Mentir para alguém é permitir que o outro se perca no seu presente e no seu passado.
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@arriscadoamar
Mentir para alguém é permitir que o outro se perca no seu presente e no seu passado.
Eu ignorei minha intuição. Haviam vozes soprando em meu ouvido que reforçavam o quanto eu precisava abrir uma grande ferida.
Ao dormir, eu revivia traumas. Acessava lacunas que eu nem sabia que existia mais.
Ao acordar, a angústia me dominava, a ansiedade me cegava e o medo não me permitia pensar. Consequentemente eu ignorava minha intuição.
E eu vivi. Um dia, após o outro, em lúdica ilusão de um tudo bem. Um tudo bem, que escondia tristeza, solidão e falta de algo maior.
E novamente, ao fechar os olhos, eu entendi que algo maior falava comigo. E nesse sentido, como um grande empurrão, eu acordei.
Acordei das verdades mau ditas. Das mentiras cobertas de amor. Das más escolhas, camufladas de um tudo bem.
E foi então, que todo o meu ar sumiu. O amor se embaçou em meus olhos, o carinho se enriqueceu de culpa e que toda a entrega foi se perdida no caos de uma falsa aliança.
Todo o abrigo se faz um amparo, mas também toda miragem pode ser um véu de mentiras.
O abraçar inexistente, viveu por muitos anos entre sombras. Tudo porque eu ignorei a minha intuição.
Sentir sozinha. Sozinha no meio de sorrisos, abraços, palavras. Sozinha, porque nada faz sentido ou graça sem a sua presença aqui. Sem você, tudo se torna vazio e sozinho.
A sólidao dói. Ela não compreende a saudade. Ela não tem paciência para o escuro, para a cama vazia, para a não companhia no sofá. A solidão assume o posto de raiva, do choro, da insegurança. Ela veste a roupa dor física, mesmo sem machucado algum.
Ela não se suporta se ela não desolar a quem ela porta. Sentir sozinha é não sentir absolutamente nada. Ironia é sentir o que não se sente.
Era um dia frio, com um lindo sol. Um começo de um dia como outros. Eu arrepiava em tristeza. Olhava o meu próprio reflexo, fugindo da expressão do seu olhar por trás de mim. Eu sei que voce queria que eu os visse que estava triste tambem. Abaixo a cabeça e sigo adiante para que eu não precisasse encara-los. Vê-los acabaria com o que restava de mim. Sinto suas mãos quentes em meu braço, me impedindo de seguir em frente, forçando-o a te olhar. Eram olhos lindos e naquele minuto eu me perdi dentro deles. E nesse pequeno instante, tinhamos que nos despedir. Sinto seu abraço ao escutar soluçar. Eu evitara chorar. Tínhamos que nos despedir. Prometamos e confessamos mais uma vez amor. Declaramos profundas saudades. Anunciamos a nossa despedida. Tínhamos que nos despedir. Era na verdade um dia quente, mas diante do que sentíamos ao nos despedir, passou a ser frio e o lindo sol se foi.
Por que eu sinto medo? Medo de sentir saudade. Medo de descrever o sentimento que vive em mim. Em escreve-lo em saudade. Em ligar para ouvir o seu respirar. Por que eu tenho medo? Medo de escolher voce. Medo de não ser madura o suficiente e impedi-lo de ir. Eu não queria que fosse, mas é preciso dizer que voce precisa ir. E voce vai. E dói. E é dessa dor que eu tenho medo. Medo da distancia entre a gente. Medo da ausencia do toque. Porque eu tenho medo de sentir o calor do seu abraço? Sentir o cheiro da nossa cama na sua pele. Porque o meu medo me tira de essas vontades? Não consigo responder essas perguntas. E eu juro que eu tento. Em seu olhar eu busco forças. Em suas lágrimas me encho de razão e motivos, mas não saem nada. Porque eu não me entrego? Porque eu sinto medo de sermos nós?
É uma noite horrível quando escolhemos nos ausentar de nós dois. A noite fica fria, nebulosa. Eu sinto medo. Eu sinto o vazio. Sempre chove. Parece que o mundo sente, e também chora. Dá um aperto. Busco acalmar a ansiedade com o barulhinho de chuva, mas ela só quer buscar a sua voz na minha mente. Me pego vendo vídeos antigos. Palavras que nem são ditas mais, só para terminar deixar tudo bem pior. É uma noite horrível quando escolhemos nos ausentar de nós dois.
Caramba eu preciso ser forte.
Todas vezes que tenho que te ver ir, fingindo estar tudo bem ficar.
Nunca está tudo bem. Eu sei que precisa ir. Nunca vai ficar tudo bem.
Você está confortável. Acho que se fôssemos juntos, seria perfeito pra você. Mas perfeito pra mim é se ficássemos juntos aqui.
Eu estou guardando cada detalhe na minha cabeça. Estou reprimindo a saudade que ainda nem tem.
Estou forçando o meu cérebro, a não esquecer do seu cheiro.
Quando será que vou poder dizer o que eu realmente sinto?
Será que vai passar rápido? Não vai. Você nem foi e já é uma eternidade pra mim.
Caramba, eu preciso ser forte.
As vezes parece que você não tem medo. Sua respiração é calma e leve. Sem saber seus pensamentos, é notável que não existem questões a se resolver. Me pego debatendo controvérsias que só permanecem dentro de mim. Eu tento sair de mim.
