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e não conseguir me amar.
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@bluesdocaos
me sinto insuficiente mesmo tendo todo amor do mundo enraizado na minha pele.
e não conseguir me amar.
alguns dias tem sido mais ardentes que os outros. alguns dias eu fico mais melancólica que os outros. alguns dias eu sinto a vida me chacoalhando mais que os outros.
muita coisa tem mudado desde o último dia em que eu me olhei no reflexo do espelho e me deparei com uma mulher em constante evolução. há coisas em que eu me questiono desse desejo de querer ser sempre mais, de querer desbravar mundos ou de simplesmente acalmar os meus monstros e dizer a eles que essa fugacidade das coisas uma hora se acalma.
preciso de reafirmações e de olhares concretos pra não me sentir vazia.
aqui dentro, tudo dança em passos descompassados demais. lá fora, eu quero continuar me lançando contra o vento e sentir que a minha existência pode transbordar o mundo.
somos corpos cansados em uma existência líquida; o peso de ser escorre e corrói a alma.
você me olha como se eu fosse uma luz e tenta se agarrar em mim sem entender o quão longe estou.
escondo estragos aqui dentro que sinto que em algum momento irão atravessar as frestas e te atingir como se tu tivesse alguma culpa disso.
mas você não tem, meu bem.
eu te vi tão puro me encarando ontem a noite que senti medo de destruir com esse monte de coisa que tu enxerga em mim e que eu nem faço ideia do que é.
vai ter dias que não vou querer estar aqui e talvez tu não entenda isso.
o meu amor é uma rachadura no tempo
por onde não entra luz.
você não acredita em nada e isso é tão triste, meu amor. quero te falar do céu e do estrago em meu peito, quero te contar os mitos e te mostrar deuses. quero segurar tua mão e te abraçar, estancar teu sangue. quero soprar em teu rosto e te mostrar as possibilidades da vida, mas você não acredita em nada. quero te fazer tocar o céu, mas você morre de medo de altura. cê tem medo da queda e, por isso, perde a vista. quero te encher de lirismo juvenil, mas tu acha isso uma grande bobagem. quero te mostrar o bem, mas você tá sempre ocupado com teu ceticismo. quero te levar pra ver o mar, mas tu tem medo que uma onda te engula, te leve para longe. eu te amo, mas você tem medo do que isso pode vir a te causar.
a gente só vive uma vez e tu gasta tua existência não crendo, não tendo fé, te odeio por isso. porquê você é tão grande.
os dias se repetem da mesma forma. meus medos e insegurança me matam da mesma forma.
sinto cada vez mais todos os meus sentidos se atrofiando enquanto minha existência corre contra o vento. sinto minha pele sensível e incapaz de absorver o toque das coisas, por mais leves e bonitas que sejam. parece que tudo me espanca a sangue frio e adentram meu corpo de forma fugaz, revirando e revirando e revirando minhas certezas.
não quero ter dó de mim. quero rasgar o meu peito e me permitir a sentir tudo. quero queimar de tanto sentir.
quero que algo dentro de mim faça eu me sentir viva.
eu jamais me perdoaria se decidisse te amar de novo.
tentar ser eu nesse mundo de ilusão, é quase uma teoria nunca explicada.
adeus ao teu ultimo suspiro.
o estrago já é tamanho, de modo que ali, no canto, dá pra ouvir a vasta bagunça que tá cantando. tenho vontade de me erguer, limpar teus rastros, jogar teu azul vago no horizonte meio morno do meu-feito-céu. mas não dá pra ser livramento, porque cada vez que o relógio anda, pode ver-se mais do que você fez ao peito que é agora maior que a cidade.
a gente nunca sabe o quanto o outro gosta da gente e é isso que dói.
Eduardo Galeano, in “O teatro do bem e do mal”.
i drink something between the disks. vulnerable, evolved, naked. eu queria ser clara, exata, nítida, mulher capaz de dar cinco passos sem perder-se. ser a paz violenta sobre a qual nasce o verão, como um animal faminto que se desfaz em euforia, mas tem como adorno o perfume das flores. com uma sede fatal a se dissipar engolindo os dias que passam devagar e sentir a minha pressa possuir um incrível líquido doce que escorre feito veneno em minhas coxas. eu queria possuir o poder de calar rápido como peixes e dizer lento como medusas. de não viver o medo espatifado no tapete da sala e sentar sobre os joelhos como alguém coagulando numa margem. de ser algo além do meu dorso de vinho e café esperando o próximo revés. sem horror ao belo real, sem o exílio do sol, como animais vorazes soltos numa catedral. eu ainda queria ser a mulher-bicho louca que arranha a mobília com as unhas esquizofrênicas, mas também a mulher-bicho louca que não naufraga, e se naufraga, floresce entre as pedras verde musgo. eu queria ser o que antecede o desastre nada abstrato, mas sou sempre depois. em pele de caos, pele de água, meu estandarte é indecisão, minhas bandeiras são rupturas. vulnerable, evolved, naked.
dois passos e a gente atravessou o oceano salgado dos nossos olhos
alguns acordes desafinados e dançamos no inverno da cidade
após isso eu me assusto com o barulho das placas tectonicas movendo-se sobre nós
doeu muito quando eu fui embora?
em mim doeu para caralho
desculpe pela ausência cruel
é que fui configurada pelo excesso de partidas
tenho tanto medo de amar, cara
tanto quanto tenho de morrer.
esse entra e sai de você na minha vida é o mais próximo do inferno que já provei