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gosto muito do que deixo de escrever - do que eletivamente não faço caso. embora isso só se escancare à medida que tento ser fiel à metonímia infinita, ao fitar a folha em branco. não escrever tem sido um horror. nada palpável. me poupe, o tudo. apalpar o tempo em sua finitude talvez tenha algo a ver com o esforço do bem dizer. do que deixar pra nem agora nem depois.
é absurdo que um curto-circuito possa atingir a cabeça sem ter ocorrido qualquer fluxo ocasional de sinal elétrico oscilante com longo intuito entre dois corpos migrantes parece haver uma ponte invisível que corta um mudo rio desse caminho existencial o qual em meio à neblina dos afetos mal sinalizados a despeito de fortuitos desvios imagina-se trilhar como quem espera uma encomenda sem se prestar ao trabalho de corretamente encaminhar
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE UMA ROSA COMO OBJETO
uma rosa branca é sempre estagiária na função falha de equiparar desejos entre dois amantes no lugar de palavras que os valha uma rosa arranca trivialmente a atenção na boemia errante certeiramente de quem do amor exige um galardão uma rosa em mudança de mãos alheias eufóricas numa madrugada brandida sem remetente é uma rosa neurótica sintomaticamente dada a estupidez do bombardeio de sentidos uma rosa melancólica por sua vez para além do destinatário e das pétalas brancas caídas não sabe o que perdeu é um corpo despedaçado pro qual o romantismo se tornou enfado uma rosa em si é sempre fálica até que um homem resolveu castrá-la na função simbólica de completar suas amantes e aí sempre falha
cegueira
sobre a visão sem paraquedas
no abismo da luz branca
em queda livre pulsional
ao fim do dia
é preciso guiar
a melatonina
a fazer pouso leve
na pista quente
dum abajur
entre turbulências virtuais
e emergências mentais
tentar assim
voar
ao sono
Dias de bad são dias acumulados de não reafirmação.