𓍢 ・ 🌊 ﹛ 𝐎 𝐅𝐑𝐀𝐆𝐌𝐄𝐍𝐓𝐎 𝐃𝐀 𝐓𝐄𝐌𝐏𝐄𝐒𝐓𝐀𝐃𝐄 ﹜ Você não sabe quem eu acabei de encontrar na Praça das sete famílias. Isso mesmo, ANIVIA NILSU ÖZAK! Ela é uma SEREIANA que atua como MODELO PROFISSIONAL & DONA DA VENUS MODEL MANAGEMENT aqui em Ninivae, sabia? Ouvi dizer que possui 87 ANOS, embora aparente ter 25 ANOS. Os ventos sopraram que esse rostinho angelical é CUIDADOSA, mas são os rumores sobre ser AMBICIOSA que ameaçam a nossa paz. Será que teremos problema em lhe estender a mão?
𝗨𝗠 𝗕𝗥𝗘𝗩𝗘 𝗥𝗘𝗦𝗨𝗠𝗢 : Vinda de um recife distante da terra e longe dos perigos humanos, os Özak foram um coven que tinha sua própria religião. Acreditavam que vinham da espuma do mar e voltariam e ser ela quando morressem ou ficassem sozinhos. Mais tarde foram todos emboscados com embarcações e o coven se extinguiu, sobrando apenas Anivia, que fugiu para longe ainda sendo perseguida. Foi acolhida por um vampiro e por ele criou um vínculo irreparável. Ele a prometeu uma vida de força sendo meio vampira e meio sereiana, mas isso nunca aconteceu. Casaram-se e décadas mais tarde ela ainda insistia nesse desejo, até desvincular-se desse sonho longínquo. Anivia passou a cuidar de si mesma, de seus prazeres e independência profissional, e considerava que deitar-se com terceiros fora de seu casamento não era nada comparado com a traição que sofreu e sofria por parte de seu marido: da palavra não cumprida. Na carcaça de uma sonhadora agora vivia uma mulher frígida, capaz de ser fiel às suas próprias ambições não importa quem machuque no caminho.
𓍢 ・ 🌊 ﹛ 𝐇𝐄𝐀𝐃𝐂𝐀𝐍𝐎𝐍𝐒 ﹜
Özak é todo meio bruxo com cauda que crê no inferno sereiano. Da espuma do mar vieram, para espuma voltarão a ser. Reza a lenda que esse povo é a aberração da aberração. Muitos eram capturados para serem estudados por bruxas superiores, mas viraram nômades em um recife distante da praia. Preferiam viver em alto mar sem nunca pisar na terra ao invés de serem colocados em perigo novamente, até porque transformavam suas escamas derretidas em joias e qualquer ricaço no mundo pagaria muito para ter algo duradouro, exclusivo e que também atraísse olhares.
Para cada irmão ou irmã caído nas mãos humanas, uma embarcação era afundada e todos a bordo eram devorados. Era assim que os Özak cumpriam com a regra de seu coven: nenhum sereiano podia viver sozinho, do contrário viraria espuma do mar, e para aqueles que perdessem alguém, deviam entregar sacrifícios humanos para o Deus Marítimo, ou, também, tornariam-se espuma. Para uma espécie tão regrada e centrada em sua religiosidade, existia Anivia, uma jovem curiosa, mas também bastante medrosa. Ela seguia com afinco tudo que era mandado e da última vez que tentou fugir dos trilhos, fora gravemente punida com o terror de quase ter sido capturada.
Passado um bom tempo em viagens, os nômades foram descobertos por embarcações e estas destruíram quase todo o coven, partindo sereianos ao meio para ficarem com suas caudas. O massacre aconteceu, porém, Anivia fugiu para longe, ainda sendo perseguida por dias até cansar e ser acolhida por um homem misterioso. Sentia seu cheiro diferente, mas não podia dizer o quê era, tampouco o que queria consigo. Fato é que a proximidade entre ambos cresceu e ela aprendeu muito mais do que esperaria.
Mesmo com a desgraça em mãos, pois, em breve viraria espuma do mar de acordo com as crenças Özak, Anivia fora confortada pelo vampiro de que poderia ser muito mais forte do que já era. Uma mestiça. Era provável que esse deleite lhe levasse à morte, mas estava fadada de todo jeito. Esperou, esperou e esperou pela investida do vampiro, mas nada aconteceu. Alguns anos passaram e nada. Ela estava ficando sem esperanças, contudo, sua própria crença lhe provava o contrário do que naturalmente fora ensinada.
