Nova York, Quinta-Feira, 14 de Julho de 1977.
Na noite de ontem (13) raios atingiram a permanente subestação de energia Edison ao longo do Rio Hudson. Os raios queimaram dois circuitos da estação e desencadeou uma cadeia de eventos que resultaram em um apagão massivo que atingiu toda a cidade de Nova York. Maior parte dos moradores ficaram sem energia por volta das 21h30min, parte deles por mais de 24 horas. Uma série de dispositivos anti-falhas no sistema deveriam prevenir um ocorrido tão catastrófico, todavia, os raios em conjunto com vários erros dos operadores e a falta de manutenção produziram uma reação em cadeia que eventualmente desabilitou o gerador principal que distribui energia para a cidade de Nova York.
O apagão não poderia ter vindo em um pior momento para a cidade que enfrenta uma das maiores recessões financeiras desde a quebra da bolsa de valores em 1929. Simultaneamente à falta de energia, cidadãos decidiriam iniciar uma série de manifestações aproveitando o momento para reclamar das mazelas e negligências dos governantes. Economistas já afirmam que o dia de ontem marcará um dos pontos mais baixos de Nova York. O apagão, entretanto, apresentou a oportunidade única das minorias sociais ascenderem ao poder. É normal que “subclasses”, em uma crise como essa, não se sintam compelidas a seguir as regras do jogo, vez que elas passaram a ter consciência de que as regras dos governantes não se aplicam às minorias.
A cidade se enfureceu numa escuridão imperdoável. Na última checagem, estima-se que foram depredadas e danificadas cerca de 1.616 lojas, economicamente, $155 milhões em negócios perdidos. A noite de terror marcada por 36 horas em um dos bairros mais afetados pelo apagão, o Bronx, registra mais de mil incêndios - tendo 14 deles acionado os bombeiros. Aconteceu também a maior prisão em massa de toda a história de Nova York, foram 3.776 pessoas detidas. As cadeias sofreram com a superlotação e os excedentes foram realocados em porões e outras celas improvisadas. 132 policiais feridos deram entrada na emergência na noite de ano. Os congressistas ainda estudam quais serão os danos da catástrofe para os investimentos na bolsa de valores, mas todos afirmam a mesma coisa: para Nova York, nada nunca será exatamente igual.
No Bronx, os moradores se organizarão em um mutirão no Centro Comunitário para arrecadar roupas, alimentos e produtos de limpeza e higiene pessoal para as famílias vítimas dos vários incêndios na noite anterior. E em um terreno baldio ao lado do Centro Comunitário, a partir das 11 horas, algumas pessoas se aproveitarão da falta de policiamento no distrito e do aval de Jose Carlos Fuentes para revender mercadorias roubadas durante o apagão, parte do dinheiro arrecadado também será destinado às famílias que perderam o que tinham nos incêndios.





