Cresci com a regra de "quem não sente não sofre", logo sofri e senti que não era normal, que toda a dor que eu sentia ninguém podia saber, passei a esconder qualquer resquício de sentimento, nada importava e todos os problemas alheios eram insignificantes e causados pela ignorância. Sem vigilância eu me tornava mais um deles, os infantis sentimentais, pessoas consideradas imaturas e incapazes de lidar com os frios na barriga e batimentos cardíacos acelerados causados por olhares, toques, cheiros e palavras, sim, longe de casa eu era aquele ser intenso e transparente, nenhum parente podia saber que um dia ao chover tomei um ser em meus braços, deixei só o bagaço de meus sentimentos ao declarar nas minhas palavras o que éramos, ninguém podia saber que a dor de fingir não sentir me afetava e que algumas palavras talvez nunca fossem ditas. "eu te amo" estava fora da minha vida, na hora da bronca é proibido chorar e ai de quem implorar por compaixão, elogio é coisa para criança e sua arte é só um passatempo que não apoiam por ser insignificante na sua carreira, por falar nisso vamos ver o seu compromisso com ela 24 horas todos os dias de todas as semanas sim, até nos fins de semana, rala muito pois é só isso que importa e não me vá bater a porta balbuciando um "eu te amo" que não vai colar, é um sentimento muito forte do qual não se pode gastar a palavra, nada disso me afetava, só quando as lágrimas desciam e todos fingiam que não ouviam. Na calada da noite me peguei a pensar que talvez deixar pra lá seja melhor, mesmo que o mais fácil seja julgar aqueles q são como eu e ninguém sabe, metade de mim era verdade mas a outra metade era uma vaidade alheia projetada pelas palavras dos outros para meu cérebro, as regras eram claras e minha cara de quem acreditava em cada sílaba daquelas palavras era extremamente diferente da que eu fazia quando me convencia, ou tentava, de que aquilo de não sentir era pra mim, era bem diferente da que eu fazia quando todo mundo dormia e uma lágrima descia pelo meu rosto, era bem diferente de quando eu desistia da vida e passava dias pensando que não fazia sentido levantar, cantar, comer ou viver já que tudo aquilo dispertava um sentimento que como sabemos foi banido de minha vida, sim, existe amor em tudo isso, em todos os dias, palavras e sorrisos, existe alguém que criou aquilo com todo carinho e paixão entregou para o mundão sua criação para que uma familia como a minha ensine que não precisamos de nada disso e que tudo da porta para fora deve ser ignorado e até mal tratado. Eu fui o diferenciado ligado por sangue que não teve o simanque de se proteger, se esconder para viver e não ter que ouvir o que eu tive, admito que me arrependo pelo tormento q trouxe e que me sinto culpado pela bagunça da vida vizinha proibida de sentir.















