tenha a ver com os caçadores.” disse com a mão nos lábios, até balançar levemente a cabeça. “Mas de qualquer modo, se tem alguém que sabe os modos de entrar e sair daqui sem ser visto, é ela. Vamos ver se ela coopera em nos mostrar estes caminhos. Podemos colocar guardas nestes locais, e ver se eles pegam alguém escapando de fininho.”
Archibald acenou positivamente com a cabeça. “Certamente. E quanto menos souberem dessa investigação, melhor; não quero deixar o informante cauteloso demais. E definitivamente temos que achar esse filho da puta antes de fazermos um plano de ataque contra James.” Ele olhou para Malcom. Ambos geralmente eram bastante cautelosos, mas no caso, Archibald achava que ficar na defensiva seria um tiro no pé. A essa altura, James Brown já deveria saber que estavam bem debilitados. Um segundo ataque e estariam mortos. Um fatality, como diria seu filho. Se queriam ter alguma chance nessa guerra, deveriam tomar a ofensiva, nem que fosse apenas para enfraquecer os caçadores e igualar as forças. Além disso, as baixas que James sofreria pesariam bem mais do que as deles, já que os remédios não estavam disponíveis para os meros plebeus, que deveriam compor uma boa porcentagem de sua força. “Devemos checar se tudo o que Kira disse é verdade, inclusive. Mandar um batedor para o acampamento deles, ver se eles tem esse poderio todo. E no meio tempo, podemos montar uma pequena isca para ser se o mensageiro não está entre os saqueadores.”
Flashback; The reason ❖ Archinne.
Johanne Olsson não era boa em pedir favores. Não gostava de depender de alguém para fazer o que ela precisava fazer. Mas, claro, haviam situações em que suas ações dependiam de outros e que suas limitações a atrapalhariam. Aquela era uma dessas situações, mas além disso, era algo que realmente valia a pena. Johanne, por mais orgulhosa que fosse, precisava de ajudar para encontrar Carlson. Por mais habilidosa que fosse, já faziam anos desde a ultima vez que ela precisara usar uma arma para defender a própria vida. Após algum tempo observando o trabalho dos saqueadores e fazendo anotações mentais de quem parecia confiável o bastante ou possuía o conhecimento suficiente para ajuda-la, a morena decidiu colocar as questões que a impediam de estar ali de lado por uma causa maior. Sua causa. Foi até onde Archibald Duncan se encontrava naquele período do dia, quando não estava fora de Redholt e aguardou até que ele se apresentasse. – Eu sei que você provavelmente está muito ocupado, mas se não for abusar muito da situação, mesmo imaginando que sim, gostaria de pedir um favor.
Archibald estava ocupado -- sempre estava. Quando não estava, procurava trabalho. Era um viciado, de certa forma. Jamais confiava em sua própria mente. Se lhe desse espaço, se lhe desse tempo, esta iria traí-lo e levá-lo a pensar sobre coisas que não queria pensar. Picuinhas que não eram úteis para nada além de desviar seu foco. Portanto, estava debruçado sobre um mapa, preparando novas missões para o dia seguinte, ao mesmo tempo que lembrava-se de que já estava em missão, riscando itens essenciais da lista. Quando ouviu as batidas na porta, se tornou até um certo alívio, pois por mais que negasse, sua mente era levava a exaustão a cada dia. Ele encostou as costas na cadeira, apoiando a testa nas pontas dos dedos e fechando os olhos por um instante. “Entre”, disse. Só abriu os olhos quando a pessoa parou de falar, finalmente vendo quem era a mulher. Sabia que ela havia chegado a pouco tempo na zona de segurança, mas falhava em lembrar-se de seu nome. Provavelmente seu cérebro já estava em curto circuito. “Sente-se”, indicou a cadeira a sua frente, dobrando o mapa para que ele não tirasse o foco da conversa. “Quem é você?” E assim que ela dissesse seu nome, acenaria para que ela continuasse a dizer o porquê de estar ali.
No Glory Operation | Archibald & Malcom
malcomharris:
Quando Malcom não estava andando sem parar por Redholt tentando resolver todo problema possível, ele estava na sala de reuniões. Acompanhado ou sozinho, era o único local no qual realmente encontrava paz para pensar. Sem falar que ninguém sem permissão poderia entrar lá, o que realmente ajudava no silêncio.
No momento aguardava Archibald e os outros Saqueadores pra finalmente iniciar um plano, ou qualquer outra coisa. Precisava expressar seus pensamentos e tinha certeza que iria começar a enlouquecer se não o fizesse. Aguardou por alguns minutos até que Archibald chegasse, sozinho, para a surpresa de Malcom. O líder nada disse, apenas observou o outro abrir a maleta que carregava. Malcom preferiria fazer aquilo com outros Saqueadores na sala, — sabia muito bem o limite da paciência de Duncan com ele, e vice e versa. — mas já que estavam ali… O homem suspirou e levantou-se, aproximando-se da maleta para checar o que ele tinha. “Você foi até o dormitório dela? Sabe que precisaria de uma autorização para isso, não é?” disse casualmente, sabendo que Duncan nunca se preocupara com tais coisas. Varreu os olhos entre as evidências trazidas e balançou a cabeça. “Droga, Hanna.” pegou uma das listas de recursos e xingou. “Eu estava certo, afinal. Não que nesse caso eu goste de estar. Eles sabiam exatamente o que procurar.” Malcom jogou o papel de volta à mesa e sentou-se.
