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❣ Chile in a Photography ❣
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@asfacesdaborda
"Você já parou para pensar que nem sempre as coisas precisam ser elaboradas e que ninguém de fato espera tanto de você? Porque é, nós nos colocamos em expectativas que as vezes são um peso somente pra nós. Se você não faz, outra pessoa faz, se você não tem o que é necessário outra pessoa terá e ao que diz respeito a qualidade e a funções, nós somos absolutamente substituíveis a vida toda. O mundo não vai parar por alguém não ter entendido você, por vezes vai ser o vilão, por outras vai ser a vitima e é isso, é só isso mesmo." Estefane Carvalho
Então eu simplesmente respondi “Porque eu quis”
Eu sempre tive um problema enorme em manter o foco. Fosse nas redações, fosse em explicações, se me deixassem falar eu falava tudo o que vinha na mente e eu divagava como só. Meus argumentos sempre tiveram nexo e foram bem explicados, mas eu não conseguia ir direto ao ponto. Eu precisava explicar. Só que a vida as vezes acontece no raso e carregar pé de pato pra andar em poça nos coloca em situações que beiram o ridículo.
Então teve um dia minha psicanalista disse “Mas Estefâne, você precisa aprender a se impor, isso não vai te fazer uma pessoa ruim” e aquilo ficou pairando na minha cabeça como se fosse a resposta que eu precisava. No mesmo dia, uma amiga me perguntou porque eu cortei o cabelo, eu respondi “porque eu quis”, sem mais explicações, o assunto acabou e eu não me estressei. Pronto, eu quis, era verdade. Os motivos e os porquês só diziam respeito a mim.
—Analogias para Lemon
Estefane Carvalho
Analogias para Lemon
Então, de repente, eu notei que não gostava de feijão
Quando era criança tinha anemia, minha mãe, coitada, chorava escondida no quarto porque eu não queria comer. O cheiro forte do feijão me causava enjoo e as colheradas que ela me forçava a engolir quase sempre se convertiam em vômito. Eu não queria comer aquilo. Eu tinha cinco anos mas estava decidida a mostrar que eu não gostava e não iria engolir e nem aceitar que me impusessem goela abaixo, literalmente.
Um dia, fomos na médica, a doutora era bonita que só ela, tinha olhos verdes grandes que me olhavam feito gato. A minha mãe questionou-a o que tinha que fazer para eu comer feijão e ela disse “Mas não precisa, mãe, não é só no feijão que existe ferro, tem uma lista de alimentos que eu vou te passar, se ela não gosta, não força”. Meu coração ficou cheio de alegria porque eu não precisava mais passar por aquele sufoco e foi assim que eu descobri que na vida não existe só uma solução e eu não precisava aturar nada que eu não gostasse como se fosse a única escolha.
Estefane Carvalho
Perdão! Eu sou assim, eu nasci! Olhando as paredes do quarto Consigo entender que forma tem o silencio Olho minha imagem no reflexo do espelho E começo a perceber o quão vazia é minh'alma Aos meus ouvidos só vem o som das reclamações Meu coração já se resume em desespero Por que estou aqui? Não deveria estar aqui! Eu não queria estar aqui! Por que estou aqui? Olhando para o lado de fora Através de uma janela sem “aquela magia” Não vejo paisagem alguma Além do cinza imenso dessa selva de pedra… Onde estão as nuvens? Perdi minha imaginação! Onde estão as nuvens? E o brilho do meu coração? Um vazio terrível Não sinto, não vejo, não falo, nem faço, apenas escuto O silencio maldito da contradição Meu peito repleto dessa confusão São como rascunhos de uma maldição Doente de raiva e de dor A penúria da alma sozinha, que sofre, que grita Que pede indignada: Perdão! Eu sou assim! Eu nasci! Estefane Carvalho (Mais um poema triste de uma garota qualquer aos 14 anos.)
