i wish you so badly
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i wish you so badly
sangue
por mais que neguemos, fugimos. e quando você sentir falta da violência delicada que existia entre nós, vai voltar a pensar em mim.
quando sentir falta do jogo de poder que tínhamos, dessa dinâmica atmosférica, tensa, de tesão, amor e ódio, você ainda vai ansiar por mim. vai sentir falta da vertigem. do cortisol. do enfervecer. do jeito que nossas palavras se cruzavam como lâminas.
e eu odeio admitir isso. o que é quase cômico. porque todas as vezes em que renunciei ao poder, fui mais feliz.
o pior é carregar essa consciência quase universal das coisas e, ainda assim, desejar o incêndio. porque existe algo de profundamente injusto em ter que abrir mão de tudo aquilo sobre o que exerço domínio apenas para viver sob o domínio dos outros, como me sujeitei à tirania durante toda a minha infância.
então me acalma. me deixa querer disputar com você nessa dinâmica quase assassina, porque nós dois sabemos: seu sangue fervia. e você se sentia poderoso.
havia um prazer cruel ali. quase litúrgico. como se destruir um ao outro fosse uma espécie de intimidade.
havia tesão no ódio. havia amor na disputa. e havia uma espécie de divindade doente no fato de percebermos, por alguns segundos, que tínhamos poder absoluto sobre a ruína um do outro.
i miss you
i wish i didnt miss you
borderline wonderland
eu fico imaginando acidentes o tempo inteiro.
não acidentes grandes.
pequenos.
sua cabeça batendo no concreto.
alguém atravessando a rua no momento errado.
um dente quebrando dentro da boca.
essas coisas me acalmam por algum motivo.
eu queria ter cravado aquela faca no seu estômago. eu confesso. mas nem isso era sobre você.
e ainda que eu te matasse, abrisse você no meio e arrancasse as suas tripas pra fora, ainda assim não seria nada.
doenças mentais? é sério que você descreveria dessa forma tudo aquilo que somos?
estou começando a escrever um livro.
they say that when the human body cannot understand what is happening, it calls it poison.
that is why some people grow nauseous in cars: the eyes perceive motion, the ears feel stillness, and the brain, unable to reconcile two truths, panics. it would rather believe in toxin than accept confusion.
with you lies what heals me and what contaminates me.
and perhaps the cruelest part is not knowing how to tell them apart.
and i know the risk. i know the symptoms. i know the bittersuite taste that always lingers afterward. i know that perhaps you left to save yourself from me.
come back complicated, distrustful, incomplete.
come back without promising anything.
come back even angry, if that is the only way.
i accept the weight, the labor, the discomfort, the slow reconstruction.
all that remains to me is this silence, reverberating.
there are poisons that kill slowly.
quase como num devaneio, queria te contar as coisas novas que aprendi. esses dias sonhei que dançava minhas músicas favoritas enquanto você assistia.
você assistiria? você ainda me amaria? sentiria orgulho de mim?
como num devaneio, já que a vida sempre me pareceu desmoralizante até demais, e parafraseando a dedicatória de um dos livros mais lindos que conheci, penso que ela também tenha percebido, antes de partir, que viver não valia a pena.
agora à noite tive uma crise e me lembrei de você.
mais especificamente do dia em que morreu. essa é uma confirmação.
eu estava indo pro velório rindo no carro, ou pelo menos parecia. lembro das ruas passando pela janela, do movimento normal da cidade, alguém falava alguma coisa, e eu rindo como se estivesse a caminho de qualquer coisa.
mas não era riso. era algum outro nome que nunca aprendi.
porque eu ainda não acreditava. teu nome morto não cabia dentro de mim. tua morte era grande demais pra entrar inteira, então saiu pela boca em forma de riso.
até que vi teu corpo.
e ali tudo fez sentido da pior forma possível.
o rosto parado. o silêncio pesado. as flores tentando enfeitar o irreparável. e então eu desabei com atraso. chorei tudo que o carro tinha segurado. chorei como quem finalmente entende a língua em que a tragédia foi escrita. chorei como quem estava sozinha no mundo pra sempre.
