a tal ponto, a menor julgava seus dotes praticamente profissionais. A motivação porém, pintava a carranca atual no rostinho, agora menos vermelho, da coreana. Era irritadiço como a própria fisiologia a traia, as emoções que pareciam se acumular nas extremidades da feição, deixando seu nariz tão vermelho como do rudolph, a clássica rena do papai noel, lhe entregava de bandeja para o namorado. de nada adiantava falar que não se importava quando a cor de rosto naturalmente pálido, se assemelhava com a de um camarão. os dígitos fazia um trabalho cuidadoso, como sempre. a destra empunhava um pedaço pequeno de algodão qual tinha o trabalho de higienizar o corte. a careta de concentração era também perdida por aquela de cabelos curtos, ora aquela era uma parte muito importante da coisa toda, apesar de ser cheesy de mais para admitir, pela proximidade entre os rostos, a morena sabia que facilmente perderia o fio de seu dever. ‘ omo, omo ’ os olhinhos formaram uma meia lua perfeita ao ouvir o lamurio do outro, como se a mesma estivesse em dor, repetindo o próprio biquinho do namorado, em remissão. porém, claro, assim que o moreno ousou a falar, a carranca voltou, dessa vez, em desconfiança, querendo interromper as palavras do outro… só que com o olhar. ora, ficava nervosa só de pensar ! para alguém tão meticulosa e calma como sarang era um tanto quanto difícil entender as brigas que o moreno se metia. ‘ quieto ! ’ comentou paciente, genuinamente requisitando a pausa do garoto para poder limpar o cantinho do corte. ‘ e como foi que isso aconteceu? porque… bem eu não entendi como você passou para uma pessoa na sua, para uma com o rosto machucado.’ dizia descrente, em um misto de zelo e uma boa dose de indignação. Estava preocupada, mas não a ponto de deixar de dar-lhe uma bronca por ser tão pavio curto. sarang mordiscou a bochecha logo que descartou o pedaço de algodão, todavia a coreana permaneceu imóvel, ajoelhada entre as pernas do namorado, o fitando. droga, ele era adorável. e se mais doçura fosse posto nos olhos de sarang, sem dúvida transbordaria mel. embaraçoso. a menina então tratou de levantar, rápido, descartando os materiais que usou no lixo de seu banheiro ‘ porque claro hoje foi um corte na sobrancelha, mas você sabe os malucos que existem por ai? ’ a fala era tão veloz como as ações, enquanto procurava algum band-aid em suas gavetas. sabia que o garoto era grandinho porém, era matemática! de tanto acabar em brigas, um dia encontraria algum desses malucos por ai. o pensamento a irritava. e não sabia se culpava o coração mole na sina de seu nome, ou se outro havia a deixado assim. retornou a feição ao menino empunhando o único band-aid sem algum tema de suas gavetas. ‘ um pouco… você lembra da prova de bilogia que a gente tem amanhã? ’ a adolescente disse, já sabendo a resposta. ‘ don’t worry.’ sabia que ele não iria. Um sorriso dócil finalmente iluminou o rosto de sarang. ‘ agora se o senhor tem uma desculpa para isso ai, por favor… o tribunal está em sessão ‘
𝑳𝑬𝑶𝑵𝑨𝑹𝑫𝑶 𝑺𝑨𝑩𝑰𝑨 𝑴𝑬𝑳𝑯𝑶𝑹 𝑸𝑼𝑬 qualquer pessoa como lidar com a namorada, mas isso não significava de maneira alguma que soubesse como agir diante de toda aquela fúria adorável que ela emanava quando se machucava daquela maneira e pedia ajuda para ela porque, bem, ele sabia que ela estaria ali para ajudá-lo mesmo que carrancuda (e adorável, não se esqueça). parou de mover o rosto quando ela solicitou que o fizesse, os olhos brilhantes encarando a face da garota que tanto amava enquanto tinha os cortes cuidados. naquele ponto sarang já era quase uma enfermeira, e o mestiço não ousava exatamente pedir desculpas porque se sentiria culpado demais caso fizesse outra vez, e lá no fundo sabia que a situação se repetiria por ser um grande boca aberta, que se metia sempre nas situações erradas e nas horas erradas. mas veja bem, em momento algum leonardo chamava alguém para brigar sem motivos, não era de seu feitio — não mais —, mas não conseguia segurar o ímpeto de socar a cara de quem dizia coisas que, de alguma forma, ofendiam sua existência. bem, isso quando não era ele o socado da vez por ficar fazendo brincadeiras desconfortáveis, é claro. fora o caso do dia em questão; a brincadeira não foi bem vinda, levou um soco e não soube aceitá-lo calado. era leonardo, afinal... o briguento lá, que estava sempre na detenção. riu envergonhado, batucando os dedos contra os próprios joelhos enquanto pensava em uma resposta. —— foi uma brincadeirinha inocente —— explicou meio chateado. era verdade que brigava demais da conta, mas não gostava quando suas brincadeiras eram tiradas de seus contextos e o faziam parecer uma pessoa ruim. era inevitável, mas ele ainda assim se chateava com o acontecido.
ficou esperando que ela voltasse do banheiro enquanto olhava em volta, o quarto sempre adorado por si parecia exatamente como da última vez, mas leonardo continuava a acreditar ter detalhes novos que gritavam o quão incrível sua namorada era. era algo sobre as cores, as luzinhas que piscavam nas paredes e o cheiro predominante que tanto gostava. cheiro de sarang, que era, mais que literalmente, cheiro de amor. a maneira que esta falava, todavia, ia um pouco contra. riu nervoso, concordando com a cabeça enquanto esperava que ela voltasse com o band-aid. —— não é bem assim, também... eu não me meto com ninguém errado assim, ninguém vai, tipo, me matar — resmungou, fechando os olhos para que ela colocasse o curativo, mas logo os abriu assustado. lembrava de nada não. soltou a respiração que havia prendido assim que era murmurou para que não se preocupasse, movendo a cabeça em concordância enquanto a olhava apaixonado. — obrigado, você sempre me salva — outra vez estava lá o beicinho de manha que era mostrado somente para sarang. não tinha muito tempo para ficar daquele jeito, já que voltava a ser questionado e não tinha bem para onde fugir quando se tratava dos olhinhos redondos da namorada. —— eu disse! foi uma brincadeira inocente... falei sobre o cabelo do cara e ele ficou ofendido, mas não era maldade —— disse. —— e olha que poderia ter sido, ele realmente ‘tava parecendo uma cacatua, mas!! eu estava apenas brincando, não esperava que ele fosse me bater por causa do cabelo —— pressionou os lábios um contra o outro, a olhando com a maior sinceridade possível. sabia bem que ela não curtia aquelas coisas, mas contava mesmo assim porque sentia que a cada bronca amadurecia um pouco mais, embora não quisesse assumir. estendeu a mão para frente, puxando-a pelo pulso com leveza. —— foi mal, gatinha...