E esse céu que você imaginou pra mim hoje e veio calhar de cair exatamente no meu caminho… 🩵
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@avessodocaleidoscopio
E esse céu que você imaginou pra mim hoje e veio calhar de cair exatamente no meu caminho… 🩵
E afinal, por aqui… qual o pranto que não cai cinza no mar em dia de sol, certo? ❤️
Frenquência boa essa, hein meu filho?
Grata por recompor esta canção aqui comigo. Porque, afinal, parece então que o breu não é mais ausência de cor. E também talvez ainda não possa ser todas as cores. (Quais, afinal, não é mesmo?)
Teu corpo livre em medos meus, e vertemos para o mundo um apurado caldo quente, mas até que colorido… e tudo mais lançamos numa ainda hermética e muito gostosa vibração. Olha aí. É que no fim, tu é grande, eu sou pequena. E vice-versa, se é que visse o verso. E assim, diante de todas as distâncias tão imensas e variadas que existem por aí, neste passeio agradável, talvez a proximidade de dois corpos às vezes um pouquinho diferentes nem seja assim tão tão abaladora. Venha, então. Luz-pulsar. Quasares e jaguares para Gal.
Alguém que me conhecia então um pouco ao longe veio até mim e tirou as medidas exatas da minha loucura. Veja só, por uma simples pupila. Vê se pode. Viu assim que servia. Me pegou pela mão e levou pela rua a passear. Muito agradecida a todos os envolvidos. Pra frente é que se anda (sim, aqui, vocês sabem…). Isso deixa aqui de ser um sequestro, na medida que vocês, envolvidos, podem perfeitamente compreender. Livres? Sim. E nem tanto. Vamos agora colorir por aí, se é que me entendem.
Deu bom, hein?
Das coisas que aprendi na clínica, com Val soube que não sei, Deus é que sabe.
Melhor do que isso, só se for verdade. (Autoria do pai, até que se prove em contrário)
O problema do Diabo é que ele é velho. (Meu pai, para todos os efeitos)
Eu não quero saber quem é o defunto, eu quero é chorar. (Autoria do meu pai, para todos os efeitos)
Na primeira vez em que fui internada estava completamente fora do ar. Até hoje as memórias que me vêm dali são registros esparsos, fragmentos de conversas nos dias e momentos que antecederam a internação, e vez por outra as vasculho na esperança de encontrar um fio que explique como cheguei aqui, aonde estou. Eu estava como louca. Louca mesmo, o que se entende por insana; uma pessoa que ninguém considera, a sério, pelo que diz. Nunca imaginei que estivesse definindo por uma sequência de anos aparentemente em suspenso meu destino, nossos destinos, meu e de parentes próximos que acompanharam tudo. Escrevo no passado mas tudo é bem presente. Eles ainda acompanham, eu ainda sigo buscando compreensão e saídas, nós ainda seguimos acompanhando o processo de resgate de mim, da minha vida que eu mesma sequestrei. E seguiremos. Alem disso, é também futuro, meu pai faz questão de lembrar. Estamos em tratamento, até o fim da vida, nas palavras que ele endereça fundo às minhas memórias, para que eu leve em consideração nos meus próximos atos não trair o presente. Só por hoje. Só por hoje. Só por amanhã, não. De volta à loucura. Vinha do Rio de Janeiro resgatada por uma mensagem do meu pai. Em alguma conexão de sensatez compreendi que deveria voltar a Santos. Ainda não compreendia que precisava de cuidado, que precisava de tratamento. Mas já tinha entendido, repentinamente, que iria morrer se continuasse rodando do Vidigal para a Rocinha diariamente atrás de pó e inserção num movimento para o qual não tinha nenhuma vivência, tampouco teoria. Então era um progresso. Ainda não sabia que em breve me trancaria no labirinto de uma internação, menos ainda por um ano. Tudo foi muito progressivo. E eu já tinha uma certa experiência com viagens lisérgicas. Sei que não estou lá, não exatamente, mas sigo procurando onde estou.
O barulho seco e sem eco da porta arrebentada pelo resgate naquela madrugada em que não atendi ao pedido de minha mãe para abri-la ainda toca na minha cabeça. Foi uma porrada só. Entraram, gritei. Me tombaram e vi de baixo pra cima minha mãe em pé, salvando meu celular de uma queda, enquanto me amarravam deitada e imobilizada na cama. Estava a sessenta horas sem dormir no momento em que tomei os comprimidos que salvaram meu sono por um dia inteiro. Acordei com o toque do interfone, atordoada, minha mãe chamava e eram duas da manhã. Olhei pela varanda, ela vinha com a ambulância. Por isso não abri. Letárgica pelas medicações, não calculei que não teria saída. Me acalmaram enquanto me seguravam num gancho de braço pelo pescoço e amarravam meus pés e minhas mãos, minha mãe sumiu. Depois soube que meu pai também estava lá. Não o vi, mas ele viu tudo. Me contou. Vi um cara branco com ela na porta antes de arrombarem, pelo vidro da cozinha que permitia que eu enxergasse sem ser vista, então não achei que era ele. Mas talvez eu tenha visto mal. Fui no camburão do resgate até a clínica de pijama, com meu travesseiro, meu cobertor e uma garrafa de água que a socorrista gentilmente se lembrou de apanhar pra mim. Perguntei para onde estava indo. Clínica da Preta. Não podia acreditar que estava de volta àquele lugar.