às vezes penso que naquele dia alguma coisa mudou na química do meu cérebro. não de um jeito bonito ou simbólico. mudou mesmo. como se os botões tivessem sido trocados.
desde então as coisas em mim chegam fora de ordem.
e talvez seja só porque uma parte minha nunca saiu daquele carro. ainda está lá, rindo sem acreditar, a caminho da pior notícia da própria vida.
tenho saudade de quem você era
antes do branco do pó te tomar aos poucos.
antes de eu entender
que algumas perdas começam muito antes de irem embora.
tenho saudade das mãos
que cuidavam do meu cabelo.
do cuidado silencioso dos dedos,
como se desembaraçar fios
fosse também uma forma de me proteger do mundo.
depois veio o pó.
branco, seco, impaciente.
entrou como quem nada quer
e foi como dominó.
primeiro levou teu riso.
depois tua calma.
depois a parte de ti
que ainda conseguia ficar.
existe uma crueldade própria
em ver alguém partir sem sair do lugar.
em perceber que o corpo permanece,
mas o resto já começou a desaparecer.
ainda assim, tenho saudade.
das músicas bestas.
do jeito que falava comigo
como se eu fosse importante.
do teu amor que parecia maior
que qualquer ameaça do mundo.
quase como num devaneio,
ainda espero que você me busque,
veja meu cabelo bagunçado,
e em silêncio
comece a arrumá-lo outra vez.
há escassezes que nos arruínam e, ao mesmo tempo, nos devolvem à espécie. nisso, talvez, tivéssemos algo em comum.
meu espantalho perdeu a utilidade mas a terra já estava morta antes disso.
todo mundo passou por esse campo levou o que pôde pisou onde quis revirou o que havia e foi embora como se nunca tivesse existido nada aqui
e eu fiquei.
sempre fico.
é um silêncio pesado é rejeição que nem eco devolve.
eu procuro em mim a criança que um dia existiu mas ela não responde mais
não é que ela esteja escondida ela só… não está
ela não se perdeu
ela saiu primeiro
antes de tudo desmoronar..
antes de eu perceber que já estava ficando sozinha dentro de mim.
o que restou continua
anda fala escolhe
repete.
um funcionamento sem origem sem intenção sem sentido
eu olho pras minhas escolhas e não encontro erro isolado
encontro padrão
um desenho constante que eu reconheço desprezo e ainda assim sustento
como se eu fosse menos autora e mais consequência
um acúmulo.
de todos que passaram por esse campo eu consigo apontar pelo menos dez erros em cada um
dez cortes dez marcas dez começos do que me arruinou
e ainda assim
em algum campo que não é o meu eu devo ser isso também
o erro recorrente o peso a falha que alguém não conseguiu esquecer
e isso pesa mais do que tudo
porque eu me odeio não só pelo que fizeram comigo
mas por saber que em algum momento eu me tornei parte disso
eu não sei mais como viver sendo isso
esse acúmulo de erro esse vazio que ocupa espaço esse peso que não se resolve
esse corpo que permanece mesmo depois de tudo já ter ido embora
um parasita
consumindo o que ainda resta
e o mais estranho é que mesmo assim eu continuo aqui
como se desaparecer também não fosse uma opção que eu sei executar
então eu só permaneço
entre o que eu fui o que eu imito ser e o que nunca existiu de verdade
sem conseguir voltar sem conseguir avançar
limitada dentro de mim amarrada a esse personagem
só existindo.
presa num campo infértil
que não espera não rejeita não responde
eu sinto falta de mim
num campo que já não espera mais nada de mim
serial experiments pain
antes mesmo do username.
os sinais passam por mim o tempo todo.
informação, imagens, vozes, fragmentos.
mas nada permanece de verdade.
eu observo tudo como se estivesse dentro e fora ao mesmo tempo, tudo está interligado.
mas isso não significa que exi-
eu prefiro cozinhar com carinho pra outras pessoas comerem mas eu odeio comer da minha própria comida.
eu gosto de ser a pessoa que sempre tem a resposta mais surpreendente.
eu gosto de ser a pessoa que sabe a coisa mais aleatória do mundo e você acaba de descobrir um novo fato curioso muito inútil, mas que você despretensiosamente vai citar algum dia.
