Volta gugamania!
Coluna Papo Olímpico publicada nesta quinta-feira (12.03) no Jornal de Brasília.
Foram seis horas e 42 minutos de partida. Um recorde. No último domingo (8), o brasileiro João Souza, conhecido com Feijão, e o argentino Leonardo Mayer protagonizaram uma partida histórica no Grupo Mundial da Copa Davis, disputada em Buenos Aires, em solo hermano. Foi a partida mais longa da história da Copa Davis e o segundo jogo mais longo da história do tênis mundial. O brasileiro caiu diante do argentino por 3 sets a 2 (7/6, 7/6, 5/7, 5/7 e 15/13). Feijão foi um guerreiro, ao salvar dez match points antes de ser vencido pelo cansaço. Dificilmente teremos uma partida como esta nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. Nas Olimpíadas as partidas são de três sets e somente as finais masculinas contam com cinco sets. Será mais difícil ainda ver um brasileiro na final de simples. Com os pés no chão, a nossa única chance é nas duplas, com Marcelo Melo e Bruno Soares. Em Londres 2012, a dupla terminou em quinto lugar, sendo derrotada nas quarta de final pelos franceses Michael Llodra e Jo-Wilfried Tsonga, que ficaram com a prata olímpica. A melhor participação nacional no simples foi com o brasileiro/argentino Fernando Meligeni, quando ficou perto de uma medalha nos Jogos de Atlanta, em 1996. Meligeni começou vencendo o indiano Leander Paes na disputa pela medalha de bronze, mas perdeu a partida por 2 sets a 1. Nos últimos anos o tênis nacional só ganha destaque na mídia quando é protagonista de momentos inusitados, como o do Feijão. Às vésperas do Rio 2016, até que poderíamos sonhar com a volta de algo similar com a gugamania. Vale lembrar que nos anos 2000, o tênis tinha destaque com os títulos de Gustavo Kuerten. O manezinho da ilha chegou ao topo do esporte ao se tornar o primeiro colocado do ranking mundial. Com um lugar no Hall da Fama da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), Kuerten é o maior tenista brasileiro da história. Guga disputou duas edições dos Jogos Olímpicos. Em Sidney, em 2000, disputou os Jogos sendo o número 2 do Mundo. Porém, o brasileiro foi derrotado nas quarta de final pelo russo Yevgeny Kafelnikov. Quatro anos depois, em Atenas, perdeu na primeira rodada para a “zebra” chilena Nicolás Massú. O curioso é que os vencedores do Gugu levaram as medalhas de ouro nas respectivas competições. O tênis tem um público pequeno, porém, fiel no Brasil. Contar com atletas campeões faz com que o esporte ganhe visibilidade e vire tradição no país. Foi assim com o futebol e o vôlei. No tênis, precisamos de uma nova versão do Guga. Para, quem sabe, sonhar novamente com uma espécie de gugamania.
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