Simplesmente ignorou o fato de precisar de autorização para isso. A quem pediria, a Malcom? Archibald era visto como uma autoridade, e para ele, isso bastava. Até mesmo porque seguir a burocracia nunca fora o seu forte. “Eles sabiam.”, concordou com o mais novo. “Mas eu não acho que Hanna estivesse sozinha nisso. Se é que sequer ela estava metida nisso.” Deixaria para explicar a última frase depois. Por agora, Archibald calçou as luvas de látex, mesmo sabendo que digitais não fariam diferença àquela altura, e pegou uma entre as muitas cartas. Ele sentou-se ao lado de Malcom e abriu a carta a sua frente. “Essa é uma carta de David para ela, não sei de quando, mas veja. Ele diz que ela estava doente e que ela não conseguia sair de Redholt. Não foi Hanna a receber essa carta. Alguém saiu daqui, encontrou David, e trouxe de volta. E ninguém mais sabia do relacionamento dela com esse menino.” Ele olhou para o companheiro. “Quem quer que tenha sido o mensageiro, só pode ser o informante. Ela não arriscaria o seu segredo com qualquer um, e se fosse uma pessoa desconhecida, David podia muito bem ter a alvejado invés de ter lhe entregado a carta. Se não estamos lidando com um informante, estamos lidando com um cúmplice.” Ele torceu os lábios de desgosto. “Esse lugar está um ninho de ratos.”
selenewilliams:
“Perguntas? Ah, vai ser um prazer. Por favor, sente-se e faça as perguntas que quiser!” Selene tentou demonstrar empolgação, sorrindo para o homem, tentando demonstrar doçura. Ela caminhou até um armário, abrindo uma das gavetas para conferir se tinha alguma arma ali escondida; é claro que tinha, afinal não era tão descuidada. Se aquilo tomasse rumos mais agressivos, estaria preparada para atirar no homem. É claro que conhecia a fama dele. Quem não conhecia? Não tinha muita chance com ele, mesmo preferindo acreditar que sua mira era mil vezes melhor que ele. Se partisse para combate corpo-a-corpo, porém… Selene até temia pensar nisso. Fechou a gaveta, abrindo outra em baixo, cantarolando enquanto tentava esconder seu nervosismo. Mentalmente soltava xingamentos, demonstrando o quão nervosa estava naquele momento. Retirou uma Heineken da gaveta, estendendo-a para ele. “Quer uma?” Ofereceu com certo nevosismo, esperando que aquilo o tornasse um pouco menos sério e talvez o distraísse um pouco. Não confiava em pessoas que não conseguia ler e Archibald era uma delas. “Correios? Dependendo do valor, é claro.”
Ele apenas observava a morena a sua frente, a sobrancelha arqueada. O que ela tanto procura? Um claro sinal de nervosismo. Bem, Selene certamente era culpada por muitas coisas, mas ela não ficaria tão nervosa se fosse por simples contrabando, ficaria? Ela já estava em sua lista de suspeitos antes, mas agora, ela subia cada vez no ranking desta lista. O nervosismo, para Archibald, gritava ‘culpada’. Mas mesmo assim, o semblante do ruivo não mudou. Manteve-se inerte, observando cada detalhe, e tendo certeza de que sua mão ficasse próxima da pistola. Na dúvida, havia deixado três homens do lado de fora da porta, prontos para agir caso ela demonstrasse resistência. Ele olhou a garrafa de cerveja e tomou em mãos, mas nada fez -- simplesmente a pousou na mesa, segurando o vidro verde. Talvez Hanna tenha pagado uma bela quantia para ela, junto com o seu silêncio. “Entendo. E pelo preço certo, é possível comprar o seu silêncio também, sem dúvidas.” No entanto, ele não fez nenhuma oferta ou entregou nenhuma carta. “O nome David Mason é familiar para você?”
