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@bossew
Displaced? Me too. | Siobhan/Bosse
O garoto parecia muito surpreso ao vê-la; aparentemente, ele conseguia esconder-se do professor e acabar não fazendo dupla com ninguém. Siobhan não duvidava daquilo, mesmo porque ela mesma, que sempre foi tão observadora, jamais reparara no rapaz. Quanto mais ela o examinava, mais semelhanças com ela própria encontrava.
O gryffindor estendeu as mãos para ajudá-la a dispor os ingredientes sobre a mesa de madeira, e a slytherin não pôde deixar de reparar no leve tremor na ponta de seus dedos. Suas mãos estavam pálidas, quase tão pálidas quanto as dela, se é que isso seria possível. Siobhan não soube dizer se essa era realmente a cor natural de sua pele ou se a lividez era fruto do nervoso.
Sentou-se ao seu lado com cuidado enquanto prendia os cabelos em um coque, usando um elástico que se encontrava em seu pulso exatamente para esse fim. Ouviu a voz do rapaz se dirigindo a ela; o nervoso do qual ele falava era explícito no tom de suas palavras. - Não se preocupe. - Falou, em uma tentativa de tranquilizá-lo. - É mais fácil do que você imagina.
Lançou os olhos para o quadro negro, a fim de verificar qual era a primeira instrução. - Bom, para começar, temos que esmagar a vagem de moly. - Dito isso, abriu a trouxa de estopa com as vagens e as espalhou pelo tampo de madeira, deixando um punhado com o rapaz e um punhado com ela. - É mais fácil você fazer isso com a parte plana da faca. Tome cuidado para a seiva não espirrar na sua roupa, e mantenha os dedos afastados do gume. Não queremos pedaços de dedos no meio da poção. - Advertiu, começando ela mesma o trabalho.
Assim que terminou, Siobhan recolheu a vagem amassada com a faca e as jogou no caldeirão. Só então percebeu que nem se apresentara. - Sou a Siobhan. - Disse, tentando sorrir o mais gentilmente possível para o garoto.
O susto não foi por conta da aparência dela, não. A não ser que alguém com duas cabeças ou três olhos o abordasse, muito dificilmente Bosse entortaria o nariz para alguém por conta da aparência, precisamente por ter sofrido um pouco com ruindades assim, quando mais novo. Era magrelo demais, "bonitinho" demais, diziam eles, e com seu detestado nome do meio para complicar mais ainda as coisas. Se ela era albina pouco importava, ao invés disso o rapaz se sentiu foi mais confortável por ter alguém disposto a guiá-lo na aula ao invés de seguir ordens silenciosas e distantes de um quadro negro. Era realmente mais fácil e menos aterrorizante, apesar da ideia de perder alguns dedos contribuir para o suor frio em sua nuca,
Bosse imitava tudo o que ela fazia, Siobhan, com bem menos precisão e agilidade, mas de maneira longe do desastre que seria trabalhar sozinho, atento a cada uma das dicas dela que parecia tão disposta a ajudar. A isso ele retribuiu com a gentileza nata de um sorriso mais honesto. — Eu me chamo Bosse. Bosse Werner e uh, veja só. — Ele estendeu as palmas das mãos para a recém conhecida. — Todos os dedos sobreviveram.
Displaced? Me too. | Siobhan/Bosse
Siobhan gostava muito de estudar, mas a aula de Poções era definitivamente a sua favorita. A matéria era de longe a mais fácil de se lidar, e a garota possuía uma certa intuição, um certo feeling para o preparo das poções, a quantidade dos ingredientes, o tempo certo de cozimento. Eram os únicos momentos no ano inteiro nos quais ela ganhava algum tipo de reconhecimento - mesmo que os pontos para a Slytherin que ganhava em aula não mudassem um pingo do desprezo que seus colegas de Casa sentiam por ela.
