If I saw you on the street would I have you in my dreams tonight? || Brina & Berkant
Sabrina conseguia notar a confusão na expressão de Berkant conforme ela ia falando, sabia que se estivesse no lugar dele também estaria igual a ele. Embora parte de si ainda estava surpresa por ele não tê-la chamado de louca ou fugido dali na primeira oportunidade. Não. Ele realmente parecia interessado no que ela dizia, no que ela revelava, no que ela trazia de novo para a vida dele. Brina sabia que ele seria diferente de qualquer pessoa que conhecia, mas não imaginava que seria tanto. Por muito tempo acreditou que Berkant seria apenas que uma idealização de seus sonhos, mas não. Ele era real e estava ali na frente dela, querendo conhecê-la e entendê-la melhor.
Muitas vezes se esquecia que nem todos tinham as informações da forma que ela recebia, alguns chamavam isso de privilégio e em partes ela concordava. Acompanhou com os olhos a garçonete deixando a comida que ele tinha pedido sobre a mesa, enquanto pensava no que poderia responder para ele, sem que soasse ainda mais estranho. Por Morgana, ela tinha ensaiado esse momento tantas vezes, mas tudo ainda parecia um sonho e que de alguma forma ela acordaria a qualquer instante. — You’re right, I went to Hogwarts and I know that you was in America at that time. You studied at Ilvermorny, right? — tentou não se desconcentrar quando Berkant falou que se lembraria dela se a tivesse conhecido antes, aquilo sim a deixava nervosa. Isso era alguma maneira dele dizer que a achava bonita? Interessante? Perguntou a si mesma enquanto observava ele comer o que havia pedido. Sequer sabia como ele conseguia comer com tanta calma, ela mesma olhava para a comida e seu estômago embrulhava.
O homem provavelmente não tinha entendido o trocadinho que ela tinha feito, mas não o culpava. Sua irmã Grisha falava que os homens as vezes poderiam ser um pouco lerdos em algumas situações, embora não achava que esse era o caso agora. Berkant realmente estava confuso com suas palavras, e não sabia que ele vinha a perseguindo em sonhos desde que ela tinha dezesseis anos, por isso não entendera o que ela tinha pontuado. — Sinto muito, às vezes eu me esqueço que nem todos são como eu, que nem todos sabem o que vejo ou penso… Não quis dizer que você me perseguia dessa forma, mas sim em meus sonhos, Berkant — pausou a voz por alguns segundos olhando para os olhos do homem a sua frente, não queria assustá-lo, mas queria que ele entendesse o que ela tinha a dizer e explicaria tudo com calma.— I really know you and it’s been a few years. I was sixteen when I dreamed of you for the first time… And we were right here, in this place. At the time I thought it was crazy, but you kept appearing to me in my dreams, so I knew that somehow I would meet you. So I decided to come here today and you came here too… Just like I saw in my dream. And it was not the first time that I dream about something and it happens, it has always happened, since I was a child. Now you must think I’m a little crazy, right? — ela tinha dito tudo com muita cautela, ao mesmo tempo que ela conhecia Berkant, ela também não o conhecia. E se ele fosse diferente do que ela havia sonhado? Parte de si tinha medo da resposta dele a pergunta que ela tinha feito. Por mais que tivesse sonhado com Berkant todos esses anos, Sabrina não poderia escolher o futuro dele, sabia que havia diversas possibilidades de como ele poderia agir com aquela informação e isso não era algo que ela poderia prever.
Berkant já havia passado da fase de achar que Sabrina, estranhamente, era alguém que sabia demais sobre sua vida deus sabe de que forma e que estaria usando daquelas informações para conseguir algo dele. Tudo que a mulher lhe falava parecia ser realmente sincero, mesmo que nenhuma de suas palavras fizesse muito sentido na cabeça dele. A situação era um tanto quanto absurda e em seus curtos vinte e quatro anos de vida, Berkant não lembrava de ter vivido nada assim, nem mesmo quando seu pai apareceu em uma de suas visitas nas férias quando ele tinha idade o suficiente e explicou que ele era, na verdade, um bruxo. O que talvez fosse um exagero, mas de toda forma, aquela estava entre uma das mais bizarras coisas que ele já teve que viver.
O bruxo somente assentiu para a informação de que havia estudado nos Estados Unidos, nem mesmo ficando realmente surpreso que Sabrina já parecesse saber disso, no fim das contas ela parecia saber muito sobre ele e curiosamente sobre a previsão do tempo também, visto que ela tinha acertado com precisão sobre a chuva que cairia. Nem mesmo a informação sobre os sonhos de Sabrina pareceram fazer sua ficha cair, apesar de ele ter quase certeza que a bebida que tomava havia descido pelo canto errado de sua garganta. Berkant levou alguns instantes para registrar tudo que escutara, se demorando um pouco para conseguir organizar tudo que gostaria de questionar. Com a comida já deixada de lado, seus dedos ágeis trabalhavam rapidamente no papel deixado a sua frente pela garçonete, montando um pequeno origami enquanto sua mente trabalhava em todas as coisas não ditas em todo aquele espaço de tempo estranho desde a última fala de Sabrina.
- Eu- Acho que tenho algumas perguntas e isso não quer dizer que eu não acredite em você, sim? Mas vamos por partes, acho que é melhor para nós dois assim. - Começou com o tanto de confiança que tinha naquele momento, mesmo que não fosse muita, afinal o que exatamente você deveria dizer a uma pessoa que afirma sonhar com você desde os dezesseis anos? - Seus sonhos não são só sobre mim, certo? Isso seria mais estranho do que isso tudo já é e você disse que tudo que acontece nos seus sonhos acaba acontecendo na vida real também. E exatamente desde quando você tem esses sonhos? Aliás, quantos anos você tem? Acredito que sonhar comigo desde os 16 é muita coisa... - Talvez tenha se equivocado ao dizer que fariam aquilo por partes, no fim das contas tinha somente jogado várias perguntas em Sabrina, o que provavelmente era compreensível, visto que ele realmente tinha muitas dúvidas e tudo aquilo que ela havia lhe dito ainda não fazia completo sentido em sua cabeça. - Espera, isso quer dizer que você é algum tipo de vidente ou algo assim? Como isso é pos- - Finalmente encarando Sabrina, Berkant soltou um suspiro, uma expressão um tanto quanto confusa em seu rosto. Não fazia nem mesmo sentido perguntar como era possível que ela fosse algum tipo de vidente, levando em conta no mundo em que viviam. - Na verdade, acho que tenho uma pergunta mais importante pra fazer, se não se importar. O que exatamente você viu nos seus sonhos comigo, Sabrina? - Era quase como se tivesse finalmente percebido tudo que tinha escutado e se dado conta de um contexto maior que ele. Segurando seu cisne de origami entre seus dedos, Berkant deixou sua atenção fixa nos olhos de Sabrina, esperando a resposta da mulher. De alguma forma, ele sentia que não era somente sobre ele estar ali naquele restaurante que os sonhos dela se tratavam.