Lethal | Archibald & Lily
lilysolution:
A engenheira costumava estar já muito cedo em seu local de trabalho. A verdade era que Lily acordava com o sol, desde muito nova tinha esse costume e seu tempo de sono ia diminuindo conforme o tempo passava. A verdade é que para ela se tornava muito mais interessante estar projetando armas do que deitada em sua cama abraçada ao travesseiro por horas seguidas, enquanto do lado de fora o mundo podia acabar sem que ela soubesse e… Bocejou, talvez não fosse uma má ideia tentar acordar um dia no horário e não antes dele. Bom, não neste dia, estava ocupada demais. Precisava de peças, apenas algumas, tinha que ver se havia alguma carência específica recente e a parte que mais gostava, desenhar novos modelos. Inventar exigia o maior esforço mental, infelizmente era sua atividade mais rara. Afinal, quando há carência de suprimentos não se pode produzir armas em massa. Seria mais fácil trabalhar na época da Guerra Fria. Armas nucleares podiam matar qualquer coisa, mas não se faziam úteis neste conflito. Infelizmente, adoraria entrar em um projeto como tal. Na verdade, os afazeres daquele dia era mais administrativos, fazer a contagem do arsenal e das peças. A primeira tarefa estava pronta e já ia começar a outra quando foi interrompida.
“Entre.” Ordenou, pensando se não seria melhor fingir que não tinha ninguém ali. Por que as pessoas não podiam apenas deixar um recado? Seu pai tinha sorte, quando trabalhava, ela era a garota dos recados e ele não precisava passar por isso. Ao ver quem entrou mudou a postura imediatamente, sabia respeitar um superior. A presença dele significava uma atividade mais interessante do que fazer o inventário. “Pode falar, o que deseja destruir?” Olhando o rosto dele vinha em sua mente uma imagem mais jovem, seria ele?
Ah, aquilo seria complicado. Ele olhou para a porta, para garantir que estava fechada, enquanto escolhia as palavras antes de começar. “Antes de tudo, preciso que saiba que esse trabalho não deve sair do arsenal. Converse sobre ele apenas com quem for estritamente necessário. Não quero um pânico geral em Redholt. E além disso... Até onde sabemos, ainda temos um informante a solta.” Não era algo que Archibald gostava de dizer fora da sala de reuniões, mas precisava ter certeza que Lily entendia a gravidade da situação. Se ela abrisse a boca para a pessoa errada, estavam fodidos. Ele passou a língua pelos lábios e juntou uma mão na outra, se apoiando sobre a mesma dela. “Após o ataque dos caçadores, tomamos uma deles cativa. Kira, uma garota ruiva. Ela nos contou muitas coisas sobre os caçadores, e uma deles era sobre seu poderio bélico. Eles estão bem superiores a nós. Possuem bazucas, granadas, metralhadoras anti-aéreas, morteiros... E de sobre, dois tanques de guerra. Não sabemos como eles foram capazes de conseguir tudo isso, mas também não importa.” Ele tomou um tempo, desviando o olhar. Geralmente, era nessas horas que as dúvidas começavam. “Não sabemos ainda se isso tudo é realmente verdade, mas desde que conversamos com a caçadora, tudo o que ela falou tem se provado real. Além disso, eu não vou ficar esperando isso se confirmar para que no final seja tarde demais.” Então, olhou bem nos olhos da engenheira: “Eu preciso que você elabore algo para neutralizar isso tudo, principalmente os tanques, eles são os mais perigosos. Acha que dá conta?”
a dark secret .ᛟ. ruby&archibald [fb]
rbdixxxon:
Inspirou profundamente, soltando um resmungo baixo e então esfregou orosto com as mãos de uma maneira um pouco mais violenta do que pretendia. Tentava livrar-se do sono que a consumira,assim como todas as imagens recentes que foram criadas pela sua mente. Sabiaque elas não se extinguiriam, mas talvez conseguisse manter-se longe das mesmaspor um período mais longo daquela vez. O silencio pareceu dominar o ambientepor alguns segundos, e ela observava o outro, incerta se ele insistirianaquele assunto ou apenas a criticaria por sua falta de vigilância e autocontrole.Mas logo percebera que ele não parecia preocupado com aquele pequeno grandedetalhe. Apenas assentiu em resposta a sua primeira pergunta. Não eraincomum ver Dixon aceitando cobrir turnos de vigias, talvez por isso ela fosseuma das primeiras opções daqueles que desejavam descansar por algum tempo. Averdade era que ela fazia de tudo para não dormir profundamente, para não sedeixar levar ao mundo no qual ela não tinha o menor controle sobre. Aproximando-sedos seus trinta e sete anos de idade, amulher sabia que aquela era uma atitude infantil e autodestrutiva, mas pareciaser a única solução provisória para aquele problema. — Não vou discutir com você, Duncan. Também acho que preciso descansar. Masduvido que consiga pegar no sono novamente agora. — Forçou-se a oferecer o esboço de um sorriso ao outro. Nem ao menos sabiase estava dizendo a verdade ou não. Por mais que concordasse com o homem, ela serecusaria a deixar seu posto, ao menos que fosse para ocupar seu tempo comoutra função. Aquele fora um pesadelo que realmente aparentava ser real e aimpressionara, o que provavelmente lhe atrapalharia o sono. Contudo, o seucansaço corporal e mental era inegável, e talvez a sua exaustão fosse maior doque qualquer outra coisa.