No entanto, a aula de Poções tinha um pequeno senão: o professor gostava de montá-la em duplas. Fazia isso na esperança de que os alunos confraternizassem e esquecessem as diferenças existentes entre Gryffindor e Slytherin. Tentava desde o primeiro ano - Siobhan estava no sexto e não vira um milímetro de avanço. A rivalidade e o orgulho eram muito antigos para serem deixados de lado.
A poção do dia era a Poção Wiggenweld - um preparo relativamente simples com o intuito de restaurar a disposição. Com um aceno da varinha, os ingredientes e o modo de preparo apareceram no quadro negro. O professor deu suas últimas instruções e, por fim, pediu para que os alunos se juntassem em duplas - como sempre.
Sentar-se com alguém era praticamente uma tortura para a albina. Como ela era uma das poucas de sua turma realmente boa em Poções, o trabalho pesado quase sempre ficava para ela, e Siobhan detestava ver partilhado o êxito que obtivera sozinha. Entretanto, não tinha voz para protestar em sala, no meio de uma turma de gryffindors que provavelmente a odiava e uma turma de slytherins que certamente a desprezava.
Já sabia que seria inútil pedir ao professor para fazer a poção sozinha. “Você é muito fechada, srta. Rosier,”, ele diria pela milésima vez, “deveria se abrir a novos relacionamentos”. Depois de seis anos sendo seu professor, era de se esperar que ele já tivesse percebido de que não Siobhan não possuía espaço e muito menos disposição para relacionar-se.
Não lhe restava mais nada exceto ir ao armário dos estudantes e pegar os ingredientes necessários. Equilibrando as trouxas de cascas de Wiggentree e folhas de moly em uma mão e os frascos de muco de verme gosmento e ditamno em outra, virou-se para a sala. Todos os alunos já tinham arranjado suas duplas. A slytherin precisou conter-se para não pular de alegria; agora, o professor não teria desculpas. Teria que fazer sozinha.
Uma segunda olhada pela sala mostrou-lhe que se enganara. Havia um garoto, sentado na última mesa da sala, encostado no canto da parede. Não pegara ingrediente algum; parecia ter sequer se movido durante a aula. A capa com os detalhes vermelhos e dourados pendia-lhe folgadamente dos ombros. Havia algo em sua postura e em seus olhos que Siobhan reconhecia perfeitamente.
O garoto era a imagem espelhada da rejeição. Exatamente como ela fora um dia.
De alguma forma, Siobhan solidarizou-se com a situação do rapaz. Seus pés guiaram-na quase que maquinalmente até a mesa onde ele se encontrava. - Importa-se? - Perguntou, o mais firmemente que conseguia. A albina praticamente via a si mesma nos olhos claros do menino, enxergava a postura desolada, submissa e, acima de tudo, insegura, que um dia possuíra.
Toda manhã quando Bosse acordava, ele tinha o habito inconsciente de observar o brasão de sua casa, e algo no fundo de sua mente começava todo o processo de questionamentos infundados e perguntas sem resposta. Era um oco em algum lugar perturbador, apontando que realmente ele não deveria ser digno daquele Vermelho. O pior de tudo era sentir as dúvidas se intensificando dentro da sala de aula. Poções, minha grande inimiga, nos encontramos novamente. Se o pedido pelo professor fosse misturar uma grande dose de ansiedade, problemas de comunicação, nervosismo, e possível paralisia momentânea, todos os alunos ali terminariam a aula com frasquinhos cheios de Bosse Werner – a própria materialização de todas aquelas agonias. Até quando ele se sentiria incrivelmente desconfortável junto daquelas pessoas? Faz anos, realmente, e em teoria naturalidade de um diálogo corriqueiro entre estudantes da mesma classe já deveria fazer efeito, mas parecia impossível. Bosse não iria destruir a dinâmica das duplas de amigos que já trabalhavam juntos desde sempre e muito menos imporia sua falta de tato em Poções para um desconhecido.