Saí da internação numa quarta-feira de consciência negra, que bem poderia ser de cinzas. Aqui fora, resta no entorno interno da habitação apenas escombros do que um dia me estruturou e me deu amparo. Caminho nos cômodos envolta em destroços, na casa em que moro agora, que é de minha mãe, reina a decepção. No espaço onde compartilhamos sabores outros tempos, o desgosto é o que dá o tom. A não ser pelo amargo, tudo é ausência. Não julgo; o julgamento não me cabe. Mas sinto muito. Sobretudo, sinto a necessidade de não sentir tanto que meu lugar é outro lugar.
Foi em sonho que você me veio hoje. Nós ali diante do mar. Fazia quase noite, vínhamos de um dia pleno de praia e o sol se punha naquele horizonte a nós tão familiar. A praia larga, a maré tranquila sobre a areia total. As ondas vindo beijar nosso pés e em seguida levar nosso gosto pro fundo. Nossas mãos entrelaçadas respondiam pela tranquilidade de todos os pulsos que resistiam em nossas artérias. Conexão orgânica. Imagem que me rasga maravilhada o peito e todos os outros sentidos para me compor. Devorar-se é isso.
Que hoje eu tive vontade de te fazer uma receita de quindim tamanho família. É bom, sempre todos gostam quando eu faço. No último ano novo eu fiz e não sobrou nem pedacinho pra contar história já durante à noite mesmo. Vez ou outra me vem essa vontade meio sem freio de estar com você e eu toco escrever cartas pra quem. Amanhã é um dia bom, e seria de grande valia estarmos juntos. Mas quem mesmo sou eu para dar rumos ao destino, não é mesmo? Eu espero de verdade que esse dia chegue. O dia de estarmos juntos, que ele seja em breve, e não se esgote logo. Eu já te contei que sabia alguma coisa desde a primeira vez que te vi? Não sei se posso dizer que nos vimos, acho que você não reparou ali naquele momento. Mas eu adorei como você se vestia e o movimento do seu corpo-baile. Eu pensei, Nossa, que absurdo de destreza! Como pode? Fiquei vidrada. Você pode pensar que é comum comigo, mas não é. Pelo menos não desse jeito. Aí eu fui no outro dia e te vi de novo e logo dei um jeito de você notar que eu estava ali pra ver você. E você notou. E eu fiquei toda desconcertada. Sabe? Sem ritmo, sem clave de sol, sem nada que organizasse minhas ações e reações. De repente eu não sabia nem falar. Que coisa maluca! E eu adoro as coisas dessa ordem, não é? Nunca mais saí dali daquele momento. Disto que deriva então a vontade de que logo estejamos juntos e que eu possa dar seguimento, junto a você, a esse caminho que se parou ali. Alguém já disse que você é algo incrível? Mas assim, não no sentido de alguém em quem não se pode acreditar, e sim nessa acepção que toma esse adjetivo em nossa língua de algo ou alguém que parece quase nem ser possível de existir de tão especial e particular e extraodinário. É isso, eu acho você MUITO incrível.
Os bichinhos, eles roubam nosso coração, você não acha? Como podem ser tão entregues assim, quase sem receios, mesmo aqueles que já sofreram tanto? Estou com saudades dos meus. Queria beija-los todos, fazer cafuné e carinhar. Ir carinhando assim até que adormecessem tranquilos ao meu lado. Daquela tranquilidade que se recebe pela respiração amena entremeada de um único suspiro inesperado, que vem de sobressalto de milésimos de segundo da entrega ao desarme despreocupado que representa o sono. Quase sempre acompanhado de um leve tremelique. Em seguida, novo silêncio entrecortado por respiração quase muda. Tudo em baixa frequência, suficiente para embalar também o meu próprio sono satisfeito de observá-los com calma. Uma cama plena deles pro meu coração pulsar na exata medida do amor. Uma vez ouvi que dividir a cama com alguém durante o sono é confiar completamente. É abandonar-se à sujeição de qualquer coisa, entendendo que o outro é tamanha extensão de si que não se corre risco de nada que possa vir de perigo. Eu hoje só queria meus bichinhos aqui comigo em meu coração que é vasto, mas já se ocupou deles.
Foi um aniversário difícil. “O mais reflexivo da sua vida”, disse meu pai logo pela manhã. Entristecida por ausências de pessoas, de capacidades, de imaginações, passei o dia junto de meus amigos que foram muito dedicados em torná-lo em lugar um pouco mais agradável. Depois vim pra casa e me postei frente a todas estas pessoas que tenho encarado nas últimas semanas. Grandes nomes por grandes ideias que gestaram e pariram, grandes desafios os meus em compreendê-las com alguma qualidade. Processos. Difíceis, mas são o que atribuem valor à vida também. Uma vida sem transformação é uma vida desperdiçada. Mais cedo achei que tudo estaria perdido porque não seria capaz de me modificar. Neste instante acredito um pouco mais sobre as possibilidades que podem se abrir. With a little help from my friends.