Assentiu novamente. Sabia que não era a única a passar por momentos difíceis,e compreendia que grande parte das pessoas jamais fora capaz de se desligar decertos sentimentos e pensamentos, e realmente descansar desde o inicio daquelecontágio. — Por mais que eu sempre esteja exausta, nunca tenho vontade dedormir. E agradeço a sua oferta, mas prefiro ocupar minha mente com a vigília doque ter que enfrentar meus pensamentos durante o descanso. — Pela primeiravez em muito tempo, Ruby parecia estar falando a verdade, mesmo que nãorevelasse completamente tudo sobre si. E Archibald claramente era o culpado poraquilo. O olhar do homem caia sobre o seu, e pôde perceber que ele realmente a olhava, realmente prestavaatenção naquilo que estava diante de si. E aquilo era assustador. Ela sempre seesforçara para passar despercebida, para não ser observada e lida,interpretada. Entretanto, estariamentindo se dissesse que não a fazia se sentir ligeiramente mais liberta permitir-seser sincera por alguns instantes. Apenas não estava convencida de que o homem eraa pessoa certa com quem poderia se abrir, nem ao menos sabia se essa pessoaexistia. Agora que fora capaz de se recompor, ela finalmente conseguira melhorar a expressão em se rosto e encarar o outro novamente, pelo menos acreditava estar convencendo a ele e a si mesma de que aquela pequena crise havia chegado ao fim. — O que faz acordado? — Além de seu real interesse ecuriosidade, se esforçaria para que – caso eles realmente fossem ficar alidurante a noite – que o assunto sobre o qual conversariam, não seria ela.
O homem já havia lidado com muitos homens tendo pesadelos. Seu próprio filho era um deles, que algumas vezes aliava os sonhos ruins a sonambulismos, tal como Ruby. A parte mais complicada, a de trazê-los de volta a realidade, já havia sido feita com sucesso, no entanto. Apenas sorriu por um instante. Eles sempre diziam isso, mas não precisavam de muito mais que meia hora. No final, lutar contra seus pesadelos sempre se provava exaustivo. Archibald agradecia por não sofrer disso -- se nem eu seu sono estivesse livre de problemas, enlouqueceria muito cedo. Então, apenas acenou positivamente. “Você quem sabe.”, disse simplesmente. Estava quase indo embora quando ouviu sua pergunta, arrancando-lhe um suspiro. Sentou-se no muro, apoiado.
“Insônia. Não consigo dormir.” Sabia que era apenas metade da resposta. Geralmente Archibald era distante, não fala sobre o que se passava com ele. Como dito antes, ele precisava parecer forte, e parte dessa obrigação era por conta de sua autoridade. Se parecesse fraco teria sua autoridade questionada, e isso poderia custar muitas vidas a todos. Porém... Era um líder. E um líder caminha a frente de seus companheiros, os guiando e os acompanhado. Se queria que Ruby se sentisse segura perto dele e se abrisse, deveria dar o exemplo. Além disso, sabia que a mulher não o veria como fraco. “E quando eu não consigo dormir, começo a pensar no que não quero. Lembranças ruins. Então saio para uma caminhada.”
Lethal | Archibald & Lily
“Possui dois tanques, bazucas, granadas, metralhadoras anti-aéreas e gatlings.” Aquela frase, na voz de Kira, o perseguia como uma assombração. Como os caçadores haviam sido capazes de adquirir tudo aquilo? Era surreal. Estavam mais equipados que o exército americano quando dominava Redholt -- e estes nem ao menos deixaram grandes materiais para trás. A maioria de seus armamentos provinha dos antigos militares, dos mais básicos à sua artilharia mais pesada. E o pior era que haviam sido obrigados a usar parte dessa artilharia no ataque da noite anterior, como o RPG que dizimou os caçadores que tentavam dominar o arsenal. Mas apenas o RPG não seria capaz de derrotar todo o arsenal de James Brown.
Ele se dirigiu até o arsenal, onde certamente encontraria quem poderia ajudá-lo a solucionar seu problema. Ela era sempre muito reclusa, quase nunca estando entre seus colegas de trabalho, e sim, em seu escritório. Archibald bateu na porta e esperou a permissão para entrar -- ou entrou mesmo assim se esta demorasse demais. Tempo era algo que o ruivo não dispunha para gastar. “Lily,” disse assim que a encontrou, “preciso de sua ajuda.” Ele puxou uma cadeira e se sentou à frente da morena: “Tenho um trabalho para você.”
Os olhos de Selene analisavam a pessoa em sua frente, demorando-se no seu rosto, tentando descobrir as verdadeiras intenções dx outrx. Franziu o semblante, o questionamento claro em seu olhar. “E como eu posso ajudar?” Os anos trabalhando como contrabandista faziam com que a mulher tomasse bastante cuidado com qualquer tipo de favor prestado, assim como os preços que viriam com cada ação.
