Levou as mãos para cima, tranquilamente pondo os fios de cabelo atrás de uma das orelhas, possibilitando para que a outra visse o perfil do seu rosto enquanto sorria timidamente após a confissão, olhando direto para o copo em sua frente em uma tentativa de evitar o contato com a outra, pois talvez soubesse que não seria uma simples troca de olhares e que bem no fundo, gostava da atenção que recebia da inglesa, mesmo que a principio parecesse errado. Passava os dedos sobre a mesa, sutilmente aproximando-os do copo com resquícios de bebida e gelo derretido, empurrando-o devagar para mais longe em uma típica ação de inquietação, não sabendo como se portar diante à situação, pensando muito bem antes de novamente respondê-la. ❛ — Não sinta. ❜ Ordenou baixo, olhando-a intensamente ao fazer menção de um sorriso. Não gostava daquele sentimento de pena, não era como se não tivesse tido escolha na decisão, já que havia sido sua proposta, baseada em suas escolhas, de certa forma egoístas, logo precisava ser sincera consigo mesma, começando com as pessoas que acreditavam que o divórcio seria ruim para a americana, quando na verdade seria consideravelmente bom. ❛ — Ou você só está sendo gentil. Anyway, I don’t care much. That’s the truth, girl. ❜ Confessou, definitivamente não era o tipo de pessoa que se importava muito com as fofocas que corriam pela cidade, mesmo que fossem sobre sua vida que mantinha privada à todo custo. ❛ — Bem. Um pouco estressada com o processo. But that’s all, really. ❜ Mentiu, muito mais para proteger a si mesma do que seria uma conversa massante. Sentiu a mão alheia pousar sobre seu joelho, estranhamente proporcionando-lhe uma corrente de excitação, que misturada com sua curiosidade não tão recente, a fez inconscientemente levar a mão também à própria perna, pondo-a sobre a mão da outra e a puxando para cima de forma imperceptível através de sua coxa, aumentando sua respiração ao observa-la, mas tal toque não durou muito assim que a mão alheia escorregou de sua perna, fazendo com que tivesse uma reação automática de realinhar sua postura. Rapidamente levou a mão ao seu celular em cima da mesa, puxando-o para perto de si ao observar a morena com o canto dos olhos e de cabeça baixa. ❛ — Não sobre isso. ❜ Afirmou, olhando em volta ao dar falta das vozes que antes a mantinham sã. ❛ — Mas parece que você vai fechar, talvez eu devesse ir embora. ❜
Era difícil não encará-la. Aproveitou-se um pouco da situação de não ter o olhar alheio sob si para observá-la sem qualquer receio, seu olhar descendo pelo corpo da amiga de forma discreta antes de voltar para seu rosto. Ouvir as seguintes palavras seguida daquele olhar foi o suficiente para causar um arrepio em Brooke, soltando inconscientemente um leve suspiro poucos segundos depois que seus olhares se encontraram. Admirava sua força e o modo como lidava com a situação com maturidade. Era engraçado o quanto tudo que Natalie fazia ou passava naquele momento parecia ser um atrativo para a mais nova. Seu sotaque, a segurança que passava em sua fala, o olhar intenso, era praticamente um conjunto de coisas que a convenciam de insistir um pouco mais no que queria, mesmo que não fosse o momento mais oportuno. “Acho que minha sinceridade prevalece a gentileza, mas é bom que não se importe…” As palavras seguintes da outra deixaram a inglesa sem reação. Não a conhecia o suficiente para saber se de fato era a forma como ela se sentia, mas sabia que, independente de ser verdade ou não, ela havia deixado bem claro que não queria prolongar o assunto. Sentir a mão da outra guiando a sua pela coxa causou-lhe um misto de excitação e esperança, afinal, aquilo parecia ser um sinal positivo para fazer exatamente o que queria, e não demorou para que se xingasse mentalmente por ter tirado a mão de lá. Umedeceu os próprios lábios, achando divertido o modo como a mais velha passou a reagir repentinamente. Enquanto a ouvia e observava o desviar de seu olhar para qualquer lugar que não fosse para si, aproveitou-se da proximidade entre suas pernas para passar seu pé pela panturrilha da outra. “Você quer ir embora?” Manteve o pé no mesmo lugar, apoiando ambos os cotovelos na mesa diante de si, diminuindo ainda mais o espaço entre elas. A proximidade entre as duas fez com que as palavras saíssem em um tom de voz baixo. “Eu posso fechar aqui e… Tentar te acalmar. Já que você tá estressada. Conheço métodos muito bons que vão te fazer se sentir mais relaxada.”