eu penso que se meu nome pudesse ser representado por um símbolo/caractere seria uma estrela.
eu não posso morrer agora porque eu tenho todos os livros do mundo pra ler.
eu realmente gosto muito de música.
eu gosto muito especificamente de literatura e música.
eu sempre quis ser indispensável, mesmo sabendo que nada é.
eu gosto muito do meu corte de cabelo e sou eu que faço.
eu ainda odeio pentear meu cabelo.
eu odeio secar o cabelo.
eu acho legal que as pessoas prefiram meu cabelo bagunçado.
como se o caos fosse mais honesto do que qualquer tentativa de ordem. ordem talvez não combine comigo.
eu jamais ofereceria droga pra alguém.
eu não me arrependo de nenhum crime que cometi.
eu me empolgo falando sobre meus hiperfocos.
eu realmente gosto de falar das coisas que sei.
é uma merda não saber definir meus sentimentos.
posso não ter o trabalho mais extraordinário do mundo mas eu aprecio.
eu gosto do meu trabalho porque sou útil.
como se utilidade fosse a única forma aceitável de existir.
eu tenho uma tolerância estranha pra dor.
não porque ela não existe, mas porque eu aprendi a não reagir a ela.
existe uma tensão estranha entre o que dói e o que atrai.
como se sentir demais fosse a única forma de confirmar que algo é real.
eu me adapto àquilo que deveria me quebrar.
e sigo como se nada tivesse acontecido.
eu não sei exatamente onde está o meu limite.
eu sei a diferença de história e estória.
eu acho muito interessante número binário, arduino e aritmética de computadores desde a primeira vez que eu vi.
eu gosto de achar o hexadecimal perfeito pra um site.
eu não gosto de desenvolver.
eu só gosto da parte interessante, de conexões.
acho fofo que os captchas contribuem na digitalização de livros.
como se a humanidade precisasse de máquinas pra reconhecer o que já está perdido.
gosto de fumar pelada na janela.
gosto de sentar na frente do pc só de blusa e calcinha.
gosto de sentir que meu corpo tão pequeno é incapaz de ocupar espaço demais no mundo.
eu odeio ser mal interpretada.
ainda fico insegura de pronunciar certas palavras.
eu sou muito expressiva.
eu não gosto de ser vista, eu odeio ser notada.
ser percebida é uma falha de controle.
eu ainda não sei como explicar algumas coisas sem parecer que estou inventando.
talvez eu esteja.
eu sempre vou fazer as coisas do meu jeito.
o padrão é chato.
mas também não existe alternativa real — só variações do mesmo vazio.
eu não quero ficar sozinha pra sempre.
mas eu não sei como não ser sozinha e estar com você.
eu ainda penso nas aulas de ballet que eu comecei e gostaria de ter continuado quando criança.
como se existir tivesse sido interrompido antes de virar algo.
tenho poucos sonhos, não te vejo.
a ausência também é uma forma de presença.
ainda não aprendi a dizer não.
ainda não sei como não sacrificar minha paz em prol de outros.
eu amo sexo e como o prazer me tira do controle.
como se por alguns instantes eu deixasse de ser só pensamento.
eu existo. em carne. e pecado.
por mais que eu tente muito eu não consigo desenvolver o hábito de beber água.
nem o básico se mantém.
me assombra tu não pensar como eu.
porque pensar sozinho é o mais próximo de existir sem eco.
eu queria saber exatamente o que as pessoas pensam sobre mim.
mas isso nunca chega.
são - - só versões.
eu funciono melhor sob pressão.
porque pressão é o único momento em que algo acontece.
eu odeio ficar desconfortável no silêncio, eu preciso preencher esse espaço..
eu existo entre versões que não existem mais.
como um arquivo corrompido tentando se abrir.
eu sinto falta sua mais que tudo nesse mundo.
eu me odeio por continuar, mesmo quando não sei exatamente o porquê.
e continuar é só outra forma de não terminar.
eu adoraria correr na chuva sem ligar pra nada e sentir meu pulmão se expandir pra contemplar a passagem do ar.
como se respirar fosse uma forma de lembrar que eu ainda estou aqui, mesmo quando não faz sentido estar.
