Livro Nudez
12.fev.2017
Para começarmos a falar sobre corpo, nudez, tabus e os pudores, vale voltarmos a primeira grande história sobre que esbarra nesses temas.
"Então os seus olhos abriram-se e conheceram que estavam nus" O único conteúdo do conhecimento do bem e do mal é, portanto a nudez: mas como a nudez como primeiro objeto e conteúdo do conhecimento? Que se conhece quando se conhece uma nudez?" Giorgio Agamben, Nudez - Filosofia 2009.
"A bíblia não diz seja de que maneira for que Adão e Eva antes do pecado não podiam ver a sua nudez por esta estar coberta por uma veste de graça. A única coisa certa é que no começo Adão e Eva estavam nus e não experimentavam vergonha. Depois da queda, sentem em contrapartida, a necessidade de se cobrirem com folhas de figueira. A transgressão do mandamento divino implica portanto, a passagem de uma nudez sem vergonha a uma nudez que deve ser coberta"
"Na tradição da comunidade cristã dos primeiros dois séculos, a única ocasião em que se poderia estar nu sem vergonha era a do rito baptismal, que não se aplicava habitualmente a crianças recém-nascidas (o batismo das crianças de tenra idade só se torna obrigatório quando a doutrina do pecado original é admitida por toda a Igreja), mas sobretudo aos adultos e comportava a imersão na água do catecúmeno nu na presença dos membros da comunidade (é esta nudez ritual dos batismos que se deve a relativa e de outro modo inexplicável tolerância da nudez balnear na nossa cultura)."
"O corpo do outro é sempre na origem um corpo em situação; a carne, pelo contrário, aparece como pura contingência da presença. Habitualmente é mascarada pela cosmética, pelo vestuário, etc; mas mascarada sobretudo uma bailarina, ainda que nua. O desejo é tentativa de despojar o corpo dos seus movimentos como das suas vestes para o fazer existir como pura carne; é uma tentativa de encarnação do corpo do outro." Satre no capítulo O ser e o Nada.
"O corpo é um instrumento que manifesta liberdade"