Quase uma década depois estavam casados. Ela tinha sido ingênua o bastante para crer que assim seria seu destino, só que já não se importava mais. Estava muito fraca sendo levada para ter uma vida mundana na terra ao lado daquele que a salvou e também enganou, e pouco podia fazer por si mesma senão continuar insistindo. Até que, por fim, cedeu aos próprios desejos. Ora, se ele também usufruía dos benefícios de tê-la, ela faria o mesmo. Pelas costas de seu marido visitava outros homens e mulheres, às vezes castigando aqueles que saíam impunes de crimes ao alimentar-se destes, mesmo após deitar-se com eles, e às vezes apenas fazendo por bel prazer. Voltava para casa sem expectativa, apenas vivendo um dia pós o outro e instaurando seu próprio legado na cidade.
Aos poucos, ela já era independente o bastante financeiramente, mas emocionalmente… Ainda sentia a necessidade de estar perto dele, por gratidão ou por ódio e desejo de vingança. Quer que fosse sua intenção, Anivia era incapaz de deixá-lo, mas ainda sonhava, lá em seu âmago, com os planos que um dia lhe ocorreram de ser mais forte do que o que já era.
𓍢 ・ 🌊 ﹛ 𝐌𝐄𝐑𝐆𝐔𝐋𝐇𝐎 𝐄𝐒𝐏𝐄𝐂𝐓𝐑𝐀𝐋 ﹜
Após a experiência de quase-morte na infância com alguns pescadores, antes mesmo de seu coven ser dizimado, Anivia descobriu pouco depois, ironicamente, a habilidade de entrar em campo espectral, mesmo ocupando o mesmo plano de outrora. É como se ela “mergulhasse” em uma linha fantasma e pudesse nadar por ali sem ser vista por terceiros. Contudo, muitos podem senti-la por perto, como uma entidade, e ela não pode se manter presa naquele plano espectral por muito tempo - não mais que segundos. Outros perigos também assombram suas duas realidades e ainda que seja uma habilidade abençoada pelo presságio, há malícia. Quanto mais mergulha, mais profundo ela vai, e dessas águas não há quem a salve…
𓍢 ・ 🌊 ﹛ 𝐕𝐄𝐍𝐔𝐒 𝐌𝐎𝐃𝐄𝐋 𝐌𝐀𝐍𝐀𝐆𝐄𝐌𝐄𝐍𝐓 ﹜
A agência de modelos Venus Model Management tem como foco reunir as belezas únicas de cada um. A dona tem um histórico abençoado e bom gosto que já levou algumas de suas clientes para as passarelas fora de Ninivae e também rostos bem conhecidos nas melhores marcas de beleza. Ali na Venus, os alunos aprendem a encontrar seus talentos e unir o útil ao agradável, seja para colocarem em prática com uso de seu rosto ou de seu corpo. São selecionadas pessoas com focos que vão desde a trabalhos para peças de coleção de moda à imagem para marcas de maquiagem. De toda forma, a Venus já oferece trabalhos para seus alunos durante a estadia destes na agência, focando em seu crescimento e aprimorando sua beleza com parceria no salão local, cujo qual fornece descontos aos afiliados. Não há quem diga, mas o estúdio tem um ar poluído de magia que cativa pessoas com desejos profundos que alimentam Anivia. A ruindade acaba por fortalecê-la, mesmo que indiretamente, enquanto que os alunos e visitantes sentem suas próprias almas serem expostas. É uma troca balanceada: por fama, devem se expor em seu pior para garantirem o melhor que terão na vida, mas nem sempre as pessoas estão dispostas a enfrentar essas partes de si.
