━ ‛ amor fati.
minmin-me:
park-kyungx:
Os pulmões de Kyung imploravam por ar, assim como as pernas que cambaleavam por causa da corrida que tivera de fazer. Normalmente, conseguia ajuntar algum dinheiro tanto em furtos quanto em produtos no mercado negro, só que naquele dia em específico, tudo tinha dado errado e Kyung precisou roubar mercados. Duas sacolas plásticas pesadas que quase arrebentavam as alças. Então ele precisaria se esconder até a poeira abaixar. Naquele momento não era a polícia especial que o caçava, mas sim os guardas comuns. Aqueles que eram fácil de despistar.
Ao entrar no prédio abandonado, o reconheceu na hora. Morou ali com um grupo de fugitivos durante alguns meses e fugiu dali quando escutou alguns rumores de que estavam vindo.
Sua mente estava muito, muito longe daquele lugar. As pessoas que contavam consigo, os rostos daqueles que estavam esperando aquela comida. Como estava em um lugar que a policia conhecia, ajustou o soco inglês na mão e deixou as sacolas apenas em uma mão. Franziu o cenho como quem procurava movimentos estranhos naquele lugar, dando passos pequenos e vagarosos, sentindo cada pelo do seu corpo se arrepiar com a sensação de desamparo que abrigava seu corpo. O coração palpitava forte o que só piorava o estado de vigilância e ansiedade. Então as sacolas caíram no chão quando o braço queimou, brilhou e fez com que Kyung erguesse a mão e encarasse irritado as marcas que sempre lhe arruinaram a vida.
Kyung soltou alguns palavrões baixo. Tinha esperança de suas almas gêmeas tivessem morrido, a final, vira muitos dos seus amigos morrendo, pessoas que lhe importavam de fato. Por que, uma vez na vida, ele não poderia ter sorte. Aproveitou as mãos livres para se posicionar e esperar quem quer que fossem o mais letal que conseguisse.
Minhyuk não estava tão calmo quanto nos dias normais, não estava apenas tentando descobrir um jeito de que pessoas como ele vivessem livremente. Estava no topo de um de seus prédios de observação, como gostava de chamar, aquele local abandonado quando a tecnologia tomou conta, era um dos poucos onde poderia ir tranquilamente, sem ter o governo tentando localiza-lo. Estava caminhando por entre as beiras da estrutura quando viu um garoto entrar correndo no edifício e logo em seguida mais um, soltou um sorriso de escarnio, aquele era seu dia de sorte? Mais dois para assustar ou então mais um casal para interromper?
Ele não era do tipo amargurado, mas se amaldiçoava toda vez que via um casal em publico ou pessoas encontrando suas almas gêmeas, enquanto ele era mais um dos defeituosos que o governo tentava esconder e matar. Ele então desceu, andar por andar tranquilamente, sua audição privilegiada pelos anos fugindo do governo e se infiltrando onde não deveria, o fazia escutar as duas respirações pesadas, porém foi só quando chegou no andar que eles estavam que sentiu a queimação e então a luz se fez presente, naquele momento ficou sem ar, e estava perplexo, aqueles dois eram então sua alma gêmea?
Cambaleou para trás até sentir a parede em suas costas e soltou um suspiro pesado, aquilo era um pesadelo e ele tinha certeza, não poderia ter acontecido em pior hora e ainda mais sendo eles. Então juntando todas as forças que tinha e a curiosidade de saber quem eles eram, saiu de seu esconderijo, indo até a parte onde a lua iluminava. “— Eu não sei quem vocês são, mas sei que estão ai, podem vir aqui, ninguém vai entrar por aqui, pelo menos, não por enquanto.” A voz saiu rouca e tranquila, tentava não assustar os rapazes.
Arthur não era uma pessoa de confiança fácil -- muito pelo contrário, jamais confiava plenamente em qualquer um --, mas tinha uma crença cega no amor e no destino que muitas vezes beirava o extremo. Por isso, seu primeiro impulso foi o de seguir, sem questionar, aquela voz que lhe parecia tão reconfortante, em direção à silhueta parcialmente iluminada pela luz da lua cheia. Mas ainda tinha em si o instinto de defesa, a reação automática de “lutar ou fugir” típica de animal selvagem que tanto lhe salvara na selva de concreto que habitava, e essa fez com que desse dois passos para trás e procurasse conforto no vidro gelado da garrafa, pressionando-a contra o próprio corpo, abraçando-a como uma criança medrosa. Fechou então os olhos e permaneceu em silêncio enquanto uma guerra acontecia dentro de si. Tinha imaginado inúmeros possíveis cenários para seu primeiro encontro com os dois, mas nenhum o preparou para o medo do desconhecido. Não sabia quem eram, de onde vinham, com quem estavam, o que fariam com ele. Quantas histórias de almas gêmeas que acabaram em tragédia já havia ouvido! Sempre preferiu fingir que eram lendas, criadas para tirar dos jovens qualquer resquício esperança, e orgulhava-se de nunca ceder a elas --- mas agora temia que fossem verdade. Vários “e se” ecoavam em sua mente. O medo quase falava mais alto, apoiado pelo trauma que passara há poucas horas, mas Arthur sempre sonhou com aquele momento e não iria acovardar-se agora que ele havia chegado. Largou a garrafa no chão, fechou o zíper da jaqueta e abraçou o próprio corpo trêmulo e dolorido. Um passo pequeno, um suspiro, outro passo. Seu coração disparava como nunca antes, misturando extremos de euforia e pavor. A adrenalina que corria em suas veias fazia com que conseguisse ignorar todos os machucados espalhados em si. Sentia, ao mesmo tempo, tudo e nada. Uma sensação que nenhuma droga conseguiria igualar, e ele podia viciar-se facilmente naquilo. Continuou caminhando em silêncio até a metade do caminho, quando virou-se para sua direita e encarou aquele que praguejava baixo; não conseguia ver seu rosto, apenas sua postura defensiva. De repente, pareceu sentir-se mais seguro. Não estava sozinho ali, afinal. Seus olhos voltaram à silhueta daquele que os chamava por um instante, antes de pararem novamente no outro ao seu lado. Pensou em estender-lhe a mão, mas reprimiu-se; as escondia por um motivo. “Você vem?” foi o máximo que conseguiu dizer, numa voz doce e calma, não denunciando o medo que sentia. Sempre foi bom em fingir.










