Tudo deveria ser perfeito. Ochako, obviamente, preparou chocolates, e colocou tudo de si naqueles doces. Pequenos tabletes em formato de bombas — uma noite inteira de trabalho árduo, e mesmo assim alguns ficaram com pequenos erros, mas não fazia mal. Torcia com todas as suas forças que Katsuki gostasse. A jovem carregava o pacote embrulhado enquanto era conduzida pelo namorado, que parecia a levar para o outro lado do planeta. ❛ Ok, ok! Só estou cansada de ter meus olhos vendados, por acaso está me sequestrando? ❜ Brincou, caminhando com passos inseguros.
Ouviu o clique da porta abrindo, e já estava pronta para brigar com o loiro que com certeza os trouxera de volta para o seu quarto. Seus pensamentos foram interrompidos com a voz rouca próxima de seu ouvido, finalmente revelando a surpresa. O quarto de Katsuki geralmente era organizado, mas agora parecia ainda mais limpo. No centro, sobre uma mesa que não costumava estar ali, estava a janta que ele insistira que prepararia.
Estava definitivamente sem palavras, e ao mesmo tempo queria dizer tanto. Virou-se preparada para falar algo, agradecer e abraçá-lo forte, quando fora surpreendida — novamente. Nas mãos do rapaz havia uma pequena caixa, e obviamente Ochako sabia o que aquilo significava. Mesmo com o pedido de namoro, nunca fora oficializado com alianças de compromisso, e sim com um colar que era seu presente de aniversário ( e que ela usava, nesse exato momento ). Apontava para a caixa, boquiaberta e dizendo palavras que não faziam sentido. Era como um flashback da noite nos fundos do dormitório, do momento em que ela disse sim.
Fitava os anéis que finalmente foram mostrados diante de seus olhos, eram lindos e brilhantes e — pareciam caros. ❛ Você sabe fazer uma surpresa, não é? ❜ Brincou, sorrindo feito uma boba e repetindo as mesmas palavras daquele dia. ❛ Elas são lindas, obrigada ❜ disse enquanto Katsuki colocava um dos anéis em seu dedo da mão direita.
Tomando muito cuidado com seu presente, envolveu os braços em torno do corpo de Katsuki, abraçando-o forte, inalando seu cheiro. Queria ficar ali para sempre e nunca mais o largar. ❛ Eu te amo ❜ murmurou como se fosse um segredo entre eles, uma promessa. ❛ E não pense que eu esqueci! ❜ Assim que se afastou, estendeu o pacote com seus chocolates caseiros dentro.
Naquele momento, naquele breve mas infinito momento em que colocava o anel no dedo de Ochako e ela fazia comentários, Bakugou riu, riu por não saber expressar o quão feliz estava com tudo isso, com todos esses momentos, com todos esses sorrisos, com simplesmente tudo. Se alguém falasse para o rapaz um ano atrás que hoje estaria namorando Uraraka Ochako e trocando anéis de compromisso, ele mandaria essa pessoa calar a boca a explodiria porque era simplesmente impossível e, no entanto, lá estava Katsuki abraçando sua namorada enquanto se declaravam.
❝ Também te amo ❞ sussurrou para que ninguém ouvisse a não ser a garota, afinal, ele tinha uma reputação e se alguém o visse tão meloso, bem, estaria acabado, apesar de que, na verdade, queria gritar para o mundo todo o quanto amava essa garota com 1,54cm de altura.
E quando ainda estava nessa êxtase de felicidade, seu primeiro dia dos namorados com alguém, Ochako, a garota mais delicada e fofa de toda a classe entrega uma caixa com chocolates feitos a mão com o maior zelo de todos. Katsuki simplesmente não conseguia, o que diabos ele tinha feito para merecer alguém como ela? Ele não tinha a menor ideia.
❝ Porra, que coisinha fofinha do caralho, vai se fuder ❞ se expressou, no final sorrindo e deixando a caixinha tão bem feita em cima da cama e então puxou Ochako para um beijo. Droga, ele amava tanto poder beijá-la quando quisesse sem ter que ficar sempre com medo de que ela ficaria estranha depois. Droga, isso era tão bom!
Definitivamente esse era um primeiro Dia de São Valentim mais que perfeito.