Era uma situação de perda total, seu suspiro pesado disse, e quem sabe se ele ficasse quieto e tentasse trabalhar sozinho outra vez, não fosse tão catastrófico assim; não como da ultima vez, ao menos, quando ele teve de parar na ala da enfermaria por aspirar fumaça tóxica de uma poção mal feita resultando no inchar da língua. Só de se lembrar, seus joelhos entraram em greve de decidiram que nenhum trabalho seria feito aquele dia, não se isso dependesse da locomoção de Bosse para qualquer ponto que fosse. Eles não funcionaram nem com o susto de ter alguém ali do lado. Ha quanto tempo? Ótimo então, porque agora além de excluído ele iria passar a impressão de um baita maluco sem modos, mas realmente ele não esperava conseguir uma dupla para a aula, justamente pela mente (e os joelhos) terem parado de funcionar assim que o professor sugeriu essa ideia genial.
— Oh não, claro... Claro que não. — Tentando soar o menos patético possível, nessas horas Bosse sorria sem graça. Era o modo de defesa, sorrir e ser educado funcionava na maioria das vezes. Tentar ajudar a estudante da Casa que era o extremo oposto da própria, em questão de rivalidade, a dispor os ingredientes na mesa de trabalho também não seria de nenhum mal. — Perdão, eu me distraí... Aula de Poções nunca vai não me deixar meio nervoso.
as easy as surrender comes ♛ bosse . arya
Os dedos cansavam de momento em momento com a força que Bosse imprimia segurando sua pena para escrever no pergaminho. Sendo meio-sangue e muito satisfeito com várias coisas do mundo Trouxa, as canetas sempre pareciam a melhor opção. Ano entra, ano sai e ele simplesmente não consegue pegar o jeito de se escrever usando tinteiro.
Coisas poucas assim o faziam suspirar num canto da grande biblioteca.
Ele travava essa batalha injusta contra o pergaminho na vã tentativa de terminar o relato para a aula de poções em tempo. Poções, Bosse pensava com um grande pesar, não era a aula em que ele melhor se destacava – mas então que aula seria essa, se ele pensasse, realmente? – ele podia contar nos dedos de uma mão em que matérias o professor sequer note sua presença com aquele orgulho de educador, alguns outros dedos baixavam na contabilidade de quais dessas aulas ele realmente amava e mais dedos ainda naquelas em que ele conseguia superar seu irmão mais velho, Gunther, sem ter de quebrar a cabeça a respeito. Não era inveja ou nada assim, mas só a consciência de ser bom em algo, um farol lançando luz no horizonte das noites em que Bosse se desacreditava completamente. E esses dias, infelizmente, eram muitos.
Amortentia era a poção que ele escrevia a respeito, claro. Amor era uma faca de dois gumes afiadíssima, todo romântico incurável sabia disso. Como é tão fácil simplesmente ceder aos perigos e vantagens de um inofensivo liquido perolado para resolver todos os seus problemas cardiaco-sentimentais, e como tudo isso era a maior das mentiras. Para ele, um daqueles poucos que ainda idealizavam sentimentos demais, que se agarravam a essa esperança tola e infantil de que o amor genuíno transforma as pessoas, era nada difícil compreender a razão de alguém recorrer a esses métodos bruxos para não se sentir sozinho, incapaz, indigno. São palavras e sensações muito cruéis quando administradas em doses maciças e contínuas. Pois é, todo romântico incurável sabe... Mas, bobagem, logo ele desistiu dessa batalha que a dormência nos dedos fazia questão de dificultar, guardou suas e saiu da biblioteca com a mesma quietude com a qual havia entrado.
Nos horários sem aula, o mais novo entre os irmãos Werner gostava de usar desse tempo para respirar o ar gélido e puro que o inverno trazia, a temperatura trazendo cor ao seu nariz e bochecha sem o mínimo esforço, mas Bosse não se incomodava com o frio. Do contrário, era bem capaz de ele se sentir mais vivo com o toque da estação. Ele explorava o castelo sem sequer pensar muito a respeito, porque a graça de tudo era se perder e depois tentar achar o caminho de volta para a o sétimo andar com esse motivo para sorrir. Na maioria das vezes a Mulher Gorda era gentil com ele, e dizia que era culpa de seus olhos meigos – não era o melhor elogio que um rapaz naquela idade gostaria de receber, mas Bosse soube aceitá-lo. Nessas perdições e perambulações que ele topou com o que provavelmente deveria ser um segredo, mas por sorte ele reconhecia o cachear daqueles cabelos e o espírito forte de Arya, mas o que, afinal, ela fazia ali?
