Mesmo depois de tanto tempo, se por acaso você voltasse, eu ainda diria te amo.
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@boulnosoul
Mesmo depois de tanto tempo, se por acaso você voltasse, eu ainda diria te amo.
Eu faço essa coisa, de pensar em inglês. Acredito que possa ser o medo de alguns pensamentos gritem tão alto que possam ser ouvidos.
E quem tem medo de ser ouvido? Eu tenho. Particularmente, vivo numa casa que não quero que saibam, que dentro de mim, ainda tem uma criança triste, cansada e quebrada. Pois soa ingrato.
Ingrato porque me deram teto e comida. Até terapia (escrevo rindo comigo mesmo). E ainda sou fracassado. Trabalham e trabalham para me dar a base da vida. E eu? Sou nada.
Vagando em quanto o tempo passa - digo apenas figurativamente, já que passo o tempo deitado em minha cama do meu quarto - Esperando que esse tempo da vida me consuma, e meus pensamentos virem nada.
Me conto mil histórias, e tento me convencer do contrário. Mas no fundo no fundo, nunca consegui me desconvencer de que sou fracassado. Logo, penso em outra língua. Não quero que ouçam meus pensamentos dizendo - ingrato, fracassado, quem sou eu? Nada.
Eu costumava ser um depressivo expressivo. No meu quarto eu chorava e me machucava.
Recentemente achei que eu estava superando a depressão que me habitava. Achei que as minhas dores estavam mais distantes ou que haviam desaparecido. Isso tudo é uma mentira. Uma farsa que no fundo sempre soube que era farsa.
Disfarcei minha tristeza e minha dor há mim mesmo. Mas na verdade eu sou ainda apenas o depressivo. Dentro do quarto alienado. Pois passou a fingir pra si mesmo, que a dor foi embora. Embora ela só tenha piorado. Não chora, não se machuca.
As vezes eu até esqueço que ainda dói. Hoje eu lembrei.
Sem Deus no Comando
Talvez você seja a pessoa que crê. Seja lá em qual ou quais deus(es). É possível que acredite em uma força maior, ou uma energia não controlável.
Eu nunca acreditei em nada disso. Podem tacar a primeira pedra e chamar de ateísmo - como preferirem. Apenas sou um descrente. Na verdade um acrença. Não parei crer, pois nunca tive a crença. Então postergo pela terminologia da acrença. Renego com todos os prefixos.
Pronto. Não posso processar a ideia de um ser, além desta vida comandando ou observando cada um de nossos passos. Mas há consequências para a acresça. Definitivamente não escolhi, pois teria optado por um caminho mais fácil com menos crises existenciais.
Deus(es), energias, horóscopos e tudo mais, são boas invenções que nos fazem fugir da realidade e encontrar conforto. Conforto em um mundo que o ciclo se resume a vida e morte. Não existe nenhuma verdade tão consistente do que está. Nosso mundo é um ciclo, que para todos os seres se resume - incessante nascimento e morte.
Sua crença é um conforto. Uma voz ou energia do além que lhe diga - não estamos tão sozinhos ou que a vida neste lugar é apenas uma parte de algo maior. Nunca vivi este conforto, e por isso minhas perguntas desde a infância como uma criança muito curiosa se postergam até então:
Por que estou aqui? Para que vivo se a vida se resume em morte? Qual é o meu proposto de existência entre todos os seres?
As perguntas soam bem niilistas. E como um bom niilista - já antecipo minhas desculpas a Nietzche - não tenho resposta para nenhuma. Para uma pessoa que crê, talvez uma solução fácil se resuma a dizer que está no controle de um Outro maior.
Para mim, a vida é apenas um ciclo de vida e morte. Nada importa, sou apenas matéria de estrelas, destinado independente de toda minha dor, felicidade, família e amigos, a retornar ao ciclo do universo. Todas nossas memórias desaparecem, pronto sou novamente pó. Viver - uma vida emocionante, difícil, feliz ou triste - é apenas uma ideia humana, que ele mesmo criou na tentativa de fugir do inevitável - morte.
Todos os dias eu arrependo de não ter me aberto com você. Nenhum de nós estávamos preparados para o amor um do outro.
Mas eu não imaginava que você esteve preparado para o amor de outro alguém. Isso machucou. Talvez uma parte de mim esperava que um dia iríamos superar aquelas entrelinhas difusas e confusas. E então viveríamos juntos.