Amar está além de falar e atitudes. Amor é tão além. Tem a ver com sacrifícios. Tem a ver com conhecer. Tem a ver com silencio. Tem a ver com prioridade. Tem a ver com o indiscutível. Tem a ver com troca. Com conexão. Que não há escolhas a se abrir mão. Se não há entrega. Se não a medo de perder. Coisas em comum. Já se perguntou o que temos em comum? Porque no começo, era isso que vivíamos procurando um no outro. Era como se, a cada coisa, isso só reafirmasse que íamos dar certo juntos. Mas eu sei que sua resposta é não. Eu sei. Você vai tentar pensar, mas a resposta vai ser não. Já se perguntou o porque? Antes até a cor favorita tínhamos em comum. Então não me vem “com você é tudo pra mim”, porque pra mim, tudo é muita coisa, e ta bem longe de ser da mesma forma que o seu.
Emoção e a razão. A razão bloqueia qualquer tipo de admiração. A emoção me permite sentir o sol quente e ao mesmo tempo a brisa fria da estação. Contudo a razão é tão forte e firme. Ela não permite, esquecer os motivos que chorei e apenas sentir o abraço e olhos de ternura em um pedido de desculpa. Ela é orgulhosa. Não sabe elevar boas virtudes. Ela domina a emoção e ambas sabem disso. A emoção é vencida pelo cansaço, pela perca de forças em uma queda de braço de dúvidas se há falta de amor. Não consegue se unir e nem ao menos andar juntas sem divergências. Emoção e a razão.
Eu pertenço profundamente a mim mesma.
Silencio. Absoluto silencio. Seu olhar é tão profundo, mas eles não conseguem me dizer nada. Eles mal sabem o que ocorrem nos meus. Eu vejo o quanto eles se questionam. O quanto estão confusos. Não sente saudade da minha voz? Quando a sua voz, irá suplicar pela minha? Sinto que estamos se afastando um do outro. É tanto silencio, que ao cessar, adormecemos e deixamos para que o amanhã decida alguma coisa. Silencio. Absoluto silencio. Até quando iremos obedecer ao silencio.
Dói quando arrumamos desculpas, para algo que já acabou faz tempo.
A maior besteira que eu já ouvir foi: Faça por alguém, aquilo que você gostaria de receber. Tempo é a maior prova de amor, que alguém pode oferecer. Tempo, dedicação, esforços, são privilégios. Não está ao alcance de muitos, mesmo que queiram. Você ofertar ou se tornar digna de receber tais privilégios, te coloca em um lugar de sorte. Você se doa. Você escuta. Você se permite se colocar em segundo plano, para massagear o ego de alguém que sem sombras de dúvidas, jamais fará o mesmo por você. Será que é necessário? Será que é preciso? A verdadeira essência desses privilégios, não se implora. Não se toca no assunto. Eles somente, simplesmente… acontecem. Quando você acorda daquele pesadelo da paixão, você se pega, doando seu tempo, se colocando em momentos que não encaixam com o seu eu. É um susto. Rápido, que acelera seu coração, e te impede de pensar. Você pode até gritar no primeiro momento, mas não vai mudar nada. É um susto. Que te causa medo quando se percebe que foi tudo em vão. Não faça por alguém aquilo que gostaria de receber, faça por você, aquilo que merece receber. Porque isso, é a maior besteira que eu já ouvi.
Você foi o melhor acaso que poderia me acontecer. Não estar perto, é como se prendessem minha respiração por tanto tempo, a ponto de perder todas as forças do meu corpo. Estar perto, é como estar sempre a espera do seu coração sair do peito. Como adolescente, olho pro telefone, esperando um pouco de você em palavras. Como criança, te espero chegar pra dormir. Incontestável aquele SIM. Aquele SIM pra nós, para as noites com uma única coberta, para os choros na madrugada sem explicação. Aquele SIM para os dias vazios e preguiçosos. Aquele SIM, sem cogitar no que iriam pensar.
O impossível sempre foi simples pra nós. Quando fecho os olhos ainda ouço sua voz. Desculpa, eu sei que meu excesso de postura te maltrata, é que eu não sou de mostrar sentimento. O amor que me dá vida um dia pode me matar.
Uma dose 2, Classe A
Por dias como esse, sinto medo de me entregar totalmente. Por dias como esse, sinto que jamais irei ser inteira. Por dias como esse, percebo que ficarei sempre na defensiva. Por dias como esse, percebo que se eu não fizer nada, nada vai acontecer. Por dias como esse, percebo que o silêncio continuará silêncio se eu não disser nada. Por dias como esse, eu não queria que dependesse só de mim. Por dias como esse, me lembro que se não fosse eu, talvez não haveríamos nós. Por dias como esse, me sinto mais sozinha do que antes. Por dias como esse, me pego esperando… e acredito que será sempre sobre “esperar”. Por dias como esse, a minha ansiedade domina. Por dias como esse, me forço a não sentir o sentimento de arrependimento das escolhas que envolveram nós dois. Por dias como esse, me faz desacreditar que terapia te fez bem. Por dias como esse, me faz acreditar que você se afastou de mim. Por dias como esse, percebi que viramos apenas amigos. Por dias como esse, percebo que não há diálogo quando somente um que fala. Por dias como esse, comparo aos erros que sempre prometemos não cometer, e que sem perceber, acabamos cometendo. Por dias como esse, percebo que enfrentarei novos dias como esse.