Não havia surpreendido-se quando ouvira a nova função da garota. Ela sempre fora uma espécie de ‘tomboy’, e aquela era uma das características que William achava extremamente atraentes. Mesmo que o tempo tivesse passado, ainda sentia uma forte ligação com aquele sentimento. “Parece que o jogo virou, não é? Pelo menos consertar gera mais dinheiro do que quebrar as coisas, certo?” chutou em tom de brincadeira. Vê-la consertando carros era melhor do que pensar na situação em um país em guerra. Sempre temera pela saúde de Diana e, ali, conversando com ela, tinha mais paz para afirmar que estava tudo bem. E ela ainda parecia impecável. Sentiu o silêncio entre os dois se estabelecer, notando que estava olhando demais e segurou um suspiro de alívio quando ela puxou outro assunto. “Ah, bem… Você sabe que eu costumava de gabar de qualquer coisa há alguns bons anos, mas espero que não entenda da mesma forma.” sorriu torto, uma vez que falaria da sua conquista e não queria que Diana tivesse impressões erradas sobre o antigo William. “Você está olhando para o campeão mundial de surf de 2017.” disse nervoso. Não dizia para qualquer um, mas aquela sim era uma novidade. “É claro que foi realmente difícil, os competidores eram ótimos. I mean, aquele Medina era um monstro.” falou um pouco empolgado, e quem o visse sem a máscara notaria um brilho no olhar diante do assunto. Só então percebeu que, talvez, ela não entendesse nada do que ele estivesse falando e mordeu a bochecha para parar a si mesmo. “Bom, é isso. E você? Não sabia que tinha voltado da Síria, e é bom te ver inteira. Há quanto tempo está em Nova York?”
Suas sobrancelhas se arquearam quando William revelou que era um campeão mundial de surf, e gradativamente seus lábios se ergueram em um sorriso capaz de mostrar todos os dentes. “really?” não duvidava da capacidade do rapaz em conseguir tal conquista, pois conhecia a afeição que tinha pelo mar e pelo esporte. Sabia que se ele transformasse o hobby em algo mais competitivo, não demoraria muito para que tivesse uma medalha pendurada no pescoço. “estou tão feliz por você!”
expressava genuína felicidade pela vida alheia; afinal, por mais que fizessem anos que os dois não se viam e agora fossem pessoas diferentes das que eram no ensino médio, as memórias não foram apagadas o que permitia Diana ainda se conectar a William e se sentisse mais confortável em sua presença. “imagino que não deva ter sido nenhum pouco fácil, mas pelo menos você chegou lá, campeão.” provocou, rindo baixo. “você tem um fã clube ou algo assim? É difícil imaginar William Salazar, o bad boy, tendo um fã clube, mas não é nenhum pouco impossível.” aproveitou que um garçom passava para pegar um aperitivo de sua bandeja, não entendendo muito o que ele quis dizer com Medina, mas pôde facilmente concluir que se tratava de um dos outros competidores. Isso a fez até mesmo se recordar que havia um entusiasta do surf na oficina onde trabalhava, mas nunca tivera diálogos longos o bastante para aprender algo sobre a modalidade. “fez um ano dois dias atrás.” revelou, seus lábios desfazendo o sorriso para ficar em uma linha tênue. “não tenho muitas novidades, pelo menos, não muito felizes." hesitou em dizer, não queria estragar o clima da conversa, mas talvez William merecia saber...? Quer dizer, seus progenitores foram sogros dele por bastante tempo, e talvez fosse justo que soubesse o que aconteceram. Mordeu o lábio. “eu descobri um pouco depois que eu cheguei que minha mãe havia morrido pro câncer há cinco anos...” uma pausa se seguiu. “Quando eu tinha vinte, um pouco antes de participar do primeiro conflito armado.” graças aos deuses, um garçom com uma bandeja de bebida surgiu de um dos cantos do salão, e Diana pegou o champanhe para disfarçar um pouco a situação tensa ao levar o copo aos lábios.