“eu não sou um bebê.” resmungou baixo, recordando de como se sentiu sim um bebê assustado nos últimos minutos que passou ali sozinho; mas kyungshim não precisava saber disso; ela e ninguém mais. taeyang podia ser o mais novo entre os amigos, mas já era um garoto crescido e precisava agir como homem - ao menos era o que seu pai sempre lhe dizia. as vezes ele dava uma deslizadas, como aconteceu, só que estava se empenhando ao máximo para amadurecer corretamente; se é que isso existia. “eu chamei o leo pra ir lá em casa jogar, mas ele ainda não me respondeu se vai.” retribuiu sem notar de imediato a vontade de ser convidada por trás do timbre da garota, pois estava focado em terminar logo com aquilo e ir para casa jogar videogame com o melhor amigo. por fim, percebendo as intenções da outra ele se questionou se deveria convidá-la para se unir a eles; não porque não gostasse da presença de kyungshim, mas porque taeyang queria experimentar o jogo primeiro sozinho ou com o melhor amigo. além disso, as garotas não costumavam ser muito habilidosas nos jogos.
enquanto matutava, fez um monte com pelo menos cinco pastas dispostas sobre a mesa. a sua letra não era a mais bonita, mas esperava que a amiga ao menos conseguisse entender as anotações. agora, se ela queria fazer ou não as tarefas já estava fora do seu alcance. escutou kyungshim bocejando, desinteressada. “mas… o que?” exclamou surpreso e enojado com o comentário que se seguiu, questionador a respeito da vida sexual do professor. “argh, que coisa nojenta! não quero ficar imaginando essas coisas!” abriu a boca e franziu o cenho, numa expressão que enfatizava as suas palavras. taeyang não era nenhum puritano; como qualquer garoto da sua idade ele tinha suas curiosidades e ideias malucas (mesmo que ainda não tivesse feito aquilo), porém ao se tratar de sexo se sentia constrangido em prolongar o assunto na presença de garotas. mesmo concordando com o ponto de vista da amiga.
“aqui estão as anotações da semana.” repousou a palma da mão sobre as pastas, indicando-as. “faz com elas o que você achar melhor… por mim pode até jogar fora. quem vai repetir de ano é você mesmo.” taeyang já vivia desesperado com as próprias notas, não teria mais tempo para se preocupar com as dela (mesmo que se preocupasse e por isso copiasse tudo duas vezes). ouvindo o pedido, aproximou-se com os ombros caídos e segurou ambas as mãos de kyungshim. precisou usar todo o peso do corpo magricela para erguer a garota do chão.
o olhar de kyungshim dizia silenciosamente: ah, claro que não, enquanto ela exibia o seu típico sorrisinho com a sobrancelha direita arqueada, virando-se para o menino. “é o meu bebê!” pontuou e com um estalar de língua no céu da boca fez o assunto morrer. então foi o momento de frustração, perguntando-se de taeyang era tão inocente a ponto de ignorar totalmente sua existência. é claro, que culpa teria ele que ela era tão negligenciada dentro de casa que precisava buscar fora atenção que necessária. “hmmm, ele com certeza vai; não perde uma.” comentou de mau gosto, contra a sua vontade. se fosse um pouco mais manhosa, seria capaz de cruzar os braços em frente ao peito e declarar greve de fome até ser chamada parra jogar vídeo game, mas não era assim que as coisas funcionavam para na kyungshim e ela sabia bem o peso de uma negação, mesmo que dada de forma inconsciente.
não precisou de muito esforço para acompanhá-lo. apesar de não ser o tipo perfeito de aluno turma a, taeyang era sempre organizado com suas anotações (ou buscava ser). havia mais interesse na forma como as mãos alheias trabalhavam para formar o monte do que no que estes montes guardavam necessariamente e ela gargalhou com tamanho nojo sendo expressado pelo garoto. “o que? eu não pedi que imaginasse!” afirmou em um tom alto, antes de fazer uma pausa dramática com direito a tensão na forma como olhava para ele. “você que saiu imaginando essas coisas!” acusou e não demorou para que estivesse rindo novamente, divertindo-se com a vergonha alheia. na kyungshim não era exatamente um exemplo de maturidade nesse sentido, ainda assim não teria uma reação como aquela.
já de pé, ela suspirou; expulsando o ar pelo nariz. “você é um anjo. muito obrigada!” ela disse enquanto passava os braços pelo seu pescoço em um abraço forçado, sabendo que tipo de reação ele teria. kyungshim não fazia por maldade nem com segundas intenções, veja bem, ela gostava de provocar e também gostava de contato físico. assim que o soltou, pegou as pastas e guardou-as na mochila vermelha, sendo obrigada a organizar tudo o que ele havia jogado. pegou a térmica da mesma cor que a mochila e ofereceu a ele. “quer? é energético.” e lá ia ela, na luta sem final para estender os encontros com os amigos e assim voltar para casa o mais tarde possível. “a gente podia ir molhar os pés lá na praia antes de ir embora? ou esperar para ver se ela...” e indicando com o dedo, apontou o quadro da mulher que lá morava. “se mexe ou não.”