bc-wanwisa:
○ — it’s not fair
Naquele exato momento ela queria chorar. Soltar a carga que guardava dentro de si de uma vez só, num rompante tão rápido quanto a facilidade que seu rosto tinha de assumir um sorriso. O peso sobre seus ombros tinha sido muito pesado, a empurrando para baixo com força, mas sua constituição não permitia desistir tão rápido. Ou melhor, desistir de qualquer maneira. Wanwisa estava rindo e soluçando, os olhos marejando porque mais daquele tom ecoava pelos ouvidos e fazia o corpo inteiro se arrepiar. O toque em sua mão apagando horas acumulados numa questão de assoprar a poeira de um álbum bem guardado. — Mingyu. — De novo, aquele aperto no peito, um nome bem conhecido e reconhecido pelo mundo. Saudade. Saudade. Seus amigos não entendendo a profundidade que era estar no mesmo cômodo, de estar com a pessoa e ela não te reconhecer. Nem quando invadiu uma consulta da amiga psicóloga para chorar em seu peito a dor de ter perdido algo que ainda existia.
Eu- Me desculpa! — Mais um ataque de sentimentos misturados, dedos passando e alisando as partes que lembrava estarem machucadas. A garota se estabanou na hora de se achegar um pouco mais, a alça da mochila enroscando no salto e a desequilibrando. Contudo, é claro, os reflexos foram rápidos e a seguraram antes da queda. — Típico. Tão típico de Wanwisa. Igualzinho a quando fomos naquele parque. — Lembra? O sussurro preso na garganta, um sexto sentido oculto a preservando de uma apreensão que não tinha nome. Nem identidade. Estranha, porém ali, tão presente quanto o peso extra na bolsa. No ar que separava os centímetros que os separavam. Tombou a cabeça pra frente, testa buscando a de num contato mais íntimo. Porque… Porque… algo dizia que não era a hora certa de um beijo. Não era? As sobrancelhas se contorceram em dúvida, mas o coração chutou para o lado e se colocou sobre os cotovelos, brilhando em expectativa e coberto de amor. — Acho que não vou mais precisar te assaltar com o Ultimate Álbum que fiz pra gente. É meio vergonhoso. — A língua enrolou para completar a linha de pensamento. — Quer dizer, a gente pode ver se você quiser. Trabalhei muito nele. Mas tem tanta foto- Você não sabia que eu estava tirando em quase metade.
Eram momentos como aquele que o lembravam que era, de fato, humano; seu coração batia tão forte contra o peito que podia dizer com tranquilidade qual fora o exato momento em que ele se partiu em pequenos. Todas as reações dela, todas as expressões e até mesmo as coisas que não expressava o atingiam com tal força e tão dolorosamente que sentia o choro queimar o fundo da garganta. O tanto que ela precia ter esperado por aquele momento, o tanto que ela o fazia parecer importante... Quanto mais deixava que tudo adentrasse sua cabeça, mais encantado ficava ao perceber quanta sorte ele tinha por tê-la. "Ele", porque ainda não se reconhecia naquela identidade. "Ele", porque Mingyu ainda soava como outra pessoa de quem estava usurpando a vida. Todavia, depois de tudo o que já soubera, o quão importante era ter alguém como ela? Deus, espero que ele a ame com todo amor que é capaz de sentir.
Sorriu brevemente, incapaz de conter-se. Entretanto, aquele choro que dava um nó doloroso no fundo da garganta precisou ser contido a todo custo. Ele sabia que não podia deixar espaços para interpretações errôneas naquela situação. — Está tudo bem, não se preocupa. — Apressou-se a dizer, não querendo causar mais preocupação. Tentou segurá-la, mas ela foi mais rápida, por sorte. Ainda assim, suas mãos permaneceram no topo de seus braços. Riu, ligeiramente sem graça por não fazer ideia de qual dia e qual parque, enquanto a olhava. Subiu uma das mãos para deixar um carinho em seus cabelos, tentando ser tão gentil quanto podia. Não queria ir além daquilo, honestamente, para não acabar se aproveitando da situação, independente de a quantas andava o relacionamento dos dois. — Você fez um álbum? Ok, eu definitivamente quero ver isso. — Disse, genuinamente animado com a ideia. Fotos das quais não tinha conhecimento não eram um problema, até porque ele não sabia nem mesmo quais tinham sido tiradas com o seu conhecimento, que diferença faria? Seria cômico se não fosse trágico. Tentara vasculhar suas redes sociais pelo celular de Wonshik uma vez, mas ele não era muito ativo em redes sociais, aparentemente, portanto, nada muito útil fora descoberto, nem mesmo sobre seu relacionamento, infelizmente. Bom, descobrira que era discreto com aquele tipo de coisa, pelo jeito. — Mas você vai ter que me contar todas as histórias...













