A ausência presente
Sinto o espetar profundo de farpas, a dor fina que atravessa e fere, em cada olhar, em cada palavra, como um prego, que insiste em penetrar a madeira.
Sinto a fria companhia da minha sombra, silenciosa e fiel, presente onde me encontro, um reflexo apagado, sem calor e sem contato a me seguir, constantemente, como o vazio segue o etéreo.
Sinto o vazio maçante do não querer, um abismo sem nome, profundo, onde os sonhos se perdem, onde o olhar não encontra, um nada que toma, que invade, desmedido.
Sinto o pesar do existir, um peso sem forma, esmagador, como uma lâmina sem fio, que dilacera, uma angústia que consome, corrói.
Sinto o ruir do eu, o apodrecimento em pequenas doses, onde o desprazer se assemelha a loucura, e mesmo assim… não sinto nada.











