Titationem!
w: @bm-emi
Pelo pouco que havia conversando com Emi, ela não era o tipo de garota que gostava de briga. O que desanimou um pouco Nari, porque estava realmente animada para participar do Titationem. Afinal, era o primeiro dela. A bruxinha não entendia muito bem porque estava na lista de nomes, se sentia fraca demais para estar ali. Entretanto, decidiu que aquela seria uma oportunidade para aprimorar suas habilidades. Mesmo que não fosse realmente pegar pesado com sua colega de classe, gostaria de aprender um pouco mais sobre o que era capaz. Assim, os treinos com Leliel e Tseziy não foram poupados. O primeiro por ser extremamente forte e bom em duelos - sem contar que seu melhor amigo - e o segundo por ser seu maior exemplo dentro do clã Mortiferum. No fim, acabou por aprender uma nova habilidade e um pouco mais de resistência às ilusões que sabia que Emi usaria.
O duelo fora marcado para pouco depois das sete horas, onde o lua se fazia presente e deixaria as habilidades de sua oponente mais fortes; Nari fazia questão de tudo ser o mais justo possível, afinal, realmente gostava da mais nova e eram boas colegas. Assim que chegou ao local indicado, cumprimentou Emi com um sorriso e um acenar de mão, logo tomando seu lugar no pátio. Sabia que o primeiro ataque seria seu e, apesar de preferir o contra ataque, havia se preparado para aquilo também; precisava de uma oportunidade para testar a habilidade nova, e aquela era perfeita. A mortiferum fechou seus olhos, concentrou-se nas coisas ao seu redor que normalmente ignorava, e deixou que algumas palavras saíssem, baixinho. — Venit ad me. Ostende mihi faciem tuam timoribus. — Então, o ambiente tornou-se alguns tons mais escuros e mais frio para qualquer um por perto, entretanto, para Emi, o efeito era ainda maior. Ambas as mãos de Nari apontavam em direção a Astrum, como se direcionasse o feitiço para ela - e era exatamente o que fazia. Os espíritos ao seu redor logo rodeavam Emi, quase como se a abraçassem e, mesmo que a garota não tivesse medo daqueles seres em particular, era como se eles despertassem os que ela realmente tinha. Afinal, era sobre isso que a nova habilidade se tratava: deixar o oponente com medo. Algumas mentes são mais fortes que outras, então o efeito nunca é igual, mas a intenção inicial era usá-lo como uma forma de, ao menos, distrair. Enquanto a mais nova tinha que lidar com as criaturas fantasmagóricas ao seu redor, Nari aproveitou da oportunidade para fazer um círculo ao seu redor com as cinzas de madeira que havia trazido em sua bolsa, sentando-se no meio do mesmo e fechando seus olhos, concentrando o máximo de energia que lhe fosse possível, pra sua próxima habilidade.
Aquela semana era extremamente estressante para Emi, já que tudo que a garota menos queria era ter que duelar no Titationem. Não ligava para tudo isso de honrar o seu clã ou qualquer coisa do tipo, pois a menina não sentia sentimento algum por isso, e deixava claro. Mas o que deixou-a mais irritada foi o fato da garota não ter muitas magias ofensivas, já que a garota nunca desejou batalhar. Ao menos, daquela vez, tinha a Lua ao seu lado. Mas ao mesmo tempo, olhava para aquele astro e praguejava.
Não se deu o trabalho de cumprimentar a oponente de forma simpática, apenas acenando com a cabeça de forma sucinta, com sua expressão quase indecifrável de sempre. Levou o ataque da garota sem muita defesa, acabando apenas por dar um passo para trás. Escutava as vozes daqueles espíritos que estavam o tempo todo tentando trazer os sentimentos de medo que sentia, mas a Minatozaki sabia muito bem como escondê-los - ou melhor, ela sabia muito bem esconder qualquer sentimento. Tais almas pareciam apenas mosquitos que irritavam-na com seu zumbido incessante.
Enquanto teimava para se concentrar na luta, a garota observou a outra que tentava se concentrar para um próximo ataque. Suspirou fundo e olhou para o céu banhado pela luz que a lua refletia, dedilhando os dedos até o seu cinto que tinha em volta de sua cintura, pegando um dos pequenos frascos e os quebrando no chão, formando uma uma nuvem acinzentada que a escondia. Seria bom o suficiente para despistar os espíritos, já que os mesmos não tiveram êxito em adentrar sua mente. Camuflada, apareceu por trás da garota e tocou sua têmpora com o indicador, transferindo uma visão para a mesma.
Já não estavam mais no pátio, mas sim num lugar úmido e escuro. Emi não conhecia sua adversária, então não sabia muito bem como iludi-la, mas achou que levar sua mente para um lugar onde não se encontrasse já seria o suficiente. Enquanto isso, proferia algumas palavras baixas em latim enquanto quebrava em sua mão algumas poções e ervas que trazia consigo. Precisava de tempo o suficiente.
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