Hoje, em meio as minhas meditações, pensei que talvez seria melhor me desculpar com você pela nossa última conversa e pelas coisas que eu disse, apesar de serem verdades. E, enquanto eu pensava no que eu diria a você exatamente, por mais que nunca recebesse a mensagem, eu notei que eu não sinto muito. Eu não te devo desculpas. Eu devo desculpas a mim mesma. Eu tenho que me desculpar por milhares de coisas, que eu ainda vou achar um jeito de fazer isso, mas começar com você me pareceu ser mais fácil.
Primeiramente, eu quero me pedir desculpas por ter deixado você entrar na minha vida e ter dado tanto poder sobre meus sentimentos, por ter-lhe confiado tais sentimentos, segredos, choros e ânsias. No momento em que eu depositei isso em suas mãos, eu me tornei, e me deixei ser, um ser humano totalmente vulnerável e penetrável à você.
Depois, quero pedir desculpas a mim mesma por ter deixado todas aquelas suas palavras horríveis me machucarem. Todas as vezes que você gritou dizendo que não queria mais nada e eu chorei, que você disse que não sentia mais nada, que não me via mais no seu futuro e eu chorei. Peço desculpas a mim mesma por ter perdido tantas e tantas lágrimas, sentido e carregado tantas e tantas mágoas.
Acho importante que eu também me peça desculpas por ter ferido a mim mesma e pensado em me ferir mil vezes só porque você não estava aqui. Já pedi desculpas por ter deixado você entrar na minha vida, mas agora preciso pedir desculpas por ter deixado a sua partida, sem explicações, me ferir tanto.
Eu fiz isso comigo mesma, eu deixei você ter esse poder sobre mim. Eu deixei que o sentimento viesse e que ficasse. Eu peguei aqueles comprimidos, eu tomei todos eles sozinha. E eu me deixei pra morrer. Eu fiz isso. Não você. Você não estava aqui e por isso eu acreditei que não tinha razões para eu viver. Eu desisti de mim mesma, logo depois de você desistir de mim também.
Você não estava lá quando me trouxeram dos mortos e tiraram todas aquelas coisas do meu estômago e eu chorei. Eu chorei desesperadamente. Primeiro, por ter imaginado o quanto você se sentiria culpado, depois por ter imaginado o quão insignificante a minha vida era para você que sequer mandou uma mensagem. E eu culpei você por tudo isso, por todas as minhas dores, por todas as dores que eu carrego por ter escolhido amar você.
Eu escolhi amar você, eu deixei isso acontecer. Você foi embora, eu fiquei e você não é responsável por mim. Eu sou. Eu sou responsável pelos meus sentimentos. Eu sou responsável por deixar o choro me consumir até ao adormecer, por deixar a sua partida doer a ponto causar dores físicas reais, como se alguém estivesse arrancando meu coração.
Por isso eu, dona de mim, dona de meus sentimentos, responsável pelas minhas escolhas e ações, me peço desculpas e me perdoo por, por um instante, desistir de mim mesma e me deixar nas mãos de outrem. Eu me prometo que nunca mais me deixarei. E, para sempre, no fundo, eu sempre serei minha e de mais ninguém.