eu queria ter uma relação de família.
não só pessoas que compartilham o mesmo espaço, mas um lugar onde eu possa ser.
eu sempre penso nas coisas que eu ouvi e no que poderia ter dito.
como se existisse uma versão minha que sempre chega atrasada pra própria vida.
mas também não é como se eu não tivesse ouvido as piores palavras que poderiam sair de vossas bocas.
eu odeio sentir que minha respiração aperta.
como se meu corpo avisasse antes de mim que algo está errado.
e mesmo assim eu continuo em ambientes que me fazem esquecer como respirar.
eu me pego esperando que alguém perceba o que eu não digo.
mas quase nunca alguém percebe.
talvez porque eu também não deixo.
eu tenho medo de ser só mais uma variação do mesmo erro.
e ainda assim continuo tentando me organizar como se houvesse uma versão certa de mim em algum lugar.
eu sinto falta de coisas que nunca tive.
como se a ausência também pudesse deixar saudade.
eu não sei onde termina o que eu sinto e começa o que eu invento pra não sentir.
talvez eu seja só uma tentativa de significado em um sistema que não precisa de mim.
e mesmo assim, eu continuo aqui.
i grow tired of your name, how it insists on appearing everywhere
on walls, in the air, in the quiet intervals of the day.
and on the difficult days, which are many,
i still pause and ask myself
through which lens you would see me now,
what shape i would take in your eyes.
absence has become my most faithful habit.
yes, i practice it carefully, as one learns to breathe
stepping back, dissolving, leaving spaces where a self might have been.
i move with my chest open, exposed,
sometimes too much so.
and when something resists me,
when it fails to soften,
i pull myself back, contained,
as if folding myself could quiet the question.
do i please you?
is there something agreeable in this version of me,
hesitant, porous, unfinished
am i, like this, enough?
i feel claustrophobically encapsulated in this micro body.
a letter of despair
i despair without screaming for help. i live through the revolt and the defeat of my own decisions, a hostage to my actions and unable to live without fear. i carry the burdens of every tiny detail that slipped through my fingers, of every miserable effort to do right in vain, because i cannot accept that i deserve more than what i deserve (which is almost nothing). and if you ask me if i regret it, i will bitterly say yes, or i might simply choose to say nothing because my pride will scream. but just a few months ago, life was too good to be true, and i only realized it when it stopped being true. now i face my reality with the sadness of the occasion. i can no longer change what has already been. my eyes fill with tears that almost explode, but i simply felt alive walking home after class. it was my moment of solitude, of power, of being between "to be or not to be," and of other little things i will never have again. a reality that was so sweet i could no longer touch it with my fingers, and it had to slip away from me, just like that knife slipped into my hand on the day i begged for the worlds revolt and screamed for help for you to destroy my life. i need to be completely ruined, and no one would understand that but ... me.
and i wish everyone knew that every day i stop to think about the little details i ruined, i cry instantly. i never wanted my life to be like this, i never wanted this hell, and i scream to the walls that i didnt choose this. how fucked up do you have to be to reject something better and instead become your own downfall? who does something like that? only someone truly broken. i will always be drowning in my trauma, and its an endless pit with no way out because i've already dug to the bottom. nothing can be undone, and even if i wanted to, nothing can be fixed anymore.
my eyes are full. i cry today. despair
i_really_fucking_miss_you_every_day
GOD had no mercy on me, nor on u, when, in the form of a blessing, he brought u into the world. the most graceful among all his angels, named Gabriel. perhaps the closest to divine perfection he ever dared to create. u lit up my life while i, with my own hands, carve the stone that would lead to your downfall.
even the devil marvels at my skill for destruction. even he, with all his coldness, surrenders to the enchantment of ur beauty. u possess the eternity of the garden. the promise of the fruits, the yield of the flesh, and the gift of life in ur hands. and i ? i hold for u the love of someone who deserves not even the smallest of mercies—only the weight of their own misery.
u are a giant, while im nothing but a worm daring to scratch ur flesh and longing to drink ur blood.
i just woke up from a vivid dream, and i hope i no longer have to feel the despair of seeing you in my dreams.
i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i thought i was special. i never was.