DIA QUATRO — Exposição Histórica, starter fechado do prompt 08 com @aksaco
Não era a maior fã de coisas cuja desgraça prevaleciam, porém, o dia de filmes ao ar livre era um bom momento para cumprir com uma de suas apostas da semana: uma situação inoportuna em um local mais inoportuno ainda. Para essa ideia precisava de um vestido de casamento. É claro que ela não seria burra o bastante para comprometer o próprio, afinal: era uma data especial para si. Carregava muitas memórias importantes, mas a de seu casório era uma das principais. Na sequência, precisaria se sujar de sangue falso (tinta) e usar uma maquiagem bem realista. Contudo, as coisas saíram um pouco fora de controle após o filme que havia escolhido e pedido para passarem durante a noite ter sido cancelado. Não entendeu o porquê, talvez outras pessoas mais importantes tivessem pedido uma prioridade e até que aqueles outros filmes na lista acabassem, já iriam ter se recolhido para suas casas devido o horário. Ora, então de que serviria aquele espetáculo que havia montado? Lá estava ela, com um vestido aleatório de noiva, extremamente irritada e consternada tentando se livrar do véu ao passo que também buscava por uns petiscos em algum dos foodtrucks dispostos. É claro que os olhares seriam inevitáveis, mas qualquer que fosse aquele que a encarasse por mais de cinco segundos, sentiria a fúria marítima. Este, por sua vez, um cujo qual não conhecia ainda, mas certamente sentenciaria qualquer tipo de simpatia entre ambos devido a atitude grosseira dela ao falar: "O que é, está olhando por quê? Nunca viu uma noiva ensanguentada só querendo um hamburgão com tripla carne e molho especial pra encher a barriga?"
DIA SEIS — Preparação e Celebração, starter fechado do prompt 07 com @sandvvik
Antes de comparecer para o estabelecimento de sua melhor amiga, Anivia ocupou-se em comprar um presente para ela a fim de prestigiar algumas vitórias da mesma. Estava feliz por compartilhar de certos eventos e, dentre eles, o lançamento do novo perfume dela, cujo qual precisava de modelos que a própria Özak forneceria, é claro. Os melhores, mais belos e profissionais do mercado. Nada menos para alguém tão importante para si. É por isso que, mesmo com o salto, corria de lá para cá na pressa de fazer tudo a tempo e não perder um segundo. Até pegar um café quentinho para aquecer naquele frio, fizera. E foi justamente esse líquido, unido ao que sabe Deus aquela menina estava segurando quando se chocou contra a mesma abruptamente, que banhou seu rosto e roupa no instante em que entrou em contato. Anivia desesperou-se no exato segundo, não tendo tempo nem mesmo de reagir além de correr para o beco próximo e se abrigar rente à parede, atrás de uma caçamba, enquanto de olhos arregalados via a jovem e a movimentação na calçada a poucos metros de onde havia corrido para esconder-se. É claro que sua reação atípica deveria ter assustado a menina, mas não tinha tempo de processar nada uma vez que suas escamas começavam a adaptar-se na pele, bem como os pés uniam-se aos poucos debaixo do vestido longo. A sereiana iniciava sua transformação repentina ao mesmo tempo em que tentava se esconder de todos os lados, mas nada poderia ser capaz de evitar aquilo, não enquanto estivesse molhada. E foi assim que, puxando o casaco extra da bolsa, ela começou a enxugar o rosto sem se preocupar com a maquiagem. Estava tão atônita que sequer percebeu que aquela garotinha de antes estava perto de novo. "Por favor- não... não chegue perto."
DIA CINCO — Noite das Lanternas, starter fechado com @mortisens
A praia não era o lugar mais seguro para sereias estarem, não na frente de tantas pessoas e descrentes do sobrenatural, mas era o mais oportuno para tal. Em meio ao lual, Anivia concentrou-se em pegar duas bebidas, para si e Sirin, enquanto voltava ao tronco no qual estavam sentadas conversando. O pé descalço sentia o frio da areia, bem como o corpo agasalhado também tentava esconder os leves arrepios que percorriam a espinha. Ela, todavia, estava confortável, apesar do clima. Ao aproximar-se, sorriu ternamente. Era uma oportunidade ótima aquele lual para passar um tempo com suas irmãs. "Acredita que tinha tanta gente no balcão que eu quase tive que usar o canto pra ser vista e atendida?" Entregou a bebida após sentar-se, cavando a areia com os pés para que acomodasse os dedos ali. "Agora, a parte mais interessante..." Fez uma pausa pouco dramática para o momento, embora o semblante ainda fosse bem humorado. "Nossa última aposta foi divertida, mas acho que durante a semana vamos ter coisas mais divertidas pra se fazer. O que acha de uma lista? I mean, uma competição só é interessante com você."