“Respondendo a algumas perguntas.” Ora, Archibald não era nenhum tolo. Estava muito consciente dos contrabandos da senhorita Williams e não os aprovava. Achava o contrabando um negócio sujo, principalmente quando ela devia se relacionar com Vaga-lumes e ainda pior, com caçadores, sendo que já conseguiam todo o essencial para a sobrevivência das missões que os saqueadores faziam. As “muambas” de Selene eram mimos viciantes. Mas, como dito, Archibald não era tolo; não estava ali para acabar com tudo aquilo. Por pior que fosse, era necessário para deixar os redholters ocupados, distraídos, e felizes. Cortar os negócios de Selene era pedir por um motim. “Você realiza o serviço de correios também?”
No Glory Operation | Archibald & Malcom
Depois de resolver tudo o que havia para resolver, era mais do que na hora de Malcom e Archibald se reunirem. Da última vez que se viram, Duncan disse que reuniria os “meninos”, porém, os novos acontecimentos mudavam os rumos daquelas reuniões. O homem precisava de um momento a sós com o líder para que pudessem montar o melhor esquema contra James Brown, e ainda por cima, sem comprometer toda a operação por algum boca grande que sairia correndo contar tudo para seus amigos caçadores. Vida longa ao Rei? Não enquanto Archibald respirasse.
Ele entrou na sala de reuniões, encontrando Malcom Harris sozinho. Na grande mesa central, Archibald colocou sua pasta. “Nós precisamos conversar algumas coisas.” disse, abrindo a maleta. “Sem os meninos por enquanto. Descobri coisas importantes sobre Hanna Montgomery.” Sem muita cerimônia, ele foi retirando os sacos plásticos de dentro da maleta, os espalhando pela mesa. Nesses plásticos, grande parte das evidências encontradas no apartamento da suspeita: mapas de Redholt, listas de saques, mapas dos arredores, e claro, as cartas trocadas entre ela e David Mason, o que agora parecia ser o braço direito do líder dos caçadores em questão. (@malcomharris)
Nothing Pass a Good Old Dog
Tanta coisa para fazer... Archibald era uma verdadeira pilha de nervos. Tinha seus saqueadores para organizar, reuniões com Malcom para descobrir como neutralizar James Brown, defesas para checar... Tudo visando o bem de Redholt, um lugar que deu tanto sangue e suor para reconstruir. Mas, no fim, tudo empacava em uma questão importante: quem era o informante? Segundo Kira, era Hanna Montgomery. Já Archibald duvidava muito que essa informação fosse verdade.
Christmas Present | Archibald & Blue
aazulzinha:
Já faziam pelo menos três dias desde o ataque. O corpo de Blue não aguentaria de tanta exaustão se não fosse pela excelente noite de sono que tivera na noite anterior. A morena dormira como uma pedra por doze horas seguidas, coisa que não fazia a um longo tempo. Acordou sentindo-se revigorada, logo sendo requisitada no concerto de alguns geradores de energia que haviam sido queimados ou danificados pelos caçadores. Blue não era exatamente uma engenheira, mas era uma das poucas pessoas na comunidade que possuía aquele tipo de conhecimento, ainda que estivesse constantemente aprimorando-o.
Durante o trabalho, não contava com visitas inesperadas, mas assim que reconheceu a voz masculina, virou-se na direção do homem, abrindo um sorriso um pouco maior do que o normal. – Eu tô bem. Não posso dizer o mesmo de você. You look like shit. – Soltou uma leve risada, aproximando-se e jogando seus braços em volta dele, envolvendo em um abraço. – I’m glad you’re okay. – Afastou-se, fitando-o com uma certa curiosidade. – Resolveu adiantar o meu presente de natal, grumpy?
O homem só pode rir, um sorriso irônico domando o canto da face. Ah, ele sabia. A última vez que se olhou no espelho achou-se quinze anos mais velho, quarenta vezes mais mal humorado e dez vez mais preocupado. “Tenho muito trabalho para fazer.” respondeu simplesmente. Não queria preocupa-la com bobagens, até porque isso desviaria o tópico da conversa e atrasaria ainda mais o seu necessitado e merecido descanso. A abraçou com prazer, um sutil sorriso atrás de sua barba velha e olhos cansados. “Eu também, querida.” Afinal, aquela invasão havia sido tão catastrófica que a cada um que, mais do que vivo, pudesse andar, Archibald se sentia um pouco menos tenso. E Blue, além de um membro indispensável de Redholt, também detinha parte da afeição familiar de Archibald, como uma sobrinha que nunca teve. “Quase isso.” respondeu com um sorriso tranquilo. “Venha, irei te mostrar, logo poderá voltar ao trabalho.” Afinal, aquilo não tomaria muito de seu tempo -- e de qualquer maneira, ela não precisava começar a trabalhar nos carros agora. Era uma questão bem menos urgente do que os geradores.
