“Com certeza no soco, porque é só fazer alguns movimentos e pensar em coisas que me despertem raiva” tipo socar a cara da Rosier ou Rita Skeeter, era um começo. Sem mencionar que Xadrez era para mentes privilegiadas ou para quem nascia com cu virado pra lua. Luca não era nem inteligente aquele ponto e tampouco sortudo aquele ponto, ou pelo menos não se considerava. “O que vocês aprendem em Durmstrang sobre isso? Na magia Marcial.” a pergunta era legítima daquela vez, sem qualquer piada envolvida. Seria interessante saber como melhorar seus dotes para as provas, embora achasse pouco provavel que tivesse que lutar com um dragão com as próprias mãos e não a varinha. “Puff” um bufar audível foi solto enquanto abria as mãos indicando uma falsa bomba explodindo ao ouvi-lo falar que era gostoso. Claro que concordava, tinha olhos bons para notar, mas já bastava o ato falho de ter confessado, não iria dar mais trela para o leonino. “Eu esqueci que não sabia francês, foi mal” soltou um riso baixo antes de conjurar o exemplar que lhe chamara a atenção, folheando as páginas até chegar na notícia de Isabel Van Dijk e Íris Daskalakis. “Aqui diz que a Íris e a mãe da Mina eram amigas em Beauxbatons, que foram responsáveis por salvar alguns aldeões de Pyrenees em um ataque de bruxos das trevas. Usaram da chave de portal da Isabel e… pasme” luca abriu as mãos como se estivesse prestes a abrir um cartão invisível no ar para estampar aquelas palavras. “Mamãe usou do dom da clarividência! Bem que a Rami estava certo, o pergaminho que achei dela com aquela numerologia que te disse… é alguma coisa de adivinhação. Depois te mostro o que já descobri, mas ainda falta partes” explicou antes de sorrir mais uma vez para a imagem da ruiva e por ele ter dito que a daria orgulho por ser tribruxo. Ao ouvir a história de Niklaus crispou os lábios em surpresa, o brilho no olhar se tornando nítido pela descoberta. Era bom saber que agora tinha uma família que era mais próxima da sua realidade bruxa, por mais que honrasse muito seus laços com seus pais e todo amor que lhe foi dado. “Você acha que um dia podemos ir lá naquela mansão da memória? Ela ainda existe né? Assim você podia me contar mais coisas” seu coração bateu ritmado com aquela possibilidade. “Porque olha, os Daskalakis são fodas pra caralho e agora… agora eu sou um!” ergueu as mãos levando ao rosto dele para estalar um beijo francês em felicidade, ciente que provavelmente Niklaus tinha pouco costume com aquilo pela sua origem de Durmstrang. Escutou o relato dele sobre Astrid, mas sua cara era tão debochada que era impossível não notar que não acreditava numa palavra se quer, mesmo que se mantivessem silêncio. Um sorrizinho estava brincando nos cantos dos lábios, mas no fundo sabia como era. Se lembrava das vezes que sentiu o sangue ferver quando se aproximavam de Mina, mas no final era o próprio culpado daquilo e era justo que ela tivesse doses de felicidade. “Por isso as vezes prefiro ser um pássaro livre, esse negócio de fazer ciúmes na ex ou ter esses roles todos me cansa” fez uma careta com aquilo, era a mais pura verdade. Como um sagitariano não teria coragem de se envolver daquela forma. “Mas se você diz, ok!” tradução: continuava não acreditando, mas não forçaria nada. Cruzou os braços diante do peito antes de assentir, engolindo em seco com aquela possibilidade. “Acho foda viver com insegurança de saber se será amanhã que a besouro-loiro vai dessecar minha vida no jornal. Então se descobrirem… espero até lá estar de boa”
— Uh, eu realmente iria querer ver. Nossas mães iriam ficar decepcionadas se brigássemos, mas confesso que tô começando a me divertir com a possibilidade. Isso me deu várias ideias Luca, e você deveria saber que Niklaus + ideias é algo perigoso. — contou tranquilamente, uma risada baixa escapando da garganta. — Se eu te contar perde toda a graça. — o tom de suspense permeava a sua voz, mas não durou muito. — A verdade é que Durmstrang presa em sermos bons em duelos. Bons não, excelentes. Espero que não tenha de duelar com a campeã de duelos da Feuer, Luca, nenhum de vocês se safaria dessa. — alertou com entusiasmo. Realmente admirava Olivia pelos grandes feitos e até pedia umas aulinhas de vez em quando. — Então, mas também temos esgrima e outras lutas corpo-a-corpo. Na falta de uma varinha a mão é bem útil. — ele particularmente adorava as eletivas de combate, tendo adquirido diversas habilidades úteis até mesmo para os duelos. Controle de equilíbrio e respiração era uma delas, habilidades estas que muitos bruxos subestimavam mas que em Durmstrang era levado a sério.
Ergueu-se para visualizar melhor o que tinha escrito no jornal, mesmo que não entendesse quase nada. Os olhos logo arregalando-se com a história contada contada por Luca. — Mina a... francesa? Digo, a loirinha francesa? — engoliu em seco ao lembrar-se do segredo de Mina, repreendendo-se mentalmente por quase deixá-lo escapulir. Mesmo que Gianluca fosse seu primo, um segredo confiado era sempre um segredo confiado. — Caralho! Que foda! Nossa, não sabia que titia era justiceira. — lembrou-se das histórias que a mãe contava sobre a irmã quando crianças, e as histórias que os próprios avós comentaram durante seu crescimento. Aquela família realmente escondia muitos segredos. — Clarividência? Uou. Será que você também tem o dom? Já sentiu algo que indicasse? — perguntou com curiosidade. Lembrava-se vagamente de sua família ter tido clarividentes em algumas gerações, mas nunca conhecera nenhum deles. — Claro que podemos, acho que elas ficaram pra a gente, de qualquer forma. Minha mãe sempre ia lá ver se tava tudo em ordem, tinham servos e tudo. É bem triste pensar que... todos os nossos ancestrais estão mortos. É bem solitário. — aquela reflexão foi subitamente expelida pelos seus lábios, fazendo com que sua mente ansiosa se perguntasse se as mortes teriam sido de causas naturais ou não, como foi com sua mãe. — Então deve ser de família. — deu de ombros enquanto o observava. Estava na cara que ele não acreditava em nada do que dizia, mas Nik estava sendo sincero, ou pelo menos achava que sim. — Nunca me envolvi dessa forma com ninguém e não pretendo nem tão cedo. Já tenho problemas suficientes pra lidar. — realmente os tinha, mas se dissesse que não sentia uma pontada de inveja ao ver certos casais apaixonados pelos corredores estava mentindo. Contudo, talvez não fosse feito pra isso, afinal. — Prometo fazer o possível pra não deixar espalhar. Você sabe, estou torcendo pra Durmstrang ganhar, mas se você ganhar... é meu primo, po! Não quero que se prejudique por conta das fofocas dessa fofoqueirinha desgraçada.