DIA SEIS — Preparação e Celebração, starter fechado com @missdavina
Uma parceria com uma de suas melhores amigas estava sendo uma das melhores experiências já vividas por Anivia. O contato com humanos tendia a ser difícil e complicado devido seus traumas, mas com alguns ali em Ninivae a sereiana havia criado um vínculo fascinante, em especial com duas das Mackenzie. Por isso, especificamente, estava tão animada. Atrasou-se quanto a chegar na hora da abertura da loja da amiga para a produção da oficina de perfumes, porém, Anivia adiantou-se com o pedido de desculpas, um ovo de brownie com cobertura de chocolate e o recheio que ela mais gostava, enquanto adentrava o recinto ainda com as pessoas em volta. Assim que avistou Davina, Anivia fez um bico e deu uma leve corridinha até ela a fim de dar um abraço breve. "Amiga, eu juro pra você, juro por tudo: seu doce tava em falta! Só que eu sendo eu consegui um direto do forno, depois que disse que seria pra dona da Essentia como presente pelo lançamento dela e pela oficina de hoje." Sacou o ovo da sacola e lhe mostrou, animadamente ansiosa. "Está um caos essa cidade e sempre muito cedo, o dia inteiro pra falar a verdade... Mas, enfim. Cheguei, pelo menos isso! Está precisando de ajuda com algo por aqui?"
DIA CINCO — Noite das Lanternas, starter fechado com @aijaeris
O laço com as de sua espécie eram muito mais fortes devido ao trauma de seu passado. Nem todas sofreram o mesmo que ela e Suhan, certamente, talvez fosse pior. E, de toda forma, não era como se competissem para saber quem era a mais traumatizada do recife! Elas todas eram irmãs, anyways.
Estava em um piquenique com Eris após terem reunido o banquete delas mesmas para o evento do dia, mais cedo do que esperado. Iriam soltar lanternas, sim, mas antes: um lanchinho saudável. Decidiram que iriam unir o gosto de cada para que pudessem compartilhar algumas informações entre si sobre a noite da boate. A noite estranhíssima. "Eu trouxe frutas, mas, sinceramente, isso foi pra matar um pouco a vontade de sobremesa." Enquanto tirava algumas pêras, uma vasilha com melões fatiados e uma outra com papéis que cobriam dois bifes crus de carne, os quais escondera dos olhos alheios para não estranharem, Anivia sorriu para outrem com certa timidez. "Não tive tempo de fritá-los... E, na verdade, nem pensei em fazer isso. Vai querer assim mesmo?" Foi genuína ao querer saber se ela iria dividir, afinal, tudo que trouxera ali não era só para si. "Sei que fiquei de conversar com você sobre o que aconteceu na festa. O Taehyun me perguntou se os símbolos tinham haver com sereianos. Você sabe de algo?" Se agasalhou um pouco melhor com o que trouxera em volta dos ombros. A praia não era o melhor lugar para se ter um encontro, tampouco era privado o suficiente para duas sereias, em especial naquele dia, mas não tinha outra chance mais divertida que aquela.
DIA QUATRO — Exposição Histórica, starter fechado com @kadenvc
Estava à mercê de suas próprias habilidades. Àquela altura, Anivia já deveria saber que tudo no mundo paralelo era uma realidade da qual não fazia ideia do que era. As memórias vistas ali não eram muito precisas e, certamente, não eram claras para ela, não enquanto estivesse em transe. E, no entanto, não poderia ficar por muito tempo. Ela havia esquecido...
Sentada no topo de uma rocha em meio a mata enquanto o restante das pessoas seguia pela trilha, ela decidiu ficar um pouco mais no início da floresta a fim de relaxar um pouco sozinha. Já conhecia aquelas árvores com a palma da mão ou quase isso, então não seria um perigo estar solitária ali esperando que o grupo voltasse. A sereiana fugia ali para ter um pouco mais de conforto longe de barulhos do evento. Precisava da natureza para entrar no transe e a água estava fora de cogitação, por óbvias razões. Era bom quando não estava toda molhada de água salgada, prestes a ver qualquer humano. Aquilo sim era perigoso. Toda sua concentração girava em torno do paralelo, um cenário obscuro. O verde-musgo ondulava ao seu redor, como se ela estivesse imersa na água outra vez, e embora fosse fascinante, era perigoso navegar em águas das quais não sabia se eram seguras. Seu mental foi puxado até uma lembrança que não era sua, algo referente a um anjo e um licantropo... No instante em que Anivia viu uma cena fatídica, a besta abocanhando a cabeça da criatura divina, ela sugou o ar entredentes, afogando-se com água em seus pulmões até que recobrasse a consciência fora daquela realidade, fora do domínio de sua habilidade.