A guiou até a área 3, não longe dali, onde ficava a garagem. Redholt não tinha exatamente muitos carros, o que não fazia muita falta quando faziam expedições em grupos pequenos. Mas desde o ataque, bem, algumas coisas iriam mudar. Os carros adjacentes à frota estavam bem na entrada. “São todos seus.” disse, indicando os cinco, que eram em sua maioria off-roads. “Esses cinco bebês aqui eram dos caçadores, estavam estacionados na frente do nosso portão na outra noite. Graças a você,” fez bastante questão de enfatizar a participação indireta de Blue na conquista, “eu e Will desligamos o cabo da ignição e atrapalhamos a fuga dos filhos da puta. Eram oito, esses cinco foram tudo o que sobrou, mas conseguimos recuperar parte de nossas coisas. E ganhar alguns carros novos.”
~~the thin ice
malcomharris:
only-kira:
Kira percebeu que, lentamente, estava começando a ganhar a confiança deles. Ou talvez, se não a confiança, pelo menos o ódio que aparentemente sentiam da “caçadora” começava a diminuir. Malcom ainda a olhava de modo frio, mas Archibald, que havia chegado furioso, diminuíra consideravelmente seu acesso de raiva.
Aceitou o copo de água, bebendo lentamente. Sua garganta estava seca. - Obrigada. - Fez um pequeno comprimento com a cabeça para o homem e assentiu. Então olhou nos olhos de um e depois do outro. - Vamos lá…
Suspirou então, enquanto todas as lembranças voltavam. De fato estava disposta a falar apenas a verdade. Com exceção do que eles mais podiam querer saber. O informante. Havia prometido a Blaise que não falaria nada, e não era pessoa de voltar atrás com sua palavra.
- O nome dele é James Brown, ou Rei James Brown, como se autointitula. - Focalizou o rosto do homem em sua mente. Como o odiava. - Existem muitos grupos de caçadores, mas certamente James lidera um dos maiores deles. Ou liderava. Não faço ideia de quantas baixas ele teve ontem, mas não vai parar. Como eu disse, ele não se contenta com um pequeno grupo de súditos. Vai reunir o resto dos homens que tem e sair para caçar outros grupos. O procedimento é sempre o mesmo. Mata os chefes e anexa a população. O ataque a Redholt, teve sim a finalidade de saquear seus estoques. Mas eu desconfio que, mais do que reabastecer-se, o que James queria era enfraquecer vocês. Tenho quase certeza que ele quer transformar esse lugar em sua base de operações. E anexar a população local ao seu exército particular.
Kira fez uma pequena pausa, olhando de um para o outro. Sempre mantinha os olhos profundamente dentro dos deles. Achava engraçado como muitas pessoas tinham dificuldade de encarar, mas para ela era a coisa mais natural do mundo. Criando uma conexão com o ouvinte. - Eles são bem preparados, cabe ressaltar. James não tem muito interesse em construir nada. Vivem de qualquer jeito e roubam ou se apoderam do que puderem. E já roubaram e se apoderaram de muita coisa. Ele não chegou a arriscar sua arma principal nesse ataque, pois não tinha certeza da vitória. Mas possui dois tanques de guerra e diversas armas de guerra, como bazucas, granadas, metralhadoras anti aéreas e gatlings. Água, por favor.
A medida que ia falando, Kira ia forçando a memória e tentando se lembrar de mais detalhes importantes. Sabia que qualquer coisa era importante. - A divisão das tarefas é organizada. Existem várias funções. As pessoas que cuidam do acampamento. Os caçadores, que é a função que eu costumava realizar, que são as pessoas que saem por ai em busca de coisas úteis, o pessoal que tem uma boa oratória, responsáveis por convencer os civis conquistados a se unirem aquele louco… - Revirou os olhos. - Não há porém muita preocupação com saúde. Os remédios são apenas para algumas pessoas. O resto… Bem… Para o Rei, os súditos são descartáveis. Ele prefere arrumar outros que gastar recursos numa recuperação incerta.
Percebeu que a hora havia finalmente chegado. “Vamos lá, Kira.” - Quanto ao traidor, eu não posso colocar a minha mão no fogo e garantir que sei a resposta a essa pergunta. Eu não era do alto escalão. Porém… Havia uma pessoa de Redholt que se comunicada com um deles. - “Uma verdade para esconder uma mentira”, pensou. Para todos os efeitos, mesmo que sua teoria fosse provada falsa, ninguém poderia dizer que ela realmente tinha qualquer conhecimento acerca de Blaise. - O nome dela é Hanna. Uma garota loira. Pelo que sei, ela foi pega por estaladores junto com David Mason, um dos caçadores. Eles se ajudaram e acabaram se apaixonando. Diziam as más línguas no acampamento que sempre que David demorava a voltar, ele estava com ela. A garota Redholter, eles diziam com desprezo. E, coincidência ou não, David que era um zé ninguém, cresceu rapidamente na hierarquia. Não sei se ele esteve no ataque, nem se ainda está vivo, mas já era um dos braços direitos de James.