De todas as suspeitas que Bosse tinha do passatempo de seus colegas de classe, ainda mais por julgar todos bem mais bem vividos e melhor ocupados que a si mesmo, esgrima com toda certeza não era um deles. Por Deus, expressão que sua mãe trouxa vivia usando e já estava impressa em sua cabeça, ele não tinha nem a ideia que Arya sequer sabia empunhar um florete – mas ela estava se mostrando muito apta, tanto que o susto e surpresa estampados no rosto do rapaz arriscavam congelar aquela expressão ali permanentemente.
— Arya? — Arriscou Bosse, com as mãos para cima como um tolo se mantendo a bons três, quatro metros de distância. — Arya, mas o que...?
Nah, eu comecei essa conversa então não conta.
Querido, eu preciso fazer você e a Autumn deixarem de ser virgens até o fim do ano, vocês bem que poderiam fazer isso juntos. Apesar de não combinarem, seria um alivio para mim.
Quem morreu e te nomeou rainha do que acontece dentro das minhas calças?
Não vou mais dar ouvidos a essas suas ideias, tudo bem?
Não, ainda não acabamos essa conversa.
Bosse conte para mim, qual foi a pior coisa que você já fez? Me diz que já fez algo realmente ruim.
A pior coisa que eu já fiz?
Ora, haha, provavelmente ter dado inicio a essa conversa. Let it go, Charlie.
Boss nem todos aqui são puritanos como você, falo isso para proteger sua dignidade. Vamos confesse não tem nenhuma garota, sem ser eu, que não faça com que você se sinta mais quente? Eu falo com ela para você, não tem problema.
Não acha melhor pararmos com essa conversa?
Por Merlin, Charlie, dê um tempo!
Só estou dizendo que é melhor perder com alguma naja desse castelo, do que forçado. Você sabe como os tarados adoram esse seu cabelo loiro sujo, você é uma presa para eles.
Não entendo para que tanta inocência, você é um garoto tem dezesseis anos, está no seu sangue ter pensamentos impuros sobre as garotas.
Pensamentos impuros. Charlie... Eu não sou um animal, você sabe, não é? Você deveria deixar de se preocupar com o que eu penso, e prestar mais atenção nas coisas que saem da sua boca!
Boss, porque você não sai dessa sofá e vai arranjar uma namorada?
Não dá para ser virgem para sempre, vamos.
Charlie, o sofá está se provando melhor companhia que essa sua insistência sem sentido!
Já disse uma porção de vezes, essa... essa... coisa de virgindade... Shh.
Deixa eu cuidar de você ): fazer carinho, mimar, dar amor ):
Se eu precisasse de amor, carinho ou o que quer que fosse, imagino esses sentimentos vindo de alguém com um rosto, uma voz.
Alguém que me conhecesse de verdade. Só assim se pode amar as pessoas, não é?
sçdfmcdlfkcndsf~ldnfcdskfjcbkb stahp! rude ):
Quanta bobeira!Rude é algo que eu sei que não sou! Retire o que disse agora, seu... Seu...
... Seu completo desconhecido.
Sabe quem é o menino mais lindo desse castelo? Isso, "bossê". ):
Hm, tá. Tá, vai, admito que essa foi engraçadinha.Nunca tinha ouvido trocadilhos com meu nome antes.
Com esses cabelinhos loiros, cê até parece um anjinho. ): Lindo!
Case comigo. Apenas case.
Eu não teria coragem de me comprometer com um desconhecido. Você deveria pensar o mesmo.