Quando segurou o próprio pescoço e respirou tão profundamente que sentiu um desespero percorrer sua espinha, a Özak olhou em volta, achando somente a figura tão conhecida de um certo alguém que lhe causava arrepios muito maiores do que qualquer outro - após Taehyun, é claro. Não conseguiu fingir sequer uma postura diferente da que estava trajada, mas também não se importou. Apenas colocou-se de joelhos para tossir e, então, dirigir-se ao mesmo: "Eu fiquei um pouco imersa nos meus pensamentos e engasguei... só foi isso." Não deixava de ser uma verdade já contada. "Que bizarro, poderia jurar que absolutamente ninguém ia me achar aqui e seguir com o grupo. E olha só você, como sempre, no lugar certo e na hora certa."
DIA DOIS — Feira da Fundação, starter fechado com @hantchum
Para todos os efeitos, ela tinha se aquietado um pouco. Devido as últimas recordações de experiências no mergulho, a cabeça estava enfadada o suficiente para não querer mais dificuldade e sim simplicidade. Era o que conseguia ter com o marido, obviamente. Ao passo que anoitecia e Anivia caminhava com ele pela feira, dava uma olhada em tudo que tinha para que depois decidisse o que compraria. Sempre fazia isso para averiguar as coisas de forma que não se arrependesse depois pensando 'será que eu precisava mesmo disso?'. No entanto, após alguns minutos de silêncio nada incômodo entre eles, ela decidiu falar: "O que você estava tão ansioso pra querer comprar aqui, hein, mister Han?!" O olhou curiosa, fazendo uma careta. Ele não tinha demonstrado qualquer nível de ansiedade, sequer havia decidido comprar algo tão especial assim, mas ela adorava pegar no pé de quem fosse. "Muito secreto que não pode me mostrar, eu espero."
DIA TRÊS — Jogos Tradicionais, starter fechado com @naviradadanoite
As brincadeiras mais infantis do evento tiravam as risadas e emoção mais sinceras de Anivia, não sabia bem o porquê. Sua única razão para entreter-se deveria ser a saudade que tinha de seu coven, de tudo que lhe rendia animação, e agora as coisas eram mais tensas e, também, intensas. Não era como se a sereiana fosse deveras estourada, não, era só o momento que não condizia com seu humor. Após enfiar-se em uma dança das cadeiras, a morena estava começando a ficar mais animada, até que um certo alguém lhe sugou essa oportunidade - a de não estourar. Anivia sentiu o empurrão brusco contra seu corpo na mesma rapidez que tentou sentar-se na cadeira, porém, quando caiu no chão com tudo e olhou mortalmente para vislumbrar de quem se tratava, ficou extremamente irritada por ver a outra sentada. Então, com a mesma velocidade que se enfureceu, a Özak levantou para inclinar-se na direção de outrem, cuspindo-lhe as palavras: "Você jogou sujo! Todo mundo estava dançando sem precisar empurrar, bater ou qualquer coisa do tipo, então por que sentiu necessidade de fazer isso comigo?" Em outro momento ela sequer ligaria, ou faria bem pior em uma segunda oportunidade, mas estava com a cabeça à mil devido o furacão de pensamentos que a atordoaram durante a semana.
As coisas estranhas que aconteciam na cidade sempre eram automaticamente abafadas por datas comemorativas e os eventos que se seguiam destas. Anivia, no entanto, não se permitia abalar tanto pelas estranhezas até porque não sentia que isso faria real diferença em sua vida. É claro que, nesse caso, em Ninivae as coisas teriam, sim, impacto em sua vida, quer gostasse ou não. Por isso que o olhar estava mais afiado, mais concentrada e menos dispersa que outrora. As experiências macabras que presenciou em sua outra realidade no mergulho deveriam ser esquecidas por enquanto; naquele dia, pelo menos, não seria tão masoquista de desejar quebrar cabeça. É por isso que logo no início das comemorações apressou-se em fazer a média com a pessoa mais próxima de si. "Você não correu? Achei que iria te ver no palco recebendo o incrível prêmio." Ironizou, com um sorriso muito simpático delineado nos lábios. Ela cruzou os braços rente ao peito, analisando algumas pessoas que ainda batiam palmas. "Vejo como um ato muito fofo o de dar medalha até pra quem só ficou sentado... Não que eu esteja sugerindo qualquer coisa sobre você, canım, não é sobre isso. Mas já não tenho onde estocar as medalhas que ganho. Cheguei a ganhar um troféu uma vez, sabia? Eles revezam os ganhadores pra não ser injusto."