Todo o relato de Kira era verdadeiro e ela não colocaria a mão no fogo por Hanna. Ela podia ser tão traidora quanto Blaise. Só não ia citar o nome de Blaise. E se sentiu mal por isso. Mesmo assim, seu semblante se manteve completamente inalterado, todo o tempo. Nenhum tipo de desconforto ou hesitação passou por sua face enquanto contava. Percebeu que era, também, uma boa mentirosa, e se envergonhou por aquilo. Além disso, Blaise havia lhe garantido que iria plantar provas que incriminassem Hanna. Ela não havia gostado muito disso, mas também não ia se meter, nem para o sim, nem para o não. Blaise que se resolvesse com eles depois. Não iria incriminá-la, mas também não pretendia ajudá-la.
- Acho que isso é tudo que vale a pena relatar. Mas se tiverem alguma dúvida ou alguma outra pergunta… Estou a disposição. E ah… Se não for incomodo, gostaria de fazer uma pergunta também. Que tipo de fonte de energia usam aqui? - Ela perguntou, observando as lâmpadas acesas do hospital. Talvez realmente pudesse cavar seu lugarzinho ali.
Malcom manteve os olhos fixados no rosto de Kira durante toda a sua fala. Ele tivera experiências demais com mentirosos e, embora nem todos apresentassem sinais, sabia que alguns não conseguiam controlar fatores como suor, tremedeira, desvio do olhar, etc. Kira, porém, manteve-se firme durante cada sílaba, não desviando o olhar nem uma só vez. Malcom estava tentando decidir se aquilo era bom ou ruim. Claro, apreciava que a garota estivesse contando a verdade, mas a verdade não lhe parecera nem um pouco boa. Respirou pesadamente e virou-se para Archibald. “Sabia que devíamos tê-los atacado quando tínhamos a chance.” e então voltou-se para Kira. “Rei James. É, digamos que já ouvimos falar dele. Apenas não sabíamos que havia conseguido reunir tantos idiotas para segui-lo.”
O líder começara a andar de um lado para o outro, tentando decidir o que fazer. Precisavam começar a planejar, agora. Se os Caçadores realmente estivessem planejando qualquer outra coisa… Ah, deus, Hanna. Ele sentia-se traído. Mas algo lhe dizia que a garota não era a única infiltrada. Ainda assim, de acordo com o relato de Kira, talvez nem mesmo ela soubesse quem. A garota não lhe dava a impressão de que se importava muito com o que acontecia entre os Caçadores. De qualquer forma, Malcom cuidaria daquilo. Montaria algum plano para descobrir os infiltrados.
Parou de andar e mais uma vez encarou Kira, assentindo uma vez em sua direção. “Algo me diz que você não mente. E eu realmente, realmente espero que esteja certo. Para o nosso bem, e para o seu. Poderá ficar aqui enquanto isso, se recuperando. Depois… bem, vamos conversar sobre o depois mais tarde.” a verdade era que nem mesmo Malcom sabia o que faria com Kira, mas de todo o coração, ele não tinha energias o suficiente para decidir naquele momento.
Franziu a testa à pergunta da Caçadora, a achando um tanto repentina mas respondendo-a mesmo assim. “Geradores. Alguns anos atrás tínhamos o plano de tentar fazer a velha usina da cidade funcionar. Mas infelizmente seus companheiros se colocaram no caminho, e o plano foi interrompido. Sem falar que se funcionasse, os beneficiaria também e não temos certeza se queremos isso.” disse, seu tom sério. Virou-se então para Archibald. “Precisamos nos reunir. Logo. E você…” olhou para Kira uma última vez. “Tente não aprontar nada. Acho que você já sabe qual será o resultado se o fizer.”
Rei James. Quem mais poderia ser? Ainda se lembrava da cara do filho da puta. Apenas suspirou e massageou a própria testa quando Malcom se dirigiu a ele. Archibald preferiu não comprar briga com alguém que não era certo de que iria incomodá-los, e além disso, na época ele era pequeno. A palavra “rei” soava mais como uma piada para os redholters do que realmente um título. A tarefa era bastante simples: desviar a localização de James Brown, pegar seus próprios suprimentos e ir embora. Além disso, eles não eram caçadores. Não iriam simplesmente invadir o local e matar a todos, eram melhores do que isso. Agora... Bem, o jogo havia mudado. Principalmente pela quantidade de coisas que Kira estava informando.
A parte mais importante: Hanna. Ela era de uma suas, e Archibald sabia o destino que ela teve. Estava a agora a sete palmos do chão. Duncan não tinha tanto prestígio pela loira, ela tinha um temperamento extremamente difícil, mas mesmo assim... Por mais louca que ela pudesse ser, ele a conhecia. Duvidava que ela fosse a infiltrada, principalmente por ter sido uma das vítimas do ataque. Se ela planejava os prejudicar, porque dar sua vida por Redholt? O nome parecia conveniente demais para Archibald acreditar. "Bem, faz sentido.” disse ele, mordendo a isca propositalmente. “Não vejo Hanna desde ontem. Talvez tenha voltado para o namorado.” e olhou para Kira. Se ela soubesse que era mentira o que havia acabado de dizer, Archibald veria.