Não percebi até que perdi você. Não percebi que sonhei viver ao seu lado. Em uma casa nossa. Meu trabalho e seu trabalho. Nossos corpos. Eu imaginei nós juntos sem perceber. Quando você partiu eu percebi eu percebi meus sonhos. Pois eles deixaram o plano da conquista, para o fracasso.
Uma pena que você sentiu de amar outro alguém. Gosto de imaginar que me amou assim como te amei. Mas não conseguimos superar a fragilidade de nossas vidas e expressar sinceridade sobre isso.
Já faz alguns poucos anos. Ironicamente eu ainda te amo. E você já se prepara pra outros planos. Às vezes até sonho. Sonhos que não posso mais realizar.
Continuo aprimorando minha vida e minha saúde por mim. Mas tem sido solitário.
Quando o amor vem? Acho que eu deveria abrir portas para que entre. Talvez este seja parte do meu processo de aprimorar.
Então tenho que aprimorar para alcançar amor. Novamente solitário.
Ser um adulto significa muitas coisas. Inclusive aceitar a dor de crescer. Devo dizer que pareço uma criança adulta em negação.
Me sufoco por pensar que não estou indo ou fazendo o suficiente para ser aquele adulto independente. Sofro ao refletir sobre minha própria saúde fidica, nada boa, que parece colocar sob joelhos sobre o significado de viver.
Como posso ser, o suficiente, quando passo horas doente ou lutando para não estar doente? Okay, talvez a criança em mim deva aceitar. Aprendo e me recupero.
Mas não posso evitar, que grande merda que seja assim.
Vontade louca de enfiar a cabeça no travesseiro e gritar. Não restaria ar em meus pulmões, nem vibrações para minha fala.
Logo após um grande e abafado grito, viria o silêncio. Soam cansaço e também alívio.
i don’t even know what to do. every single day i don’t even know what to do
Sua família deve te amar.
Uma grande mentira contada por todos.
As vezes eu só preciso um tempo das pessoas. Ficar sozinho e aproveitar minha plenitude. Também há beleza no sozinho.
Cansado de me masturbar pensando em você, enquanto nem amigos somos mais.
Porra. Literalmente. Figurativamente.
Me perguntaram quanto tempo eu não me machucava mais. E eu disse 3 anos.
A verdade é que não faz menos de alguns meses. Mas o que dói de verdade é a mentira, porque guardar algo tão dolorido mesmo de pessoas que simplesmente querem nosso bem?
Eu demorei tanto tempo para perceber que te amava. Depressão engoliu meus sentimentos e minha palavras. Nunca soube se um dia “Te Amo” foi reciproco. E se quer um dia foi, hoje você as dão para outro.
Não ouve tempo em minha vida que eu não pensei sobre meu futuro. Claro, abro a grande exceção para aquela remota infância, quando meramente existir, não tinha significado algum.
Venho aos poucos aprendendo a viver o agora. Deixar a ansiedade que vem, me enche de euforia, desespero e inseguranças de lado para colocar em frente uma pessoa viva, apenas.
Apesar disso, meu corpo me chama. Meu corpo me chama atenção para meu futuro. Estar doente ou com a saúde mediamente debilitada é requer uma pausa, ou sequer ao menos, um elemento de reflexão. Aquele elemento que precisa analisar atitudes para serem tomadas agora, para que no futuro possa continuar vivendo.
E é neste que vive o problema. Talvez eu não tenha me feito entendido a tal ponto, mas destaco minha questão. Nos primeiros momentos da minha vida que me desprendo dos pensamentos desesperadores sobre o futuro, sou obrigado pela saúde do meu corpo, a retorna ao pensamento “e quanto ao meu futuro?”.
Preciso mudar tudo, a forma que vivo, alimento, socializo, exercito. Esses são enormes enfrentamentos para mim. Digo, como uma pessoa a qual experienciou desde depressão, a qual ainda vivo com, distúrbios alimentares, ansiedades e bordeline, parece exaustivo.
Aqui estou, na beira da minha vida, e questiono no fundo da minha mente, com medo de expor para qualquer tipo de instância que possa ouvir e julgar a natureza deste pensamento - vale apena cuidar de minha saúde?
Poderia apenas viver, enquanto posso, esse momento, e deixar que a natureza me coma vivo, como faz simplesmente como ciclo natural de muitas outras coisas vivas. Ou apenas estou sendo muito niilista ou depressivo ao simplesmente assumir que a este ponto da vida, dizer que eu preciso mudar tudo para que amanhã seja melhor, parece uma grande irônia.
Eu passei minha vida tentando fazer o amanhã melhor. O amanhã nunca foi o que eu esperei.