O laço com as de sua espécie eram muito mais fortes devido ao trauma de seu passado. Nem todas sofreram o mesmo que ela e Suhan, certamente, talvez fosse pior. E, de toda forma, não era como se competissem para saber quem era a mais traumatizada do recife! Elas todas eram irmãs, anyways.
Estava em um piquenique com Eris após terem reunido o banquete delas mesmas por aí. Decidiram que iriam unir o gosto de cada para que pudessem compartilhar algumas informações entre si sobre a noite da boate. A noite estranhíssima. "Eu trouxe frutas, mas, sinceramente, isso foi pra matar um pouco a vontade de sobremesa." Enquanto tirava algumas pêras, uma vasilha com melões fatiados e uma outra com papéis que cobriam dois bifes crus de carne, Anivia sorriu para outrem com certa timidez. "Não tive tempo de fritá-los. Vai querer assim mesmo?" Foi genuína ao querer saber se ela iria dividir, afinal, tudo que trouxera ali não era só para si. "Sei que fiquei de conversar com você sobre o que aconteceu na festa. O Taehyun me perguntou se os símbolos tinham haver com sereianos. Você sabe de algo?" Se agasalhou um pouco melhor com o que trouxera em volta dos ombros. A praia não era o melhor lugar para se ter um encontro, mas era privado o suficiente para duas sereias.
Sentada em cima do caixão que havia acabado de chegar para ser despachado na terra, Anivia aguardava o retorno do coveiro, após ter entrado nos confins daquele cemitério por livre e espontânea vontade. As intenções ali? Não sabia ao certo, mas queria muito vê-lo por um momento para saber do que ela mesma precisava. Cutucava as unhas para refletir se aquela cor estava mesmo bonita, enquanto balançava uma perna para afugentar os mosquitos chatos, e antes mesmo que pudesse pestanejar ele estava de volta. É claro que estaria surpreso com sua presença. "Não é como se fôssemos transar em cima do morto, Dorian, pode relaxar seu facho." Que mal dizia poderia muito bem ser um fetiche dele do qual Anivia jamais satisfaria. "Eu só estava um pouco entediada em casa. Tenho coisas a pesquisar com Taehyun, então... acho que podia começar com você, que tal? Sobre o que aconteceu na festa." Foi simplória; levantou-se também do caixão, não em respeito, mas por ter se cansado de ficar ali, e rodeou-o para olhar as outras lápides, curiosa. "Quem foi que morreu aí? Era uma idosinha, não é? Acho que moro perto dela. Oh!, uma querida! Era... uma querida."
Estava à mercê de suas próprias habilidades. Àquela altura, Anivia já deveria saber que tudo no mundo paralelo era uma realidade da qual não fazia ideia do que era. As memórias vistas ali não eram muito precisas e, certamente, não eram claras para ela, não enquanto estivesse em transe. E, no entanto, não poderia ficar por muito tempo. Ela havia esquecido...
Sentada no topo de uma rocha em meio a mata, a sereiana fugia ali para ter um pouco mais de conforto durante a tarde, longe de barulhos da cidade. Precisava da natureza para entrar no transe e a água estava fora de cogitação, por óbvias razões. Era bom quando não estava toda molhada de água salgada, prestes a ver qualquer humano. Aquilo sim era perigoso. Toda sua concentração girava em torno do paralelo, um cenário obscuro. O verde-musgo ondulava ao seu redor, como se ela estivesse imersa na água outra vez, e embora fosse fascinante, era perigoso navegar em águas das quais não sabia se eram seguras. Seu mental foi puxado até uma lembrança que não era sua, algo referente a um anjo e um licantropo... No instante em que Anivia viu uma cena fatídica, a besta abocanhando a cabeça da criatura divina, ela sugou o ar entredentes, afogando-se com água em seus pulmões até que recobrasse a consciência fora daquela realidade.
Quando segurou o próprio pescoço e respirou tão profundamente que sentiu um desespero percorrer sua espinha, a Özak olhou em volta, achando somente a figura tão conhecida de um certo alguém que lhe causava arrepios muito maiores do que qualquer outro - após Taehyun, é claro. Não conseguiu fingir sequer uma postura diferente da que estava trajada, mas também não se importou. Apenas colocou-se de joelhos para tossir e, então, dirigir-se ao mesmo: "Eu fiquei um pouco imersa nos meus pensamentos e engasguei... só foi isso." Não deixava de ser uma verdade já contada. "Que bizarro, poderia jurar que absolutamente ninguém ia me achar aqui. E olha só você, como sempre, no lugar certo e na hora certa."