Duncan preferia não ter respondido o tipo de energia que usavam, mas Malcom foi mais rápido, restando ao ruivo olhá-lo com o mesmo olhar carrancudo, porém calmo, de antes. Simpatizara com a garota, era verdade, e apesar de acreditar que ela não tinha nenhum motivo para ser leal aos caçadores, Duncan também não achava que ela tinha qualquer motivo para ser leal a Redholt. O que fariam com ela assim que ela se recuperasse? Uma incógnita. Seguia com o plano de “a” de deixa-la ir, mas se ela mereceria o plano “b” que seria um convite para estadia... Bem, apenas a verdade de suas palavras resolveriam o impasse. E Duncan estava interessado no plano B. A usina que ela faria, ou concertaria, era a volta por cima que Redholt precisava. Afinal, os geradores não durariam para sempre. “Vou reunir os meninos.” respondeu a Malcom. “Aqueles que ainda podem andar.” acrescentou propositalmente, para que a garota sentisse o peso das perdas.
“Falaremos com você mais tarde.” disse por fim, reenchendo o copo de água para deixá-lo ao alcance de Kira. “Iremos conferir se tudo o que disse é verdade.”
Before God [FB] | Archibald & Irwin
fxtherirwin:
Por fim a missa daquele dia haviase encerrado. Muitos presentes ——— mais até do que ousou acreditar que haveriaao chegar. Talvez ele tivesse cometido um equívoco afinal. As pessoasprecisavam do Senhor e elas o queriam tanto quanto Ele as queria; talvez elastivessem visto em tamanha calamidade uma razão para voltarem-se àquele quejamais as deixaram ir. E, embora especulações fossem feitas pela mente dopadre, o jovem pároco apenas agradeceu por ter sido capaz de fortalecer orebanho perdido. Dirigiu-se à sacristia, deixando as vestes da última missa paraque pudessem ser utilizadas no do próximo dia. Passou diante dos restos do quefora, outrora, um espelho de grande esplendor, reconhecendo sua face já tãocalejada, embora com tão terna idade. Via-se como alguém mais velho do que suaface com poucos fios de uma barba que, embora fosse feita, nunca havia crescidode forma que enchesse sua face como a de muitos homens em Redholt.
Irwin sentia-se grato pela sua permanênciana zona de segurança; era um lar para aqueles que haviam perdido tudo, logo,ele se encaixava no nicho daqueles seres. Porém, sua alegria em permanecer sedava ao fato de suas conversas com aqueles que o procurava, sabendo que poderiaoferecer uma palavra de conforto. De tal forma, não surpreendeu-se com o rangerdo piso da capela, indicando a presença de alguém. Porém, ao sair de dentro dasaleta com sua vestimenta usual, deu-se de frente com alguém inesperado. Não queArchibald não fosse um fiel presente, pois dentre todos, era este aquele quemais se via nas missas. Ainda assim, sua presença trazia a necessidade de umaconversa, algo que não era costumeiro se ouvir dos lábios do homem em suasvagas conversas, pensava o padre. “ ———Sim.” Indicou ele o banco a frente do altar. Não possuía um confessionárioinstalado na capela, o que fazia com que as confissões e conversas com o párocofossem mais informais do que ele desejaria.
Assim que ouviu do padre, Duncan se levantou de seu posto. Sentou-se no lugar indicado com um longo suspiro. Aquilo era difícil. Passara os últimos quatros anos calado. Malcom havia sido o único, e o último, com quem pudera contar, mas desavenças os separaram. E pensar que um dia já o chamara de irmão. Agora Archibald se sentia incomodamente sozinho e perdido. Ah, como sentia falta da esposa para ajudá-lo nos momentos difíceis. “Eu não estou aqui para me confessar.”, começou. “Deus sabe o que eu fiz. E os motivos para ter feito. Se ao final do dia eu ainda ver um sorriso no rosto dos meus filhos, continuarei fazendo. Posso me acertar com Ele quando chegar a hora.” e então soltou um pequeno riso, irônico e melancólico. “Talvez estejamos diante do juízo final e a nossa hora chegará antes do esperado.” E só então olhou para Irwin. “Mas eu... Eu perdi meu único amigo. Meu irmão. Creio que não possa mas chamar Malcom assim. Passei os últimos anos calado, desde a morte de minha esposa. Não posso contar meus medos e preocupações aos meus filhos, eles dependem de mim. Assim como muitos outros.” Um longo suspiro se sucedeu. “Mas eu sinto falta disso. Falar. É... É dolorido segurar tudo para si. E eu jamais duvidei de minha fé ou da bondade Dele, mas estou um pouco cansado de interpretar Suas falas.” Archibald olhou para Jesus novamente por um momento. “As vezes sinto que estou falando sozinho. Então acredito que você seja o único em que posso confiar, padre. A casa de Deus é o único lugar que sobrou para eu ser um mero e falho humano.”
throwback to July 23th of 2003
Archibald Duncan & Lilian Wiener wedding - The First Dance