Desde ontem tristeza sem jeito. Sinto o fluxo dentro de mim e tenho medo de chegar a um fim de como me entendo covarde, sem coragem nem de terminar com tudo. Tem vezes sei tudo em outras nada. Acho que nada pesa mais que tudo e o equilíbrio talvez não seja coisa pra gentes do meu tipo, de muitas limitações e poucos limites. Completo anos amanhã, Jorge está aqui, sua presença vale por tantos e ainda assim me sinto só. Não sou satisfeita e permaneço ingrata. São muitas faltas por agora. Duvido que seja capaz de reverter situações que vem tão extremas. Acredito pouco também nas condições que tenho a partir de mim pra construir novos caminhos. Hoje parei neste lugar de piedade que nem gosto mas de onde me sinto incapaz de levantar. Levei um tombo logo cedo, foi em frente de onde moro agora, caí sentada e ralei a mão. Fiquei mais triste. Já vinha assim. Alguém me disse certa vez que não se deve perguntar por que comigo, mas sim por que não eu. Tenho dúvidas. Alguém egoísta como eu talvez não saiba como transitar para outro lado. É como já foi dito, às vezes deus me tira a poesia.
Hoje tenho novos remédios a tomar. Tentar remédios que me deem alegria. Depois coisas dessas da chatice da vida pra resolver. Sem amor tranquilo por hoje, também sem veneno antimonotonia. Eu acho. Mas tenho visita com alguma poesia e trocado pra dar garantia. Tenho pensado muito sobre a arma armada e apontada para a cara do sossego. Sem juízos valorativos por hora, só pensando mesmo. Daqui a dois dias serão trinta e sete anos os anos, entrando no trigésimo oitavo, e nenhum problema resolvido. Trinta e oito, essa a arma. É logo ali. Espero que não tanto. Não tenho problemas em envelhecer, desde que não seja muito pra mim. Não tenho problemas com o passar do tempo desde que você esteja comigo. Não quero morrer antes. Também não quero que você vá antes de mim. Dizem que quando isso acontece a pessoa se indigna porque a outra foi e a deixou aqui, depois da promessa da eternidade. Leminski. Um bom poema, uma vida inteira. Penso muito nisso também. É madrugada, estou agitada e por isso menos poética, eu acho. Estou urgente. Assim também será você gosta junto de mim? Remédios pra dormir, parece preciso também. Sempre fui contra porque nunca precisei. Eu acho. Agora vivo sobressaltada a esta hora da madrugada. As noites sozinhas não me agradam tanto. Talvez seja muito racionais pela cabeça. Pode sempre ser madruga como um homem na estrada. Ou ouvindo alguém me chamar. Sei lá, resolvi que não, não tão rápido, mas ainda assim me parece que não tem precisão. Gosto mais quando o dia amanhece e a luz entra, mesmo quando entra rasgando as retinas. Cerro os olhos e tudo se resolve. De novo penso sobre os trinta e sete, iniciando o ciclo dos trinta e oito… como será? Tanto a fazer, tanto pra estar e a vida passa tão rápido. Agora são outros os poetas. Aquele que diz que aos quinze tem saara na ampulheta, depois não. Rápido como um cometa. Manter tudo organizado, aqui dentro, como o que vem de fora também. Indigestão. Tive ontem algo dessa ordem, antes de me alimentar, e isso é difícil acontecer. Alguma coisa pelo caminho não me caiu bem. Inicio o fim de semana com muitas promessas de encontros mas não me bastam porque não tem você aqui. Reclamo demais é verdade. Vai me aceitar assim mesmo? Tem certeza? Ainda está em tempo de desistir. Você pode pensar bem e, bom, você sabe. É que às vezes eu ainda não acredito, sabe? - mesmo acreditando muito. Muito mesmo. Já vejo quase tudo. Não vejo tudo e é bom porque não estraga o que tem de surpresa. E eu sou muito afeita às surpresas nesses casos exclusivamente. Perdoa se estou objetiva de muito, é a ansiedade. Essa agitação que me sobressaltou. Três minutos pra tocar o despertador. Banho, alimento, e depois resolver tudo o que se mostra necessário hoje. Por querer eu ficava aqui só em nós hoje. Sempre. Por que mentir se não é preciso? Eu conto os dias de um futuro que não faço ideia - faço um pouco - de quando irá se fazer presente. O alarme tocou. Já te contei que detesto alarmes? Por mim, eles não existiriam. Tudo acordava no ritmo natural das coisas. Mas pra que mentir se não é preciso? Alice te parece um bom nome também, na colcha que temos a fazer nossos pontos? Agora eu ri um pouco. Boa sexta pra nós.
Sobre essas noites Frias
Eu só queria te dar
Boa noite.
Mesmo.