Pode parecer mentira, mas o amor verdadeiro aceita todas as dores. Ele nos acolhe de corpo, alma e vísceras. Quem ama tem desejo de cuidado. E se o outro estiver com feridas que ainda não cicatrizaram, o amor é responsável pela cura. Porque amar o outro quando ele terminou de fazer um “chek up” médico completo e o resultado foi bom, é fácil. E cá entre nós, é muito mais fácil amar quando o outro está feliz e bem humorado. É fácil amar quando o outro está fazendo festinha em si mesmo e distribuindo sorrisinhos de bandeja pra todo mundo. Difícil é amar na dor, na doença, no choro, no desespero. Difícil é amar quando o outro não tem mais rumo, não tem mais esperanças, não tem mais nada de bom pra oferecer. Difícil é amar quando está feio, desarrumado, desarmado. Difícil é amar quando só se tem olheiras e ossos porque isso foi a única coisa que a vida te deixou. Acredite em mim, o amor de verdade mesmo vem de mansinho pra não ferir. Se chegou invadindo tudo e fazendo bagunça, cuidado! Quem chega com as malas prontas já está preparado pra partir. O bom é quando vem só com a roupa do corpo, depois trás um livro, uma escova de dentes, um travesseiro, um chinelo velho e vai trazendo um pouquinho de cada vez, e vai ocupando todos os lugares sem pressa… E quando vemos já estamos amando o cheiro, a voz, o toque porque veio com jeito. Não invadiu. Não chegou abrindo a geladeira, colocando os pés no sofá da sala e impondo ordens. Veio com tempo, com paciência, com dedicação. E assim a gente aprende a amar as dores, aceitar as feridas, tratar os traumas porque veio sem disfarces. E quando aprendemos a amar de cara e coração limpos, é sinal que veio pra ficar.