Amor romântico não é tudo
Quando seu gatinho deita no seu colo, estica as patinhas e pede carinho, você pode estar cheio de tudo, mas vai mimá-lo assim como ele te mima; isso é amor. Quando sua mãe pergunta "Mas você volta tarde?" e você sente ela te sufocando porque acha que sair é importante e ela nem tem razão por ser preocupar, isso é amor. Quando seu irmão, de todas as pessoas do mundo escolhe você para demonstrar qualquer fraqueza, isso é amor. Quando seu cachorro pula nas suas pernas ao você chegar em casa, isso é amor. Quando seu amigo chora na tua frente e você o abraça e tenta fazer piada, isso é amor. Quando você está desesperado e seu colega te ajuda, isso é amor. Quando chega em casa e a comida pronta é mais gostosa do que qualquer porcaria que comprasse na rua, isso é amor. Quando alguém especial te elogia, isso é amor. Quando a professora exige que você estude mais e se preocupa com o quanto você está aprendendo, isso é amor. Quando uma criança sorri para você e imediatamente pensa “quanta beleza nessa coisinha fofa” o que exala de você, é amor. Quando seus primos que não via há muito tempo correm tentando puxar assunto, sem saber o que falar contigo mas ainda assim tentam, é amor. Quando sua avó te dá aquele abraço apertado e te chama com o mesmo apelido de quando era criança, é amor. Porque o amor está em tudo. Quem ama quer cuidar, dar carinho, se preocupa, se interessa, te apoia, te da suporte, te corrige, te elogia, te mostra beleza, te faz querer sorrir, para quem ama o tempo não passa e a intensidade não diminui, só muda a frequência, ele pode sufocar, pode preencher e pode curar. Por isso, pense muito bem antes de dizer que nunca recebeu amor. Amor romântico, não é tudo. Se você é incapaz de perceber amor em todas essas coisas, como pode você desejar ser amado? Se você é incapaz de entender o que é amor, como pode você desejar tanto ele para si?
Estefane Carvalho
O dia em que enchi meu quarto com flores
Existiu uma época em que eu odiava flores, só de sentir o cheiro para mim, era o fim do século, rinite atacava, cabeça doía, o cheiro era doce demais, tudo me causava ânsia, ganhar uma rosa era algo absolutamente desprezível. No dia da mulher então, nossa, aquilo me irritava. Rosas no dia do aniversário? Me lembrava um clichê que de nada me agradava. Mas eu não falava sobre isso, afinal, chocava aos outros e a mim mesmo. Onde havia parado aquela menina que colhia flores para dar para mãe quando era criança? Eu não sabia.
Algo ocorreu entre os 8 e os 16, do período em que eu escrevia cartinhas de afeto e contava bem-me-queres pelo caminho, para o período em que eu conheci o amor e senti o meu peito estilhaçando pela primeira vez, algo que me fez querer beber inseticida no café e despertou genuína revolta com tudo relacionado ao tema e as flores, coitadas, as flores viraram meu alvo.
Então, um dia, sem que eu menos esperasse, houve a poesia. A poesia em sua essência, não tendo nada a ver com amor romântico. Ela tocou meus olhos com suas mãos macias e soprou neles logo depois, o vento trouxe até mim um raminho de limoeiro com florezinhas brancas espalhadas. Eu vi, desde aquele momento, poesia pura em toda criação. Fiz um buque pequeno e coloquei no meu quarto. Minha mãe estranhou, mas logo depois, trouxe outras. Eu não sabia mas, aquele era um marco, como um rito de passagem que me definiria, como um antes e depois das flores.
—Analogias para Lemon
Analogias para Lemon
"Quando era criança tinha bonecas, ursos de pelúcia, brinquedos, muitos. Eu ganhava das pessoas, mas nunca dos meus pais. Exceto uma vez que meu pai me deu lego de natal porque “isso estimularia a inteligência, diferente de bonecas" nas suas palavras.
Eu brincava até quebrarem os brinquedos, mas nunca descartava. Eles eram meus, eu os amava mesmo que bobos, mesmo que eu não brincasse com eles.
Bem, o problema é que eu tinha primos, eles estragavam algumas coisas, outras roubavam. Quando me mudei, já adolescente para outra cidade, minha mãe doou todos meus brinquedos sem que eu soubesse porque sabia que eu jamais deixaria, eram meus, eu os amava."
— Eu não abandono o que eu amo.
Afinal,
Pra onde vão nossos gritos quando ficamos em silêncio? O choro se converte em que sentimento quando é segurado? Quem foi a brilhante primeira pessoa que percebeu que sentia? Que era emocional, sentimental, carente de abraços? O mundo lá fora adoece, eu vejo tudo o que é, deixar de ser. Desaba, deságua, chora. Eu não sei mais para onde correr. Seguir em frente pode ser doloroso e mesmo não tendo medo da dor, nunca foi prazeroso sofrer. Já não sei mais o que é certo e errado, o que é bom ou ruim, se tratando da vida. Afinal, o que é viver?
Estefane Carvalho, A BORDA, setembro de 2020
Femme Fatale